Dastan & Tâmina
2 A primeira vez que se viram
Em alguns países, principalmente nos asiáticos, é normal o costume de se dividir os alunos em anos (1°, 2°, 3°...) e em turmas (A, B, C, D, E, F...). A peculiaridade é que os alunos não são divididos aleatoriamente, suas notas decidem pra onde ele irá. Os que tiram as maiores notas e se destacam vão para a turma A, e assim sucessivamente até chegar no F com os piores.
No Colégio Style, esse sistema vigorava de uma forma mais especial. Existia uma classe acima da A, a AS. Apenas os nove melhores alunos podiam entrar ali, independente da idade ou ano em que estejam.
Eles eram tratados de forma única, afinal, estavam acima dos melhores. Eles tinham um espaço próprio, que incluia uma estufa, cozinha, piscina e jardim. A "sala de aula" era o oposto de carteiras enfileiradas : uma mesinha com cadeiras e sofás ao redor.
Algumas vezes por semana, eles recebiam convidados especiais. Físicos, matemáticos, especialistas conhecidos mundo a fora. Pessoas chamadas de "gênios" pela humanidade, passava ali pra bater um papo e dar instruções.
Foi naquele lugar, naquela classe especial que nosso casal se uniu. A garota, uma bolsista que rapidamente subiu. O garoto, bom, é óbvio que seu pai pagaria pelo melhor colégi e exigiria que o filho entrasse no grupinho da elite.
Aqui se dá início a uma amizade belíssima, e um acordo horroroso.
O AUTOR
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O pai de Dastan, Nicolelis Mace, era um homem muito ocupado. Sua vida era sair em viagens de negócios, e um dos poucos assuntos que tinha com o filho era a respeito das empresas. O garoto, que via mais o pai em fotografias do que pessoalmente, sabia que por trás de um "levar meu querido filho pra conhecer sua nova escola" havia algo.
A própria diretora, Fett Style, se voluntariou para ser a guia da dupla. Ela explicou tudo a respeito do colégio. A história, o prestígio, as regras.
– Nossos alunos estão entre os melhores, e vivem nos trazendo medalhas das competições que participam. Muitas famílias importantes passaram por aqui. A família Thorpe tem dois filhos aqui, os Spielberg matricularam sua filha para esse ano letivo. Ficaríamos honrados por receber um Mace na lista.
Nicolelis tinha interesse em três coisas ali. Ter seu filho na turma AS, ganhar reconhecimento por isso e fazer com que o garoto fizesse contatos desde pequeno.
Dastan não se importava muito com isso. Era um menino reservado, gostava de ficar sozinho. Não queria fazer amizade com ninguém, muito menos ser superior a outros. Mas pra que contrariar as ordens do pai? Isso só resultaria em uma briga inútil, uma total perda de tempo.
Sabia que era inteligente, do tipo que chamava atenção. Entraria para a turma AS, o que o pouparia de dividir uma sala com dezenas de crianças, manteria um certo nível de contato com os outro membros da turma e tarefa concluída.
– E o meu filho, Alderan, vai entrar como aluno pela primeira vez. Ele pode ajudar seu filho a se enturmar rapidinho, Alderan sabe tudo sobre o colégio! — a diretora continuava falando, empolgada.
– Não é ótimo, Dastan? Você já tem um amigo aqui! — Nicolelis disse, sorrindo. Dastan pensou que se pudesse, os olhos do pai se transformariam em sifrões.
Sorriu com a própria imaginação e confirmou com a cabeça. O corredor pelo qual estavam passando naquele momento era todo de vidro. Havia mesinhas pequenas em um intervalo de espaço, e em todas as mesinhas havia algum objeto caríssimo. Dastan parou pra observar um. Era um vaso de planta azul, ornamentado com o que parecia ser topázio. Tinha um igual em casa.
Olhou pra fora, através do vidro, e viu uma garotinha perto da piscina. Ela usava um vestidinho florido, e seu cabelo era enorme. Preto, indo até a cintura.
Dastan começou a prestar atenção nela. Ela girava e girava e girava, até que caiu na água. O garoto ficou tão assustado que correu o corredor todo, até chegar na porta e tentar forçar a maçaneta. A diretora acelerou o passo, mas ia rindo.
– Não vão ajudar? Ela pode estar se afogando! — ele disse, em pânico.
– Mas que tolinho! Ela sabe nadar, querido. Além do mais, o pai dela está ali. Está vendo? — Fett perguntou, abrindo a porta com uma chave.
Dastan passou pela porta e ficou observando a cena. A garotinha gargalhava enquanto tentava molhar o pai. O que surpreendeu o garoto foi ver o pai da menina rindo de volta, com as roupas úmidas.
– Quem são eles? — perguntou Nicolelis, com desgosto na voz. — São funcionários? Não quero questioná-la, senhora diretora, mas não creio que empregados devam agor dessa forma no local de trabalho.
– Oh, não! — corrigiu Fett enquanto ajeitava o coque do cabelo. — Ela é uma das alunas novas. O pai dela pediu pra conhecer o lugar.
– E você quer que meu filho frequente o mesmo ambiente que eles? — exclamou Nicolelis, com raiva. — Veja os modos daquela menina. Olhe para as roupas daquele homem! Parece que saíram de um abrigo de sem-teto.
A diretora parecia constrangida. Entre gaguejos, explicou que a moça era bolsista. Tâmina, era esse seu nome, tinha ganhado a bolsa e competido com crianças dos mais diversos estados. Nicolalis retrucou, perguntando o motivo de não terem manipulado os exames dela e colocado alguém com mais classe.
– Não se preocupe, senhor Mace. Eu cuido da minha escola.
Enquanto os dois discutiam sobre a garota e as chances dela acabar nos mesmos círculos de Dastan, o garoto se concentrou em olhar pra ela. Tâmina. Ela era bonitinha, tão fofa, e sorria abertamente.
A garota acabou vendo ele. Pego no flagra. Dastan ficou todo vermelho. Não ajudou nada o fato do deu coração ter acelerado quando ela sorriu pra ele.
Dastan deu as costas pra ela e colocou as mãos no bolso da calça. Não sabia descrever o que estava sentindo. Talvez tenha sentido uma conexão com ela e se recusava a aceitar.
Não passou nem um minuto e ele se virou de novo. Era como se tivesse uma cordinha invisível em seu dedo, e ela estivesse sendo puxada. A garota estava indo pra outra direção, de mãos dadas com seu pai. Ela virou a cabeça pra olhá-lo, e naqueles poucos segundos, quando seus olhos de encontraram, ele sentiu de novo aquela pontada. Dastan teve certeza de que algo aconteceu com ele, e jurou que lutaria contra isso.
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