Dastan & Tâmina
8 O que é amor?
Dastan foi uma criança muito solitária. Tinha propriedades imensas pra brincar e explorar, mas nenhuma companhka. Foi criado e treinado para ser um herdeiro, um sucessor das Indústrias Mace.
Passava a maior parte do tempo calado e observando as pessoas ao seu redor. Mal tinha completado quatro anos, era tratado como uma criança prodígio.
Segundo minhas fontes, Dastan aprendeu a ler com um joguinho de formar palavras e frases. É, o garoro chamava atenção pelo aprendizado acelerado. Você ensinava, ele aprendia. Só tinha uma coisa que ele levou um tempo a mais pra descobrir : o que era o amor.
O AUTOR
–-----------------------------
Era o aniversário de 9 anos de Dastan, e seu pai, depois de anos, tinha encontrado um tempinho pra festejar com o filho.
O garoto não conhecia pessoalmente metade dos convidados. A outra metade era composta por pessoas com quem mal falavam. Alunos da sua escola, dos cursos, e seus respectivos pais. Pessoas que diziam "feliz aniversário", mas na verdade não queriam nem "feliz" nem "aniversário". Ninguém ali se importava o suficiente com ele pra saber quem ele era ou o que queria.
Dastan se comportou como um legítimo anfitrião. Guiou pessoas pelo salão, agradecia por cada presente ganhado. Por fora, exibia a cara de um garoto satisfeito. Por dentro, só queria ir para o seu quarto, deitar na sua cama e pensar.
O ponto alto da festa foi seu amigo Alderan ter chegado. Ele sim era um amigo de verdade.
– Ei, sua namorada te mandou uma carta. — Alderan disse, entregando um envelope pra ele. — ela acabou de pedir pra te dar.
Dastan leu a carta e suspirou de desgosto. Ellen pedia pra que ele a encontrasse na despensa, pra dar um "presente especial". Ele nem queria imaginar o que era.
– Aposto que ela vai te dar um beijo. — Alderan comentou, rindo. — Se animam, cara. Três meses de namoro e nenhum beijinho? Pensei que fosse ficar ansioso.
– Você não devia ter lido a carta, era pra mim. Quem mandou se intrometer a onde não foi chamado? — Dastan perguntou, com raiva. Só recebeu um tapinha nas costas. — Eu realmente odeio você.
– Também te amo, cara.
Meia hora depois, Dastan se dirigiu até a despensa dos funcionários e viu a adorável Ellen. Os cabelos loiros, com aqueles cachos tão bonitos e sem nenhuma falha. A pele corada e o vestidinho que usava a fazia parecer a Bela Adormecida ou qualquer outra princesa dos contos de fadas. Tão linda, pensou. Mas então, por qual razão não era ela que habitava seus pensamentos?
Ele tentou retribuir o beijo de Ellen, porém, tudo o que conseguiu foi empurrar a garota e a fazer chorar.
– Eu te amo, Dastan! — ela disse entre as lágrimas.
Dastan congelou, sem saber ao certo o que fazer. Deveria dizer que a amava de volta? Mas afinal, o que era o amor?
– Ellen, me escuta. Eu não sei dizer o que é o amor, e preciso descobrir o que é esse sentimento. Quando eu descobrir, a gente conversa. Tudo bem? — ele tinha dito ao terminar com ela.
De início, Ellen não recebeu a notícia muito bem. Berrou, bateu o pé no chão, acusou ele de mentiroso. Quando ele perguntou pra ela o que era amor, ela foi pega de surpresa.
– O que é o amor pra mim? É o que eu sinto por você. Meu coração bate mais rápido quando te vejo, sinto uma coisa estranha no estômago quando penso em você. Nunca sentiu isso por alguém?
– Na verdade sim. — Dastan tinha respondido, dando falsas esperanças pra ela.
Se o amor era sentir uma pontada no peito, ele odiava o amor. Era uma dor tão ruim e tão forte. Às vezes ele não sentia vontade de fazer nada, se consumia naquele tédio. Tudo o que pensava envolvia Tâmina de um jeito ou de outro. Queria vê-la, ouvi-la. Aquela bruxinha o havia enfeitiçado, e ele estava consumido naquela magia.
Dastan perguntou pra várias pessoas o que era o amor. Empregados, colegas, seu amigo Alderan, até mesmo para o pai. Cada um tinha uma resposta diferente, uma opinião. Por fim, ele decidiu perguntar pra ela.
Tâmina brincava no pátio com os alunos da sala dela. O cabelo estava preso naquela longa trança, o sorriso estampado no rosto. Ele a chamou, ela o seguiu. Se sentaram em um gramado e começaram a conversar.
– Eu estou fazendo um trabalho e... Preciso de... Estou coletando informações — ele começou, sem jeito.
– Uhum.
Dastan se sentia envergonhado, e odiava isso. Odiava o que ela o fazia sentir.
– Pravocê... O que é o amor, Tâmina? Na sua opinião? — ele perguntou, ficando vermelho.
Tâmina o olhou confusa. Pensou um pouquinho, deu mais um daqueles sorrisos que fazia com que o coração dele se apertasse e começou a responder.
– Depende. O amor vem de várias formas e de vários tipos. Como por exemplo, o amor vem de várias formas e de vârios tipos. Como por exemplo, o amor de um pai. Quando os pais olham para os seus filhos, eles sentem um carinho imenso e uma vontade de protegê-los.
Dastan ficou imaginando se seu pai sentia isso por ele. Tinha suas dúsivas se a resposta era "sim".
– Meu pai me disse uma vez que eu fui a melhor coisa que aconteceu na vida dele. Na dele e na da mamãe. Tem o amor de amigo, que é aquele carinho e confiança que você sente pelas pessoas ao seu redor. Tem o amor dos namorados, e a dos casados. É difícil colocar em palavras o que se sente por alguém. Quando chega num nível que não dá pra explicar, a gente chama de amor.
– Tâmina... — Dastan tentou perguntar algo, mas acabou desistindo. Como perguntar pra garota se ela o amava? — Eu... Meu pai me disse que amor é o que deixa as pessoas fracas. Isso é verdade?
– Claro que sim. — Tâmina respondeu, rápido demais. — Quero dizer, quando se ama, você é capaz de fazer ou de não fazer muitas coisas por alguém. Tem vezes que você sabe que é errado, mas faz mesmo assim. O amor parece que ativa nosso lado burro e faz picadinho da lógica. — ao ver a expressão dele, de pavor, ela o sacudiu. — Ei, qual é o problema?
– O amor vai acabar comigo. Eu vou ficar burro... — ele disse tristemente.
– Não seja bobo. — ela disse, rindo. — O amor pode até te fazer estúpido, mas também te faz mais forte. Por uma pessoa, você encontra forças pra fazer o impossível e o inacreditável. Não existe nada mais forte do que uma pessoa apaixonada.
Dastan agradeceu pela explicação, colocou as mãos no bolso. Saiu andando pelos limites da escola, pensando, analisando, refletindo. Foi na biblioteca, leu alguns livros. Depois da escola, foi pra uma praça e ficou lá sentado, observando os casais.
Um casal, com dois filhos, estendia um lençol no chão para um piqueniqur. Dastan foi até lá.
– Os senhores poderiam me dizer o que é o amor? E o que fez com tomassem a decisão de se casar?
Os pais ficaram confusos, mas pediram pra que as crianças fossem brincar e Dastan de sentasse.
– Quando eu conheci a Tabatha, senti na hora uma ligação com ela. Me apaixonei a primeira vista, só que ela não gostava de mim. Conta pra ele, amor. — o homem começou.
– Ah, sim, me lembro disso. Veja bem, ele era só meu amigo e numca me imaginei com ele. Eu tinha namorado na época, então nem pensava nessas coisas. A gente trabalhava junto e se via quase todo dia. Depois de uns meses, comecei a sentir algo por ele. Quero dizer, Rodolfo não desistiu de mim e lutou pra ficar comigo. Foi só uma questão de tempo pra eu ir me apaixonando por ele e começar o namoro.
– E aquele seu namorado? Você terminou com ele? — Dastan perguntou, curioso. O casal ficou vermelho de vergonha. — Outra pergunta então. Por que decidiram se casar?
O casal parecia meio sem jeito, mas o cara decidiu responder.
– Não é problema perguntar. O antigo namorado dela era nosso chefe. Deu uma confusão... No fim, pedimos demissão e abrimos nossa própria lojinha. E sobre casamento...
– Quando você namora alguém, tudo parece perfeito. — a mulher continuou. — Aquela pessoa com quem você está parece incrível, o amor transborda dos dois. Só que os meses vão se passando, e o amor não basta pra segurar as rachaduras que vão aparecendo no namoro. Você começa a enxergar os defeitos do outro, as manias irritantes. Em certa altura, é obrigatório ter paciência e dialogar. Por exemplo, meu namorado, antes do Rodolfo, era ciumento. No início eu achava fofo, só que depois de meses começou a me irritar e incomodar. Foi sufocante. Tem que ter confiança, amizade, cumplicidade. Nenhum relacionamento sobrevive com apenas beijos e abraços.
– Pense em uma famìlia. — Rodolfo falou. — Pai, mãe e filhos convivem entre si diariamente. Quando você vê as mesmas pessoas todo dia, se acostuma e também abusa. Todos precisam de espaço, de um momento sozinho, e brigas acontecem. Só que não importa o quão longe você foi ou o quão grave foi a briga, quando se é família, você quer aquelas pessoas por perto com seus defeitos e tudo. Sente falta. É a mesma coisa no namoro. Quando você perceber que as pontes da amizade, confiança e tantas outras estão prontas pra funcionamento e firmes, quando enxergar os defeitos na outra pessoa e aceitar eles, então você estará pronto pra casar. Quando perceber que precisa daquela pessoa para o resto da sua vida, você saberá.
No dia seguinte, Dastan teve uma conversa séria com Ellen.
– Não posso ficar com você, Ellen. Eu te acho perfeito, mas descobri que não quero conhecer os seus defeitos. Eu consigo explicar o que sinto por você, então eu sei que não te amo. Pelo menos, não da forma que você queria. Um dia você vai achar a pessoa certa, mas não sou eu.
Ellen não conseguia entender muita coisa do que ele dizia, mas percebia que estava levando um fora. Não demorou muito pra birra comear.
– O que tem de errado comigo? Como sabe que não é minha alma gêmea? Como sabe que não é a pessoa certa pra mim?
– Não tem nada errado com você, belinha. É que não é com você que vou me casar um dia. É complicado. Não faz essa cara. Meu destino já foi selado, e lutar contra ele só vai drenar as minhas forças. Tenho que ir atrás dele e lutar pelo que é meu. Ou algo assim.
– Eu não entendo. Do que você tem que ir atrás, dos estudos? Ninguém falou em casamento. São os negócios do seu pai, não são? — ela perguntava, passando um lencinho por cima das lágrimas que caíam.
– Ellen... Você tem muito o que aprender ainda.
Fale com o autor