Dastan & Tâmina
12 Início de algo grande
Quando Stan perdeu o emprego, fruto de um simples pedido de um senhor altamente rico, as coisas ficaram bem complicadas. Naquela época, Tâmina não entendia muito bem o que estava acontecendo, só sabia que era algo muito ruim.
Ela nâo quis me contar detalhes, mas fiquei sabendo que durante as semanas em que Stan não conseguia arranjar um emprego, ele trabalhou como catador de lixo em um lixão. Assunto esse que Tâmina não gosta de comentar, pois foi com apenas alguns dias trabalhando ali que Stan contraiu uma doença.
Mas, a história não gira em torno de uma pobre alma trabalhadora, e sim em dois jovens que se apaixonariam loucamente no futuro.
Uma amizade que começou assim, singela. Tão simplesinha. E que acabou se transformando em um tudo.
O AUTOR
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Quando Tâmina soube que o pai estava desempregado, entrou em estado de choque. O pouco que sabia dessas coisas era que a comida e o sustento da casa vinha do serviço dele.
– Eu tenho um chefe, e ele me paga pra trabalhar. Eu pinto e concerto a casa dos outros em troca de dinheiro. E é com dinheiro que posso comprar coisas no supermercado. — seu pai tinha explicado uma vez.
Não era um emprego tão bom assim, mas era o que Stan tinha conseguido. Trabalhava registrado em uma empreiteira pequena, e isso era mais do que tinha conseguido anteriormente. Por ser analfabeta, no interior, só tinha conseguido fazer alguns bicos. Se não fosse por Tâmina ensinar a ele, o homem só saberia escrever coisas como o próprio nome.
Quando ele contou a notícia, não se alterou nem por um instante. Não ficou com raiva, não se estressou. Estava sentado, pensativo, a testa suja e suada. Disse que precisava ter uma conversa séria com ela, explicou que as coisas ficariam difíceis. E quando ela perguntou o motivo de seu chefe ter despedido ele, Stan não soube o que responder.
– Acho que foi por causa de uma indústria grande, uma tal de Mace. Nem sei o que aconteceu, mas me disseram pra não mexer com isso. Peixe pequeno não pode com tubarão. Prefiro arrumar outro emprego do que ser expulso de casa ou algo pior.
Tâmina apenas abaixou a cabeça, quando seu pai disse isso. Mas sua mente pipocava. Indústrias Mace? Dastan e seu pai teriam ido tão longe só pra prejudicá-la? Sabia que eles não queriam ela como dupla de Dastan, o pai dele tinha deixado isso bem claro. Mas que culpa ela tinha?
Não pediu pra ser colocada com ele, pelo contrário. Chegou a implorar pra diretora desfazer a dupla, chegou a pedir pra sair da gincana.
– Se quiser sair, nessa altura do campeonato, seu pai vai ter que pagar multa. — Fett explicou.
De jeito nenhum Tâmina colocaria mais isso nas costas do seu pai. Ele podia não dizer abertamente, mas contas e multas era o que ele mais detestava receber.
No dia seguinte, Tâmina despejou suas frustrações em Dastan. Não tinha se passado nem meia hora e já estava arrependida de ter gritado com ele. E se o garoto fosse inocente e não tivesse nada haver com aquilo? E se fosse um infeliz acaso? E se o garoto fosse ruim e rancorosoo mesmo, e resolvesse fazer algo pior?
Não podia correr esse risco, não com seu pai em jogo. Escreveu um bilhetinho de desculpas para Dastan, mas na hora de entregar, viu o garoto cercado por todo tipo de riquinhos e mudou de ideia. Jogou fora o papel, não querendo piorar a situação.
Como sua vizinha estava doente, e seu pai caçando emprego feito doido, Tâmina estava indo e voltando a pé do colégio pra casa sozinha. Só que, certo dia, ao invés de ir direto pra casa, ela decidiu procurar um emprego também. Inspirada por uma aula de comércios, passou em vários estabelecimentos procurando uma vaga. Ninguém a contratava. Andou, andou e andou por horas, e em lugares desconhecidos. Quem iria contratar uma garota tão nova? E como conciliar o trabalho com o horário das aulas dela? Já estava quase desistindo, e percebeu que estava perdida. Por sorte, antes que o desespero aumentasse, ela topou com um senhor que morava perto da casa dela.
– Não pode andar por aí sozinha, menina. Que os deuses a livrem, mas e se te acontece algo ruim? O que faz a essa hora da noite por essas bandas?
Tâmina explicou sua situação e a de seu pai, e o velho homem se compadeceu. Era dono de uma pequena floricultura, seu hobbi, e ofereceu um servicinho pra ela.
– Você leva umas flores num cesto pro colégio e tenta vender lá. Assim, isso não vai te prejudicar.
Chegando em casa, Tâmina levou um susto ao ver o pai ali. Sabia que ele chegava bem tarde da noite, procurava emprego até nas cidades vizinhas.
– Por onde esteve, Tâmina? — ele perguntou, preocupado. — Liguei pra escola, e eles disseram que estava tendo uma gincana. Você estava lá?
– Sim, estava. — Mentiu a garota, sentindo a culpa a corroer. — Depois fiquei pra fazer um trabalho com uma... Amiga... Na biblioteca. Se soubesse que chegaria mais cedo, teria vindo mais rápido.
– Não faz mal, querida. Cheguei mais cedo porque tenho uma surpresa.
O pai, com o humor renovado por ver sua filha bem e em segurança, contou que havia recebido uma proposta de emprego imperdível, e em uma multi-nacional. Tâmina não compreendia tudo, mesmo com as explicações do pai, mas ficou muito feliz por ele.
– Com o salário que vou receber, acho que consigo até te comprar uma bicicleta. Não é ótimo?
Tâmina comemorou com ele, era seu sonho ter sua própria bicicleta.
Nas semanas que se seguiram, Tâmina, antes de ir pra escola, passava na floricultura, pegava um cestinho de flores e vendia tudo na porta do colégio. Era bem fácil vender ali, as pessoas tinham dinheiro. Porém, por outro lado, era obrigada a aceitar as zoações de alunos como Ellen.
– Eu não disse? Era uma questão de tempo até essa pobretona vir mendigar dinheiro.
Quando seu pai começou a trabalhar, ele voltava todo dia cheirando mal. Dizia que era o preço a se pagar.
– Trabalho num lixão, filha, mas não é coisa ruim, é trabalho honesto. Sou responsável por coletar sucatas do lixão de uma grande empresa.
Tâmina se orgulhava do trabalho do pai, mas sabia que aquilo não estava fazendo bem pra ele. Era mais que o cheiro, era a cara dele. Chegava pálido, exausto. Mal tinha completado uma semana de trabalho ali, Stan tinha ido parar no hospital. E Tâmina só foi saber sois dias depois, quando os exames chegaram por correio.
– Parece que contraí algum vírus, filha, coisa passageira. Vão me manter afastado por uns dias, mada demais.
Tâmina julgou que a quantidade de dinheiro que já tinha conseguido era suficiente, e decidiu entregar tudo a seu pai. Só faria mais uma venda, a do dia seguinte. Tinha que vender algumas flores que havia sobrado.
Na saída do colégio, no dia seguinte, descubriu que tinha sido roubada. O bilhetinho, no bolsinha da sua bolsa, dizia que se ela quisesse o dinheiro de volta, teria que ir no banheiro feminino na saída.
Ela foi até o banheiro, o que mais podia fazer? Soube que era o banheido certo ao ouvir as risadimhas de dentro dele.
– Podem, por favor, me devolver meu dinheiro? — pediu. — é para o meu pai.
– Oh, tadinha da pobre menina. Vindo implorar por míseros trocados. — Ellen debochava.
As meninas foram cruéis pra ideia delas. Dizeram Tâmina se ajoelhar, pedindo o dinheiro de volta. Tacaram ovo e farinha nela, até mesmo tinta. Tâmina saiu do banheiro chorando, mas pelo menos tinha o dinheiro em mãos. Sabia que era só um pedaço de papel, mas precisava dele, necessitava. Tinha suado, como seu pai, pra conseguir. Uma pena que teria que usar metade dele só pra pagar por um uniforme novo, porque a escola proibia a entrada de alunos sem ele.
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– Você devia denunciá-las. — Dastan disse, se sentando ao lado dela. — Elas vivem fazendo maldades com você, e o pior é que você permite.
Depois de se recuperar do susto, Tâmina fechou o livro que tinha pego na biblioteca e olhou pra ele.
– Como você soube? — ela pergunto se levantando do banco. — E o que você quer?
Dastan também se levantou, colocando as mãos nos bolsos da calça. Um gesto que ele fazia c frequencia, notou Tâmina.
– Não foi difícil, Ellen saiu contando para algumas pessoas. — elw explicou, olhando atentamente pra ela. — Sinto muito se pareci um monstro, Tâmina, não foi minha intenção.
Os dois tiveram uma longa conversa. Se acertaram, e Dastan prometeu que não faria mais nenhuma prova da gincana sozinho, contaria com a ajuda de Tâmina.
Não se tornaram melhores amigos ali, mas com certeza foi o início de algo grande
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