Darkness
9 Os problemas
Notas iniciais
Jennifer acabara caindo no sono com estranhos pensamentos na cabeça: Jason, o problema, seu pai, o outro problema e os Albus, o maior dos problemas, e o que mais a fazia bem. A garota contava os segundos para a próxima tarde, onde teria o segundo dia de treinamento e começaria realmente a lutar, lutar como se luta em uma guerra de verdade. Mas, infelizmente, ainda tinha uma manhã inteira de aula, onde teria que ver Sarah, o que era bom, e também ver Jason, o que não era tão bom assim.
Jennifer mal chegara à escola e Sarah já a abordara para comentar do treinamento, a única coisa que a garota conseguia falar era de como aquela tarde fora incrível e divertida, mesmo sendo para um motivo tão ruim.
O sangue de Jennifer começou a ferver quando, de longe, avistou Jason, ele começou a se aproximar, a garota virou a cabeça e começou a andar rapidamente, mas ele conseguiu alcança-la e a agarrou pelo braço, forçando-a a olha-lo.
– Por que você está me evitando?
– Eu não estou te evitando! – Ela retrucou, lhe dando as costas novamente e voltando ao seu caminho
– Você não pode me evitar para sempre!
– Mas você tem mais o que fazer, não? – Jennifer parou e se virou para ele
– Jennifer! – Ele suspirou e coçou a nuca — Eu tenho mesmo mais o que fazer, e já vi que estou perdendo meu tempo falando com você, não é?
– Então vai fazer o que você tem realmente que fazer e me deixa em paz! – Exclamou a garota encarando os olhos de Jason
– Acontece que eu tenho um sério problema...
–Eu – Ela falou tão baixo que podia jurar que Jason não tinha ouvido
– É, isso mesmo... – Disse olhando para os próprios pés
A garota olhou para cima procurando o olhar dele.
–Talvez... Seja melhor a gente...
–Ficar junto – Completou Jason, olhando no fundo dos olhos dela – Acredite, seriam problemas a menos para mim
– Jason...
Jason foi chegando perto dela, a garota sentiu a respiração dele mais perto... Mais perto... E finalmente à pouquíssimos centímetros de distância um do outro, Jason fechou os olhos. Ele iria beija-la, ela sabia disso e por um momento quase o deixou fazer, mas desviou o rosto ainda ficando perto dele, o fazendo encostar os próprios lábios na bochecha dela. Jason, por sua vez, a abraçou e a mesma o deixou mesmo que por apenas alguns segundos, porém depois se livrou dos braços e disse:
– Eu também tenho problemas, alguns se passaram, mas outros não e eu vou poder fazer certas escolhas. Apenas espere, me espere.
Jason sorriu fraco e falou:
– Eu te esperarei, serei capaz de te esperar até o baile!
– Você não desiste nunca mesmo, não é? – A ruiva sorriu amarelo e completou – E se quiser, pode me chamar de Jenn.
– Eu chamarei, pode ter certeza... Jenn.
Eles viraram de costas, cada um indo para onde deveria ir, mas ambos com vontade de continuar a conversa.
Sarah sabia que não poderia dar uns de seus ataques naquele momento que até ela havia percebido que eles não estavam bem, esperou que eles se distanciassem e foi falar com Jennifer
– Ei, o que vocês conversaram?
–Nada de mais – disse Jennifer sorrindo – Eu só o deixei me chamar de Jenn.
Sarah sorriu, sabendo o que isso significava e feliz pela parcial reconciliação dos dois.
***
Com o final da aula, Jennifer e Sarah seguiram juntas para a Caverna, onde seria servido o almoço em homenagem aos iniciantes, as garotas esperavam apenas um almoço comum, mas chegando na lá viram um verdadeiro banquete, com comidas de caviar a pizza. Harry estava sentado em uma das pontas da mesa e Nicole estava na outra, Peter e Alex estavam do lado de Harry e Bianca e Belle ao lado de Nicole e os demais sentados ao redor da mesa. Elas logo se acomodaram ao lado uma da outra e conversaram com a garota sentada na frente delas, Elisie uma garota bonita, com cabelos ondulados e castanhos com apenas uma mecha vermelha, a pele pálida, os olhos castanhos escuros e rosto nem um pouco angelical.
– Olá – Disse ela quando as garotas se sentaram – Vocês são Jennifer e Sarah, não?
– Sim – Disse Sarah sorrindo – E você é...?
– Elisie, prazer — disse a garota estendendo a mão – Eu as vi treinando. Sarah você é incrível! Te vi lutando com uma adaga, você leva jeito.
– Você lutou com uma espada, certo? – Perguntou Jennifer
– Sim, você também, não é?
– Sim
– Eu gostei bastante de lutar com espada, mas não quero me prender a apenas um instrumento de luta.
– É verdade – Comentou Sarah – Eu já lutei com adaga e espada, hoje vou tentar corpo a corpo, mas...
Harry interrompeu Sarah e todos os outros que conversavam e falou
– Hoje teremos nosso segundo dia de treinamento, será tão tranquilo quanto o primeiro, mas quero que saibam que isso não é brincadeira e mesmo que esteja sendo fácil até mesmo divertido, não vai continuar assim. Como já disse milhares de vezes, estamos treinando para uma guerra, uma guerra contra um exército bem mais cruel e experiente que o nosso. Todos vocês não passam de crianças.
– Você está falando que a gente não será capaz de derrotar os Vom’s? – exclamou Dylan, um dos garotos da primeira fase, de cabelos curtos e escuros, e bastante musculoso.
– Não. Estou falando que vocês ainda precisam de treinamento para isso. E é claro que acho vocês capazes, mais do que capazes, por isso escolhi e busquei cada um de vocês e deixamos a porta aberta para quem quiser fazer parte disso. Hoje, além de treinar, escutaremos um Vom.
– Um Vom? – exclamaram todos que estavam sentados na mesa.
– Na verdade, um ex-Vom – Corrigiu-se Harry – Willian, por muito tempo fez parte desse exército que agora ele combate com todas as suas forças. Ele é um grande aliado dos Albus, pois sabe alguns segredos desse exército, mesmo não podendo se infiltrar, o que iria contra nossos princípios, é uma peça importante do combate, sabe como eles lutam, agem e tudo mais. E é isso que ele nos contara hoje. Willian. – Harry chamou o amigo e, sabendo da tamanha dor de contar tudo de horrível que ele já fizera, segurou seu ombro por alguns segundos.
– Me dói muito relembrar todas as coisas que eu fiz, mas sei como isso será importante para vocês... Então vamos lá – Willian respirou fundo e voltou a falar – Primeiro: Para tornar-se um Vom, você precisa fazer um sacrifício, uma coisa que você goste ou alguém que você ame precisa ser doado a eles e ser morto ou destruído.
– O que você sacrificou? – Perguntou um dos incitantes
– Eu... eu sacrifiquei meu melhor amigo. A ameaça que eles te fazem é muito grande e a pressão sobre você, para demonstrar seu amor pelos Vom’s é de uma força anormal. Eu não pude sair ou ao menos tentar fugir daquele lugar, mas depois tudo fica mais fácil, antes eles precisam de você, necessitam de você, mas depois do sacrifício você é só mais um, os verdadeiros queridinhos são os que fazem parte da família Vom ou com uma boa ligação. Agora vamos para o segundo: a luta. Eles não são muito apitos na luta corpo a corpo e preferem uma espada ou coisa do tipo, também usam os poderes contra seus componentes, mas não são poderes extraordinários, são mais poderes como penetrar a mente e ver o que ela está pensando e coisas do tipo, nada TÃO preocupante. E, pra falar a verdade, eles são bem covardes. Por enquanto é só isso que quero lhes contar.
– Por que você saiu de lá?
– Por que não valia a pena, lutar em prol de algo que não acreditava, e é isso que espero mostrar pra minha filha, para tira-la dos Vom’s, mostrar que eles não lutam por nada, apenas para acabar com a luz e fazer durar as trevas, mas por que eles querem as trevas? Ninguém sabe ao certo, talvez uma promessa, um pacto é isso que temos que descobrir.
– Você tem uma filha? – perguntou Sarah
– Sim, a deixei quando ela tinha apenas 4 anos espero poder busca-la e recruta-la aqui nos Albus.
– Acho que agora é hora de começarmos a treinar. – Interrompeu Harry antes que Willian falasse demais
Todos se levantaram das cadeiras e seguiram para a sala de treinamento, pegaram suas armas, menos aqueles que treinariam luta corporal, como Sarah, Jennifer e outros da fase 1.
O treino foi muito desgastante, luta corporal era tão complicada quanto lutar com armas. Jennifer percebeu que não era apenas dar socos e chutes, mas havia também golpes e estratégias que poderiam usar durante a luta e que muitas vezes não era a força que ganhava e sim execução perfeita do golpe. Jennifer estava muito orgulhosa de si mesma, pois havia conseguido derrotar Harry quando estava lutando contra ele durante o treino. Sarah havia dito que preferia lutar com uma adaga ou espada do que luta corporal e Jennifer riu quando na luta seguinte após a amiga ter dito isso ela foi derrubada novamente.
Após o término do treinamento, Bianca, Alex e Peter, que treinavam suas especializações vieram falar com Jennifer e Sarah.
– Você luta bem Jennifer – falou Bianca – Sarah, acho melhor você se especializar em espada ou adaga, por que, vamos combinar, você não leva muito jeito com luta corpo a corpo
– É, também achei isso – Sarah franziu o cenho
– Ei, vocês sabem... – Jennifer começou baixinho – Quem é a filha do Willian?
– Ele nunca falou e acho muito difícil falar – Esclareceu Alex
– Ele é sempre muito... Fechado – Afirmou Bianca
– Odeio dizer isso... – Peter falou desconfortável — Mas acho que seria impossível alguém criado nos Vom passar para o nosso lado
– Bem, de qualquer maneira... – Jennifer parou de repente olhando para o relógio da parede – Meu deus! Está tarde acho que devia ir para casa, minha avó deve estar preocupadíssima!
– Claro, até amanhã! – Sarah gritou vendo Jennifer sair em disparada pela porta.
Correndo pela floresta, Jennifer ficou com uma enorme vontade de ir para aquela campina de poucas noites atrás e foi isso que ela fez, mesmo não sabendo muito bem o caminho e se esquecendo completamente da avó.
Assim que chegou a lua iluminava a campina e Jennifer viu uma silhueta no local e em poucos segundos reconheceu Jason parado olhando para o nada. Ela quase fez a volta pelo caminho que veio, mas acabou pisando em um galho chamando a atenção do garoto, que virou a cabeça, olhando para ela e estreitando os olhos.
– Jenn?
– Oi... – Ela deu um paço à frente
– O que você está fazendo aqui?
– Eu... Eu... – Ela começou a gaguejar e obrigou a si mesma à pensar em alguma desculpa – Quis dar uma volta e você?
– O mesmo... – Ele franziu o cenho olhando para as roupas dela – Está... Diferente
Ela caminhou até ele, imaginando se isso iria lhe dar tempo para pensar
– Eu não uso só vestidinhos, Jason
– Claro... – Ele coçou a nuca desconfortável se aproximando dela cada vez mais
Jennifer recuou alguns paços para trás, mas acabou tropeçando e caindo.
– Eu acho que você caiu – O garoto riu
– Não, imagina... Foi de propósito – Ela ironizou
Jason se senta ao seu lado olhando para a garota e a mesma diz:
– A lua está linda, não? – Jennifer olhou pra a lua minguante
– Assim como você – Disse na maior naturalidade deitando-se e olhando para o céu
Jennifer sentiu suas bochechas corando, fingiu não escutar e se deitou ao lado dele. Ficaram olhando para o céu por um tempo até Jennifer se tocar que devia ir para casa, se sentar dizendo:
– Desculpa, eu preciso ir para casa
Jason se levanta rapidamente para ajudá-la a levantar esticando a mão e ela aceitou a ajuda. Ficaram à centímetros de distância e no momento seguinte, Jason a beijou. Surpresa, Jennifer demorou um pouco para corresponder, mas passou os braços ao redor do pescoço do garoto e aceitou o beijo enquanto sentiu-o sorrir contra sua boca e passar os braços ao redor de sua cintura. Naquele momento não existia mais nada, não existia problema algum, só existia os dois e mais nada.
Eles se separam após algum tempo, Jason sorrindo e Jennifer com o rosto quase sem expressão, a garota pensava no que acabara de fazer, questionava-se estar certa sobre isso. Jason, reparando a expressão da garota perguntou:
– Jenn?
– O que?
– Você está bem?
– Se eu estou bem? – Gritou a garota se soltando dos braços dele – Você acabou de me beijar!
– Não, eu não te beijei. Nós nos beijamos. Tem uma grande diferença. – Explicou o garoto
– Então, você está dizendo que eu te beijei também?
– Sim, mas se você quiser que só eu te beije... — Deu um passo em direção a garota
– Jason! – Explodiu a garota dando as costas – Eu tenho que ir, eu tenho que ir e você me beija. Qual o seu problema?
– Qual o SEU problema?
– VOCÊ!
Ela estava ofegante e sentia o coração batendo forte contra o peito, abaixou o tom de voz e disse:
– Mas agora, falando sério, eu tenho que ir. – A garota virou-se para ele novamente e andou em sua direção, Jason protegeu sua cabeça temendo o que a garota poderia fazer, mas ao invés do que ele pensava, ela deu-lhe um carinhoso e curto beijo – Agora só eu te beijei.
Jason ficou parado olhando a garota se distanciar, vendo na escuridão apenas ela se virando e enviando-lhe um sorriso, ele continuou parado sorrindo como um bobo, até franzir o cenho e perceber uma coisa.
***
Jennifer chegou em casa e foi direto comer alguma coisa, sua avó já estava dormindo, mas tinha deixado o jantar para a garota esquentar. Ela comeu em silêncio sem conseguir tirar Jason de seus pensamentos até seu celular tocar com o nome de Sarah na tela.
– Alô? – Jennifer atendeu
– Jennifer! – Gritou Sarah do outro lado – Você já percebeu que quase falta uma semana para o baile e tipo... Nenhum garoto me convidou?
– Ahn... Acho que já, você falar isso praticamente todos os dias
– Sério? – A garota parecia estar realmente surpresa
– Sim
Jennifer riu um pouco e Sarah falou:
– Pelo menos um garoto já te convidou, você que é uma enjoada e ainda não aceitou o pedido do Jason
– É...
– O que foi? Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo?
A ruiva ficou em silêncio
– CONTA! CONTA! CONTA! – Implorou Sarah
– Calma! Você vai me deixar surda!
– Então conta!
– Tá... Eu e o Jason... A gente...
– Vocês estão namorando, não é?
– O QUÊ? Não, claro que não! A agente SÓ se beijou, quer dizer... Ele me beijo, embora eu tenha correspondido... E depois tenha o beijado de novo
Sarah gritou totalmente alegre no outro lado da linha, fazendo Jennifer afastar o telefone do ouvido.
– Calma, não é para tanto! – Exclamou Jennifer
– É sim! Depois quero todos os detalhes, ok? Acho melhor eu ir dormir, ou meu pai vai acabar brigando comigo.
– Ok, boa noite.
– Até amanhã!
– Até...
Jennifer colocou o prato na pia e foi em direção ao seu quarto para ir dormir
***
“Nunca entendi muito bem os meus sonhos e a situação só piorou quando eu comecei a sonhar com a Floresta dos Vom’s. Se antes eu já não entendia, imagine agora. Eu sabia que estava sonhando, eu sempre sabia, porém sempre sentia como se aquilo fosse real e que aquele na verdade não era o meu corpo e sim o de outra pessoa.
Estava em um corredor bastante sombrio e um tanto escuro, pelas janelas eu via a Floresta dos Vom’s e soube pela névoa, que estava na parte que pertencia aos mesmos. No final do belo e sombrio corredor, havia uma porta e caminhei até lá encontrando uma escadaria que seguia para baixo com degraus um tanto escorregadios graças ao logo e nas paredes havia tochas com fogo.
Aquele lugar me dava arrepios, mas eu ainda desci até chegar a uma sala cheia de celas de prisão. As barras pareciam ser feitas de um material muito resistente, dentro de cada cela havia um espaço com um cobertor velho para dormir. As paredes eram feitas de blocos de pedras negras e iluminando o local havia lampiões no teto. No final da sala tinha uma porta com uma placa velha escrita ‘banheiro’.
Eu queria correr e ir embora, mas como todos os outros sonhos desse tipo eu não comandava meu próprio corpo.
Percebi uma silhueta na última cela e fui até lá, encontrando uma garota encolhida no canto choramingando.
– Se você acha que vai arrancar algo sobre mim, não vai conseguir seu objetivo – Ela falou baixo, mas foi suficiente para eu poder ouvir – Ninguém nunca conseguiu e nem vai conseguir. Nunca!
A garota levantou a cabeça e prendi um grito de surpresa da minha cabeça, quando dei um passo para trás, acabei tropeçando em algo.
– Uma surpresa para você, não é? – A prisioneira riu em deboche
Não, não pode ser! NÃO!
– Melhor olhar para seus pés, sou a próxima a se tornar isso!
Assim que ela disse isso, olhei para meus pés e vi no que tropecei. Era um esqueleto, um esqueleto empoeirado, cheio de musgo e algo mais... Carne? Carne humana que ainda não havia sido totalmente decomposta, mas já estava quase.
Gritei.”
***
Jennifer se sentou na cama, estava suando e respirando em uma velocidade incontrolável. Ela teria sonhado com o futuro? Seria ela, como Mary, uma vidente? A garota não tinha resposta para aquilo com que havia sonhado. O esqueleto poderia até ter a assustado, mas a prisioneira era o pior no sonho. Jennifer nunca foi de ter certezas sobre seus sonhos, mas ela tinha certeza de apenas uma coisa: aquela garota era Sarah Petrovith.
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