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3 Capítulo II - Love Again
Notas iniciais
Aquele sábado estava especialmente frio. Embora o termômetro marcasse cerca de cinco graus célsius, a sensação era como se o Japão tivesse sido transportado para o Alasca. Mas mais frio que a barriga de Aomine era impossível; aquele era o grande dia e o ala-pivô não se sentia nada preparado. A ideia do encontro era difícil de engolir.
No desenrolar da semana, Satsuki parecia evitar qualquer tipo de assunto relacionado ao White Day ou ao “encontro” que havia marcado com Aomine, mesmo quando os outros jogadores insistiam – apenas para caçoarem do ala-pivô. E Aomine, por não ter coragem o suficiente para questioná-la, acabou prolongando a sua ansiedade – e curiosidade – para o tão esperado final de semana.
– AOMINECCHI! – Era Kise do outro lado da linha. Aomine foi obrigado a afastar o celular, caso contrário ele ficaria surdo de uma orelha só.
– Bom dia para você também. Por que me ligou tão cedo? São quase dez e meia da manhã.
– Me desculpe, Aominecchi. É que hoje é o seu grande dia e eu prometi te ajudar!
– Ajudar? A única coisa que você fez durante a semana inteira foi me deixar mais ansioso e nervoso. E você ainda não me convenceu de que será um encontro de verdade.
– Claro que é um encontro, Aominecchi! – Era possível ouvir soluços do outro lado da linha. Kise estava chorando? – Você não percebeu como Momoicchi estava sorridente ontem?!
– Talvez porque o Tetsu estava com a gente o tempo todo? Você sabe como ela fica perto dele. E você está chorando?
Pode ouvir mais um soluço do outro lado da linha. – E-eu estou emocionado, Aominecchi! Você terá um encontro com a Momoicchi. Será que vocês já estão namorando?!
– Essa conversa de namoro outra vez? Eu vou desligar.
– Não se esqueça, Aominecchi: meio-dia e meia no Fundoshi. Mal posso esperar para te ajudar com as roupas, você precisa ficar elegante para a sua namor--
Desligou o celular. O estoque de paciência de Aomine estava se esgotando – o que fez o moreno perceber que, durante toda aquela semana, ele não havia sorrido ou se divertido uma única vez. Talvez fosse a pressão dos testes ou o nervosismo por causa do festival e o seu “encontro”, mas a razão da ausência dos sorrisos e risadas era outra.
Fundoshi era mais um ponto de encontro entre adolescentes do que uma loja de roupa propriamente dita, o que deixava Aomine incomodado já que detestava a ideia de ser visto usando “roupas engomadinhas” como as do Kise.
– Oe, Kise! Quanto tempo você vai demorar aí? – Aomine estava claramente irritado e impaciente, embora ele tivesse achado um bom lugar para esperar o loiro: um sofá acolchoado acompanhado de um banquinho para descansar os pés. – Se você continuar demorando assim, eu irei perder o encontro! – Resmungou. – Argh! Quero dizer, eu vou chegar atrasado.
– Aominecchi, por que está tão irritado? E por que a pressa? Ainda é cedo! – Kise voltava carregando uma montanha de roupas e acessórios, como cintos de diversas cores, gravatas e até mesmo alguns chapéus. – Aqui está. Pronto para provar?!
– Eu marquei de me encontrar com Satsuki no apartamento dela às seis e meia da noite. Tsc, sim, eu estou pronto. Eu acho. – Ele já estava na chuva de qualquer forma, que problema teria se ele se molhasse um pouquinho?
Meia hora depois, entrando e saindo do provador, experimentando das mais diversas combinações de roupas e olhando as caretas e olhares de desaprovação de Kise, Aomine lamentou-se por aceitar as condições do loiro. Àquela altura, depois de perder tanto tempo procurando um conjunto perfeito para o encontro, o fluxo de jovens já havia diminuído.
– Kise! – O moreno saiu do provador. Era a última combinação a ser avaliada pelo loiro, e a última chance do ala-pivô sair daquele lugar. – É o último conjunto. Já estou começando a desistir dessa história de White Day!
– Está perfeito... – O loiro balbuciou. Ficou boquiaberto ao ver o ala-pivô da Teikō sair do provador. Aomine usava um blazer da cor creme, quase branco, que ajudava a realçar a sua pele bronzeada. Por baixo do blazer, vinha uma camisa da cor ciano, acompanhada por uma gravata preta e desarrumada. A calça social era da mesma cor do blazer, e os sapatos eram tão pretos quanto a gravata. De longe, o conjunto lembrava o uniforme da Teikō Junior High, que usava o preto, branco e um pouco do ciano. – E-esta perfeito, Aominecchi! – Lágrimas de emoção escorreram dos olhos do loiro, que correu em direção ao moreno para ajeitar a sua gravata corretamente. – Precisamos tirar uma foto de você assim!
Um estalo, seguido por uma ardência no topo da cabeça fez Kise se abaixar. – Não força! Ou quer levar outro tapa? – Resmungou Aomine. O loiro pediu desculpas e correu para conversar com a atendente e finalizar a compra.
Do Fundoshi, a dupla continuou com as compras: passaram em três floriculturas diferentes — todas praticamente lotadas -, até que Aomine, com a ajuda do bom gosto de Kise, achou o conjunto de rosas perfeito para formar o buquê: flores de cerejeira, que variavam entre um branco delicado e um rosa brilhante, próximo do vermelho. Escolheu flores de cerejeira sabendo de uma das paixões de Satsuki: cerejas.
Com o buquê nas mãos, Aomine voltou às ruas com Kise, procurando por uma doceria que não estivesse muito movimentada. Por um golpe de sorte, Aomine conseguiu encontrar uma doceria praticamente vazia: era uma tímida e pequena doceria chamada Koibito – especializada, principalmente, em presentes de chocolate para datas especiais. Kise, encantado, se enfiou para dentro da loja e grudou o rosto em uma das vitrines para admirar os diversos gatinhos de chocolate caseiro.
– Aominecchi! – Chamou por Aomine enquanto apontava para a vitrine. A atendente, uma senhora simpática, tentou ajudar, mas foi ignorada pelo loiro. – NEKO! Compre todos eles para a Momoicchi!
Kise precisou levar um tapa do seu colega, como de costume, para se levantar e pedir desculpas para a atendente – que perdoou o loiro com um sorriso simpático.
– Sem escândalos! – Girou os olhos, sem paciência alguma, e voltou para a atendente. — Eu vou levar os gatinhos de chocolate, então. – A mulher, diferente de Aomine, teve toda a paciência do mundo para escolher os gatinhos de chocolate para o moreno: branco, preto, meio-amargo e ao leite, meio a meio e alguns recheados com licor de cereja – esse último sugerido pelo próprio Aomine. A mulher colocou os doces em uma caixa rosa e com um formato de coração, e terminou de embalar amarrando uma fita vermelha e fazendo um laço.
O moreno saiu da doceria com o buquê e a caixa de bombons em mãos, enquanto Kise tratava de levar as sacolas do Fundoshi. Depois de passar tanto tempo escolhendo roupas, flores e chocolate, Aomine começou a enxergar o encontro com outros olhares, chegando a aceitar a possibilidade de namoro, que Kise e os outros tanto insistiam. Nada poderia dar errado naquele encontro. Absolutamente nada.
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