Daughter Of War

4 Explicações


Notas iniciais
Oisinho c: Eu deveria ter postado ontem, mas não tive tempo de terminar o capítulo ;-; sorry Enfim, como vocês vão ver, o capítulo não é narrado pela Jessica, e sim pelo Nico di motherfuckin Angelo. A história não vai ser narrada só pela Jessica, mas sim por outros personagens que já existem e alguns que eu vou apresentar a vocês depois c: E não, não vai ser organizado e bonitinho igual como o Tio Rick faz, vai ser tudo bagunçado mesmo u-u acostumem-se Boa Leitura

Nico di Angelo’s P.O.V

As coisas estavam voltando a ser tediosas até a garota aparecer.

Eu estava no Acampamento há apenas uma semana, mas já desejava sair de lá. O Acampamento estava com menos de um terço de sua real capacidade por causa da época de ano, mas os poucos campistas que continuaram ali conseguiam fazer a proeza de trazer o clima natalino. Pode parecer estranho o fato de semideuses festejarem uma época cristã, porém eles não levam a sério o real significado do Natal. Era apenas uma data para trocar presentes e ficar com os amigos.

Eu simplesmente detestava aquele climinha festivo.

Preferia mil vezes ficar no Mundo Inferior. Pelo menos, os mortos não têm essas frescuras de datas para celebrar o “amor e união”. Deuses, se você “ama” alguém, deve demonstrar isso a todo o momento, não apenas numa data específica. Mas parece que infelizmente a humanidade se apegou a essa tradição tosca.

Eu só estava aturando tudo isso por causa de Hazel. Ela havia insistido tanto para que eu aparecesse no Acampamento durante a época de Natal que eu não pude recusar. O argumento de que eu era sua única família sempre me fazia ceder.

Outro fato irritante: até dois anos atrás, eu tinha a opção de ficar ou no Acampamento Meio-Sangue, ou no Acampamento Júpiter. Mas agora não podia, pois os acampamentos se tornaram um só.

Após a derrota de Gaia, quando os deuses enfim conseguiram se restabelecer, resolveram que manter os dois acampamentos divididos fora um grande erro. Fazer com que semideuses romanos e gregos vivessem sem saber da existência um do outro fora efetivo durante um período, mas isso acabou favorecendo o caos, já que gregos e romanos quase se mataram enquanto Gaia se reerguia. Agora que a Atena Partenos havia estabelecido a paz momentânea entre os dois grupos, os deuses decidiram que uni-los seria favorável. E acabaram juntando os dois acampamentos.

É óbvio que eles não mudaram o Acampamento Júpiter de lugar. Seria impossível fazê-lo. A solução “infalível” deles foi colocar um portal mágico que ligava os dois lugares. O portal era como um espelho gigante que refletia o outro acampamento, de quinze metros de largura e quase sete de altura, que ficava exposto onde todos pudessem vê-lo. Você podia estar caminhando calmamente pelo Acampamento Meio-Sangue em Long Island, passava pelo portal e boom! Ia parar direto em San Francisco, no Acampamento Júpiter.

A adaptação fora difícil nos primeiros meses. O fato de a Atena Partenos ter reaparecido não significava que romanos e gregos começariam a se amar instantaneamente. Houve algumas desavenças, mas logo as coisas foram se normalizando, as pessoas foram se acostumando. Agora, não era anormal ver um romano duelando na arena de combates do Acampamento Meio-Sangue ou ver um grupo de semideusas gregas passeando por Nova Roma. E, por incrível que pareça, Reyna, Frank (o atual pretor) e Quíron se deram muito bem ao organizar os dois acampamentos adequadamente.

Olhando por esse lado, a união dos dois acampamentos não fora ruim. Nova Roma era uma cidade enorme formada por semideuses, um lugar onde poderiam viver suas vidas tranquilamente – coisa que era praticamente impossível para os gregos. Agora, eles podiam ter a vida que sempre quiseram, sem a preocupação de ter que fugir de monstros.

Mas para mim a união foi uma droga, pois agora eu não tinha pra onde fugir.

As coisas haviam mudado um pouco na minha vida nesses últimos dois anos. Depois da derrota de Gaia, passei muito tempo refletindo sobre a minha vida. Decidi aceitar o conselho de Jason – ou pelo menos parte dele. Eu tentava ser mais sociável. Tentava passar mais tempo no mundo mortal e participar nos dois acampamentos. As pessoas não mais me evitavam daquela maneira (apesar de ainda serem meio hesitantes ao vir falar comigo). Mas ainda não era fácil. Eu não ia mudar drasticamente o meu jeito de ser.

O pior disso tudo era que eu ainda me sentia sozinho e infeliz.

Por esse motivo, passava a maior parte do tempo no Mundo Inferior. Hazel dizia estar se sentindo orgulhosa pelo meu esforço. Ela parecia genuinamente feliz. Não queria que ela soubesse que as coisas não haviam mudado tanto na minha cabeça. Então, passava bastante tempo afastado (apesar de sempre mandar mensagens de Íris para ela). Não queria que ela se preocupasse com a minha tristeza ou os meus problemas, ou que ficasse magoada.

Podem me chamar de imaturo por ter feito isso. Não ligo.

Eu estava sentado no telhado do chalé de Hades observando a noite fria. Logo começaria a nevar. A enorme Atena Partenos ficava perto do portal, em um ponto em que os dois acampamentos podia vê-la. Era quase como se dissesse: “Comecem a brigar e eu vou espancá-los com essa deusa!”.

Essa tonelada de pensamentos invadia minha mente quando percebi Hazel sentando-se ao meu lado.

Ela cutucou meu braço e sorriu.

— No que está pensando? Parece tão preocupado.

Suspirei pesadamente. O vapor escapava de minha boca.

— Nada... Só algumas coisas que não saem daqui. — Gesticulei para minha cabeça com a mão.

— Estava pensando naquela garota?

Engoli em seco. Hazel parecia conseguir ler meus pensamentos. Realmente, a tal garota ficava voltando à minha mente o tempo todo.

— ...Também. — murmurei.

Hazel esfregou as mãos, tentando espantar o frio.

— Eu queria ter visto aquilo. Como é possível que uma garota que nem sabe que é semideusa tenha conseguido matar um drakon? — ela disse.

— Talvez ela já saiba.

— Acho difícil. Não sei de quem ela é filha, mas com certeza é bem resistente. O veneno de drakon quase a matou. Se não fossem os filhos de Apolo, duvido que ela tenha sobrevivido.

Aquilo também era verdade. Eu quase senti a força vital da tal garota se esvair completamente, mas os filhos de Apolo conseguiram curá-la.

— E, bom... — Hazel abaixou o tom de voz. Ela sempre fazia isso quando ia entrar em um assunto delicado. — Você também sentiu? Aquela menina tem uma... aura estranha.

Assenti seriamente.

— Eu senti. Também estou desconfiado. Mas não vou me meter enquanto não souber exatamente quem ela é.

— Você está certo.

Ficamos em silêncio por alguns minutos – um silêncio um pouco tenso. Ambos tínhamos o pressentimento de que a chegada da garota era sinal de problemas.

Demorei algum tempo para perceber que Hazel me encarava fixamente. Franzi o cenho.

— O que foi?

Ela encostou a cabeça nos joelhos e sorriu.

— Nada... É que você mudou tanto. Nem parece que é o mesmo menino magrelo de dois anos atrás. Parece mais maduro e está mais forte. — Um sorriso malicioso brincou em seus lábios. — Já ouvi várias garotas falando muito bem sobre você, Nico. Você tem um charme mortal.

Ela me empurrou de brincadeira, e eu me permiti dar um leve sorriso.

— Que trocadilho horrível — eu disse.

— Eu sei — Hazel encostou sua cabeça em meu ombro. — Eu sei o quanto você não gosta de ficar por aqui nessa época... Por isso, obrigada por ter vindo.

— Só não posso ficar por muito tempo... Ou esse meu “charme mortal” vai acabar realmente matando as pessoas.

Hazel riu novamente. Ouvimos alguém chamar lá de baixo. Era Frank.

Pode parecer impossível, mas o cara tinha conseguido ficar ainda mais alto do que já era nesses dois anos. Agora, Frank tinha dezoito anos (e me incomodava um pouco o fato de minha irmã namorar um cara três anos mais velho que ela, mas isso não tinha tanta importância). Frank agora era tão musculoso quanto um touro e sua cara não parecia mais a de um bebê chorão. Ele havia amadurecido muito, e todos o respeitavam como pretor.

— Oi, Nico! — ele disse, acenando.

Acenei de volta.

— O que foi? — Hazel perguntou.

Frank olhou para os lados, parecendo acanhado.

— Err... Algumas amigas suas estavam te chamando... — ele tentou enrolar.

Apesar de ter amadurecido, ele ainda era meio bobo. Inventando desculpas para não parecer grosseiro ao chamar Hazel para os dois ficarem sozinhos. Tsc.

— Uh... certo. — Hazel disse, já levantando-se. Olhou na direção da Casa Grande e franziu o cenho. — O que está acontecendo lá?

Estiquei a cabeça para poder enxergar direito. Havia algumas pessoas próximas a Casa.

— Aquilo? — Frank perguntou, gesticulando. — Encontrei com a Amanda vindo pra cá, aquela filha de Apolo que estava cuidando da tal garota... Parece que a assassina de drakons acordou. O povo está curioso para saber quem ela é, eu acho. Reyna também está lá.

— Você também não deveria estar? — perguntei.

— Não. Ela só está lá por causa de Aurum e Argentum... Para o caso da tal menina contar alguma mentira.

Hazel e eu nos entreolhamos.

— Você vai... “investigar”? — ela sussurrou.

— Mas que pergunta boba. — me levantei. A história de que eu havia crescido era verdade. Hazel estava uns quinze centímetros mais baixa que eu. — Mas é claro que vou.

–

Entrei na Casa Grande sem ser convidado.

Dirigi-me à sala de estar. Reyna encontrava-se sozinha, de pé ao lado da lareira acessa, acompanhada de Aurum e Argentum, sentados obedientemente em seus flancos. Aquela era uma das raras vezes em que Reyna não estava usando sua armadura: vestia jeans e um casaco verde. Percebeu minha presença e fez um cumprimento.

— Olá, Nico. O que faz aqui?

— Só estou curioso. — eu disse, sem rodeios. Reyna me lançou um olhar inquisitivo, mas não me perguntou nada.

Eu não me sentia intimidado pelos olhares que Reyna lançava. Não era deboche por ela, pelo contrário: depois que viajamos juntos trazendo a Atena Partenos até o Acampamento Meio-Sangue, acabei conhecendo-a melhor, e desenvolvi um enorme respeito por Reyna. Ela era uma das pessoas mais justas que já conheci, uma verdadeira líder.

Escutei o barulho de passos e logo pensei que Quíron e a menina apareceriam. Mas não eram eles.

Era Percy.

Que merda ele veio fazer aqui?!, pensei, irritado.

Percy avistou-nos e pareceu um pouco confuso.

— Vai me dizer que também veio aqui por “curiosidade”? — Reyna perguntou sarcasticamente.

O filho de Poseidon parecia desconfortável. Não sabia dizer se era pela situação ou pela minha presença.

O desconforto dele era justificável, já que tudo mudou depois da derrota de Gaia. Decidi que não adiantava sofrer por algo que eu nunca iria ter. Por isso, comecei a evitar Percy o máximo possível. Eu ainda o cumprimentava para não parecer grosseiro, mas não passava disso. Não conversávamos mais que o necessário. Sempre quando o via, procurava evitá-lo – a ele e a Annabeth (mesmo sabendo que ela não tinha nada a ver com isso). O tratamento frio havia surtido algum efeito. Eu já não pensava mais nos dois como costumava ser antigamente, não me sentia tenso quando encontrava com um dos dois. Porém Percy provavelmente ficou extremamente confuso com o meu comportamento, sem entender o por quê.

E ele nunca saberia o porquê. Nunca.

Fiz um leve cumprimento com a cabeça.

— Olá, Percy.

O rapaz pareceu ter ficado surpreso com o meu cumprimento. Normalmente, era ele que devia chamar minha atenção.

— Hm, oi. Oi, Reyna. O que estão fazendo aqui?

— O mesmo que você. — Reyna disse, enquanto fazia carinho em seus autômatos de estimação. — Queremos saber quem essa garota é.

Ele tomou uma expressão séria. Percy não era burro. Ele sabia muito bem que drakons não saem por aí perseguindo qualquer semideus – o que significava que aquela garota tinha algo muito estranho.

Ouvimos passos e vozes, e dessa vez ela apareceu acompanhada de Quíron, que escondia sua parte animal dentro da cadeira de rodas mágica. Eles conversavam baixo e pararam imediatamente ao perceber nossas presenças.

A garota fitou-nos um a um com o olhar desconfiado de um felino. Ela parecia pálida e magra, as maçãs de seu rosto bem saltadas. Ela ainda parecia meio doente, mas estava incrivelmente bem para uma pessoa que passou quase uma semana à beira da morte (literalmente). Usava jeans, coturnos e um moletom cinza que parecia ser um pouco maior do que o adequado. Os cabelos pareciam ser feitos do mesmo fogo que crepitava na lareira. Os olhos eram tão negros quanto obsidiana. Se ela te encarasse por muito tempo daquele jeito, você com certeza sentiria calafrios.

Acabei me identificando com a garota imediatamente. Ela mantinha a mesma expressão ameaçadora que eu. A mesma expressão de alguém que não quer ser incomodado, que aprendeu a não confiar nas pessoas, que criou uma barreira ao redor de si para se autoproteger.

A mesma expressão de alguém que já sofreu muito em sua vida.

— Que grande surpresa em tê-los aqui — Quíron disse. — O que os rapazes desejam?

— Eles estão “curiosos”. — Reyna adiantou-se, usando o mesmo tom sarcástico que eu raramente a via usar. Aquilo me irritou um pouco.

— Curiosos? — Quíron arqueou a sobrancelha. — Sinto muito, rapazes, mas devo pedir que se retirem. A senhorita Jessica não vai se sentir à vontade com tanta gente presente...

— Não — a garota interrompeu-o. —, eu não me importo. Deixe que eles fiquem.

Ela realmente não parecia se importar. Seu tom de voz era inexpressivo.

— Certo. — Quíron disse, parecendo um pouco surpreso. Quando passou perto de nós, disse: — Não interrompam.

A ruiva (Jessica era o nome dela?), sentou-se em uma das poltronas da sala; Reyna sentou-se na oposta, enquanto que eu e Percy continuamos de pé.

— Jessica, você poderia nos contar exatamente de onde você é e como chegou aqui? — Quíron perguntou.

Jessica fitava o tapete de testa franzida, como se se perguntasse o que estava fazendo ali.

— As coisas começaram a ficar estranhas quando encontrei com uma mulher...

E ela começou a falar. Ninguém a interrompeu em momento algum enquanto a garota contava toda a história. Ela pareceu hesitante quando nos contou como foi obrigada a fugir de sua antiga casa em chamas, e fiquei alarmado quando relatou que usara um portal feito de trevas.

Uma viagem pelas sombras.

Como aquilo era possível? Ninguém a não ser um filho de Hades era capaz de viajar pelas sombras. Quanto mais ela falava, mais desconfiado eu ficava.

Mas fiquei ainda mais alarmado quando ela contou sobre o anjo.

— Você está dizendo que um anjo a ajudou? — Quíron perguntou.

— Sim... Olha, não pense que eu sou louca. Não consigo me lembrar do nome dele direito... — ela fechou os olhos, tentando se esforçar para lembrar o nome. — Era um nome complicado, com Z...

— Zéfiro? — perguntei, chamando a atenção de todos para mim. — Favônio?

— Sim! Era esse o nome.

Um calafrio subiu pela minha espinha. O último encontro que eu tivera com o deus na Croácia não fora nada agradável. Eu gostaria de poder apagar aquele dia de minha mente.

Por que Favônio (ou Zéfiro, tanto faz) a ajudara?

Quíron parecia se perguntar a mesma coisa.

— Prossiga. — ele disse.

Jessica completou seu relato com o último acontecimento – a chegada ao Acampamento e a luta contra o drakon. Aurum e Argentum continuaram quietos durante todo o tempo, o que significava que ela não mentiu nenhuma vez.

— Então... é isso. — ela olhava-nos nervosamente agora. — Eu não estou louca, estou?

Quíron ajeitou-se na cadeira de rodas.

— Felizmente, você não enlouqueceu. Pelo menos, não ainda.

— Ah. Que animador — ela murmurou. — Mas agora está na hora de você me dar algumas respostas. O que é esse lugar? Por que essas coisas começaram a acontecer de repente?

Quíron inclinou-se para frente em sua cadeira, apoiando os braços em suas pernas falsas.

— Diga-me, Jessica, o que você conhece sobre mitologia grega?

Ela franziu o cenho.

— Não muita coisa... Sei sobre o que vi nos filmes, os deuses e tal... Aquele jogo chamado Mitomagia... Mas o que isso tem a ver?

Percebi que Percy segurou o riso quando Jessica mencionou o nome do maldito jogo. Fiquei com vontade de socá-lo.

— Isso tem tudo a ver com suas respostas. E se eu dissesse que os deuses da mitologia Greco-romana realmente existiram? Que eles vivem até hoje?

Ela franziu a testa, mas não agiu como se achasse loucura.

— Eu já vi tantas coisas estranhas nesses últimos dias que se você me dissesse que Papai Noel existe eu iria acreditar.

Quíron sorriu.

— Ainda bem que pensa assim. Pois essa é a verdade, Jessica: os deuses existem. Eles são forças imortais que perduraram depois de milênios.

A garota parecia confusa.

— Zéfiro me falou alguma coisa sobre Hades. Mas eu não tinha entendido muito bem na hora...

Ótimo. O maldito deus ainda mencionou o nome de meu pai pra ela. O que ele quer?, pensei.

A expressão de Jessica dizia que ela ainda estava tentando absorver a nova informação. Ela parecia ser o tipo de pessoa que só acredita vendo. Não a culpava. Nunca é fácil aceitar.

— Hm, certo. — ela murmurou. — E o que isso tem a ver comigo?

Quíron pigarreou.

— Acontece que, eventualmente... Estes deuses acabam se apaixonando por mortais... Acabam tendo filhos com eles. Esses filhos são chamados de semideuses. Não são crianças normais. Eles desenvolvem poderes de acordo com seu progenitor divino...

— Espere um pouco — ela levantou a mão, pedindo para que Quíron parasse. — Você quer dizer que eu sou filha... de um deus?!

Quíron tentava ser o mais delicado possível.

— Sim. Talvez sua mãe tenha mentido, mas não se irrite com iss...

— Eu não tenho mãe. — Jessica interrompeu-o. Sua voz estava incrivelmente fria agora. — Não tenho pais. Fui encontrada na frente de um orfanato quando era recém-nascida. E agora você acaba de me dizer que um dos meus pais é um deus. Então, porque ele nunca apareceu antes? Porque nunca veio...

Ela se interrompeu no meio da frase. Eu podia ver que tentava não tremer de fúria. Eu conseguia entender aquela reação; ninguém merece passar por essa situação.

Mas aquela fúria era quase sobrenatural.

Os pelos dos meus braços se eriçaram; um calafrio correu minha espinha. Jessica estava inflamando seu poder – seja lá qual fosse – inconscientemente. Era um poder tão forte que eu pude sentir. Aquela mesma aura estranha que Hazel também percebera. Uma aura de puro poder.

Então, de repente, ela se levantou e subiu as escadas correndo, em direção aos quartos. Obviamente não queria que outras pessoas a vissem nesse estado.

Olhei para os rostos dos outros; estavam todos pasmos.

— Vocês... Vocês sentiram isso? — Reyna perguntou.

— Senti — Percy disse, esfregando os próprios braços como se para afastar os arrepios. — De quem ela é filha?!

Quíron tinha a expressão severa.

— Rapazes, voltem para seus chalés. Reyna, obrigado por sua ajuda. — ele disse, mas soou mais como uma expulsão.

Deixamos a Casa Grande.

Eu não consegui dormir aquela noite. Aquela garota tinha um poder tão forte que era possível sentir – e, obviamente, esse poder ficava mais intenso quando ela tinha emoções fortes. Do que aquela garota seria capaz quanto ficasse realmente zangada?

Ela tinha poder suficiente para fazer Quíron ficar tão preocupado. E tinha chamado a atenção de Zéfiro – o que significava que tinha chamado a atenção de seu maldito mestre. E o mais estranho é que seu pai ou mãe divinos não havia anunciado-a, o que era muito estranho pela sua idade.

Eu não sabia quem Jessica era. Mas uma coisa eu sabia. Ela iria trazer muitos, muitos problemas.

Notas finais
É assim como eu gostaria que os dois acampamentos ficassem, sei lá, um completa o outro *v* escrevam Reviews e deixem essa guria aqui bem feliz ok *v* Obs.: estou um pouco receosa quanto as minhas palavras em relação ao Natal, por isso por favor, não se ofendam... é apenas o ponto de vista do Nico.