Daylight
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Andei pelos corredores com meu livro de feitiços avançado e notei dois ou mais olhares em minha direção. Eu sempre consegui as melhores notas, sempre fiz as aulas mais difíceis e tenho a fama de ser uma das alunas mais inteligentes de Hogwarts. Mas meu namoro com Blaine Zmbine foi de mal a pior no quinto ano e pra fechar meu último relacionamento, com Keven Villian, foi tão ruim que destruiu quaisquer pontos positivos ao meu respeito. Keven sempre foi frio e distante e eu gostava exatamente disso, mas não sabia que ele estava tentando fazer mal a meu primo Alvo, não sabia que ele era esse pedaço de lixo. Blaine pelo menos terminou comigo por amor a Alice Longboton, os dois pareciam felizes e cheios de planos para um futuro na bugaria, aonde ele tinha sido chamado para ser goleiro de um time famoso de quadribol.
A verdade é que nunca amei Blaine e muito menos Keven, mas isso não muda o quanto me senti decepcionada, ainda mais quando a carta de papai chego, falando o quanto estava triste com o término, já que a mãe de Keven é uma atriz muito famosa, rica e inteligente. Depois disso decidi não fica andando muito pelos corredores nas horas livres, todo o meu tempo se volto para a sala de porções nas masmorras, já que ficava vazio quando acabava a aula. Quando entrei na sala escura, percebi que não estava tão escura, velas estavam acesas e uma das messas de pratica cheia de ingredientes.
— Oie, alguém aqui? — Perguntei alto o suficiente pra fazer um leve eco. No fundo eu sabia quem era, ele sempre estava ali, por mais que odeio admitir e que ninguém perceba isso, o idiota é um dos meninos mais inteligentes que conheço- Oie?
— Sou eu ruivinha. — Quando Fred ll saiu da dispensa não fiquei surpresa, eu sabia que ele tinha roubado a chave do professor desde de o terceiro ano. Claro que odiava quando ele vinha aqui, já que tinha prometido não contar seu segredo pra ninguém. — Tive uma ideia para uma porção, se sair direito quem a tomar consegue ficar com orelhas de animais. Acho que vai ser um estouro na gemelidades Weasley.
— Talvez eu possa dar uma olhada. — Eu sempre fui curiosa, mas nunca fui amiga de Fred ll, na verdade nos dois sempre travamos longas batalhas durante qualquer comemoração em família. Minha irmã Molly, gostava de falar que eu iria acabar me casando com Fred, longe dos ouvidos dos nossos pais claro, isso seria o meu fim aos olhos de papai e aos meus. Afinal eu sou centrada demais para Fred e no fundo sabia que era venenosa demais também. Como poderia puxar ele para esse mundo triste e com nuvens azuis escuras. — Só por curiosidade, claro.
— Claro que é, uma das coisas mais legais em você é a curiosidade. — Ele falou sorrindo para mim e depois volto para a dispensa. Me aproximei da mesa e dei uma olhada no caldeirão que tinha um liquido dourado e um cheiro incrível de natureza. Fred chego perto e deu três mexidas com a colher de latão, depois parou e sentou, também me sentei enquanto olhava o papel que continha os ingredientes que ele tinha usado. — Eu consegui uma escama de seria do lago negro em uma aposta com James, vai ser difícil pegar outra mais vai valer a pena.
— Outra? — Perguntei confusa, já que a porção parecia quase pronta. — Eu não sei muito dessa poção que você inventou, mas parece que já está quase pronta. Não acho necessária outra escama.
— Eu quero fazer essa poção três vezes, eu vou tomar essa primeira, a segunda James se voluntariou e a terceira ainda não sei, talvez eu mesmo novamente. — Ele falou pensativo enquanto encarava a porção, depois olhou pra mim sorrindo novamente. — Meu pai só aceita uma criação minha depois que fiz três tentativas, é a política da loja.
— Mesmo você criando a poção do soluço e a pastilha gritante? — Fred assentiu, ele tinha 17 anos, mas eu podia falar que era um orgulho pra família, apesar de suas brincadeiras em hogwarts, apesar de explodir o banheiro perto da biblioteca durante a festa de encerramento das provas no ano passado. Fred já tinha seu lugar na loja do pai, diferente de James que ia virar auror. Os dois sempre andaram juntos, desde que nasceram praticamente e agora cada um escolheu uma profissão que seguia para o lado oposto, isso me deixava curiosa e desconcertada. — Porque você não quis virar auror também?
— Você é a primeira que tem coragem de fazer a pergunta, todo mundo quer saber, mas ninguém quer perguntar. — Seu sorriso vacilo um pouco, quase como se tivesse escorregado. — Vai parecer engraçado, mas eu e James nos sentamos e conversamos sobre isso. Ele queria seguir a carreira de seu pai e eu queria seguir meu coração. Posso até ser um rebatedor galinha e maroto, mas eu amo o divertido e tudo que envolve alegria, vovó fala que puxei muito o tio Fred.
— Acho que todos da família se sentem orgulhosos de você, até meu pai que é um pouco distante fala como você se tornou um parceiro para tio George, um que ele achou que nunca teria novamente. — Papai não gostava de passar tanto tempo em família, mamãe fala que ele se sente envergonhado pelo que fez no passado. Mas eu já o vi chorando pelo irmão morto e já vi seus olhos cheios de culpa pela família. Fred me olhou por um longo momento e depois sorriu triste. — Eu queria poder ser assim.
— Todos sentem orgulho das suas conquistas Lucy, você e Rose são as mais inteligentes da família. Você vai conquistar... seja lá qual for o seu verdadeiro sonho. — Ele falou confuso por um momento e depois me olhou curioso. — O que você quer ser, depois que terminar Hogwarts?
— Eu quero ser como tia Hermione, trabalhar no ministério, fazer a diferença lá e talvez um dia me tornar ministra da magia. — Vai ser difícil e eu vou demorar muito pra alcançar o meu lugar de sonho, mas isso nunca me assustou e eu tenho tudo que necessário para seguir adiante — Eu sei que ultimamente todos estão me olhando diferente, sei que acabei entrando em um problema que nem fazia ideia e sei que isso pode afetar meu presente e futuro. Mas eu não escolhi isso, Keven é o idiota, mesmo ninguém querendo saber quem é o verdadeiro culpado.
— Eu sei. — Dessa vez ele parecia realmente triste e ver Fred triste era como só conhecer dias chuvosos e nunca ver um arco-íris. — Keven te usou para acabar com Alvo, ele tem uma paixão obsessiva pela minha irmã e tentou usar feitiços avançados e proibidos, ele vai ser punido e tudo vai acabar.
— Eu fiquei tão feliz quando você deu aquele soco nele. — Falei tentando não sorrir com a memória. — Ele mereceu.
Todo mundo falou disso durante dias, os meus tios estavam presentes, os pais de Fred e Roxy e os pais de Alvo. Minha mãe também veio, sem conta ao meu pai, sem deixa ele saber de toda essa confusão. Os pais de Keven decidiram abandonar o filho e nem deram as caras. Kevin pediu pra falar comigo uma última vez, quando tentou se aproximar como se fosse um namorado amoroso que queria pedir desculpas, Fred nem me deixo responder, ele joga a varinha no chão e deu um soco no rosto de Keven, depois empurro ele pra trás com raiva. Sua voz estava cheia de uma explosão que eu nunca vi, já que meu primo sempre foi leve e engraçado. ” Se você se aproximar dela novamente, eu vou acabar com você. Fica longe da Lucy e da Roxy, esse é meu último aviso”. Depois disso tio George segurou ele, enquanto levavam Keven e eu só podia chorar. Poque fui burra e porque tudo tinha acabado uma confusão. Quando me virei para falar com Fred, ele parecia ainda com raiva e isso me deixo mais triste ainda. Eu me lembro das suas palavras. "Ele foi o idiota Lucy, você é um vitima disso tudo, não deixe ninguém falar o contrário. Só queria que tivesse percebido antes, ele não merece suas lagrimas.” Fiquei olhando enquanto Fred saia em direção as escadas e eu chorava mais alto e sentia mamãe me abraçar, enquanto tia Gina e Tia Angelina faziam carinho em minhas cotas.
— Eu não estava chorando por ele. — Falei sem pensar e Fred agora não tirava os olhos da poção, como se quisesse evitar me olhar. — Eu estava chorando porque causei dor a Alvo, porque Roxy quase morreu e porque fiz você ficar zangado, nunca tinha te visto zangado e fiquei com medo que você não voltasse a ser o Fred que todo mundo adora.
— Eu devia ter imaginado. — Dessa vez ele volto a me olhar e eu que evitei seus olhos. Sentindo lagrimas grandes escorregarem pelas minhas bochechas, estava tão cheia de chorar, parecia única coisa que fazia durante esses dias. Ele passou a mão pela minha bochecha, limpando as lagrimas. — Não sei o que é pior, você chorar por perder ele ou chorar por perder a si mesma.
Fred se levantou e me abraçou, chorei durante horas e quando terminei ele avisou que a poção tinha ficado pronta, mas que levaria dois dias pra fermentar. Combinamos de nos encontrar lá em dois dias para ver o efeito. Nesses dois dias eu não chorei nenhuma vez, voltei a frequentar a biblioteca, a falar com minhas primas, a jantar no salão e a sorrir. Decidi conversar com Alvo, durante a conversa ele me fez entender que nada tinha sido minha culpa e que eu ainda era uma das suas primas preferidas, já que nos dois éramos os únicos da família a ir pra sonserina. Tudo parecia como antes, os olhares pararam e eu entendi que não era as pessoas que estavam me julgando, eu estava me julgando, Fred tinha razão, meu choro sem fim era por ter me perdido e de alguma maneira, naquela tarde, durante o preparo da porção de orelhas, eu me encontrei, ele me encontrou e tudo parecia certo. Quando cheguei na porta da sala de poção, dois dias mais tarde, sabia que tinha que abraçar Fred e agradecer, quando entrei preparei um sorriso que quase nunca dava e ele sempre comentava sobre isso.
— Nossa um sorriso, esse sorriso, não vejo ele desde quando tínhamos 11 anos e te ajudei a se vingar de James depois que ele colocou um sapo em sua cama durante o natal. — Sorri mais ainda pela lembrança, mas tarde descobri que o sapo era pra Dominique, e minha vingança foi sem proposito. — É bom ver que ainda existe esse sorriso.
— Eu só queria te agradecer de alguma forma. — Antes de perder a coragem, me aproximei e abracei ele forte, nossa altura era muito diferente e por isso percebi que sempre me senti segura dentro de um abraço de Fred. Ele me abraçou com força também e encosto o queixo no topo da minha cabeça. — Obrigada.
— Esses dois eu não vejo e nem escuto tem um bom tempo. — Me afastei um pouco e olhei confusa pra ele. — O abraço e o agradecimento, a última vez foi quanto tínhamos 12 anos, você brigou com Dominique e ela falou que ter cabelo ruivo era feio. Eu falei que preferia ruivo e você me abraçou forte como agora e me agradeceu, foi bem legal sabe.
— Você é um idiota. — Sorrimos um pro outro e fiquei na ponta dos pés pra dar um selinho nele. Quando me afastei ele me olhava agora com o sorriso maroto, o melhor de todos, que parecia irradiar luz, eu podia até me sentir aquecida como se tivesse pegando o sol da manhã. — Até que foi legal sabe.
— Ah ruivinha... foi rápido demais pra ser legal. — Ele se aproximou e me beijou, com carinho e força. Quando nos afastamos ele me olhou como se eu fosse a luz do dia também e isso eu nunca vou esquecer posso ter certeza. Sua voz estava rouca e cheia de humor quando falou. — Nossos beijos nunca vão ser legais, nossos beijos daqui pra frente vão ser inesquecíveis e impressionantes. Eu não aceito menos que isso e nem você deveria.
Comecei a rir enquanto ele me puxava para seu peito novamente, me abraçado e passando a mão pelos fios do meu longo cabelo ruivo. Então esses são os sentimentos de estar em um relacionamento com amor? Por mais que eu odeio admitir, sempre amei Fred II, por isso nenhum teve lugar em meu coração, por isso meus relacionamentos foram planejados em status e futuro, nunca em sentimento e escolha própria. Agora eu entendia Blaine e Alice, entendia o motivo dele desistir de tudo para ficar com ela, até desistir da opinião de seu pai pra poder ter um futuro aonde sua própria felicidade era a mais importante. Meu pai seria contra o nosso amor, a nossa família poderia ser contra, mas Fred não era o tipo que desistia e nem eu, ainda mais quando tinha passado a vida toda na escuridão e agora conseguia ver a luz do dia, eu só conseguia ver ele.
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