Darkness
3 Nos olhos azuis
Notas iniciais
O sinal para o fim do recreio tocou, então Jason saiu correndo, pois depois de se atrasar no primeiro dia de aula não queria que isso se repetisse. Jennifer e Sarah, com mais uma aula juntas de Historia Local seguiram ruma a sala de aula.
A caminho da sala Jennifer disse:
–Até que da para aguentar ele.
–Tadinho, não é só aguentar, ele é um cara bacana. –Disse Sarah.
–Bacana? Não exagera Sarah. Ele é só... Suportável.
–Eu entendo que você não quer gostar dele, mas... –Sarah começou a falar até ser interrompida por Jennifer.
–Não quero, e não vou. Você basta como amiga, faz papel de: patricinha, chata e burra. Por que vou querer um amigo que só faz papel de metido?
–É verdade. Eu faço o papel de patricinha, chata e... –Sarah deu um tempo para pensar e gritou. –Ei! Eu não sou burra.
Jennifer a puxou para um abraço, elas riram, enquanto caminhavam para a sala de aula.
–Olha, olha quem está de volta. –Disse Emily Fields, uma garota do 2° ano, cabelos quase brancos, lisos, pouco a baixo da cintura e repicados, olhos azuis, pele clara, estatura mediana e corpo escultural. Qualquer garoto ficaria apaixonado por Emily, até conhecê-la de verdade. Uma boa aparência, uma péssima alma, e uma história desconhecida... Por todos.
–A garota sabe tudo e a garota unicórnio. – Ela disse
Ela e toda sua gangue, formada por Andrew Gilbert — moreno, cabelo ondulado, castanho e na altura da nuca, olhos castanhos e jogador do time de basquete da escola, capitão, o que o levava a ser popular e muito metido — e outros alunos do 2° ano, todos com roupas escuras riram, mas Jennifer e Sarah não acharam graça alguma. Sarah não ficava nem um pouco satisfeita quando Emily a chamava de garota unicórnio e Jennifer era mesmo sabe tudo, mas sentia um pouquinho de maldade nesse apelido, mas é claro... Emily sempre foi a mais sem noção das meninas
–Emily eu adoraria conversar com você, realmente gostaria, mas infelizmente vou ter que te deixar sozinha com sua gangue, porque eu e a “garota unicórnio” temos que ir para a aula de História Local, que com certeza vai estar bem mais chata que falar com... Vocês.
–Ah, a aula da senhorita chatice –Falou Andrew e olhou para Sarah – Tão chata que você saiu correndo, não é?
–Não fala assim da professora Nicole, você não gosta dela só porque não tem ideia do que ela fala, porque você é um IDIOTA. – Retrucou Sarah perdendo a paciência.
–Defendendo aquela lá. — Diz Andrew — Isso é tão...
Jennifer não o deixou terminar, foi correndo na direção dele. A raiva tinha a dominado, não só pela professora, mas a raiva de sua vida inteira e por Sarah. Andrew não sabia o que ela tinha passado, o motivo dela ter agido daquele jeito durante a aula e a história de Jason.
Jennifer parou na frente do garoto, que tinha um sorriso no rosto.
–Olha aqui, não é culpa dela se você é um babaca que só serve para pegar uma bola e atirar dentro de uma cesta.
–Quanto drama... — Disse Emily, ela iria falar mais alguma coisa, mas foi impedida por um tapa na sua cara dado por Jennifer.
Emily deu uma risadinha como se nada tivesse acontecido e vira-se novamente para as meninas e continua a provocação falando:
–Ah, então vamos falar de outra pessoa sem ser a professora. – Disse Emily – Ah, tive uma ideia vamos falar do... Jason.
Jennifer fica espantada por Emily conhecer Jason, ele estava se tornando popular, mas a gangue de Emily conhecê-lo era novidade.
–Ele não é muito inteligente, achei que fosse, mas para estar andando com vocês, não sei, não... Quer dizer, quando ele vai a minha casa ele não aparenta ser assim tão... Idiota.
–Cala a sua boca, va... — começa a dizer Jennifer.
–Vaca? Vadia?- completa Emily – Você vai ter coragem para xingar agora? Você nunca foi disso, acho, porque, afinal nunca reparei em você. Responde: vaca ou vadia?
–Os dois e coisa bem pior também- Responde Jennifer cheia de ódio — Eu não tenho coragem para ser baixa mesmo, porém isso quer dizer que tenho respeito até com quem não merece ao contrário de você!
–Você pode ter respeito, mas... — Ela olhou para seus seguidores, que assentiram sabendo o ponto exato de como atingir Jennifer em cheio — Eu tenho uma mãe.
Jennifer poderia ter aturado qualquer tipo de provocação, chegou a chegou a controlar a sua vontade de bater muito mais naquela garota atrevida, mas ao ouvir essas palavras encheu-se ainda mais de ódio e de repente anúncios pendurados voaram para todos os lados. Emily e todos ao seu redor ficaram boquiabertos e sem reação, mas não pareciam assustados como se nunca tivessem visto coisas do tipo e sim por parecer Jennifer fazer aquilo. Milhares de folhas começaram a voar e girar em vota, principalmente, de Andrew e Emily, todos os papéis eram folhetos de pessoas desaparecidas. Sarah estava realmente assustada e paralisada. Jennifer não tinha expressão alguma no rosto, nem mesmo de raiva, apenas olhava para eles com um olhar sombrio.
–O que esta acontecendo?! — Grita Jason aparecendo do nada e olhando para cena, horrorizado.
Ninguém responde. Alguns folhetos, voam em direção à Jason e começam a girar em torno dele. Ele assustado, vai em direção a Jennifer, com algumas folhas o atrapalhando às vezes, a segura pelos ombros enquanto grita:
–Jennifer! Jennifer!
Imediatamente todos os papeis caem no chão. Ela hesita, pisca e seu rosto sem expressão passa para assustado, ela olha para Jason sem entender e diz:
–Eu... — mas não termina, pois desmaia nos braços de Jason.
***
Jennifer ouvia todas as vozes ecoadas e longe e não conseguia ver direito, estava tudo confuso e embasado. Mas apesar disso conseguiu ver os rostos de Sarah e...
–Jason? – Ela sussurra
–Sim — Falou ele se aproximando.
–O que você esta fazendo aqui?- Perguntou Jennifer com a voz fraca.
–Vim visitar minha amiga- Falou olhando para os lados.
–Aí você me viu aqui, certo?- Pergunta Jennifer, que no fundo esperava ser a amiga.
–Não bobinha, a amiga é você!- Responde Jason como se ela tivesse digo algo muito idiota. Ele se aproxima mais da onde Jennifer estava deitada e acaricia seus cabelos.
–Ah... — tentou falar Jennifer, mas ao encontrar os olhos azuis de Jason, parou, pois viu todo o que não se lembrava daquela manhã. Duvidou se tudo aquilo acontecera mesmo, então perguntou – Por que estou aqui? O que aconteceu?
Jennifer olha para os lados, procurando uma resposta e vê Sarah olhando de cabeça torta e as mãos junto ao coração, ao ver Jennifer olhando para ela fala:
–Que fofos!
Jennifer sente seu rosto queimar e vê pelo canto do olho Jason sorrindo torto
–Você desmaiou- Sarah explica – Você fez, não, não, aconteceu uma coisa estranha, então você desmaiou e caiu nos bra...
Jason nega com a cabeça e sussurra:
–Ela não precisa saber. Não agora.
–Caiu no chão! – Completou a morena encarando o garoto.
–Mas que aconteceu de estanho? – Pergunta Jennifer não contente com a resposta.
–Nada de mais – Fala Jason dando de ombros.
–Nada de mais? Nada de mais!? – Grita Sarah.
–Ela também não precisa saber disso – Cochicha o garoto.
–É, nada de mais, Jennifer — Afirma Sarah fazendo careta para Jason, que sussurra só para ela:
–Só por enquanto – e pensa alto – ela vai saber de um jeito ou de outro.
–O que? – Fala Sarah.
–Nada de mais.
E Sarah continua falando:
–O seu último “nada de mais” foi sobre a coisa mais estranha que já vi.
Jason encara as palavras de Sarah e se vira para Jennifer:
–Meninas, tenho que ir. –Falou ele e beijou a testa de Jennifer – Melhoras
Acena com a cabeça para Sarah e sai correndo.
–Ele está estranho, não?! – fala Sarah.
–Ele é estranho! – Corrige Jennifer
***
Jennifer foi liberada da enfermaria no final da última aula. Estava um pouco cansada, mas teria que aquentar, já que iria para casa a pé. Pensou que, quando fosse andar pelos corredores da escola todos olhariam para ela, já sabendo do que quer que tivesse acontecido com ela mais cedo, mesmo que nem ela havia descoberto direito. Não foi o que aconteceu, pelo contrario, foi como sempre, ignorada por todos, como se não existisse e ela ate ficou um pouco decepcionada, pois esperava descobrir o acontecido.
Depois de sair do estacionamento ela foi se dirigindo pela calçada para sua casa, que era bem longe. Mal tinha virado a esquina quando ouve uma buzina vinda de seu lado esquerdo. Assim que se virou para ver de onde tinha vindo, viu uma Mercedes Conversível preta acompanhando bem de vagar sua caminhada. No banco do motorista estava um loiro de jaqueta preta e óculos escuros, o que era estranho já que o sol estava coberto por nuvens. Ela parou de andar e o carro parou também, o motorista tirou os óculos olhando para ela revelando os olhos incrivelmente azuis, que Jennifer logo reconheceu como os de Jason.
–Então... — Ele começou virando o corpo para o lado para olhar melhor Jennifer — O que uma pobre garotinha indefesa está fazendo andando sozinha por aqui?
Ela fita o garoto e cruzando os braços fala:
–Estou indo para casa, senhor ricaço do carro de luxo.
Ele revira os olhos, sorrindo e diz:
–Quer carona?
–Não
–Jura?
–Eu. Não. Quero. Carona. — Ela diz pausadamente com um leve tom de irritação na voz
–Sei que quer... — Ele retruca com um olhar sedutor
–Jason!
–Ok... — Ele diz dando um sorriso malicioso — Parei, mas sério, entre, prometo não fazer nada que você não queira que eu faça
–Jason!
–Esta bem! — Ele levanta os braços em gesto de rendimento — Apenas venha.
Ela hesita, mas acaba abrindo a porta e entrando. O carro tinha cheiro de couro novo e o banco era muito confortável, ela botou o cinto e fechou os olhos relaxando.
"Por que ele me deu carona? Fui tão grossa com ele..." Ela pergunta para si mesma mentalmente.
Se sentido observada, abre os olhos e olha para Jason, que a fitava com um sorriso no canto da boca. Jeniffer sentiu seu rosto queimar, percebeu que estava corando e desviou o olhar.
O carro é ligado e pelo canto do olho Jennifer viu Jason ainda sorrindo, ela o ouve perguntar:
–Então... Onde você mora? — Ele pergunta ligando o rádio, que tocava Snap Out Of It — Artic Monkeys
–Vou te guiar... Vire à esquerda. — Ela responde — Gosta de Artic Monkeys?
–Sim e você?
–Também- Ela sorri, percebendo que tinham algo em comum.
–Onde está Sarah?
–O pai dela veio buscá-la. Ele não gosta muito de mim, por isso não me deu carona. Como sempre...
–Ah... Sabe Jennifer, acho seu nome muito grande... — Ele para no sinal vermelho — Posso te chamar de Jenn? — Ele olha para a garota sorrindo, ela fita os olhos azuis dele.
Pela primeira vez ela percebeu o quanto os olhos dele eram lindos, eram em um azul tão bonito e um pouco claro, simplesmente lindo, era um azul quase sem descrição. Ele sorriu um pouco mais percebendo que ela o fitava com um olhar perdido e ao mesmo tempo fascinado. Jennifer percebendo o que estava fazendo desvia o olhar e diz:
–Claro que pode me chamar de Jenn. -Ele desvia o olhar voltando-se para a estrada e percebe que o sinal tinha voltado ao verde – Então você, vire à direita, deve ser bem rico, não é? — Ela pergunta.
Ele fica em silêncio juntando as sobrancelhas, apenas olhando a estrada, Jennifer se arrepende da pergunta.
–Direita ou esquerda? — Ele pergunta seco
–Direita. — A ruiva responde um pouco decepcionada com sigo mesma, não sabia quase nada sobre ele e queria descobrir, mas começou da forma errada.
–Olha... — Ele diz a olhando pelo canto do olho. — Desculpe se pareci grosso, é que não gosto de falar sobre... — Hesita — Minha família
–Tudo bem — Ela sorri de forma amigável — Eu também não gosto de falar sobre minha família, pelo menos do que sei sobre o que sobrou dela... Ah! Esquece... -Ela faz uma careta com os olhos lacrimejando, Jason se vira e a olha preocupado. -Direita — Ela diz, ignorando o olhar do garoto.
Ela ficou olhando pela janela para a floresta, que, mesmo de dia estava escura e ela podia jurar ter visto algo se mexer entre as folhas densas, mas antes que pudesse ver o que era o carro já tinha passado. O silêncio permaneceu por um tempo, sendo quebrado apenas por Jennifer falando em que rua Jason deveria virar.
Mais uma curva e chagariam na casa de Jennifer, porém antes de chegar, Jason pisou bruscamente no freio e Jennifer foi lançada para frente, mas foi detida pelo cindo de segurança. O carro derrapou para o lado e quase foi parar na calçada, parou de uma vez quase capotando. Jason tinha os olhos arregalados, respirando desesperadamente e tremendo.
–J-Jason...? — Jennifer perguntou — Você... Está bem? O que aconteceu...?
–Saia do carro! — Ele grita, mas não parecia irritado e sim desesperado.
Jennifer fica surpresa, abre a porta e quando foi sair Jason falou:
– Desculpe, mas esqueci de que tinha um compromisso do outro lado da cidade, estou atrasado e é muito importante.
Jennifer sai sem dizer nada e quando fecha a porta, vê o carro saindo em disparada de onde veio.
Ela não acreditou nele.
***
Depois do estranho acontecimento, Jennifer andou mais um pouco e chegou a sua casa onde sua vó olhava abismada para a televisão.
–Oi vó... –A garota fez uma pausa. –O que é isso? –Questionou ela.
–Agora eu sei onde estão nossos vizinhos, -Nancy olha para a neta e entende a pergunta em seus olhos. – Eles estão desaparecidos, não sei onde estão mas sei o que aconteceu.
–Vó, mas... Se estamos tão perto dos desaparecidos... –Jennifer fala com um tom amedrontado em sua voz, mas antes que pudesse terminar a pergunta, sua avó lhe corta.
–Não, não, estamos seguras enquanto ele estiver aqui. –Caminha para a janela e olha para a floresta.
–Ele quem, vó? –Perguntou a garota.
–Ah, ninguém, ninguém minha querida... — Anda em direção a Jennifer, mas provavelmente gostaria de estar procurando algo na escuridão da floresta. – Agora, vamos preparar o jantar.
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