Darkness Feed
53 Eu não me importo, mas de certo modo sim.
Notas iniciais
então, adels e boa leitura.
Chegamos a colônia!
É, mas isso não me deixa nada feliz.
Conheci uma mulher que conhece meu pai e provavelmente — do jeito que conheço o jeito de meu pai — ela já dormiu com ele.
É, isso não é muito bom.
Ela quase arranca meus cabelos por chamar sua sobrinha de gostosa e o pior:
O que era para ser uma brincadeira para ver como Shan ficaria irritada, resultou em dor e na cara de paisagem de Shan.
É, ela não disse nem mostrou nenhum incômodo sobre isso.
E mais, um garoto apelidado de B, agradou á ela e isso sim me deixa irritado.
O fato é que, eu preferia mil vezes a Shan, irmãzinha de Abe do que uma versão feminina minha.
Olhando bem para ela e para sua reação. Seria exatamente o que que faria se qualquer garota me irritasse, perguntando o que somos. Namorados?
Não.
Ficantes?
Talvez.
Mas pela primeira vez em minha vida, isso me deixa irritado e completamente bravo.
E para completar meu dia — ah, esqueci: recebi uma correspondência que era de meu pai, com uma caixa de ferro com os cálculos que se resolvidos, salvarão a humanidade. Eu. O garoto que ficou parte da adolescência sem saber escrever o próprio nome. — sou o colega de quatro de B.
Meu dia não pode ficar pior.
- Nathan? — Meg me encara com uma lata de refrigerante nas mãos. — Está prestando atenção?
- Em meus pensamentos sim, não em você. — digo encarando a parede branca do refeitório, sentindo as gotas de água caídas de meu cabelo encharcado, escorrendo em minha testa. — Desculpe-me.
- Hoje é o aniversário de Brandon. — Ah, então esse é o nome dele.
- Legal. — digo encarando a porta que não se abre nunca. Mas que droga! — O que quer que eu faça?
- Proteja a entrada no lugar dele. — Brooklyn me encara sorrindo, mas sei que ela não quer nada comigo. — Os garotos fazem isso.
- Porque as garotas não podem proteger a entrada também?
- Porque não queremos. — Ela revira os olhos. — Acorda Nathan. Garotas tem o poder aqui. Você vai proteger a entrada ou vai virar viado? Sem preconceito, ok? Mas por favor, todos conhecem sua reputação.
- Ok. Isso não tem nada a ver com proteger uma porta.
- Sabe que são duas entradas, não sabe? — Meg e Brooklyn me encaram com uma das sobrancelhas arqueadas e o cabelo cobrindo metade do olho.
- Vocês estão me assustando.
- Bom. Agora sai daqui e vai cidar da entrada.
- Eu...
- Ah, é claro. Você está esperando a Shannon.
- Shan. — murmuro, corrijindo-a.
- Shan é nome de garoto. — Brooklyn me encara estranhamente.
- Eu chamo ela assim á dois anos. Está um pouco atrasada para reclamar.
- Ela chegou. — diz ela me encarando.
Olho para o lado e Shan me encara, com os braços cruzados e senta ao meu lado. — Oi. Achei que tinha se afogado no banho.
- Cale-se. — diz ela encostando a cabeça em meu ombro. — Eu não preciso de você, só do seu ombro. Agora.
- Você é louca sabia? — digo rindo.
- Vai proteger a entrada para o B? — Brooklyn começa a rir e Meg aperta os lábios para não rir.
Shan encara meus olhos e eu a encaro com os olhos estreios.
- Cale-se. — digo segurando seu queixo e me aproximando.
- Oi. — diz Brandon sentando-se ao lado de Brooklyn. — Vai ficar no meu lugar na entrada hoje?
- É. — digo. — Feliz... Aniversário.
- Valeu. — Ele encara Shan.
- Desculpe. — diz ela sorrindo. — Feliz aniversário.
Brandon sorri e eu reviro os olhos.
- Cara, só falta sua cabeça explodir e tanta raiva. — Brooklyn roe as unhas.
- Cale-se Brooklyn. — digo.
- Não. — Ela retruca. — Sabe que é verdade.
- Acho que não sou eu quem está com ciúmes. — Shan sussurra em meu ouvido e beija minha bochecha. — Admita.
- O que eu ganharia?
- Nada. Me deixaria feliz.
- Porque eu gostaria de fazer você feliz? — digo e começo a rir ao vê-la se levantar e sentar-se ao lado de Brandon. — Ah, fala sério. Não faz isso.
- Ele é o aniversariante.
- Só uma pergunta. — Brandon nos encara vocês são...
- Nada. — diz Shan.
- Nada. — repito, me segurando para não rvirar os olhos.
- Ok. — Brandon e Brooklyn se entreolham e riem. — É estranho, mas ok.
- Não é estranho. — digo encarando seus olhos. — É um sistema.
- É confuso. — diz Shan. A encaro com uma cara séria e ela revira os olhos. — Ah, você sabe que é.
- Você deveria se importar. — digo me levantando.
- É, mas não me importo. — Ela se levanta e ficamos cara a cara.
- Mas deveria. — Aponto para sua clavícula por um motivo qualquer.
- Mas não me importo. — Ela grita, fazendo todos do refeitório nos encararem. — Não me importo. Já disse e repito. Não me importo.
Suspiro, balanço a cabeça e ando na direção do dormitório.
**
Fecho os olhos e suspiro.
Ok. Eu não deveria ter gritado nem ter repetido.
Não me importo, mas também não é algo... Assim.
Ando em sua direção e sigo-o até seu dormitório.
- Se não se importa, porque vem sempre atrás de mim? — Ele para de andar, com a mão na maçaneta.
- Porque...
- Vá embora.
- Não. — digo andando em sua direção.
Ele gira a maçaneta e entra no quarto. Empurro a porta, antes que ele possa fechá-la e seguro seu pescoço, beijando-o e sentindo gosto de sangue.
- Nathan. — digo.
- Ah, cala a boca. — diz ele segurando meu pescoço.
- Sua boca está com gosto de sangue. — digo encarando seus olhos, assustada.
- Eu não comi carne hoje. — diz ele passando a língua nos dentes. Suspiro e me sento na cama. — Eu não estou doente ok?
Balanço a cabeça.
- É melhor que não esteja. — digo mais grossa do que esperava ser.
Não que eu esteja preocupada com a epidemia se espalhar e eu também ficar doente, mas não quero de jeito nenhum que ele morra.
- Shan, eu falo com você depois ok? — Ele abre a porta e me encara.
- Eu não quis dizer...
- Nos falamos depois. — repete ele segurando a maçaneta.
Me levanto e beijo sua bochecha.
- Até depois.
- Tchau.
Mas não foi isso o que ele entendeu.
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