Datherine Forever
18 Capítulo 19
Notas iniciais
Ah, queria agradecer a todos que comentam, vocês fazem com que todos os meus dias pareçam dias de sol!
Fecho a pequena mala e a escondo embaixo de minha cama. Agora não vai demorar. Abro o frigobar pela decima vez nessa ultima meia hora. O potinho está ali, intacto, contendo as poucas gotas de sangue de Klaus que consegui retirar da adaga. Pode funcionar, precisa funcionar.
Deixo o quarto e vou em vou em direção a sala da segurança, onde as câmeras que monitoram a casa ficam. Não pretendo desliga-las agora, mas deixarei encaminhado para essa noite. Sou forçada a parar no meio da enorme sala pela qual estou passando, pois uma dor tão forte surge em meu peito que é como se tivessem me atingido com muita força por algo muito pesado. A imagem de Klaus dormindo sereno em sua cama enquanto eu saio de fininho e fujo para sempre desse lugar me traz uma dor que faz com que seja difícil de respirar.
Entendo agora que a troca de sangue não foi uma boa ideia. Enquanto seu sangue correr em minhas veias, eu estarei ligada a ele. E a simples ideia de fazer algo que possa magoa-lo ou feri-lo é acompanhada de um sofrimento agoniante, algo que se assemelha a tentar ir contra uma compulsão de um vampiro.
Respiro fundo diversas vezes e tento expulsar esses sentimentos e imagens de minha mente. A cada inspiração me concentro para construir um muro em volta dessa sensação horrível. Penso em Damon, e isso facilita as coisas. Gostaria de vê-lo, mas agora não é seguro. Sinto que as coisas clarearem um pouco ao lembrar de seus lábios nos meus. “Eu estou confiando. E sei que não vou me decepcionar.” Lembro-me de como, logo em seguida, eu o beijei e ele retribuiu meu beijo. E como passei a noite inteira a sonhar com tudo o que poderia ter acontecido em seguida, como uma menininha apaixonada fazendo filminhos em sua cabeça antes de dormir.
O som abafado de uma pancada vem do outro lado da sala, me tirando de meus devaneios. Percebo então que estou em frente ao escritório de Klaus, e consigo captar alguns sons indistintos vindo lá de dentro. Me concentro e foco minha audição, conseguindo entender claramente o que é dito em meio a discussão.
“Não só posso como vou!” Ouço a voz de Klaus em um tom irônico e autoritário, como se estivesse abismado que alguém nesse mundo não entenda sua superioridade.
“Nós tínhamos um trato!” Outra voz responde, muito irritada, quase um rosnado. A voz me é conhecida, e tento lembrar da onde.
“Sim, mas agora esse trato não mais me interessa. Damon não é mais uma ameaça, e não tenho mais interesse algum em mantê-lo trancado.” O nome de Damon me sobressalta, e presto mais atenção do que nunca.
“Você não pode solta-lo!” O homem grita, com raiva, e finalmente o reconheço.
“Meu caro Stefan, não é problema meu se você é tão inseguro e tem tanto medo assim de perder sua amada Elena para o seu irmão. Mas ele já está hipnotizado, já não é o suficiente para você?”
“Eu já lhe disse, não o quero perto dela...”
“Então vamos mata-lo! Sabe que ainda não fiz isso apenas em consideração a nossa amizade.”
Congelo ao ouvir as palavras de Klaus. Sinto o tempo parar em volta de mim e aqueles míseros segundos antes da resposta de Stefan parecem durar para sempre, minha imaginação me bombardeando com tantas perguntas e possibilidades e medos que me sinto sufocar.
“Já disse para não brincar com isso, Klaus! Ele é meu irmão! E nem uma garota ou uma amizade de anos me faria chegar a esse ponto!” Stefan grita tão alto que mesmo uma simples audição humana poderia entender suas palavras, e no mesmo segundo me sinto relaxar.
“Ah, me desculpe. Esqueci que o máximo que você consegue é mandar torturar, hipnotizar e trancafiar seu ‘amado’ irmão pelo resto da eternidade.”
Meu queixo cai, e sei que meus olhos estão arregalados. Sinto uma dificuldade muito grande em acreditar no que estou ouvindo, em entender todos os segredos que estão sendo revelados. E, principalmente, não consigo acreditar no que Stefan fez com Damon. E naquele momento sinto muita vontade de rir da situação, mas obrigo-me a permanecer seria.
Um silencio reina no escritório, e tudo que posso ouvir é um vele tilintar enquanto um liquido é despejado em um copo.
“Sinto muito, Stefan. Sei que não gosta de encarar seu ‘lado malvado’.” Sinto a ironia e o deboche na voz de Klaus enquanto ouço seus paços. “Mas então fazemos assim: eu o deixo trancafiado aqui em um calabouço pelo tempo que você julgar necessário. O que me diz?”
Stefan suspira ruidosamente.
“Vamos lá Stefan, em nome de nossa amizade, farei isso por você. Direi a Katerina que o libertei, assim ela ficará satisfeita, e ele estará preso e ressecado, assim nunca chegará perto de sua preciosa Elena. O que me diz?” Posso praticamente ouvir o sorriso de Klaus, e sinto meu sangue ferver nas veias.
“Obrigada Klaus.”
“Um brinde. Ao nosso mais novo acordo, à nossa amizade e ao amor!” O ruído de copos batendo, seguido por dois longos goles e risadas leves.
E então eu deixo de ouvir. Como fui capas de trocar sangue com ele? Não que eu nunca tenha enganado alguém da maneira como ele pretende me enganar, mas depois do que compartilhamos, de alguma maneira eu esperava...
Sinto o ar faltar em meus pulmões. O que eu realmente esperava? Que ele virasse uma boa pessoa? E porque eu esperava isso? Klaus deveria ser simplesmente irrelevante, não deveria me importar com o que ele realmente sente em relação a mim, não deveria nutrir esperanças.
E não vou. Me levanto em um pulo, não tenho mais tempo. Preciso ir embora esta noite. Preciso levar Damon comigo antes que algo aconteça com ele. Se pudesse fugiria agora, mas é arriscado de mais. Praguejo baixinho. A verdade é que não quero ver Klaus. Não quero vê-lo e ter que fingir que sinto algo por ele além de repulsa. Mas farei isso se for preciso para me salvar, para salvar Damon.
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