Notas iniciais
Olá! Lembrando que aqui os personagens foram mantidos como na obra original. Myszowor = Mousesack/Arminho Jaskier = Dandelion Plotka = Roach/Carpeado Boa leitura!

A rota tomada pelo capitão foi um pouco diferente da que Geralt estava acostumado, e por causa do intenso frio que era comum por aqueles lados e piorara por conta da chegada do inverno, levaram quase o dobro do tempo para chegarem nas Ilhas.

Houve uma breve parada na ilha Hindarsfjall. Um dos passageiros havia adoecido, e o capitão e a esposa do homem debilitado temeram que ele não aguentasse o tempo que restava para chegarem no destino final. O resto dos passageiros e tripulantes não desceram ali. O frio era pesado, e alguns sequer foram curiosos o bastante para ver o homem sendo carregado para fora. Mas Geralt e Jaskier viram, um pouco distantes, como ele foi recebido pelos membros do templo de Freya. Ele seria bem cuidado, o bruxo teve certeza disso, mas não ocupou a mente no assunto por muito tempo. O grosso capuz foi puxado um pouco mais para a frente, cobrindo o rosto totalmente quando chamou o poeta para voltarem para dentro.

Longas horas mais tarde, ambos se despediram do capitão, finalmente em Ard Skellig. Dois cavalos foram alugados, e com a rota diferente e a parada fora dos planos, o porto de Kaer Trolde ainda precisava de um longo caminho para ser alcançado. De Guélrúbia eles seguiram para Blandare. Um dos guardas de An Craite dissera que haviam chegado ali por volta do fim da tarde, porém, a neve que caía sobre eles impediu o dia todo de identificarem que horas era ou se ainda era dia ou noite. O céu estava constantemente escurecido, mas Geralt notou que não era o suficiente para chamar de noite quando os cavalos alugados foram amarrados em um pequeno estábulo.

Blandare era pequena e bastante simples, mas a longa e desconfortável viagem de navio junto do frio congelante de Skellige não permitiu que Jaskier reclamasse; ele até mesmo ficou aliviado e agradecido quando entraram na única taverna daquele lugar, que também servia como pousada, e sentiu o corpo aquecer aos poucos com a grande lareira que ficava no centro do ambiente.

Foi um pouco estranho se sentarem em uma mesa completamente limpa e que permanecia firme e imóvel. O navio balançava sem interrupções; ás vezes era levemente, mas na maioria do tempo Jaskier sentia que o mar poderia virá-los a qualquer momento. Ele ficou apavorado por mais vezes do que gostaria de lembrar, e demorou para se acostumar a dormir em um ambiente como aquele.

Quando decidiu embarcar junto de Geralt, seu plano era dividirem uma cama, mas a falta de espaço e o pagamento de última hora culminou em uma rede no lugar de um colchão, e as cordas amarradas o faziam balançar muito mais do que o próprio navio. Não havia Geralt para aquecê-lo, pois obviamente ambos não cabiam naquele mesmo espaço, e revezavam os horários para dormir. Era frustrante, mas não tanto quanto tê-lo ao lado por tanto tempo, pela primeira vez sem dúvidas do que os olhares em sua direção significavam, e não poder fazer nada além de olhá-lo de volta.

Eles sempre tinham companhia no navio, e o máximo de contato que se atreviam a ter, era quando as noites eram frias demais e precisavam sentar um pouco mais perto um do outro.

Ás vezes, durante a noite, Geralt se sentava no chão, ao lado da rede escura. Os outros dormiam ou ao menos tentavam, mantendo os olhos fechados, então ele se atrevia a tocar o rosto do poeta com seus dedos frios, e a carícia era retribuída nas costas de suas mãos. Era o mais longe que haviam ido durante a viagem, e isso os fazia ainda mais ansiosos e com estranhos sentimentos no peito.

Nenhum dos dois havia experimentado aquele tipo de ansiedade antes. Até mesmo nas paixões do passado que haviam tido grande significado em suas vidas, nunca houvera aquela lentidão para o que realmente queriam fazer acontecer. Os toques simples nunca haviam sido notados ou tido grandes significados como era entre ambos. Os olhares pareciam mais intensos e as curtas palavras sussurradas com segundas intenções faziam os corpos estremecerem com força com a simples ideia de envolver um ao outro em seus braços. Era estranho, inquieto, mas bom.

O poeta gostava dos flertes que sabia que demorariam a levá-los a algum lugar; a ansiedade o agitava, mas ele se sentia completamente inspirado por ela e pelo coração acelerado por gestos tão simples como um toque suave em seu rosto. Até mesmo já havia escrito uma balada que descrevia aqueles sentimentos, sobre Geralt e ele, mas ela estava muito bem guardada e esperando o momento certo para ser mostrada.

Jaskier se sentia tolo com a paixão que antes mantinha controlada em rédeas curtas e agora nem sequer tinha uma para ser segurada de forma alguma. Ele se perguntava se Geralt se sentia da mesma forma, se o bruxo também o havia amado por um longo tempo, a ponto de achar que aquilo nunca mudaria, para chegar ali, em uma pequena vila de Ard Skellig, com o sentimento ainda maior e sem sinal de que pararia de crescer. Ele queria perguntar, mas, mesmo com todos os discretos toques e olhares que não eram tão escondidos assim, nenhum deles ousou tocar diretamente no assunto.

Jaskier sabia que logo teria que abrir o coração, ele não tinha medo, só pensava pela primeira vez que aquilo deveria ter um momento certo e privativo. Aquela relação que queria com o bruxo não seria como qualquer outra; ele aprendeu ainda mais sobre isso durante a viagem, e não desejava levá-la com a mesma imprudência com que tratou seus casos passados. Ele planejara conversar com Geralt em Kaer Trolde, e a todo o momento se esforçava para manter a boca quieta para não estragar tudo o que havia ensaiado em qualquer lugar. O poeta queria que fosse em um momento especial, e tinha certeza que era ele quem deveria dar aquele passo, pois o bruxo se enrolaria nas palavras ou se zangaria por qualquer bobagem ou simplesmente iria ficar mudo. Jaskier podia imaginá-lo com perfeição daquela forma, e por isso acabou soltando uma fraca risada, enquanto tomava um gole do hidromel que havia pedido na pequena taverna.

— O que houve? — Geralt perguntou, um pouco antes de também provar a bebida. O corpo esquentou levemente por causa do álcool, mas ele não sentia tanto frio como antes. Os olhos brilhantes em sua direção já o aqueciam o suficiente.

Jaskier riu outra vez e balançou a cabeça. Havia alguma comemoração acontecendo do lado de fora, em volta de uma grande fogueira, por isso eles estavam sozinhos no salão, então, não se preocupou em ser discreto quando apoiou o cotovelo na mesa para apoiar o rosto em uma mão, enquanto a outra tocava a do bruxo sobre a mesa. Ele sorriu um pouco mais, se sentindo bastante confortável enquanto seus dedos o acariciavam levemente.

— Eu só estou feliz porque finalmente podemos dividir uma mesa sozinhos — Jaskier riu outra vez. Todas as refeições no navio eram feitas junto dos tripulantes e passageiros, e todos os dias ele almejou por um momento simples como aquele.

Geralt também sorriu. Ainda que bastante discreto, conseguiu balançar o coração do poeta um pouco mais, principalmente quando retribuiu a carícia em sua mão, a ponto de quase entrelaçar os dedos.

— Eu não vejo a hora de deitar em uma cama de verdade — ele confessou divertido, porém, os olhos logo se tornaram sérios e sedutores quando a voz ficou um pouco mais baixa. — Só você e eu.

O sorriso de Jaskier automaticamente aumentou, assim como o ritmo acelerado de seu coração e o suave calor que o abraçava com o toque das mãos. A boca se abriu, pronto para mostrar que desejava o mesmo, porém, os barulhos do festejo do lado de fora chamaram a atenção de ambos. As risadas e música pararam subitamente, e no lugar dos sons animados, gritos que continham pedidos de socorro os alertaram.

O bruxo rapidamente se levantou. A dona da pousada se aproximou, pronta para ver o que estava acontecendo do lado de fora, mas Geralt a obrigou a ficar ao lado de Jaskier e ordenou que ambos ficassem ali dentro. Eles o observaram olhar pela janela, com a mão levantada, ainda sem saber qual das espadas presas em suas costas deveria desembainhar, mas logo o cabo da lâmina de aço foi segurado, e o bruxo saiu pela porta com urgência.

Não precisava ser um grande especialista para imaginar o que causava a agitação do povo ali fora. Os rugidos eram claros, e a presença de um urso foi revelada, quando algumas das pessoas entraram desesperadas na taverna, em busca de proteção.

Jaskier sabia que não precisava se preocupar, este sentimento só era reservado para quando Geralt precisava lidar com humanos. Quando se tratava de outras criaturas, o bruxo sabia como se virar muito bem, porém, ainda assim, se aproximou da porta da taverna. Ele poderia não estar preocupado, mas a curiosidade, como na maioria das vezes, estava acima do que qualquer outro sentimento negativo que poderia ter em um momento como aquele. Mas, em respeito às pessoas apavoradas atrás de si, que se abraçavam e gritavam desesperados a cada grunhido do animal, ele abriu apenas uma pequena fresta, o suficiente para espiar com um dos olhos.

Ele não teve muito o que ver da ação. O bruxo foi rápido, e quando conseguiu encontrá-lo, perto da grande fogueira lá fora, a espada de aço já estava completamente suja e o urso caído ao seu lado.

As pessoas de dentro da taverna se agitaram e alguns até mesmo xingaram o poeta, quando ele abriu a porta totalmente. Ele estava prestes a respondê-los, quando a voz do bruxo soou primeiro que a sua, avisando que não havia mais perigo.

Geralt limpou a espada em silêncio enquanto as pessoas saíam da taverna e das pequenas casas ao redor com receio, e só levantou o olhar para todos que se aproximavam quando ouviu o primeiro som de duas palmas se chocando. Ele se sentiu incomodado quando várias outras acompanharam, até que todos o rodearam, batendo palmas enquanto o elogiavam, agradeciam e até mesmo se atreviam a limpar seu rosto sujo de sangue.

As sobrancelhas brancas se juntaram enquanto tentava se esquivar dos toques. Aquelas pessoas não haviam notado que ele era um bruxo? Ele não estava acostumado com aquilo, e enquanto procurava por uma brecha para se afastar deles, o olhar parou não muito longe dali.

Em frente a taverna Jaskier batia palmas com todos eles. O sorriso era largo e parecia provocativo, o que fez o bruxo balançar a cabeça de um lado para o outro. O poeta, mais do que qualquer outra pessoa, sabia o quanto ele odiava aglomerações e bajuladores. Aquele gesto e o sorriso eram provocações, era claro, mas o olhar orgulhoso de Jaskier o fez se sentir um pouco tímido e também tolo.

Geralt tentou se aproximar do poeta, quando algumas pessoas lhe deram um pouco de espaço. Ninguém havia se ferido gravemente, então a ideia de recolher o urso morto e continuar com o festejo veio com ainda mais alegria que tinham antes. Mas, o bruxo só conseguiu se livrar de todos quando mais uma figura conhecida chamou a atenção de seu olhar.

— Geralt! — Ele sorriu por baixo da longa barba bagunçada, enquanto conseguia passar pelas pessoas sem problema algum. — Geralt de Rívia! — A mão se estendeu antes mesmo de alcançá-lo, e o sorriso aumentou quando as palmas se apertaram e o bruxo recebeu leves tapas nos ombros. — Meu bom amigo, como tem passado?

O incômodo pelo contato com as outras pessoas passou de repente, e Geralt abraçou o sentimento saudoso enquanto olhava no rosto envelhecido do druida.

— Saudações, Myszowor — os lábios se curvaram levemente, em um sorriso quase imperceptível. No mesmo momento, o poeta se aproximou. — Você se lembra de Jaskier, não?

— É claro — Myszowor acenou com a cabeça de forma respeitosa, assim como o bardo, quando o viu se aproximar de seu lado. — Espero que este brutamontes não continue te dando trabalho.

— Um pouco — Jaskier mostrou os dentes quando olhou para bruxo e depois voltou para o druida —, mas eu aguento lidar com ele.

Ambos riram com diversão, enquanto Geralt apenas balançava a cabeça em desaprovação. Era de conhecimento geral que o bruxo sempre precisava de ajuda e o bardo estava o tempo todo ao seu lado para ajudar. O conhecimento obviamente era enganoso, fruto de baladas mentirosas saídas daquela cabeça coberta de cabelos sedosos e cheirosos. Geralt tentara se enraivecer ao se lembrar das letras de heroísmo apenas para o lado de Jaskier, mas a deslocada lembrança de seu toque nos fios castanhos o desarmou de forma inesperada.

— O que faz em Blandare? — Ele perguntou para Myszowor, tentando se distrair dos próprios pensamentos que vinham fora de hora. — Não esperava vê-lo em uma vila remota como esta.

— Estou de passagem — o druida olhou em volta, onde as pessoas limpavam o sangue no chão. — Ouvi os gritos e pensei que poderia ajudar, mas que bom que cuidou de tudo rapidamente, Geralt — seu olhar parou um pouco distante dali, onde Geralt e Jaskier viram três cavalos. Dois deles carregavam as companhias do druida e o outro, estava sozinho, esperando por seu dono. — Eu realmente gostaria de conversar um pouco mais, mas eu tenho um casamento para ir.

Ele manteve o ar bem animado enquanto acenava para os homens no cavalo, indicando que logo voltaria para eles, mas o poeta o segurou ali um pouco mais quando seus olhos brilharam com curiosidade e animação.

— Casamento? — Ele perguntou eufórico. Jaskier adorava casamentos. — De quem?

— Oh, um jovem casal — o druida riu em tom baixo —, apaixonados demais para esperar a primavera. A cerimônia será sob Gedyneith...

Em poucos segundos, Geralt e Myszowor viram a animação do poeta triplicar.

— Gedyneith?

— Já ouviu falar da árvore sagrada de Freya, Jaskier? — O druida se mostrou surpreso.

— Mas é claro! — Jaskier disse com orgulho próprio. — É muito famosa, e sempre quis vê-la pessoalmente.

Ele falou com o druida, mas o olhar fora para Geralt, que no mesmo momento soltou um suspiro.

Ah, não, o bruxo pensou com desanimo. Ele estava cansado da viagem, e há poucos momentos, ambos estavam tendo um momento a sós que indicava que duraria até o dia seguinte. Ele não queria sair dali por nada, muito menos para um casamento de pessoas que nem mesmo conhecia.

— Querem vir comigo? — Myszowor fez o convite que o bruxo mais temia. — A cerimônia é simples, mas é sempre muito bonita.

— Nós acabamos de chegar — Geralt foi mais rápido ao explicar, mas não havia tanta firmeza em sua voz, pois sabia que se olhasse para o lado, seria vencido sem nem mesmo lutar.

— Geralt... — a voz de Jaskier foi escutada. Para qualquer outra pessoa, era um tom comum e insistente, mas o bruxo conseguia reconhecer o toque manhoso que infelizmente, era forte contra ele. Bastou um chamado e um toque discreto em seu braço para olhar para os olhos animados ao seu lado e então, bravo consigo mesmo e com o druida, Geralt simplesmente deu de ombros. Novamente, ele havia sido vencido por tão pouco.

— Excelente! — Myszowor exclamou. Em seguida, fez um sinal para que o seguissem. — Podemos conversar melhor no caminho, e quem sabe Jaskier não possa presentear os noivos com uma de suas baladas?

— Ele pelo menos receberá por isso? — Geralt perguntou desanimado. Os ombros estavam baixos enquanto observava Jaskier ir na frente, deixando seu bruxo embalado em raiva e mágoa. Ele achava que o poeta também queria ficar sozinho com ele naquela noite, mas aparentemente, não era bem assim.

— O que você é? — O druida riu. — O agente do bardo?

O bruxo não teve forças nem mesmo para sorrir. De repente, não havia vontade nenhuma ou animação para aquela noite.

— Algo assim — ele respondeu em tom baixo, elevando o humor do amigo druida, mas não conseguindo nem mesmo tocar em seu próprio.

O caminho até a árvore sagrada levaria mais tempo do que realmente tinham para chegar para a cerimônia. Os cavalos alugados estavam exaustos da viagem até aquela pequena vila, mas Geralt nem mesmo se atreveu a usá-los como uma desculpa para ficar. Myszowor e Jaskier pareciam já ter tudo planejado, e após uma breve caminhada com a conversa em que o druida o atualizava sobre sua vida e o bruxo oferecia o mínimo de informação sobre a sua própria, eles usaram apenas os três cavalos para continuar. Myszowor foi levado por um de seus amigos em um dos cavalos, deixando o seu para o poeta e o bruxo.

Jaskier não fez cerimônia para agarrar a cintura de Geralt quando o tempo foi lembrado pelos amigos do druida e a ideia de acelerar o passo fez com que o equilíbrio sobre o cavalo se tornasse um pouco instável. O bruxo era muito bom com as rédeas, mas as pedras e a lama congelada tornavam o caminho desafiador e perigoso, por isso precisara de muito mais atenção do que normalmente tinha em um ritmo acelerado como aquele. Ele estava silencioso, atento no caminho escurecido pela noite, mas, ainda assim, o poeta não pôde deixar de achar aquilo bastante estranho. Era uma quietude que o incomodava, e piorou quando chamou pelo nome do bruxo e não teve resposta.

Jaskier o apertou com força e fechou os olhos enquanto sentia a brisa gelada na pele de seu rosto. Geralt estava bravo. Por um momento, ele não entendeu o motivo, mas quando Gedyneith finalmente foi alcançada e o bruxo sequer o olhou enquanto o ajudava a descer do cavalo, algo em sua mente se acendeu, e Jaskier se sentiu muito estúpido.

Ele havia se empolgado com a ideia do casamento, a árvore, o clima e a companhia do bruxo; era uma combinação bastante bonita e romântica. Sentia a inspiração revirar seu peito apenas em imaginar a cena, mas só fora pensar que o bruxo não via o mundo da mesma forma que ele, quando notou a chateação nos olhos amarelos. Geralt não queria se sentir inspirado, ele queria estar com Jaskier, senti-lo de verdade depois de tanto tempo reprimindo os próprios sentimentos; ele só queria amá-lo e ser amado e, no meio de mais uma festa, cheia de pessoas que eles sequer conheciam, isso com certeza não seria possível.

Jaskier se sentiu chateado consigo mesmo, quando se aproximaram da árvore junto dos convidados. Os noivos já estavam ali, mas ele sequer podia dizer como eles eram, se pareciam felizes, ansiosos ou apaixonados. Ele não viu ou ouviu a cerimônia. O tempo todo, o olhar ficou ao lado, onde o bruxo olhava para o casal com sua expressão neutra de sempre, mas o poeta sabia que por dentro ele estava infeliz.

Ele quis se bater ali mesmo, mas trocou isso pelo desejo de estar mais perto do bruxo. As laterais dos corpos se tocaram, o aquecendo levemente, e o coração acelerou quando finalmente teve o olhar do bruxo de volta. Mas Jaskier não conseguiu encará-lo por muito tempo. Ele logo abaixou a cabeça, e sabendo que todos prestavam atenção unicamente no casal sob árvore, deitou o queixo no ombro de Geralt.

— Eu quero voltar — ele sussurrou manhoso, sabendo que o bruxo reviraria os olhos por causa de sua atitude, mas não se importou.

— Está se sentindo mal? — A voz de Geralt soou baixa e preocupada, mas ele relaxou quando Jaskier balançou a cabeça de um lado para o outro. — Pensei que queria tocar para os noivos.

— Meus dedos estão congelando, e estou usando dois pares de luvas — ele abaixou a cabeça um pouco mais e riu abafado pela grossa capa que o bruxo usava. — Você tinha razão, não deveríamos termos vindo.

— Eu nunca falei isso — disse Geralt, um pouco hesitante, mas se esforçando para não mostrar o que sentia.

— Não precisou dizer — Jaskier riu outra vez, e após olhar em volta por um breve momento, discretamente segurou a mão do bruxo por baixo da capa. — Nós podemos ir embora agora?

Geralt não o respondeu imediatamente. As mãos se apertaram com pouca força, e ele soltou um fraco suspiro. Era raro Jaskier mudar de ideia tão rápido daquela forma, ainda mais com algo que ele realmente parecia querer. Geralt queria olhar seu rosto, para saber que tipo de expressão ele fazia; quem sabe assim, teria alguma pista sobre o que se passava na mente do poeta, mas a cabeça coberta pelo grosso capuz escuro continuou deitada em seu ombro e só se levantou quando os convidados se agitaram em volta de ambos. Eles batiam palmas e felicitavam os noivos. A cerimônia havia terminado, e os dois só notaram momentos depois.

Rapidamente as mãos se soltaram e Geralt lamentou ter que manter a pouca distância. Para ele, era melhor que houvesse nenhum espaço entre eles, mas precisou aceitar que aquele não era o momento para satisfazer os próprios desejos. Jaskier tremia levemente desde um pouco antes de chegarem ali, e voltar daquela forma, no começo da madrugada, não era uma escolha prudente. Ele sabia que deveria recusar o pedido e escolher um abrigo com os druidas até o amanhecer, porém, quando finalmente pôde ver o rosto levemente corado do poeta, ele não conseguiu dar uma resposta negativa.

Você realmente não quer ficar, não é? Ele quis perguntar, mas a presença de Myszowor o interrompeu antes que pudesse externar o pensamento. Mas não foi um motivo para ficar mal-humorado. Felizmente, a pessoa que o druida trouxe junto para apresentar era um feiticeiro, e o bruxo não viu problemas em fazer um pedido um pouco súbito, mas que os ajudaria a voltar para Blandare sem congelarem no caminho.

Havia um feitiço que mantinha o calor do corpo como se estivesse sob a luz do sol por algumas horas, e estava prestes a mencioná-lo quando Jaskier teve uma ideia parecida com a sua e não poupou sorrisos e bajulações para fazer um pedido antes que o próprio bruxo fizesse. Aquele não seria um problema para Geralt; Jaskier sempre fora o mais falante e desavergonhado, mas o pedido não fora exatamente o mesmo que o bruxo pretendia fazer, e isso fez sua barriga concentrar o frio que entrava por baixo da longa capa.

— Um portal? — O feiticeiro perguntou. — Mas é claro que posso.

O instinto de Geralt rapidamente o mandou recusar a ajuda. Ele odiava portais. A sensação de impotência em uma queda sem fim no curto tempo que levava para atravessá-los era algo que o fazia preferir dias à cavalo e até mesmo sem dormir ou descansar. Ele gostava de manter os pés firmes e seguros. Porém, pela incontável vez naquela noite, o bruxo apenas suspirou e deu de ombros enquanto ouvia Jaskier agradecer o feiticeiro.

A despedida de Myszowor foi rápida. O druida se preocupou com o bardo que sempre era animado e amava festas, mas que naquele momento parecia avoado e ao mesmo tempo ansioso para voltar para a vila pequena e sem atrativos. Ele sussurrou para o bruxo ficar de olho em Jaskier, sem saber que aquele sempre fora um conselho que seguia sem mesmo ter sido dito por qualquer pessoa.

Eles partiram quando a madrugada já havia começado, assim como o festejo do casamento. A sensação da viagem pelo portal o fez ficar enjoado, e precisou de um breve momento para sentir que os pés estavam firmes sobre a neve. O silêncio o ajudou a se concentrar, e só então notou que a festa em Blandare já havia terminado. A vila estava vazia. Nem mesmo o grande urso estava sobre o chão. Algumas casas tinham uma fraca luz emitindo por conta das lareiras acesas. Eles haviam voltado com perfeição. Bem, com exceção do enjoo sentido pelo bruxo ter vindo um pouco mais forte para Jaskier, que precisou de um momento mais longo para parar de apoiar as mãos nos joelhos e manter as costas eretas. Ele se envergonhou quando notou o olhar preocupado em sua direção, e nada disse quando Geralt o ajudou a entrar na taverna, mesmo sem haver necessidade.

O local estava vazio como antes, porém, o silêncio também do lado de fora fazia o salão parecer um pouco mais frio. Enquanto andavam pelo lugar, em direção a escada que os levariam até os quartos, Jaskier não conseguiu encarar o bruxo. Ele se sentia culpado pela situação. Além de quebrar suas expectativas indo até o casamento em uma noite extremamente fria, ele ainda o fizera retornar sem aproveitar nem um pouco da festa. E ainda voltamos em um portal, ele pensou desanimado, imaginando quantos palavrões Geralt usara para xingá-lo internamente. O clima entre eles era bastante diferente do que havia fantasiado para aquela noite. Junto da culpa, o poeta se sentia estúpido, mas planejava consertar ao menos um pouco o que havia causado.

A dona da taverna apareceu, assim que pisaram no segundo andar. Eles haviam recebido as chaves antes de saírem, e tudo estava pronto para recebê-los, mas, ainda assim, ela quis se certificar de que seriam bem acomodados. Era raro ter hospedes, e aqueles pagavam bem e um deles ainda os havia salvado de um ataque mais cedo. Tudo teria que ser perfeito, porém, ela hesitou quando ouviu o bardo pedir o preparo de um banho.

— Tem certeza? — Ela perguntou preocupada. — Você pode adoecer.

Naquela época, o frio natural de Skellige se tornava bastante rigoroso e incômodo para os moradores das ilhas, e era ainda pior para forasteiros, principalmente os de aparência delicada como o poeta. Ela se preocupou, mas não recusou quando o viu sorrir de forma elegante.

— Estou um pouco cansado, vim de uma viagem longa e não consigo dormir sem me lavar — ele se explicou sem demonstrar que tudo o que falava não era inteiramente verdade. Jaskier adorava sempre estar limpo, mas se seus planos fossem dormir sozinho naquela noite, ele provavelmente seria vencido pelo frio e deixado o banho para o dia seguinte. — Desculpe pelo incômodo.

— Está tudo bem — ela corou levemente enquanto assentia para ele. Desde o primeiro momento em que o vira, a beleza extraordinária dele havia capturado seu coração, e tudo melhorava ainda mais quando ele se mostrava tão bem-educado.

Geralt apenas os observou interagir, um pouco enciumado, mas não tão afetado assim. Aquele tipo de olhar e súbita devoção eram comuns quando qualquer pessoa conhecia Jaskier de perto, e não pôde julgar a mulher por isso. Mesmo se quisesse ter qualquer sentimento por ela e seu bobo sorriso naquele momento, ele não conseguiria. Em sua cabeça só havia perguntas para as atitudes do poeta, e o motivo de querer sair tão apressado do casamento e parecer ansioso para ir para um quarto separado do seu fez seu peito se agitar de uma forma triste. Jaskier não estaria evitando sua companhia, estaria?

Ele tentou não pensar muito no assunto, e apenas assentiu quando o poeta sorriu fraco em sua direção, antes de abrir a porta do quarto ao lado do que seria seu. Sem saber o que o levou a isso, Geralt também pediu que água fosse esquentada e uma banheira fosse levada até o seu quarto.

A água esfriou rápido demais, mas ele conseguiu limpar um pouco melhor do que podia no navio por todas aquelas semanas. No fim, apesar do frio parecer ainda maior depois do banho, ele se sentiu um pouco melhor. Apenas a lareira estava acesa, as velas sequer foram tocadas por ele, fazendo o cômodo parecer mais aconchegante, apesar de parcialmente escuro.

Roupas mais grossas foram colocadas, e as duas cobertas sobre a cama foram o suficiente para aquecê-lo aos poucos. A lareira ficava próxima, e apesar da simplicidade do local, o bruxo admitiu que era perfeitamente organizado e sempre pensando no frio de Skellige, mas, apesar do conforto, ele não conseguiu fechar os olhos ou relaxar sobre a cama aquecida. Os pensamentos que tentara afastar durante o banho não lhe deram muito tempo quieto. Eles retornaram logo, e Geralt se viu suspirando impaciente com o próprio pessimismo.

Ele pensou se deveria se levantar e ir para o quarto ao lado. Jaskier o receberia com surpresa? Geralt duvidava, mas tinha certo receio se seria o que o poeta queria. Ele estava cansado daquilo. Os próprios pensamentos o esgotavam aos poucos, e o fazia se sentir um covarde.

Eles tinham problemas para se expressarem um para o outro. Jaskier sabia muito dele, e ele achava saber tudo sobre o poeta. Nunca foi preciso tanta hesitação e comunicações apenas por olhares. Aquela situação o incomodava, e queria saber se acontecia o mesmo com Jaskier.

Geralt se virou para a parede, onde a cama estava encostada. O poeta estava do outro lado, foi o que pensou, e isso o fez fechar os olhos e soltar um pesado suspiro. Mesmo com a lareira e os cobertores, o frio parecia estar voltando por estar completamente sozinho naquela cama. Ele queria que Jaskier estivesse ali, aquele era o plano desde que embarcaram no navio no porto de Novigrad.

Ele abriu os olhos quando se decidiu. O quarto ao lado fazia parte de seu novo plano, e mesmo que nada dissessem um para o outro novamente, ele teria Jaskier ao seu lado, como deveria ser. Se o poeta estava chateado, nervoso ou constrangido, ele sabia que uma hora ou outra saberia, pois conhecia o homem que tinha total controle de seu coração, e ficar quieto era algo que não combinava em nada com Jaskier.

Uma nova ansiedade o tomou, mas Geralt não teve tempo nem mesmo de mover os dedos antes de ouvir a porta de seu quarto sendo arrastada. O ranger da velha madeira soou um pouco alto demais, mas foi o único som que teve por algum momento. A porta foi fechada com cuidado, e o bruxo mal pôde ouvir os passos sobre o chão coberto de tapetes, mas, ainda assim, ele soube que a pessoa que entrara estava se aproximando da cama. O olfato de Geralt era apurado como o de um lobo, e não foi difícil sentir o suave perfume que o fez sorrir como um tolo apaixonado. O coração se agitou quando a coberta foi levantada em suas costas, e o frio de antes rapidamente foi esquecido.

Ele não se moveu, até sentir um toque em suas costas. A palma hesitante o acariciou devagar e o fez se aquecer um pouco mais, tornando irresistível o desejo de finalmente se movimentar. Enquanto se virava, devagar o bruxo sentiu a mão de Jaskier deslizar por seu corpo, até parar em sua cintura. Ele ouviu o poeta soltar um fraco suspiro quando um de seus braços deslizou por baixo do travesseiro, enquanto a outra mão tocou o rosto levemente quente.

Geralt sorriu mais uma vez, porém, Jaskier não pôde vê-lo com clareza, apenas o sentiu abaixar a cabeça para beijar seu rosto com uma inesperada calma. Os corações estavam acelerados e as bocas ansiosas para sentirem uma a outra há tanto tempo, mas, ainda assim o bruxo escolheu a leve provocação antes de enfim se aproximar de seus lábios, porém, o poeta o parou um pouco antes de ter o que queria.

— Geralt — ele o chamou em tom baixo enquanto a mão deslizava da cintura do bruxo para o peitoral. — Acenda as velas. Eu quero vê-lo.

Ele não demorou para agir desta vez. Os dedos de moveram no ar e todas as velas do quarto foram acesas ao mesmo tempo. Ele já podia enxergar a expressão acanhada abaixo de si antes, mas, ver a coloração levemente rosada e os olhos brilhantes fez com que o peito de Geralt se aquecesse um pouco mais.

O sorriso fraco retornou quando acariciou a bochecha do poeta. Ele queria dizer algo, qualquer coisa, mas o desejo de tocá-lo era maior do que qualquer outro, e seu coração se alegrou quando notou que Jaskier se sentia da mesma forma.

Foi o bardo quem tomou a iniciativa de aproximar os rostos. Ele tocou o pescoço do bruxo e o trouxe para mais perto enquanto levantava a cabeça. Os lábios curvados de Geralt mudaram de forma quando foram levemente sugados, e de repente, ele não conseguiu mais sentir todas as dúvidas que o rondavam na solidão daquele quarto. A língua de Jaskier entrou em sua boca com cuidado e carinho, e quando tocou a sua, o sentiu estremecer levemente em seus braços, e a calmaria durou pouco.

O bruxo desceu a mão para a cintura fina de Jaskier, o apertando levemente, tentando trazê-lo para mais perto enquanto os lábios sugavam um ao outro, hora eufóricos, desejosos, e outra ainda mantendo um imenso carinho que nem mesmo os dois sabiam que podiam demonstrar daquela forma.

Eles se tornaram ofegantes, e um pouco brutos demais em certo momento, mas não foram capazes de se soltarem por um longo tempo. Jaskier ofegava na boca de Geralt, estremecia sob seu toque firme, mas cuidadoso. As pernas se moveram sobre o colchão, se entrelaçando uma na outra quando o bruxo voltou a deitar a cabeça no travesseiro e ficaram um de frente para o outro.

Jaskier sentiu uma gostosa carícia em seus cabelos, quando foi vencido pelo próprio folego e a língua deslizou pela última vez sobre os lábios finos do bruxo. Sorriu largamente quando os olhos se abriram. Ele nunca teve esperança alguma de ver Geralt daquela forma, um pouco mais controlado que ele, mas visivelmente ofegante enquanto os olhos amarelos pareciam escuros e transbordando sentimentos pela visão que também tinha.

Ele estava feliz por ter se permitido ser mais aberto durante a viagem até Skellige. Mas, por um momento, seu sorriso desapareceu. O toque no peitoral subiu para o rosto de Geralt, e ele imaginou se poderia ter tido aquele momento há muito tempo, quando quisesse. Provavelmente sim, e isso o fez se misturar entre contentamento e um pouco de tristeza.

— Desculpe — ele disse em tom baixo, confundindo o bruxo, que levantou as sobrancelhas por um breve momento. — Eu fiz você ir até aquele casamento e depois o arrastei de volta sem perguntar o que queria — Jaskier soltou um suspiro. A vergonha havia retornado. — Eu só... queria ter um momento com você, um que não envolvesse um contrato.

Aos poucos o bruxo voltou a relaxar, e o rosto a se aproximar do bardo. Ele se sentiu tolo novamente, por ter certeza de que conhecia absolutamente tudo sobre Jaskier, para no fim, não ter notado o que toda aquela insistência significava.

— Não importa o que poderia ter acontecido antes — ele o beijou levemente, e continuou com os lábios próximos. — Nós estamos tendo um momento agora, se não notou.

— Eu sei — Jaskier riu divertido, aceitando mais um rápido beijo. — Foi por isso que eu quis voltar logo — o olhar antes culpado e acanhado rapidamente mudou, e fora o poeta que o beijou levemente desta vez. — Eu fico inspirado com você ao meu lado, não importa como ou onde, mas... isso é melhor.

Os dedos acariciaram a barba curta do bruxo, e o sorriso que combinava perfeitamente com sua bela face aqueceu o peito de quem o olhava atentamente.

— Eu concordo.

Geralt também sorriu. O coração acelerado era como o de Jaskier, e naquele momento, não pôde lamentar de nenhum outro que tiveram que causaram o adiamento daquele. Os lábios se juntaram novamente, um pouco mais ansiosos, famintos, e os sentimentos, os toques e os baixos ofegos que ouviam um do outro quando os se separavam por poucos segundos... tudo o que viveram até ali fora por aquele momento. Se tivesse envolvido Jaskier em seus braços antes ou depois, ele não podia saber como teria sido, porém, ali, parecia ser o momento certo.

Não havia dúvidas ou arrependimentos de nenhum tipo, apenas a ansiedade que queimava o peito do bruxo e aos poucos se espalhou por todo o corpo, que se moveu um pouco mais, para ficar totalmente sobre Jaskier.

Os lábios se separaram outra vez. Estavam levemente ofegantes, mas já saudosos um do outro. As pernas do poeta se separaram, e os corpos se pressionaram um contra o outro, fazendo-o soltar um suspiro entre um sorriso provocante. Diante da visão que tinha e a sensação entre as pernas do bardo, Geralt estremeceu com intensidade e os lábios se ocupar novamente, mas apenas com um breve beijo.

Ele então se ajoelhou sobre a cama e retirou a camisa branca, fazendo com que o sorriso de Jaskier retornasse ainda mais largo, principalmente quando os dedos gelados tocaram seu peitoral.

— Por Melitele, Geralt, você é tão... — ele soltou um suspiro trêmulo é enquanto apalpava os músculos do bruxo e o encarava com desejo, pela primeira vez sem disfarces ou hesitação.

— Fique quieto — o bruxo riu entre a frase, tentando esconder um pouco do estranho embaraço. Aquela não era a primeira vez que era olhado com desejo ou recebia elogios, porém, era diferente quando tudo aquilo era carregado com um tom de devoção que não conhecia.

Ele se debruçou sobre Jaskier novamente. O beijo longo e eufórico abafava os fracos gemidos que os movimentos vagarosos de seus quadris traziam. As ereções eram sentidas com clareza, mesmo cobertas pelos tecidos grossos. Elas acariciavam uma a outra enquanto o bruxo pressionava o poeta sobre o colchão com uma força um pouco exagerada, mas que agradava Jaskier e seu desejo de senti-lo agarrando-o com ainda mais força.

Os gemidos baixos de Jaskier se tornaram um pouco mais elevados quando os beijos que antes eram em seus lábios, desceram para o pescoço, enquanto a mão de Geralt deslizava por sua barriga. A camisa foi levantada e os dedos circularam o umbigo, arrepiando-o levemente antes descer um pouco mais. A pele foi sugada com força e os botões da calça foram abertos quando Jaskier apertou os lábios, contendo um gemido quando sua ereção finalmente foi tocada diretamente. A calça foi abaixada um pouco e o beijos foram para a barriga enquanto o membro era acariciado devagar, mas com firmeza.

Geralt mais uma vez sugou a pele pálida. A língua fez o mesmo trajeto que os dedos antes fizeram, e percebendo que os ofegos do poeta se tornavam mais pesados quando tocava aquela região, ele demorou ali, se sentindo ainda mais excitado com a pele trêmula sob seus toques junto dos sons dos baixos gemidos que se misturavam com os dos movimentos da carícia no membro ereto e molhado.

As reações de Jaskier eram tão sinceras e livres desde o início que não se surpreendeu quando sentiu uma carícia estremecida em sua cabeça, e ouviu um baixo pedido para que o tomasse de uma vez, mas a falta de surpresa não o impediu de reagir de imediato. Há muito ele ansiava por aquilo, tanto que nem mesmo se recordava quanto, e precisou respirar fundo para não fazer exatamente o que o bardo pedia. Mas se apressou de toda a forma. As mãos foram rápidas para retirar totalmente a calça de Jaskier, que o ajudou na mesma velocidade.

Ele lambeu a barriga mais uma vez e deu uma leve mordida na cintura antes de subir as mãos para a camisa. A risada maliciosa de Jaskier o fez sorrir com o mesmo propósito, e quando o viu completamente nu à sua frente, com as pernas abertas e convidativas, os lábios entreabertos chamando por seu nome em tom íntimo e manhoso, não houve como não se sentir privilegiado.

Ele não era um tolo, não por completo, e não esqueceu que o poeta já tinha bastante experiência, assim como ele. Não havia ciúme ou vergonha por isso, pelo o contrário, era bom saber que de todos os parceiros e amantes que já haviam passado por Jaskier, ele era o único que recebera aquele olhar, que não continha apenas desejo e malícia. Mesmo sem falar sobre aquilo, ele apenas sabia. Jaskier sempre o amara e mais ninguém.

Eu também te amo, Geralt pensou e quis externar o que sentia, mas seu corpo foi mais rápido, e os lábios se ocuparam a devorar os do poeta, assim que se debruçou sobre ele.

As pernas de Jaskier rodearam sua cintura, e os quadris de Geralt voltaram a se mover devagar sobre ele. Ainda envolvidos no beijo, Geralt procurou sua bolsa jogada ao lado. Ele reclamou em tom baixo quando teve que soltar o poeta para alcançá-la, e o corpo novamente estremeceu com a baixa risada próxima de seu ouvido. O pequeno frasco foi pego finalmente e o bruxo logo voltou para os lábios inchados, sugando-os, lambendo e mordendo-o levemente.

Os suspiros que Jaskier soltava o provocavam cada vez mais e não demorou para se afastar um pouco e puxar a rolha do frasco com a boca. Geralt apertou uma das coxas firmes que o prendiam, obrigando-o a se afastar apenas um pouco, mas ainda o mantendo na mesma posição. Os olhares carregados de luxúria se encontraram e devagar o líquido foi derramado sobre o membro de Jaskier. O toque gelado do óleo o fez estremecer enquanto escorria por sua pele quente. Os olhos fecharam quando o exagero na quantidade derramada desceu por suas nádegas, e os lábios se curvaram ao sentir a palma da mão do bruxo deslizar por sua barriga, espalhando o líquido ali. Um dos dedos voltou a tocar o umbigo com insistência, rodeando-o, sabendo muito bem as reações que causava no corpo embalado pelas chamas do desejo.

Jaskier chamou pelo nome do bruxo um pouco antes de abrir os olhos novamente. Ele não precisou dizer desta vez. Geralt voltou a se debruçar sobre ele. Uma das pernas foi afastada enquanto a outra continuou presa em sua cintura. Os lábios se tocaram, sugando um ao outro enquanto os dedos banhados pelo óleo do bruxo o penetravam aos poucos. Não houve muita resistência do corpo já completamente entregue ao do bruxo, e isso o atiçou ainda mais.

Geralt passou um dos braços por baixo do travesseiro que apoiava a cabeça de Jaskier, e agarrou seus ombros, trazendo-o para ainda mais perto. As testas se tocaram, e os olhares eram fixos um no outro. Os lábios se esbarravam enquanto Jaskier voltava a gemer de forma cada vez mais continua. A ereção era pressionada pela barriga do bruxo, que não contente em provocá-lo com seus toques, passou a sussurrar em seus lábios tudo o que vinha querendo fazer com ele nos últimos tempos, em especial naquela viagem de barco, onde os desejos pelo poeta atingiram um nível que chegaram até mesmo a assustá-lo.

Jaskier riu entre os gemidos. Aquilo só o excitava ainda mais e o deixava deslumbrado pelo bruxo. De todas as fantasias que tivera para aquele momento, nunca esperou ter um Geralt falante e tão empenhado em enlouquecê-lo.

— Agora sei porque todas as feiticeiras são loucas por você — ele tentou rir outra vez, mas no lugar um gemido deliciado soou pelo quarto.

O bruxo aumentou o ritmo de seus dedos, tocando-o fundo, fazendo-o tremer com força. Os olhos estavam fechados quando sentiu a língua quente entrar em sua boca, mas a carícia foi rápida, e os dedos logo se retiraram de seu interior. Jaskier quase lamentou por isso, mas a visão que teve quando voltou a abrir os olhos conseguiu calá-lo por um momento. O bruxo se ajoelhou sobre a cama e enquanto o olhava nos olhos, retirou a calça e roupa íntima com pressa. Não havia sobrado óleo no frasco, mas ele resolveu o problema acariciando a ereção do poeta por um breve momento, para então dar atenção a sua própria.

— Elas não sabem — a voz rouca tocou os ouvidos de Jaskier, que juntou as sobrancelhas levemente, com um misto de ansiedade e confusão pelo o que ouvira. Mas o bruxo logo lhe tirou a expressão do rosto, quando voltou a se debruçar sobre ele. — Isso... — ele parou por um momento, ofegante — é apenas para você

As pernas voltaram para a mesma posição de antes, e Geralt se posicionou sobre ele. A cabeça entrou devagar, fazendo o poeta suspirar trêmulo. Seu rosto foi segurado, assim como os ombros, e os olhos foram abertos por um breve momento. Novamente eles se encaravam de perto, e Jaskier só teve tempo de ver o sedutor sorriso antes de voltar a apertar as pálpebras, enquanto a ereção deslizava para o seu interior.

Um longo gemido soou pelo quarto, descontrolado e sem noção de que havia chances de serem ouvidos do lado de fora.

Geralt não esperou para começar a se mover devagar, e isso agradou o poeta, que precisou ocupar os lábios em sua boca, para não voltar a gemer como realmente queria, mas as vozes acabaram saindo, baixas e desejosas, aos poucos diminuindo o tempo em que pausavam para tomar ar.

Os quadris de Jaskier passaram a acompanhar os de Geralt, acelerando os movimentos que traziam sons que se juntavam com o ranger da velha cama, os gemidos misturados com seus próprios nomes e as línguas que se acariciavam com euforia e de forma desajeitada. Os corpos permaneceram colados um no outro a todo momento, incapazes de se separarem, desejando o impossível que era estarem ainda mais juntos. As mãos pesadas de Geralt apertavam a pele da cintura e as coxas firmes do poeta, o marcando com a falta de delicadeza que Jaskier incentivava. Cada toque, som e sentimento eram abraçados por ambos com prazer e ansiedade.

Em um momento, as costas de Jaskier deitaram totalmente sobre o colchão molhado pelo suor. Sua cintura foi apertada com uma das mãos do bruxo enquanto a ereção passou a ser acariciada com a outra. Os quadris de Geralt passaram a se mover com mais rapidez, acertando-o fundo, tirando um pouco do controle não apenas do tom dos gemidos de Jaskier como também os seus próprios.

Ele sentiu a carne em sua mão estremecer com intensidade e foi apertado no interior quente do poeta.

Os movimentos se tornaram ainda mais descontrolados e desejosos. Os olhos de ambos se fecharam com força e o único lamento do bruxo para aquela madrugada fora não poder ver o rosto de Jaskier enquanto ele chegava ao clímax em sua mão e o sentia preenchê-lo enquanto ainda se movia em seu interior.

Geralt se retirou de Jaskier devagar, e quando enfim pôde vê-lo com clareza, os lábios se curvaram em um largo sorriso. Foi apenas por um momento, e Jaskier apenas abriu os olhos a tempo de ver os lábios finos ainda contentes, mas contidos como era costume.

Geralt se deitou ao seu lado, tentando recuperar o ritmo da respiração com pesados suspiros, mas só conseguiu quando sentiu a perna do poeta deslizar sobre as suas, enquanto a mão fazia o mesmo em seu peitoral. Ele virou o rosto para olhá-lo. O outro rosto estava corado e os cabelos molhados de suor eram uma bagunça extremamente charmosa. Ele teria se inclinado para beijar os lábios inchados, mas Jaskier foi mais rápido com seu sorriso malicioso de volta tão rápido.

O primeiro beijo foi em uma cicatriz no ombro do bruxo; o segundo, no pescoço. A língua desceu para o peitoral, mas parou ali, quando o corpo subiu completamente sobre o bruxo. O sorriso de Jaskier novamente se abriu quando sentou sobre o membro de Geralt e o sentiu tocar suas coxas.

— Não estava cansado? — Geralt perguntou com bom humor, sentindo Jaskier e seu próprio corpo voltar a reagir rapidamente apenas com aquela posição. O poeta se debruçou sobre ele e segurou o queixo quadrado um pouco antes de beijar os lábios finos rapidamente.

— Eu não o fiz voltar em um portal para dormir, Geralt — Jaskier riu travesso, mas foi interrompido pelo próprio fraco gemido. A mão do bruxo já estava em sua nova ereção enquanto o provocava, e o poeta aprovou o atrevimento com movimentos vagarosos sobre seu colo.

Os gemidos foram melhor contidos desta vez. Enquanto Jaskier tomava o ritmo, o bruxo se sentou sobre a cama, agarrando sua cintura enquanto mantinham os lábios ocupados com longos beijos, que duraram até que as velas do quarto chegassem ao fim e se apagassem por si mesmas.

Notas finais
Eu disse que agora ia auhdiahsduasd Jaskier demorou pra sacar, mas deu certo no fim, agora os dois estão quites e se aquecendo juntinhos hehe O próximo capítulo será o último!