Darkness Feed
78 Ah propósito, estou terminando com você
Notas iniciais
Abro os olhos, sentindo a cama macia sob mim e estranhando todo este conforto.
O teto está limpo e sem nenhuma rachadura – como na casa de John – ou mancha – como na colônia.
Me sento na cama e encaro a cama grande com lençóis brancos.
O guarda-roupas, a porta do banheiro branca sem nenhuma mancha, a janela de vidro com vista para o gramado e para a camionete com Nathan de cara com o motor.
- Oi – Olho para a porta assustada, com Carter sorrindo, mas não aquele sorriso cheio de sangue e a pele pálida.
O sorriso envergonhado e sua pele um tanto bronzeada.
- Tudo bem? – pergunta ele com duas xícaras brancas nas mãos, sentando-se ao meu lado, mas eu continuo encarando-o assustada. – Shannon?
- Oi – digo e tira a xícara de sua mão, esboçando um sorriso e bebendo um gole. – Desculpa, foi só... Um... Pesadelo... Sonho ou... – Respiro fundo. QUE MERDA É ESSA? – Eu, preciso falar com o Nathan.
- Eu vou descer e falar com o Howard, tudo bem? – Ele sorri, quando passo pela porta, andando atrás de mim pelas escadas.
Desço-as correndo e esbarro em Georgia que ri.
- Olá, barulhentos – Ela ri novamente.
- Não tenho tempo para suas brincadeiras – resmungo e continuo descendo as escadas, me empurrando contra a porta e sentindo a grama em meus dedos do pé enquanto ando na direção de Nathan, completamente confusa. – Oi.
Ele continua encarando o motor, mexendo em algumas peças.
- Nate. – digo, imaginando que ele não me ouviu. – Vagabundo. – digo rindo e empurro seu ombro, mas ele se afasta, batendo a tampa do capô com força e me encarando bravo. – O que foi?
- Eu não sou idiota – diz ele balançando a cabeça. Seu rosto está com uma expressão séria e carrancuda e a barba está crescendo novamente. – Muito menos surdo. – Ele revira os olhos, limpando as mãos com o pano vermelho.
- O que... – Estreito os olhos. – Como assim.
- Georgia me contou – Ele encolhe os ombros. – Porque eu não ia fingir que não sabia o que estava acontecendo, até porque... Eu não sou surdo.
- Do que você está falando? – pergunto estreitando os olhos e ele ri, balançando a cabeça.
- Tudo bem, você não sabe o que aconteceu?- Ele joga o pano sobre o carro sujo.
- Não. – digo irritada.
- Ah, faça-me um favor. – Ele anda na direção da fonte dos fundos, mas seguro seu braço. – Me solte.
- Me diga... – Começo, mas paro com seus olhos estreitos encarando os meus.
- Olha aqui, eu estava sim sendo chato e você realmente sabe o porquê, mas parece que confia tanto na Georgia – que por acaso não é tão vadia assim, não é mesmo? – que contou para ela e não para mim. Disse para ela que me distraísse, mas no mesmo dia eu disse que não queria mais nada com ela.
Fico boquiaberta, sem dizer uma palavra.
Droga.
Houve apenas uma coisa que eu queria que acontecesse que eu pedi para Georgia distrair Nathan.
- Droga. – digo. – Não – resmungo cobrindo os olhos com as mãos.
- Ah, agora vai pedir desculpas? – Ele diz, praticamente gritando.
- Cala a boca! – grito sentindo enjoo. Muito enjoo, como se fosse vomitar. – Cala a boca!
- Você pediu! – grita ele apontando para mim. – Agora não peça desculpas!
- Eu mandei você calar a boca! – grito lançando meu punho fechando na direção de seu rosto, mas ele segura meu punho, franzindo o cenho.
- Ah, deixa eu ver se eu entendi. – Ele se aproxima de mim. – Você mente para mim, pede para Georgia me distrair, tem a sua primeira vez com o Carter, desrespeitando seu irmão e eu que preciso calar a boca? Interessante Shan, muito interessante – Ele solta meu punho, andando na direção da fonte e me deixando ali.
Em ruínas.
**
- Ei, — Carter beija minha testa, terminando de mastigar o pedaço de carne, enquanto eu deixo meu prato esfriar, ainda pasma. – O que houve.
- Difícil de digerir? – pergunta Nathan arqueando as sobrancelhas e agora eu o odeio tanto quanto odeio a mim mesma agora. O sonho mais estranho da minha vida. Mas agora acho que o real sonho foi Carter e Georgia serem bichos Nathan ser um cara legal e tudo aquilo da colônia acontecer.
- Cala a boca. – digo.
- Olha aqui, a culpa não é minha se seus gemidos podem ser ouvido do carro com as janelas fechadas – diz ele com as duas mãos sobre a mesa.
- Acho que não é um assunto muito... – começa Carter.
- Legal, de se falar na mesa. – completa Georgia.
- Ah, você tem problema com isso? – digo alto. – Acho que você já comeu tantas prostitutas que nem sabe quantas foram! Além disso, ah, eu esqueci que você não sabe contar!
E ele suspira, olhando para seu prato com uma última garfada de comida, mas ri e se levanta, andando até a porta e empurrando-a.
- O que? – Georgia e Carter perguntam ao mesmo tempo.
E ai percebo que mesmo sendo um sonho, o que eu descobri eram coisas que são reais, por mais estranho e absurdo que pareça.
Me levanto também, andando até a porta e empurrando-a, vendo-o sentando no gramado, com duas garrafas de cerveja ao seu lado.
- Obrigado. – diz ele bebendo um gole, sem ao menos olhar para mim. – Não sei como descobriu, mas obrigado por jogar na minha cara.
- Eu não quis... – digo, mas não tenho palavras.
- Ah não. Você quis sim – Ele me encara. – Qualquer pessoa que sabe usa isto contra mim. E você não é diferente! É como qualquer um. Aliás, como descobriu?
Ele continua me encarando, enquanto eu permaneço imóvel.
- Não sei – digo balançando a cabeça e andando em sua direção, sentando ao seu lado e ele continua me encarando. – Realmente não sei.
- Não sabe, ou não quer me contar? – Ele ri, bebendo mais um gole de cerveja. Ele ainda está bebendo. Mas em meu sonho ele parou.
- Não sei – repito e suspiro, tirando a garrafa de sua mão e antes que ele comece aquele discurso, bebo alguns goles, mesmo achando este gosto terrível e fazendo uma careta.
Ele ri.
- Quer tirar o gosto do Carter da sua boca? – Ele continua rindo, abrindo a outra garrafa e eu o encaro com os olhos estreitos. – Eu quis dizer da boca, tudo bem? – Ele arqueia as sobrancelhas e bebendo um gole da cerveja recém-aberta.
- Talvez – resmungo, bebendo mais um gole e fazendo outra careta, fazendo-o rir novamente, mas me encarar com o cenho franzido. – O que foi?
- Isto foi um: Você ainda tem chance? – Ele arqueia as sobrancelhas e eu franzo o cenho, confusa.
- Hã? – pergunto.
- Eu terminei com a Georgia por algum motivo – Ele abraça as pernas, soltando um suspiro. – E você não parece muito satisfeita com a sua primeira noite.
- Cala a boca – digo batendo a garrafa em sua testa.
- Isto só confirma – Ele ri e suspira. – Você é a garota mais estranha que eu já conheci em toda a minha vida.
- Porque eu nunca me joguei no seu colo?
- Também – Ele encolhe os ombros. – Mas... Você não parece gostar do seu namorado... Cala a boca e me deixe terminar. Parece me odiar até o fundo da alma, — Ele se vira para mim. – Mas nunca disse que iria se livrar de mim.
- Seria estranho se eu te beijasse agora? – pergunto estreitando os olhos, ignorando eu mesma me chamando de idiota agora mesmo.
Ele ri e concorda com a cabeça.
- Seria. Bastante – Ele concorda com a cabeça. – Até porque vocês se beijaram bastante e... – Ele suspira e revira os olhos. – Na verdade não e eu adoraria se você fizesse isso.
Nos aproximamos, mas ele começa a rir.
- Não vai rolar – digo rindo também.
- Talvez mais tarde. Quando você beber um pouco mais.
- Não vou beber mais. – digo entregando a cerveja para ele e me levantando, limpando a calça. – Vai ter que fazer um pedido de desculpas descente para que eu te perdoe – Ele diz enquanto empurro a porta.
- Ah, cala a boca.
- Eu não estou brincando.
Me viro e o encaro.
- Talvez mais tarde.
- O que quis dizer com isso? – Ele arregala os olhos e eu rio, andando de volta para a casa, encarando Carter me encarar com os braços cruzados.
- Oi – digo esboçando um sorriso.
- Oi – Ele encolhe os ombros. – O que foi?
- Ah, nada. – Encolho os ombros também. – Ah propósito. Estou terminando com você.
- Que? – Ele franze o cenho. – Ah, então quer dizer que vou ter que forçá-la á ser o jantar? – Sangue começa a sair de sua boca e sua pele começa a se tornar pálida demais, assim como eu achava que havia acontecido.
Solto um grito e me levanto, segurando o lençol e escutando as batidas na porta, junto com os gritos de Brook.
- Mas que droga. – resmungo para mim mesma.
Notas finais
beijos até amanhã
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