Darkness Feed
55 Mais um. Menos um.
Notas iniciais
- Não falou com ele ainda? — Brook pergunta, praticamente gritando por causa da música alta.
Acho até que é sem sentido ter uma festa nessa situação, mas eu não poderia deixar de vir. E o argumento de Nathan sobre não vir, não passa de palavras no ar.
Ele continua me encarando conversar com as garotas, virando vários e mais vários copos vermelhos goela abaixo e eu sinceramente não sei se ficará bêbado.
Eu sabia que essa promessa de parar de beber ia para os ares quando ele a fez. Nathan foi o Nathan hoje, amanhã e sempre — eu disse sempre — será o Nathan, não importa quantas promessas ele faça.
Nego com a cabeça e viro o copo de ponche rosa em minha boca.
- Ele só está observando. — digo encarando seus olhos, enquanto um garoto de cabelos pretos quase raspados ri e Brandon está do outro lado do refeitório, sentado em um banco qualquer sozinho. — Porque B. está ali sozinho?
- Ninguém sabe, mas alguém já havia comentado que ele não fica... Feliz em festas.
- Porque?
- Talvez porque ele teve que matar os pais no dia do aniversário dele. — diz Frankie. — É sempre assim. Aniversários não passam de uma lembrança ruim.
Encosto as costas na parede e nos entreolhamos.
Ele sorri com o canto da boca e ergue a mão em um aceno e encara o chão.
- B! — grita Brook. — Vem aqui.
Ele arregala os olhos e anda até nós.
- Oi. — diz ele não muito animado.
- Eu vou dizer pela terceira vez hoje: É seu aniversário. Sua festa e a sua animação não está muito boa. — diz Brook apontando para o peito de B. — Você fez a coisa certa. Eles não são mais humanos acabou. Sabe que com todos nós foi assim.
- E eu vou dizer pela décima vez. Eu não gosto do meu aniversário, eu não gosto da festa do meu aniversário e minha animação não podia estar diferente com as lembranças rondando minha cabeça. E eu só estou aqui por causa de vocês.
Ele anda na direção de volta para o banco, mas seguro seu braço.
- Eu acho que quando mato um bicho, estou matando meu irmão. — digo de olhos fechados, com a mão agarrada ao seu antebraço.
- Como? — Ele franze o cenho. — Como assim?
- Isso mesmo o que você ouviu. — digo. — Quando eu mato um bicho, acho que estou matando meu irmão. Que foi morto por um deles.
- Isso é estranho. Mas você não teve que matar seus pais e depois sua irmã porque ela tentou arrancar seu braço com os dentes.
- Eu achei um bebê bicho embaixo do banco do carro e tive que deixar Nate matá-lo. Era igual á um bebê humano, mas com a pele esverdeada. Tem noção do que é isso?
Ele suspira e sorri.
- Isso me deixa ainda pior, mas como sua intenção foi a melhor possível, vou fingir que estou bem melhor. — Ele ri e se aproxima de mim. — Então você e Nathan...
- É complicado. — digo encarando seus olhos cor de mel. — Sem compromisso.
- Oi Shan. — Nathan passa por mim e fica á quase três metros, conversando com uma garota de cabelos brancos e um vestido preto.
- Eu percebo que é um jogo. — sussurra B. — Nathan está com ciúmes e você tão perto de mim causa isso nele e ao que se espera daqui a alguns minutos, eles vão começar a enroscar suas línguas uma na outra.
- E como eu ganho o jogo?
- Eu não queria fazer isso, mas, se quer mesmo vencer. Tem que ser mais astuta.
- Ah. — Concordo com a cabeça e sorrio, apoiando as mãos nos ombros de B. — Então é isso o que você quis dizer.
- Ai, lá vem. — Brook revira os olhos. — Você está virando uma...
Ignoro as palavras óbvias de Brook e seguro o pescoço de Brandon, beijando-o.
Abro um pouco os olhos e vejo que Nathan já está beijando a garota de cabelos brancos.
- Você é vidente. — digo sorrindo.
- Só analiso os fatos. — B. ri e segura minhas costas.
**
Ok, já chega.
Empurro a garota loira agarrada em meu pescoço, que nem ao menos sei o nome, ando rapidamente na direção de Shan e Brandon, puxando seu ombro com força, empurrando-o para longe dela. Seguro sua cintura e beijo seus lábios, como nunca havia beijado ninguém antes.
Eu nunca havia feito isso.
Nenhuma garota era tão importante á ponto de me deixar com ciúmes, mas parece que ela é bem diferente de qualquer uma.
Ela soca meu peito, mas por mais que doa, não a solto até que ela apoie os braços em meus ombros e segure meu pescoço.
- Eu te odeio. — diz ela mordendo meu lábio.
- Eu te amo. — digo encarando seus olhos por um segundo, mas puxando-a na direção da saída.
Quando percebo, já estou andando de costas, na direção do carro.
Ela tira as botas marrons de Brooklyn e me empurra no banco do carro.
Fecho a porta e ela puxa minha camisa, passando-a por minha cabeça, deixando-me respirar somente por alguns segundos.
**
Abro os olhos por um segundo e já me vejo dentro do carro, com Nathan sobre mim e seus lábios nos meus.
Eu já estou se blusa e ele sem camisa.
- Nathan! — grito, empurrando-o, fazendo-o bater a cabeça no carro.
- Ai! — grita ele esfregando a mão na cabeça. — Isso nunca aconteceu antes.
Respiro ofegante e ele se senta ao meu lado no banco.
- O que eu estou fazendo? — murmuro de olhos fechados, balançando a cabeça, com lágrimas nos olhos.
Abro a porta do carro e pulo para fora, andando em qualquer direção, quase desejando que um bicho morda meu pescoço e acabe logo comigo.
- Ei. — Ele vem em minha direção e envolve os braços em minha barriga. — O que foi?
- Nada. — murmuro entre soluços.
- Não diga que é nada. — Ele beija minha bochecha.
Me viro para ele e encaro seus olhos.
- O que é isso? — pergunto. — É. Nada.
- Para você pode não ser nada. Eu juro que não estou bêbado. Eu falei sério.
- É, mas eu não. — digo me sentando na grama. — Porque se importa? Deveria ter continuado beijando aquela garota.
- Eu não deveria nem ter começado a beijá-la. Eu estou enlouquecendo. — diz ele se sentando ao meu lado. — Desculpe-me por ter beijado ela.
Começo a rir.
- Eu beijei o Brandon. — digo encarando seus olhos. — Você só fez a mesma coisa.
- Eu acho que não beijei o Brandon, mas entendi sua linha de pensamento. — Ele sorri e envolve o braço nu e quente em meus ombros. — Mas você disse que não se importa. Eu disse que me importava, eu não posso fazer aquilo.
- Mas fez. — digo balançando a cabeça. — Com razão. Porque você está assim?
Ele dá de ombros e ri.
- Não sei. — Ele olha para uma sombra bem longe de nós e puxa meu braço. — Vem. — Ele me puxa, me empurrando para dentro do carro e trancando as portas, segurando a arma. — Fique quieta.
- Ok. — digo. Ele encara a janela, balançando a cabeça em várias direções, observando a sombra continuar migrando na direção do carro. — Não era de ligar os faróis?
Ele me encara com o cenho franzido.
- Seu cabelo está... — Ele movimenta as mãos na direção da cabeça.
- Só você consegue ficar bonito ok? — digo revirando os olhos.
Ele abre a porta do carro, andando n direção do bicho e atirando em sua cabeça, fazendo-o cair na grama.
Mais um que morre.
Mais um humano infectado.
Mais um sem chances de sobreviver á epidemia.
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