Darkness Feed
24 O espelho mágico.
Notas iniciais
Amanhã TALVEZ eu poste se eu encontrar internet, mas posto quando possível.
Escuto o carro em contato com o asfalto, em meio ao silêncio dentro do carro.
- Obrigado. — diz ele.
Paro de olhar para a escuridão das ruas e encaro seu rosto.
- O que?
- Obrigado. — Ele repete. — Por me convencer a ir falar com ele.
- Você queria fazer isso. — digo sorrindo. — Só não queria admitir.
Ele morde o lábio inferior, fazendo-o ficar até mais bonito.
- Ah, não faz isso. — digo.
- O que? — Ele ri e me encara.
- Faz te parecer mais bonito. — digo.
- Mais que o Carter? — Ele arqueia uma sobrancelha.
- Talvez.
- Ok. Eu vou considerar que isso foi um sim, mas vou ficar quieto. — Ele ri. — É. Talvez eu precisasse mesmo ver meu pai.
Vejo as luzes da mansão e ele para o carro no lugar onde bateu antes.
Solto uma risada.
- Porque parou aqui?
— Para me lembrar que mais de seis garrafas não traz um bom resultado. — Ele desce do carro bate no vidro, apontando para a arma. Pego-a e abro o vidro.- Pare de ser burra.
Encaro-o com medo e saio do carro com a arma apontada para meu pé, olhando assustada para a floresta ao meu lado.
- Calma. — diz ele segurando a arma
e meu braço. — Não vão morder você. — Paro de andar e o encaro. — Não quando puder correr.
Andamos até a entrada e Nathan empurra a porta.
- Chagamos. — diz Nathan fechando a porta. Georgia suspira aliviada e anda na direção de Nathan. — Eu disse que voltaríamos vivos.
Carter vem em minha direção e me beija.
- Eu disse que voltaríamos bem. — digo acariciando seus cabelos.
- Na verdade, foi eu quem... — Nathan começa a dizer, mas Georgia o beija. — Uma pergunta, queria que eu calasse a boca ou queria mesmo me beijar?
- Oi dois. — Ela sorri. — Vamos, o jantar está pronto.
- Pera ai. Você cozinhou? — pergunta Nathan.
- Tenho cara que sim? — Ela cruza os braços.
Nathan nega com a cabeça e tira a jaqueta.
**
- Então. Aonde vocês foram? — pergunta Carter.
Nathan larga os talheres em cima do prato e o encara.
- Já é a quinta vez que você pergunta.
- E já é a quinta vez que vocês não respondem. — Ele me encara.
- Ver meu pai. — responde Nathan finalmente.
Carter e Georgia se entreolham e começam a rir.
- Tá. O seu pai está vivo? — pergunta Georgia. — E você quer mesmo que eu acredite que você fugiu de casa quando tinha um pai?
- É bem isso. — diz Nathan. — Quer um motivo? Ele matou minha mãe com uma facada bem na minha frente, chamando-a de vadia. E por isso eu fui só agora.
Os dois se entreolham e voltam seus olhares para os pratos.
- E como foi? — pergunta Georgia. — Você não matou ele, matou?
- Não. — digo. — Eles só discutiram um pouco...
- Está tudo bem. Semana que vem eu dou uma passada lá.
- Não. — diz Carter. — Vocês não vai sair de novo.
- Vamos para o almoço. — diz Nathan. -Voltamos antes das quatro.
- Melhor não. — diz Georgia esfregando o braço de Nathan.- Carter me contou sobre o bicho que não morreu com um tiro. Eles estão evoluindo, podem haver os que não queimam no sol.
- É, mas consigo ver de dia. Não vai acontecer nada ok? — Ele franze o cenho, confuso. — Porque estão tão estranhos?
- Eles quebraram o carro. — diz Howard recolhendo os pratos. — Como se alguém fosse brigar com vocês.
- Como quebraram um carro? — pergunto.
- Eu tenho vários jeitos de se quebrar um carro. — diz Nathan.
- Você é você. — digo encarando Carter.
- Georgia disse que sabia dirigir e eu disse que não porque ela nunca dirigiu. Então ela entrou no carro e o bateu contra a parede da mansão.
Nos levantamos e Carter abre a janela, mostrando o carro amarelo amassado contra a parede branca.
- Nossa. — digo.
- Só tenho um pedido. — diz Nathan olhando para ela. — Fica bem longe do meu carro, ok?
Ela ri.
- Eu estou falando sério. — diz ele.
- Ok. — diz ela.
Voltamos para a mesa e um bolo de chocolate em uma travessa de vidro transparente.
Começamos a comer até que olho para Nathan e vejo que ele me encara.
- O que foi? — pergunto sem som.
Ele morde o lábio inferior, movimenta as sobrancelhas e começamos a rir.
- Perdi alguma coisa? — pergunta Georgia.
Nathan nega com a cabeça.
- Coisa nossa. — Ele corta um pedaço de bolo e coloca na boca, deixando um pedaço em seu lábio.
- Nathan tem um... — Digo apontando para meu lábio.
- Aqui? — pergunta ele mordendo o lábio e rindo novamente.
- Para com isso. — chuto sua canela e ele ri.
- Me expliquem agora que merda é essa. — grita Georgia.
- Não é nada! — diz Nathan. — É só uma brincadeira. Que droga.
- Acho que não é só uma brincadeira. — Ela cruza os braços.
- Isso é o que você acha. Carter, não é só uma brincadeira?
Carter levanta o olhar e dá de ombros.
- Eu sabia que ela perguntaria e esperava que vocês dissessem. — Ele encara Nathan.
- Fala sério. — diz Nathan se recostando na cadeira. — Não é nada ok? Esqueçam isso. Boa noite.
Georgia se levanta.
- Sente-se. — diz ele. — Posso falar com você Shan?
- De novo? — perguntam Carter e Georgia ao mesmo tempo.
- Tá. — digo me levantando e ido com ele até o quarto. Ele fecha a porta e acende as luzes. — Eles estão bravos.
- Tanto faz. — Ele dá de ombros e coloca uma chave de carro em minha mão. — É a cópia da chave do carro, se precisar ir a qualquer lugar. Só me avise antes.
- Vai e deixar dirigir o seu carro? — pergunto arqueando as sobrancelhas.
- Só para emergências ok? Nada de ficar passeando por ai.
Pulo em seu pescoço e sorrio.
- Obrigada.
- Eu não estou te dando o carro. — Ele esfrega o pescoço. — Eu só tenho um pescoço, não o quebre.
- Obrigada por confiar em mim.
Fale com o autor