Darkness Feed

7 Shrek agora tem uma Fiona.


Eu e Carter continuamos tomando chocolate quente e rindo de nossas histórias e de mim quando quase caio da cadeira de sono.

Escuto passos na escada e Nathan passa pela porta somente com a calça de seu pijama. Seus cabelos que não são cortados á algum tempo estão desgrenhados e sua cara é de mais puro cansaço.

- Ainda estão ai? — pergunta ele bocejando.

- Ainda? — Olho para o relógio no microondas e vejo que já são cinco e trinta de dois. Ou seja, passamos a noite inteira aqui. — Perdi a noção do tempo.

- É eu também. — diz Carter sorrindo.

Nathan anda até a geladeira e coloca a cabeça para dentro, tirando uma caixa vermelha de leite da geladeira.

- Não! — grito antes que ele encoste os lábios na caixa. — Mesmo eu achando nojento, até aturava mas aqui não.

- Olha aqui, Srta. Não quero seus lábios na caixa de leite. Eu que trazia comida. Eu fiz você sobreviver por uma ano.

- É, mas não estamos em casa. — digo encarando seus olhos, cobertos pelo cabelo castanho.

- Nathan passou no supermercado. Ele que trouxe essa caixa. — diz Carter com o cotovelo apoiado na mesa de vidro.

- Chupa. — diz Nathan engolindo o líquido de quase a garrafa inteira.

- Você parece um ogro. — murmuro.

- Bom dia. — Georgia passa pela porta com os cabelos loiros desgrenhados e nada mais do que uma camisa masculina que me é familiar...

- Oi. — diz Carter sorrindo sem mostrar os dentes.

Georgia anda até Nathan e o abraça por trás, passando a mão sobre seu abdômen.

- Dormiram bem? — pergunta Carter com os olhos arregalados.

- Perfeitamente. — Georgia ri. — Seu celular. — Ela joga um celular preto com tela grande nas mãos de Carter. — Agora eu não corro o risco de ficar bêbada. Não de manhã.

Maria passa pela porta e ri, olhando para Carter e depois para Georgia.

- Quando eram menores, queriam dormir até as dez da manhã, agora que não precisam ir á lugar algum, acordam cedo?

- As coisas mudam. — diz Georgia suspirando. — Então, como está o Howard?

Maria deixa o sorriso de lado e encara o sorriso malvado de Georgia e suas sobrancelhas arqueadas.

- O que está insinuando? — pergunta Maria.

- Nada. Só estou perguntando como ele está.

- Então eu pergunto, como Nathan está? — Maria cruza os braços e Georgia sorri.

- Maravilhoso.

- Muito bem. Querem jogar golfe? Howard está cortando a grama. Daqui á alguns minutos poderão ir.

- Não estou muito a fim de jogar golfe. — diz Carter dando de ombros.

Maria e Georgia o encaram de olhos arregalados.

Georgia anda até ele e coloca a mão em sua testa.

- O que aconteceu com você? — pergunta ela, realmente assustada.

Carter ri.

- Nada. Só não quero jogar golfe.

- Ontem teve, né danado? — Georgia diz baixo e depois ri.

Carter balança a cabeça e ri.

- Sinceramente, não somos irmãos. — Ele se levanta e anda na direção das escadas.

Georgia e Nathan sobem as escadas e eu fico sozinha com Maria.

- Bom dia Shannon. — diz ela sorrindo. — Dormiu bem?

- Acho que não dormi. Ficamos conversando a noite inteira. — digo encarando o que sobrou do chocolate quente.

- Carter é um ótimo menino. — diz ela, como se estivesse se lembrando de algo. — Ele e Georgia cresceram totalmente diferente. — Ela ri. — Mas Carter é um bom menino.

- O que houve com os pais deles?

- Estão na Suíça. — diz Maria em um tom um pouco triste. — Estão procurando uma solução para o vírus. Mas Georgia e Carter decidiram ficar. Tinham outros gêmeos aqui ao lado e eles quiseram ficar. Mas eles morreram e não conseguimos falar com os pais deles para que fossem para lá.

- Acha que eles ainda estão vivos?

Ela dá de ombros.

- Ninguém sabe. Mas alguém está mudando-o. Ele sempre foi apaixonado por golfe.

Maria sorri e abre uma porta perto do fogão.

Subo as escadas e entro no quarto.

Mesmo na teoria não precisando, entro no chuveiro.

Faz algum tempo que tomo banho com água barrenta e fria, mesmo sendo loucura. Tomarei mais banhos forem possíveis aqui.

Tomo banho e penso na coisa óbvia.

Nathan e Georgia estão juntos.

Mais do que isso. Mais do que os dois ficarem.

Isso em parte é o que me irrita em Nathan. Em qualquer oportunidade e com qualquer garota nova que apareça. Não tenha dúvida. Os dois vão acordar no mesmo quarto.

E o pior é que Nathan não se importa de ser um total cafajeste.

Não. O pior de tudo é as mulheres gostarem de Nathan. Não sei o que um bêbado, com vinte anos, barba por fazer, cabelos compridos e roupas sujas tem de tão apaixonante.

— Shannon. - Ouço Carter bater na porta. — Está ai?

- Sim. — digo fechando a torneira do cuveiro.

- Ah, ok. Estamos no campo de golfe. Pergunte para Howard onde fica e nos encontrará. Vejo-a depois.

- Ok. — digo.

Coloco um short jeans e uma blusa branca e penteio os cabelos.

Desço as escadas e pergunto para Howard — o mordomo — onde fica o campo de golfe. Ele me leva até lá. Carter e Georgia com tacos de Golfe e Nathan com uma arma, atirando contra uma árvore, com um entalho de alvo.

- Olha só. — diz Nathan quando chego perto dele. — Achei que tinha se afogado lá dentro.

- Está mais para você se perder dentro da Georgia. — murmuro.

Ele abaixa a arma e tira o cabelo dos olhos.

- Está com ciúmes da Georgia? — pergunta ele de braços cruzados e a arma pendurada pelo gatilho em um dos dedos.

- Porque eu estou caidinha por você, não é Nathan?