Daughter Of The Sea
2 O acampamento de loucos é ideal para mim?
Notas iniciais
Vai haver mortes ò_ó
Mentira, mas gente, comente, ok?
Besos.
Para eu estar ali, eu deveria ter algo, ou ter algo. Ponto. Quem, ou o que sou eu?
Desço o morro ao lado de Skandar com um sorriso. Olhando ali de cima, dava para ver todas as construções do acampamento, que em geral eram bem medieval. Skandar continua falando, porém eu não estou ligando muito.
– ... então eu acabei vindo para cá. — ele olha para mim com um sorriso. Retribuo.
– Que legal, Skandar.
Quando chegamos à base do morro, começo a reparar nas pessoas. Elas não são normais, dá para perceber da forma como elas se vestiam. Pareciam cosplay de uma era medieval.
– Wow! Quem vem lá?! — pergunta um by Text-Enhance\">jovem que caminhava em nossa direção.
– Olá Percy. — fala Skandar. Eles se cumprimentam. Percy tem os cabelos negros e olhos verdes como o mar. Ele era do mesmo porte físico (ou melhor) do que Skandar.
– Quem é esta? — pergunta o moreno.
– Esta é Ariel. Depois que eu descobri que ela era uma meio-sangue, avisei Quíron, e ele mandou que eu a trouxesse. — Tá, isso eu não sabia mesmo. Quantos segredos ele tinha?
– Ah, sim. Acho que ouvi algo sobre isso. — pondera Percy. — Seja bem vinda, Ariel! — ele sorri, e vai embora.
Durante algum tempo, fico olhando para Skandar, envergonhada. Mas não me sinto envergonhada por ele, e sim por todos. Sinto que eu sou a pessoa mais observada do momento. Todos que passavam simplesmente me fitavam. Isso é desconcertante.
– Venha, vou apresentar-te ao nosso 'mestre'. — ele me puxa pela mão, me guiando para algum lugar.
Cada vez que passo por entre aqueles campistas, eu morria de medo, e apertava ainda mais a mão de Skandar, que deveria estar sem a circulação sanguínea. Ele olha para mim, sorrindo.
– Ei, minha mãe está começando a doer. — sorrio com o seu bom humor. O lugar para onde ele me levou parecia um templo antigo, se não fosse pelas poucas colunas. Quando entramos, o ar escapa pelos meus pulmões. Era realmente uma enorme casa. Skandar continua me arrastando por alguns cômodos, seguindo as vozes.
– ... seja lá quem for a garota da profecia, ela corre perigo. — uma garota falou pouco antes de entrarmos na sala.
– Sinto muito. Quíron, você tinha pedido para que eu trouxesse a garota nova assim que ela chegasse e...
– Sim, realmente eu pedi. — eu engasgo com minha própria saliva ao reparar no homem, chamado Quíron. Ele era metade cavalo! Isso é mais do que impossível para mim. E é impossível.
– Ariel, você está bem? — Skandar fala, olhando para mim.
– Ele é metade cavalo. — balbucio. Skandar faz uma cara de quem não ouviu. — Ele é meio cavalo! — falo mais alto. Meu melhor amigo, como uma pessoa gentil, tapa a minha boca.
Quíron sorri. Ao lado dele está Percy e uma garota que eu não tinha visto. Se bem que eu não decoraria seu rosto, mesmo se já tivesse a visto. Os cabelos dela descem em leves ondas até a cintura. É alguns centímetros mais baixa que Percy, que delicadamente toca a mão dela.
– Skandar, está tudo bem. — ele tira a mão de minha boca. Eu a morderia se ele não estivesse tirado-a tão rápido. — Seja bem vinda, Ariel. Gostaria de conversar com você.
Eu novamente seguro a mão de Skandar com força. Ele faz uma careta.
– Ariel, não precisa temer-me. Irei lhe contar apenas a verdade, o que você quer saber. — O que eu queria saber. Quem sou eu?
Eu solto a mão de Skandar e acompanho Quíron. Ele caminha/trota até uma sala e fecha a porta. A sala tem na parede a cabela de um leopardo. Mais ao canto, há uma lareira, e pode se escutar o crepitar do fogo. No chão, um tapete avermelhado estavam sobre os nossos pés.
– Ariel, devo-lhe responder todas as suas perguntas. Quando quiser começar...
– Por que eu estou aqui?
Quíron leva a mão até a barba, descendo até a ponta, com feições pensativas.
– Por que você está em perigo, por causa de seu pai.
Tá, ok, agora sim eu tinha certeza de que eles eram loucos, e achavam que viviam em 1700 ou algo do tipo.
– Desculpe-me, mas o senhor vai ter que ser mais específico.
– Você está em perigo por que o seu pai não é um homem. Ele é um deus, isso faz de você uma semideusa.
O que?
Eu começo a rir. Gargalho, para ser mais direta.
– Isso é impossível, senhor. Como seria possível?
– Da mesma forma que pode existir centauros como eu?
Ele está certo. Muito certo. Eu abaixo a cabeça, olhando para os meus pés. Como é possível eu ser filha de um deus? Um deus?
– E quem é meu pai?
– Seu pai pode ser qualquer deus mitológico. Resta saber qual. Provavelmente, ele irá te reclamar esta noite, como de costume, aparecerá um símbolo no céu, ou uma transformação irá acontecer.
Algo em mim dizia que aquilo tudo era verdade. Mas a maior parte de mim, achava que aquilo tudo era loucura. Deuses não existem, ou existem.
– Eu sou uma semideusa. — murmuro. Quíron sorri.
– Que bom que você aceitou bem. Geralmente, ninguém acredita.
– Minha mãe sempre falou que meu pai era como um 'deus', mas nunca achei que fosse verdade. — Rio com a minha piada sem graça.
A porta se abre, e um garoto entra. Eu nunca tinha visto um garoto como ele. Era... Bonito. Tinha olhos negros e cabelos negros. Sua pele era branca, e suas roupas eram escuras.
– Quíron eu... Ah, desculpe-me, não sabia que você estava acompanhado. — quando o garoto me olha, eu sinto um calafrio percorrer a minha espinha. E pelos olhos dele, ele também sentiu algo.
– Tudo bem, Nico. Gostaria de falar alguma coisa? — Nico entra na sala, ficando ao meu lado.
– Sim, Quíron, sobre a profecia. Acha que essa garota já está no acampamento?
Quíron pondera as palavras do garoto.
– Acho que sim. Talvez. Mas Nico, por que quer saber disso?
– Não sei. Na verdade, senhor, isso tem me perturbado.
Quíron anda/trota para mais perto de Nico e eu.
– Quanto a garota, Nico, não faço ideia de quem seja ela, e que tipo de visões ela tem tido. Se outros descobrirem quem é antes de nós, pode ter certeza que nós estaremos ameaçados.
– Visões? Que tipo de visões?
– Uma semideusa que consegue ver o futuro. Ela recebeu este dom por conta de uma lenda antiga: o Oráculo. O Oráculo é composto por um espírito, que se fragmentou. Ele sempre teve o dom das profecias e das visões do futuro (que também té fragmentado) conjugadas, porém, estão separados, e agora que os outros descobriram, será um grande problema... Perdão, eu te conheço? — Nico perguntou, olhando para mim.
Visões. O-oh. Nada bom.
– Não, chamo-me Ariel.
– Legal. — disse ele. Qual é o problema dele? — Quíron, quando souber de algo, por favor me avise.
– Sim, Nico. Fale para Percy que eu gostaria de falar com ele.
– Sim, com licença.
Nico sai, fechando a porta. Eu fico olhando para a porta por alguns segundos, voltando os olhos para Quíron.
– Ariel, tem mais alguma pergunta? — nego com a cabeça. — Ótimo! Garota de poucas perguntas. Bem, tenho que resolver alguns problemas, caso precise falar comigo, é só perguntar por aí. No demais, boa sorte Ariel.
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