De Outra Maneira
8 Capítulo VIII
Notas iniciais
Acordei com um pequeno sacolejo do meu lado. Abri os olhos lentamente e pude perceber a claridade do sol entrando através das cortinas da janela. Olhei para o meu lado e Cauê estava se mexendo, ainda adormecido. Imediatamente me lembrei da noite de ontem e não pude deixar de dar um sorriso. Eu estava apaixonada por Cauê, mais do que por Tobias. Aliás, depois de todo aquele ocorrido com Luíza, ninguém naquela escola queria me ver, nem pintada de ouro. Achavam que eu era uma bruxa, e de fato eu sou! Só preciso desenvolver meus poderes, fazer um ritual para envelhecer como uma e me livrar de Sabrina. Depois disso eu viveria feliz para sempre com Cauê.
Por falar na Sabrina, eu não fazia a mínima ideia de onde ela estaria nesse momento. Talvez no reformatório, procurando por mim. Algo me dizia que ela viria atrás de mim.
Afastei aqueles pensamentos ruins e me virei para abraçar Cauê de conchinha. Acho que apertei um pouco demais, porque ele deu um suspiro e se virou, para me encarar.
– Bom dia, flor do dia! – Ele disse e beijou a pontinha do meu nariz.
– Bom dia! – Respondi, abrindo um largo sorriso.
Ele sorriu e me encarou por alguns segundos.
– Eu adorei a noite passada. – Ele disse, me fazendo corar. – Quero me casar logo com você.
Eu ri.
– Ei, vamos com calma, senhor Apressadinho! – Dessa vez quem beijou a ponta do nariz dele foi eu. – Eu tenho que virar uma bruxa ainda.
– Você já é, Lana. – Só vamos aflorar os poderes que existem dentro de você.
O sorriso dele era tão surpreendentemente sedutor que eu não pensei duas vezes em lhe tascar um beijo na boca. Ele colocou as mãos nos meus cabelos e deu uma puxadinha, fazendo-me arrepiar toda.
Fomos obrigados a parar o beijo quando alguém bateu fortemente em nossa porta.
– Desculpe atrapalhar os pombinhos, — A pessoa disse, reconheci ser a voz da Jacque. – mas o café da manhã será servido daqui a pouco!
Nada respondemos. Somente arqueei uma sobrancelha para Cauê e levantei para colocar uma roupa. Eu estava nua, enrolada em um lençol. Então me lembrei de que eu não havia trazido roupa alguma do reformatório.
– Cauê! – Eu disse, meio envergonhada por ver meu namorado completamente nu. – Eu não trouxe roupas.
Sem dizer nenhuma palavra, Cauê abriu a porta do guarda roupa que havia no quarto. Ele estava cheio de roupas femininas e naquela porta havia principalmente vestidos. Deduzi que eram todos da outra eu, que Sabrina matou naquela floresta.
– Uau! – Eu exclamei, passando a mão pela maciez de todos os vestidos. – Isso tudo era... – Eu não consegui terminar.
– Seu! – Cauê terminou para mim. – Todas essas roupas eram da Allana da sua outra vida. Pode usar qualquer um!
– Mas será que Emanuel não achará ruim? – Perguntei, receosa.
– Lana, ele é seu pai! E não venha me dizer que você não mais aquela Allana, porque você é sim! – Cauê me cortou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. – Sua alma é a mesma, você é a mesma. Só precisamos aflorar a bruxinha que existe aí dentro.
Eu o abracei e não percebi que o meu lençol havia caído. Quando nos separamos, percebi que ele não parava de olhar para o meu corpo. Olhei para baixo e me vi nua. Rapidamente peguei o lençol, meu rosto estava queimando de tão enrubescida que eu estava.
– Acho melhor eu me trocar. – Eu disse, tentando ficar menos tímida. Ele sorriu e entrou no banheiro.
***
Cauê e eu seguíamos de mãos dadas para a sala de jantar, ou do café da manhã. Eu havia colocado um vestido azul claro e uma sapatilha igualmente azul, que eu havia encontrado no guarda roupa da outra Allana. Cauê vestia uma camiseta verde e uma bermuda cinza.
– Bom dia! – Emanuel disse, quando nos acomodamos na mesa. Estavam todos lá, nos esperando para começar a comer.
– Dia! – Cauê respondeu animado, e eu abri um largo sorriso. Haviam pães, frios, sucos e frutas para o café. Todos começaram a comer.
– Então, senhor Emanuel. – Henry começou, se dirigindo para o meu pai. – Segundo o livro dos Rituais Bruxos, podemos fazer o da Allana essa noite, pois teremos Lua Cheia.
Ritual? Será que eu iria me tornar bruxa essa noite?
– Ótimo! – Meu pai respondeu. – E do que vamos precisar?
– De quatro voluntários, quatro velas, tinta vermelha e uma fogueira. – Melissa respondeu. – As meninas e eu estamos cuidando de tudo.
– Perfeito! – O velho comemorava. – Eu vou presidir o ritual, tudo bem?
Todos assentiram.
– E você, Lana? – Jacque me perguntou, com um sorriso no rosto. – Está de acordo?
– Bom, acho que sim! – Respondi, meio insegura. – É que eu não faço a mínima ideia de como é esse ritual!
Todos sorriram, solidários.
– Vamos te ajudar. – Jacque completou. – E dará tudo certo.
Eu sorri e beberiquei um pouco do meu suco de uva. Estava ficando nervosa para o ritual, que aconteceria nessa mesma noite.
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