De Outra Maneira

18 Capítulo XVIII


POV’S CAUÊ

Finalmente estávamos em casa. Jacqueline, Melissa, Lívia, Sabrina e eu. Todos estávamos em silêncio, pois estávamos voltando do enterro de Emanuel. Eu estava com muita dor de cabeça. Me sentei no sofá e comecei a me lembrar de tudo o que havia acontecido no dia anterior. Emanuel passando mal, nossa conversa no hospital sobre casamento, Sabrina vir correndo e chorando avisar sobre a morte do pai, o enterro que havia acontecido hoje de manhã...

Oh, céus! Emanuel não estava mais conosco! Ele nunca saberá que a Allana que conhecemos é a sua filha verdadeira. E o pior de tudo é que eu aceitei me casar com Sabrina! Porque eu fiz isso? Talvez pelo fato de ver Emanuel tão frágil, me implorando esse favor... Mas não! Me casar com Sabrina não aconteceria nem no meu pior pesadelo! Eu precisava encontrar a Allana e teria que ser rápido! Mas como? Eu não fazia ideia. Comecei a soluçar ali mesmo e tapei meu rosto com as mãos.

Senti que alguém se sentou do meu lado e começou a acariciar minhas costas. Olhei devagar, imaginando ser a Jacque ou a Mel, ou até mesmo a Lívia, mas era Sabrina. Eu levantei abruptamente, gritando em seguida.

— Não encosta em mim, sua vaca! – Sabrina pareceu se assustar e lágrimas brotaram em seus olhos. Meu Deus, essa garota só sabia chorar agora?

— Não fala assim comigo! – Ela disse com uma voz chorosa. – Meu pai disse que a gente vai se casar!

Fiquei sem reação. Emanuel contou para Sabrina. Ela faria da minha vida um inferno agora se não nós casássemos.

— Você está louca, garota? – Jacqueline gritou. – Aposto que está inventando!

— Para de ser mentirosa! – Melissa também gritou.

— É verdade. – Eu admiti. Elas me lançaram um olhar de choque, confusão e decepção. – Emanuel quer que eu me case com Sabrina.

Um silêncio profundo e angustiante tomou conta do ambiente por alguns segundos.

— Cauê, você aceitou? – Jacque praticamente me cuspiu as palavras.

Eu assenti, tristemente.

— Ele queria que eu assumisse o controle do reino, mas como não sou herdeiro, terei que me casar com ela. – Justifiquei.

Outro silêncio. Eu estava começando a ficar com medo do modo que Jacque estava me encarando.

— Você enlouqueceu? – Ela explodiu. – Essa garota é a assassina da Allana, a garota que você ia se casar, que você amava! Como você pode se casar com ela?

Eu comecei a chorar de novo. Eu não queria que nada disso estivesse acontecendo.

— É a mesma coisa se eu tivesse continuado com o Henry! – Melissa também explodiu. – Eu não estou te reconhecendo, Cauê!

— Eu não tive escolha! – Gritei também. – Eu não queria que nada disso estivesse acontecendo!

Menos de um segundo depois que eu disse aquela frase, Sabrina deu um grito e começou a chorar também.

— Você me odeia! É tão ruim assim casar comigo? – Ela não esperou minha resposta. Saiu correndo pela porta da sala, indo sei lá para onde.

Jacqueline me encarou por alguns instantes. Ela não disse mais nada e subiu furiosamente as escadas. Ouvi uma porta bater. Melissa a acompanhou.

Eu fiquei sozinho com Lívia. Ela não disse uma palavra, apenas me abraçou e sussurrou que ficaria tudo bem.

POV’S SABRINA

Enxuguei minhas falsas lágrimas. Ah, Cauêzito! Você vai casar comigo, querendo ou não! E eu precisava dar a notícia para Henry e a sonsa da Allana, queria despedaçar o coração dela. Percebi que todos na rua me olhavam estranho. Alguns com pena e outros com confusão. Mas foda-se, não estava nem aí para ninguém.

Depois de alguns minutos de caminhada, avistei minha cabaninha. Entrei sem bater.

— Henry! – Gritei. Alguns segundos depois, o panaca surgiu na minha frente com um olhar de espanto.

— O que foi, Sabrina? – Ele perguntou.

— Meu pai morreu.

Henry arregalou os olhos e ficou sem reação.

— O que, como? — Ele estava sem palavras.

— Cadê a Vacana?

— A ALLANA está no quarto. – Ele enfatizou o nome Allana. Foda-se.

Eu passei na frente dele e abri a porta. Ela estava deitada na cama, provavelmente pensando no meu noivo. Ela se sentou imediatamente quando meu viu.

— Allana, papai morreu! – Eu soltei e fiz cara de triste. Ela pareceu bem surpresa, mas não triste.

— O que? Como assim, Sabrina? – Ela disse com aquela voz de sonsa.

— Ele passou mal e morreu, ué. – Eu respondi.

— Como assim passou mal? – Dessa vez foi Henry que perguntou.

— Ai, que saco! – Esbravejei. – Vocês fazem perguntas demais! Ele passou mal e levamos para o hospital. Os médicos disseram que era um câncer silencioso e ele morreu.

Nenhum dos dois falaram nada. Apenas se entreolharam.

— Ah, Henryzito. – Continuei falando. – Meu plano deu certo. Certo até demais. Meu pai me aceitou de volta antes de bater as botas e ainda por cima exigiu que eu me casasse com Cauê, acredita? – Abri um sorriso de orelha a orelha e olhei para a Vacana. Era incrível a capacidade dela de chorar tanto. Meu Deus! Já estava com lágrimas nos olhos!

— Cauê nunca vai aceitar! – Ela disse, com a voz carregada de choro.

— Querida, ele já aceitou! – Eu rebati. – Ele vai se casar comigo. Não te ama mais!

Dessa vez Allana abriu o berreiro. Oh, menina chorona!

— Você está mentindo! – Ela gritou.

— Não estou, vadia! E você é convidada de honra do meu casamento! Aliás, Henry! Preciso falar com você. – Empurrei Henry para fora do quarto, que ainda estava sem reação. Panaca. Fechei a porta e baixei meu tom de voz para continuar. – É o seguinte: quero segurar a Allana aqui até o dia do meu casamento.

— E quando será? – Ele perguntou.

— E você acha que eu sei? Nem sei porque Cauê aceitou se casar comigo. Mas o que interessa é que ele aceitou.

— E como vou levar Allana até o casamento?

— Vocês vão ver de longe, sem serem vistos. Se necessário, use magia para deixá-la imóvel. Quero que ela veja que eu venci! Depois você dá um sumiço nela, ok? Leva para qualquer lugar.

Henry pareceu meio receoso em colocar o plano em prática.

— Sabrina, isso não é certo! – Ele disse e eu revirei os olhos.

— Para de ser idiota! – Explodi. – Faça o que eu mando ou eu mato a Melissa. E a Jacqueline também, ela está enchendo o saco!

Henry engoliu em seco. Até parece que ele me deixaria matar algumas das duas. Eu o tinha nas minhas mãos.

— Tudo bem, Sabrina. Farei o que você quiser.

Eu sorri maliciosamente.

— Ótimo. – Respondi e caí fora daquela cabana. Precisava voltar para casa e ficar perto do meu noivo.