Uma névoa de lágrimas e cansaço cobria os olhos de Asgeld quando eles se aproximaram das ruínas do Portão de Solitude. Pouca atenção dava ele aos escombros e sinais do massacre que se espalhavam por toda a volta. Havia fogo, fumaça e um cheiro forte no ar; muitas máquinas haviam sido incendiadas ou jogadas nas trincheiras de fogo, como também muitos dos mortos, ao passo que aqui e ali jaziam muitas carcaças dos grandes dragões dos sulistas, semicarbonizados ou destruídos por pedras arremessadas, ou ainda alvejados no meio dos olhos pelas flechas dos valorosos arqueiros do Eco Perdido.

A rajada de chuva cessara por um tempo e o sol reluzia alto no céu, mas toda a cidade mais baixa ainda estava envolta num vapor fétido. Homens já trabalhavam abrindo um caminho através dos destroços da batalha; agora, do Portão, chegavam algumas macas. Com toda a delicadeza, deitaram Lydia sobre travesseiros macios; mas cobriram o corpo do jarl com um grande tecido dourado, e o acompanharam carregando tochas, cujas chamas, pálidas à luz do sol, tremulavam ao vento.

Foi assim que Harrald e Lydia chegaram á Cidade de Solitude, e todos que os viam descobriam as cabeças e faziam reverência; os dois passaram através das cinzas e da fumaça do circulo queimado, e continuaram subindo ao longo das ruas de pedra. Asgeld teve a impressão de que a subida durou uma eternidade, uma viagem sem sentido num sonho odioso, que avançava sempre e sempre para algum fim obscuro que a memória não pode reter.

Lentamente as luzes das tochas á sua frente bruxulearam e se extinguiram, e Asgeld caminhava numa escuridão, ao pensar: "Isto é um túnel que conduz a um túmulo; lá permaneceremos para sempre." Mas de súbito, em seu devaneio, surgiu uma voz viva.

— Asgeld! Ainda bem que o encontrei!

Ergueu os olhos, e a névoa em seus olhos se dissipou um pouco. Lá estava Faendal! Estavam cara a cara numa passagem estreita que, a não ser pelos dois, estava vazia. Asgeld esfregou os olhos.

— Onde está o jarl? — disse ele. — E Lydia? — Então tropeçou e caiu sentado na soleira de uma porta, rompendo outra vez em pranto.

— Eles subiram para a cidadela — disse Faendal. — Acho que você adormeceu andando e pegou o caminho errado. Quando descobrimos que você não estava com eles, Agaialor me mandou procurá-lo. Pobre Asgeld! Como me alegro em vê-lo outra vez! Mas você está exausto, e não vou incomodá-lo com conversas. Mas, diga-me, está ferido ou machucado?

— Não — disse Asgeld. — Bem, pelo menos acho que não. Mas não consigo mexer o braço direito, Asgeld, desde quando o golpeei.

O rosto de Faendal estava aflito. — Bem, é melhor vir comigo o mais depressa possível — disse ele. — Gostaria de poder carregá-lo. Você não está em condições de continuar andando. De forma alguma deveriam ter permitido que você andasse, mas deve perdoá-los. Coisas tão terríveis aconteceram na Cidade, Asgeld, que um pobre escudeiro retornando da batalha pode facilmente passar despercebido.

— Nem sempre é uma infelicidade passar despercebido — disse Asgeld. — Foi o que aconteceu comigo agora há pouco, quando não fui visto pelo.. não, não, não consigo falar disso. Ajude-me, Faendal! Está ficando tudo escuro outra vez, e meu braço está tão frio.

— Apóie-se em mim, Asgeld, meu rapaz! — disse Faendal. — Vamos agora. Passo a passo. Não é longe.

— Você vai me sepultar? — disse Asgeld.

— Claro que não! — disse Faendal, tentando parecer alegre, embora tivesse o coração angustiado pelo medo e pela pena. — Não, você vai para o Templo dos Divinos ter com os curandeiros.

Saíram do caminho que avançava por entre casas altas e a muralha externa do segundo arco, retomando a rua principal que subia para a cidadela. Avançaram passo a passo, enquanto Asgeld cambaleava e murmurava como alguém que está dormindo. Bem nesse momento, para a surpresa do elfo, um menino chegou correndo às suas costas, e no instante em que passou Faendal conheceu Stlubo, o filho de Segunivus.

— Olá, amigo! — chamou ele. — Aonde está indo?

— Estou a serviço dos Curadores — disse Stlubo. — Não posso ficar.

— Não estou pedindo isso! — disse Faendal. — Mas diga-lhes lá em cima que trago comigo um amigo doente, um herói de guerra, veja bem, que chega do campo de batalha. Acho que ele não aguenta chegar até lá andando. Se Agaialor estiver lá, ficará feliz em receber a mensagem. — Stlubo saiu correndo.

Não demorou muito para que Savos Aren em pessoa viesse ao encontro deles. Abaixou-se sobre Asgeld e acariciou-lhe a fronte; então ergueu-o cuidadosamente. — Ele deveria ter sido carregado com todas as honras para esta cidade — disse ele — Sem dúvida correspondeu à minha confiança — o mago suspirou. — Apesar disso, tenho um outro encargo em minhas mãos, e durante todo esse tempo a batalha permanece indecisa.

Finalmente Aldis, Lydia e Asgeld foram colocados em leitos no Templo dos Divinos e lá foram bem cuidados. Pois, embora naqueles últimos tempos todo o conhecimento tivesse decaído em relação aos Dias Antigos, a arte de cura de Haafingar ainda era competente, habilidosa nos cuidados com os feridos, e no trato de todas as doenças que pudessem acometer os homens mortais a sul do Mar. Exceto a idade avançada. Para isso não haviam encontrado cura; de fato a longevidade daquele povo diminuíra, ficando pouco maior que a dos outros homens; eram poucos os que ultrapassavam com vigor a conta de cinco vintenas de anos, a não ser nas casas de sangue mais puro. Mas agora sua arte e seu conhecimento se quedavam perplexos, pois havia muitos doentes de uma enfermidade que não podia ser curada; chamavam-na de Sombra Negra, pois vinha dos mortos. Aqueles acometidos por ela caiam lentamente num sonho cada vez mais profundo, entrando então no silêncio e numa frieza mortal, e assim morriam.

Parecia aos que cuidavam dos feridos que essa enfermidade se manifestara de maneira grave em Asgeld e na Mensageira de Whiterun. Ainda algumas vezes, no final da manhã, eles chegaram a falar alguma coisa, murmurando em seus sonhos; os que cuidavam deles escutavam tudo o que diziam, na esperança de talvez aprender alguma coisa que lhes possibilitasse entender-lhes os ferimentos. Mas logo começaram a cair na escuridão, e quando o sol se aproximava do oeste uma sombra cinzenta cobriu os rostos dos doentes. Mas Aldis queimava numa febre que não cedia.

Savos Aren ia de um leito para o outro cheio de preocupação, e os atendentes lhe contavam tudo o que tinham conseguido escutar. Assim passou-se o dia, enquanto a grande batalha continuava lá fora em meio a esperanças inconstantes e estranhas noticias; e Savos ainda esperava e vigiava, sem sair de perto; finalmente um ocaso rubro cobriu todo o céu, e a luz que vinha das janelas bateu nos rostos cinzentos dos enfermos. Então os que estavam por perto tiveram a impressão de que naquela luz um rubor espalhou-se nos rostos, como se a saúde estivesse retornando, mas aquilo era apenas um arremedo de esperança. Então Silana Petria, uma mulher idosa que era alta sacerdotisa do Templo, olhando no belo rosto de Aldis, chorou, pois todo o povo o amava. E ela disse:

— Ai de nós se ele morrer! Ah, se houvesse reis em Haafingar, como contam que havia outrora! Pois diz a sabedoria que as mãos dos reis são sempre as mãos de um curador. Dessa maneira sempre se sabia quem era o verdadeiro rei.

E Savos Aren, que estava ao lado, disse:

— Talvez os homens se recordem de suas palavras por muito tempo, Silana! Pois nelas há esperança. Talvez um rei realmente tenha retornado a Haafingar; ou será que você não ouviu as estranhas noticias que chegaram à Cidade?

— Tenho estado por demais ocupada com uma coisa e outra para dar atenção a todos os gritos e clamores — respondeu ela. — Tudo o que espero é que esses demônios assassinos não venham até aqui perturbar os enfermos.

Então Savos Aren saiu apressado, e o fogo no céu já estava se extinguindo, e as colinas em brasa se apagavam, enquanto uma noite de cinzas cobria os campos. Agora que o sol se punha, Vorstag, Saerlund e Clagius se aproximavam da Cidade com seus capitães e cavaleiros; quando chegaram diante do Portão, Vorstag disse:

— Vejam o sol que se põe num grande fogo! Isto é o sinal do fim e da queda de muitas coisas, e de uma mudança nas marés do mundo. Mas esta Cidade e este reino permaneceram por anos nas mãos de uma Regente, e receio que, entrando sem ser convidado, eu desperte dúvidas e controvérsias, que não deveriam surgir enquanto durar a guerra. Não entrarei, nem farei qualquer reivindicação, até que se saiba quem será o vencedor, nós ou Skuldafn. Os homens devem montar minhas tendas no campo, e aqui aguardarei as boas-vindas do Senhor da Cidade.

Mas Saerlund disse:

— Você já ergueu a bandeira dos Imperadores e exibiu os símbolos da casa de Tiber Septim. Vai permitir que sejam contestados?

— Não — disse Vorstag. — Mas acho que ainda é cedo, e não desejo disputas, a não ser com o Devorador de Mundos e seus servidores.

E o Príncipe Clagius disse:

— Se alguém que é parente da Jarl Elisif puder aconselhá-lo nesta questão, digo-lhe, senhor, que suas palavras são sábias. Ela é uma mulher obstinada e altiva, mas também está velha; sua disposição tem estado estranha desde que o filho foi atacado. Apesar disso, não gostaria que ficasse como um mendigo na porta.

— Não como um mendigo — disse Vorstag. — Diga como um capitão dos guardiões, que não estão acostumados a cidades e casas de pedra.

Ordenou então que sua bandeira fosse recolhida, e retirou o Dragão do Império do Centro-Oeste, deixando-a aos cuidados dos filhos de Orthorn Elsinorin. Então o Príncipe Clagius e Saerlund de Riften o deixaram, atravessando a Cidade e o tumulto do povo, subindo para a Cidadela; chegaram ao Palácio Azul, procurando a Jarl. Mas encontraram vazia a sua cadeira, e diante do estrado jazia em câmara ardente Harrald, Senhor do Estado do Rift; doze tochas erguiam-se ao redor de seu corpo, e doze homens o guardavam, cavaleiros do Rift e de Haafingar. Os ornamentos do leito de morte eram roxos e brancos, mas o jarl fora coberto até o peito com um grande tecido arroxeado, sobre o qual repousava a espada desembainhada, e aos pés estava o escudo. A luz das tochas reluzia em seus cabelos loiros como o sol contra o jato de uma fonte, mas o rosto era belo e jovem; apesar disso, expressava uma paz além do alcance da juventude; o jarl parecia estar dormindo.

Após terem ficado em silêncio por um tempo ao lado dele, Clagius disse: — Onde está a Jarl? E onde está Savos Aren, o Agaialor?

Um dos guardas respondeu:

— O Jarl de Haafingar está no Templo dos Divinos.

Mas Saerlund disse:

— Onde está a Senhora Lydia? Certamente deveria estar deitada ao lado do jarl, merecendo as mesmas honras. Onde a puseram?

E Clagius disse:

— Mas a Senhora Lydia ainda estava viva quando a trouxeram para cá. Você não sabia?

Um alento inesperado chegou tão de repente ao coração de Saerlund, e com ele a fisgada da preocupação e do medo renovados, que ele não disse mais nada, e deixou apressado o salão. O Príncipe o seguiu. Quando saíram, a noite já caíra e viam-se muitas estrelas no céu. E lá vinha Savos a pé, acompanhado de alguém envolto numa capa amarronzada; encontraram-se diante das portas do Templo dos Divinos.

Saudaram Savos Aren e disseram:

— Estamos á procura da Jarl, e disseram que ela está neste Templo. Ela está ferida? E a Senhora Lydia, onde está ela?

Savos respondeu:

— Ela está lá dentro e ainda está viva, mas ás portas da morte. Mas o Jarl Aldis foi ferido por uma flecha maligna, como ouviram falar, e ele agora é o Senhor; Elisif partiu, e de sua casa só restam cinzas.

Os dois se encheram de surpresa e dor ao ouvir tal relato. Mas Clagius disse: — Então a vitória carece de alegria, e pagamos por ela um preço amargo, se num só dia Haafingar e o Rift ficaram privados de seus senhores. Saerlund governa os homens do Rift. Quem deverá governar a Cidade enquanto isso? Não devemos agora mandar chamar o Senhor Vorstag?

O homem coberto com a capa disse:

— Ele já chegou. — Então os outros perceberam, no momento em que ele se aproximou da luz da lamparina perto da porta, que se tratava de Vorstag, envolto na capa marrom da Guarda da Alvorada que cobria sua armadura, trazendo como insígnia apenas o sol luzente da facção. — Vim porque Savos me pediu — disse ele. — Mas por enquanto sou apenas o Capitão da Guarda da Alvorada do Rift; e o Senhor de Volskygge deverá governar a Cidade até que Aldis desperte. Mas tenho a opinião de que Savos deveria nos governar a todos nos dias que se seguirem em nossas negociações com o Devorador de Mundos.

Todos concordaram com isso. Então Savos Aren disse:

— Não fiquemos parados aqui na porta, pois o tempo urge. Vamos entrar! Pois só com a chegada de Vorstag haverá esperança para os enfermos que jazem no Templo. Pois assim falou Silana, alta sacerdotisa: As mãos do rei são as mãos de um curador, e dessa forma o verdadeiro rei será conhecido.

Vorstag entrou primeiro e os outros o seguiram. À porta estavam dois guardas, vestidos com o uniforme da Cidadela: um tinha as feições imperiais, mas o outro era loiro; este último, quando os viu, gritou de alegria e surpresa.

— Ronaan! Esplêndido! Sabe, achei que era você nos navios negros. Mas estavam todos gritando cultistas, e não quiseram me ouvir. Como fez aquilo?

Vorstag riu e apertou a mão dele. — É realmente bom encontrá-lo! — disse ele. — Mas ainda não é hora de contar histórias de viajantes.

Mas Clagius disse a Saerlund:

— É assim que dirigimos a palavra a nossos reis? Mas talvez ele assuma a coroa sob um outro nome!

E Vorstag, ouvindo aquilo, voltou-se e disse: — Realmente, pois na língua de antigamente sou Dovahkiin, o Dragonborn, e Ysmir, o Dragão do Norte. Mas o Guardião será o nome de minha casa, se esta vier a se estabelecer. Na língua antiga, o nome não soará tão mal, e serei Ronaan, assim como todos os herdeiros de meu corpo.

Com isso entraram no Templo e, enquanto iam em direção aos quartos onde os enfermos estavam sendo cuidados, Savos Aren contou os feitos de Lydia e Asgeld. — Pois — disse ele — fiquei um longo tempo ao lado deles, e no inicio falavam muito em seus sonhos, antes de mergulharem na escuridão mortal. Além disso, foi-me concedido o poder de ver muitas coisas distantes.

Vorstag foi primeiro ver Aldis, depois a Senhora Lydia e por último Asgeld. Após olhar os rostos dos enfermos e examinar seus ferimentos, suspirou. — Aqui devo exercer todo o poder e a habilidade que me foram concedidos — disse ele. — Como queria que Arngeir estivesse conosco, pois ele é o mais velho neste ofício, e possui os maiores poderes, cura pela Voz.

E Saerlund, vendo como ele estava infeliz e cansado, disse: — Primeiro precisa descansar, com certeza, e no mínimo comer alguma coisa.

Mas Vorstag respondeu:

— Não, pois para estas três pessoas, principalmente para Aldis, o tempo está se esgotando. Precisamos de toda a rapidez. — Então chamou Silana e disse: — Há neste Templo algum estoque das ervas de cura?

— Sim, senhor — respondeu ela —; mas acho que não temos o suficiente para todos os que necessitam. Mas não tenho idéia de onde poderemos encontrar mais; falta tudo nestes dias terríveis, por causa dos fogos e incêndios, do reduzido número de meninos mensageiros, e das estradas bloqueadas. Já faz dias sem conta que um transportador veio do Alto Portão com provisões! Mas os imperiais fazem o possível neste Templo com o que possuem, como tenho certeza que Vossa Senhoria verá.

— Julgarei quando vir — disse Vorstag. — Uma coisa também está escassa, tempo para conversas. Você tem alguma Cinza-de-Movarth?

— Essas eu não conheço, senhor — respondeu ela —, pelo menos não por esse nome. Vou perguntar ao mestre-de-ervas; ele conhece todos os nomes antigos.

— Também é chamada pó de vampiro — disse Vorstag —; talvez você o conheça por esse nome, pois assim as pessoas do campo o chamam nestes últimos tempos.

— Ah, isso! — disse Silana. — Bem, se Vossa Senhoria tivesse mencionado esse nome primeiro, eu poderia ter-lhe dito antes. Não, não temos nem um pouco, com certeza. Ora, nunca ouvi dizer que isso tivesse grandes poderes de cura; na verdade disse várias vezes a minhas irmãs quando ouvíamos histórias sobre vampiros: "Pó de vampiro", dizia eu, "nome esquisito, e fico pensando o motivo desse nome; pois, se eu fosse um vampiro, não deixaria que minhas cinzas curassem ninguém." Mas ele exala um cheiro doce quando é esmagada, não é mesmo? Se "doce" for a palavra certa: talvez seja mais correto dizer "saudável".

— Realmente saudável — disse Vorstag. — E agora, dama, se você ama o Senhor Aldis, vá com a mesma agilidade de sua língua e me traga pó de vampiro, nem que apenas um dos vampiros derrotados tenha voltado à cinza.

— E se não houver — disse Savos Aren — vou a uma caverna de vampiros a cavalo com Silana na garupa, e ela me levará até lá dentro. E Gelado poderá ensinar-lhe o que significa pressa.

Depois que Silana partiu, Vorstag pediu que as outras mulheres providenciassem água quente. Então tomou a mão de Aldis nas suas, e pousou a outra mão na fronte do enfermo. Estava molhada de suor, mas Aldis não se moveu nem fez qualquer sinal; mal parecia estar respirando.

— Ele está quase morto — disse Vorstag voltando-se para Savos. — Mas não é por causa do ferimento. Veja! Está cicatrizando. Se Aldis tivesse sido golpeado por algum vampiro, como você pensou, teria morrido na mesma noite. Esse ferimento foi feito por alguma flecha dos alik’r, suponho eu. Quem a retirou? Ela foi guardada?

— Eu a retirei — disse Clagius — e estanquei o sangue. Mas não guardei a flecha, pois tínhamos muito a fazer. Pelo que recordo, era um dardo do tipo usado pelos sulistas. Mas achei que tinha vindo dos dragões do alto, pois caso contrário não haveria como entender a doença e a febre, já que o ferimento não foi profundo nem mortal. Como então interpreta o fato?

— Cansaço, tristeza pela disposição da jarl que amava, um ferimento, e acima de tudo a terrível influência para com o coração dos Sacerdotes — disse Vorstag. — Aldis é um homem de vontade firme, pois já chegara perto da Sombra antes mesmo de partir para a batalha nas muralhas externas. A escuridão deve ter-se apossado lentamente dele, no momento em que lutava e se esforçava para proteger seu posto avançado. Ah, se eu pudesse ter chegado aqui mais cedo!

Logo em seguida entrou o mestre-de-ervas, Rorlund, o chefe dali.

— Vossa Senhoria solicitou a pó de vampiro, como os rústicos a chamam — disse ele —, ou Cinza-de-Movarth na língua nobre, ou ainda para aqueles que conhecem um pouco da língua das Ilhas do Pôr-do-Sol...

— Eu a conheço — disse Vorstag —; e não quero saber se você a chama de lermora ou pó de vampiro, contanto que tenha um pouco.

— Desculpe-me, senhor! — disse o homem. — Percebo que é um mestre na tradição, e não simplesmente um capitão de guerra. Mas lamento, senhor, nós não guardamos essa coisa no Templo dos Divinos, onde cuidamos apenas dos que estão gravemente enfermos ou feridos. Pois essa erva não possui nenhum poder que conheçamos, talvez apenas o de suavizar um ar pestilento, ou afastar alguma aflição passageira. A não ser, é claro, que se dê importância às rimas de dias antigos, que as mulheres como nossa boa Silana ainda repetem sem entender. Não passam de antigos versos mal feitos, receio eu, deturpados na memória das mulheres velhas. O significado, se realmente existir algum, deixo para que o senhor o julgue. Mas as pessoas velhas ainda usam uma infusão da erva contra dores de cabeça.

— Então, em nome do rei, vá procurar algum velho de menos tradição e mais sabedoria, que tenha um pouco da erva em sua casa! — gritou Savos.

Agora Vorstag estava de joelhos ao lado de Aldis, com uma mão sobre sua fronte. Os que observavam sentiam que alguma grande luta estava acontecendo. Pois o rosto de Vorstag ficou cinzento de tanto cansaço; de vez em quando, chamava o nome de Aldis, mas sua voz saia cada vez mais fraca, como se o próprio Vorstag estivesse longe dali, vagando em algum vale escuro e distante, chamando alguém que tivesse perdido.

E finalmente Stlubo entrou correndo, trazendo seis folhas num pano.

— É pó de vampiro, Senhor — disse ele — mas receio que não esteja fresco. Deve ter sido colhida no mínimo há duas semanas. Espero que sirva, Senhor.

Então, olhando para Aldis, o menino rompeu em lágrimas. Mas Vorstag sorriu. — Vai servir — disse ele. — Agora o pior já passou. Fique e tranquilize-se!

Então, pegando duas folhas, colocou-as nas mãos e soprou nelas, amassando-as em seguida; imediatamente um frescor de vida encheu o quarto, como se o próprio ar tivesse despertado e estremecido, faiscando de alegria. Depois Vorstag jogou as folhas nas tigelas de água fumegante que lhe foram trazidas, e na mesma hora todos os corações ficaram mais leves. A fragrância que atingiu cada um era como uma lembrança de manhãs orvalhadas, de sol sem sombras, em alguma ter a cujo próprio mundo de beleza primaveril é apenas uma memória fugidia. Vorstag se levantou reconfortado, e seus olhos sorriram no momento em que aproximou a tigela do rosto dormente de Aldis.

— Veja só! Você acreditaria nisto? — disse Silana a uma mulher que estava ao seu lado. — O pó é melhor do que eu pensava. Faz-me lembrar das rosas do Alto Portão, quando eu era uma menina, e nenhum rei poderia exigir erva melhor.

De repente Aldis se mexeu, e abriu os olhos, fitando Vorstag acima dele; uma luz de consciência e amor se acendeu em seu olhar, e ele falou numa voz baixa.

— O Senhor me chamou. Estou aqui. Qual é a ordem do rei?

— Deixe de caminhar nas sombras, e desperte! — disse Vorstag. — Você está exausto. Descanse um pouco e coma alguma coisa; esteja pronto quando eu retornar.

— Farei isso, senhor — disse Aldis. — Pois quem ficaria deitado sem fazer nada quando o rei está de volta?

— Então até logo! — disse Vorstag. — Devo quem precisa de mim.

Deixou então o quarto com Savos Aren e Clagius; mas Segunivus e o filho ficaram, incapazes de conter a alegria que sentiam. Indo atrás de Savos Aren e fechando a porta, Ralof ouviu Silana exclamar:

— Rei! Você ouviu isso? Que foi que eu disse? As mãos de um curador, foi isso que eu disse.

E logo do Templo propagou-se a noticia de que o rei verdadeiramente estava entre eles, e depois da guerra trouxera a cura, e as novas se espalharam pela Cidade. Mas Vorstag aproximou-se de Lydia e disse:

— Temos aqui um ferimento grave; foi um golpe forte. O braço quebrado foi cuidado com a devida habilidade, e vai se recuperar com o tempo, se ela tiver forças para viver. É o braço do escudo que foi ferido, mas o maior mal está no braço da espada. Parece não haver vida nele.

— É lamentável! Ela enfrentou um inimigo acima das forças de sua mente e corpo. E aqueles que erguem uma arma contra tal inimigo devem ser mais inflexíveis que o aço, para que o próprio choque não os destrua. Foi um destino cruel que a colocou nesse caminho. Pois é uma linda donzela, a mais bela senhora de uma casa de rainhas. Apesar disso, não sei como devo falar dela. A primeira vez que a vi, percebi sua infelicidade; pareceu-me uma flor branca erguendo- se ereta e altiva, esbelta como um lírio, e mesmo assim sabia que era rígida, como se esculpida em aço por artesãos élficos. Ou será que uma geada havia transformado sua seiva em gelo, e assim ela se erguia, doce e amarga, ainda bela de se olhar, mas ferida, prestes a cair e morrer? A doença de Lydia começou muito antes deste dia, não é, Saerlund?

— Surpreende-me que me pergunte isso, senhor — respondeu ele. — Pois considero-o sem culpa nesse assunto, e em tudo mais; apesar disso, não sabia que Lydia havia sido tocada por qualquer geada até a primeira vez em que o viu. Ela sentia medo e preocupação, e os partilhava comigo. Nos dias de Estormo, quando o jarl estava enfeitiçado; cuidava do jarl com uma preocupação crescente sob o comando da Cidade de Whiterun, que sempre foi nossa grande amiga. Mas isso não a trouxe para este caminho!

— Meu amigo! — disse Savos Aren —, você tinha cavalos, e ação armada, e campos livres; mas ela, nascida com o corpo de uma donzela, tinha um espírito e uma coragem no mínimo à altura dos seus. Apesar disso, estava fadada a servir a um assustado, a quem amava como a um irmão, e a observá-lo cair numa senilidade desonrosa e miserável; seu papel lhe parecia mais ignóbil do que o do bastão no qual ele se apoiava. Você acha que Estormo envenenava apenas os ouvidos de Harrald? Criança louca! O que é a casa dos Law-Giver a não ser um estábulo com teto de palha, onde os bandidos bebem em meio ao mau cheiro, e seus fedelhos rolam pelo chão junto com os cachorros? Nunca ouviu essas palavras antes? Quem as disse foi Ancano, o professor de Estormo. Mas não duvido que Estormo, em casa, tenha adornado seu significado com termos mais astuciosos. Meu senhor, se o amor que esta bela donzela lhe devotava, juntamente com sua determinação em cumprir seu dever, não lhe tivessem cerrado os lábios, você até poderia ter ouvido palavras semelhantes a essas escapando deles. Mas quem pode saber o que ela falava para a escuridão, sozinha, nas amargas vigílias noturnas, quando toda a sua vida parecia estar se contraindo, e as paredes de seu aposento se fechando à sua volta, uma gaiola para trancafiar algum ser selvagem?

Saerlund ficou então em silêncio, olhando para a irmã, como se ponderasse outra vez todos os dias de sua vida que passara junto a ela. Mas Vorstag disse: — Eu também vi o que você viu, Saerlund. Dentre todos os acasos cruéis deste mundo, poucas tristezas trariam mais amargura e vergonha para o coração de um homem do que observar o amor de uma senhora tão bela e corajosa que não pode ser correspondido. A tristeza e a pena me seguiram desde que a deixei, desesperada, em Riften e cavalguei para o Santuário do Templo-Céu, e nenhum temor esteve tão presente naquele caminho quanto o que eu sentia pelo que poderia acontecer a ela. Mesmo assim, Saerlund, digo-lhe que ela o ama mais verdadeiramente do que a mim; pois você ela ama e conhece; mas em mim ela ama apenas uma sombra e um pensamento: uma esperança de glória e grandes feitos, e de terras distantes dos campos do Rift. Talvez eu tenha o poder de curar-lhe o corpo, e de resgatá-la do vale escuro. Mas para o que ela despertará: para a esperança, para o esquecimento ou para o desespero, não posso saber. Se for para o desespero, então morrerá, a não ser que lhe apareça uma outra cura que não posso trazer. Lamento, pois seus feitos a colocaram entre as rainhas de grande renome.

Então Vorstag abaixou-se e olhou no rosto de Lydia, que realmente estava branco como um lírio, frio como a geada, e rígido como se esculpido em pedra. Mas ele se inclinou e a beijou na testa, e a chamou suavemente, dizendo: — Lydia, sobrinha de Balgruuf, acorde! Seu inimigo foi-se embora!

Ela não se mexeu, mas agora começava outra vez a respirar fundo, de modo que seu peito subia e descia sob o linho branco do lençol. Mais uma vez Vorstag esmagou duas folhas de pó de vampiro e as jogou na água fumegante; banhou então a testa da enferma com a infusão, como também o braço esquerdo, gelado e imóvel sobre a coberta.

Então, talvez porque Vorstag tivesse realmente algum esquecido poder de Cyrodiil, talvez pelo efeito causado pelas palavras ditas sobre a Senhora Lydia, todos os circunstantes tiveram a impressão de que, á medida que a doce influência da erva se espalhava pelo quarto, um vento penetrante soprava através da janela, sem trazer fragrância alguma, mas era um ar inteiramente fresco, limpo e jovem, como se nunca tivesse sido inspirado por qualquer criatura viva, e tivesse acabado de sair diretamente de montanhas cheias de neve, altas sob uma abóbada de estrelas, ou de praias de prata distantes, banhadas por mares de espuma.

— Desperte, Lydia, Regente do Rift! — disse Vorstag de novo, tomando-lhe a mão direita com a sua e sentindo-a quente, voltando á vida. — Desperte! A sombra se foi e estamos livres da escuridão!

Depois pousou a mão da Senhora na de Saerlund e deixou o quarto. — Chame-a! — disse ele e saiu do quarto em silêncio.

— Lydia, Lydia! — chamou Saerlund em meio às lágrimas.

Mas ela abriu os olhos e disse:

— Saerlund! Que ventura é esta? Pois disseram que estava morto. Mas não, essas foram apenas as vozes escuras no meu sonho. Quanto tempo fiquei sonhando?

— Não muito tempo, minha bela — disse Saerlund. — Mas não pense mais nisso!

— Estou sentindo um cansaço estranho — disse ela. — Preciso descansar um pouco. Mas, diga-me, o que aconteceu com o Jarl do Estado do Rift? Ai de mim! Não me diga que foi um sonho, pois sei que não foi. Ele está morto como havia previsto.

— Ele está morto — disse Saerlund —, mas me pediu que em seu nome dissesse adeus a você e ao povo. Jaz agora com grandes honras no Salão dos Mortos da Cidadela de Solitude.

— Isso é triste — disse ela. — No entanto, é melhor que tudo o que ousei esperar nos dias escuros, quando parecia que a Casa dos Law-Giver tinha caído em desonra, atingindo um nível inferior ao da choupana de um pastor. E o escudeiro do jarl? Saerlund, você deve nomeá-lo cavaleiro do Estado do Rift, pois ele é valoroso.

— Ele repousa neste Templo, aqui perto, e eu vou vê-lo — disse Savos Aren. — Saerlund ficará aqui por um tempo. Mas ainda não falem de guerra ou inimigo, até que você se recupere completamente. É uma grande alegria vê-la despertar outra vez para a saúde e a esperança, você que é uma senhora tão corajosa.

— Para a saúde? — disse Lydia. — Pode ser que sim. Pelo menos enquanto houver a sela vazia de algum soldado caído que eu possa ocupar, e feitos a cumprir. Mas para a esperança? Não sei.

Savos Aren e Ralof foram para o quarto de Asgeld, onde encontraram Vorstag em pé ao lado do leito. — Pobre dele! — exclamou Ralof, correndo para perto do escudeiro, pois teve a impressão de que ele estava pior, com um tom cinzento no rosto, como se um peso de anos de tristeza o oprimisse; de súbito foi tomado por um medo de que Asgeld pudesse morrer.

— Não tenha medo — disse Vorstag. Cheguei a tempo, e chamei-o de volta. Agora está cansado, e triste, além de ter sofrido um ferimento como o da Senhora Lydia, quando ousou atacar aquela criatura mortal. Mas esses males podem ser reparados, num espírito tão forte e alegre como o dele. Não poderá se esquecer de sua tristeza, porém esse sentimento não vai escurecer o coração dele, mas trazer-lhe sabedoria.

Então Vorstag colocou a mão na cabeça de Asgeld e, acariciando suavemente os cachos castanhos, tocou as pálpebras. chamando-o pelo nome. E quando a fragrância de pó de vampiro se espalhou pelo quarto, como o aroma de pomares e de urzais ao sol, cheios de abelhas, de repente Asgeld acordou e disse:

— Estou com fome. Que horas são?

— Já passou da hora da janta — disse Ralof —; mas arrisco dizer que poderia lhe trazer alguma coisa, se me permitirem.

— Com certeza permitirão — disse Savos. — E qualquer outra coisa que este Cavaleiro do Rift possa desejar, se puder ser encontrada em Solitude, onde seu nome se cobre de honra.

— Bom! — disse Asgeld. — Então vou querer uma janta primeiro, e depois disso um frasco de skooma. — Ao dizer isso, seu rosto ficou consternado. — Não, skooma não. Acho que nunca vou tomar outra vez.

— Por que não? — disse Ralof.

— Bem, senhor Ralof — respondeu Asgeld devagar. — Ele está morto. Tudo voltou à minha memória. Disse que sentia muito por nunca mais poder ter uma chance de conversar sobre a tradição da pescaria. Praticamente a última coisa que disse. Nunca mais conseguirei sentar com uma vara de pesca e um narguilê com skooma ao meu lado sem pensar nele e naquele dia, senhor, quando ele cavalgava para Winterhold e foi tão delicado.

— Então, tome, e pense nele! — disse Vorstag. — Pois ele era um coração gentil e um grande jarl, que cumpria seus juramentos; saiu das sombras para uma bela manhã derradeira. Embora o tempo em que o serviu tenha sido tão breve, deveria ser uma lembrança alegre e honrosa até o fim de seus dias.

Asgeld sorriu.

— Então está bem — disse ele. — Se o Encapuzado providenciar o necessário, vou tomar e pensar. Eu tinha um pouco da melhor skooma de Riften em minha mochila, mas o que foi feito dela na batalha, com certeza eu não sei. Consegui com uns argonianos estranhos.

— Mestre Asgeld — disse Vorstag —, se você acha que eu atravessei montanhas e o reino de Dawnstar e depois uma parcela do Mar, com fogo e espada, para trazer fumo para um soldado descuidado que joga fora seus pertences, está muito enganado. Se sua mochila não for encontrada, então você deve mandar chamar o mestre de ervas deste Templo. E é isso que preciso fazer agora. Pois não durmo num leito como este desde que parti de Riften, e também não comi nada desde a escuridão antes da aurora.

— Lamento terrivelmente — disse Ralof. — Vá agora mesmo! Desde aquela noite em Whiterun, tenho sido um incômodo para você. Mas é o costume de meu povo usar palavras leves em tempos como estes, dizendo menos do que sentimos. Tememos revelar demais. Quando uma brincadeira é fora de hora, faltam-nos as palavras corretas.

— Sei muito bem disso, ou não lidaria com você como faço — disse Vorstag. — Que Riverwood possa viver para sempre incólume!

Então ele saiu, acompanhado por Savos Aren.

Ralof ficou no quarto. — Nunca houve uma pessoa como ele — disse o stormcloak. — Com a exceção de Savos, é claro. Acho que os dois são aparentados.

Às portas do Templo muitos já se juntavam para ver Vorstag, e o seguiram; quando finalmente ele terminou de cear, vieram homens rogando-lhe que curasse seus parentes ou amigos. Vorstag levantou-se e saiu; mandou chamar os filhos de Orthorn Elsinorin, e juntos trabalharam até tarde da noite. E o rumor se espalhou pela Cidade: “O Rei realmente voltou outra vez.” Chamaram-no de Ysmir, o Dragão do Norte, porque este era o título que lhe deram os Barbacinza.

Quando não conseguia mais trabalhar, cobriu-se com a capa e saiu sorrateiramente da Cidade, indo para sua tenda um pouco antes da aurora, para dormir um pouco. E pela manhã a bandeira de Voslkygge, uma letra V cruzada verticalmente por uma longa espada e horizontalmente por três bem menores, esvoaçava no alto do Palácio Azul, e os homens erguiam os olhos e imaginavam se a chegada do Rei não passara de um sonho.

Vorstag e Savos Aren foram até o Rorlund, o Alto Sacerdote do Templo dos Divinos e lhe disseram que Aldis e Lydia deveriam permanecer internados e ainda inspirariam atenção por muitos dias.

— A Senhora Lydia — disse Vorstag — logo vai querer levantar-se e partir, mas não deve permitir que faça isso, se puder impedi-la de alguma maneira, até que pelo menos dez dias tenham se passado.

— Quanto a Aldis — disse Savos Aren —, logo deverá saber que sua senhora está morta. Mas a história completa sobre a loucura de Elisif não deverá chegar-lhe aos ouvidos, até que esteja bem curado e tenha tarefas a desempenhar. Cuide para que Segunivus e o stormcloak que presenciaram a cena não comentem tais coisas com ele por enquanto!

— E o outro, o escudeiro, Asgeld, que está sob meus cuidados, que me dizem dele? — perguntou Rorlund.

— É provável que amanhã esteja bom para se levantar, por um tempo curto — disse Vorstag. — Permita que o faça, se ele assim quiser. Pode caminhar um pouco sob os cuidados dos amigos.

— São uma raça notável esses nórdicos do Rift — disse Rorlund, balançando a cabeça. — De fibra muito forte, julgo eu.