Darkness
12 Salvação?
Notas iniciais
Pessoal, eu fugi um pouco do assunto 'Vampiros, Lobisomens e Híbridos'. Dei uma incrementada na história toda, se ficar muito ruim, me avisem...
Acordo com um cobertor na minha cara. Um cobertor babado e cheirando a... Lua.
Tiro-o de minha cara, e percebo que ainda estou no terraço do prédio. Porém, Lua se mudou para lá também, junto com dois travesseiros e um cobertor. Ela me cobriu na madrugada, me apoiou em um dos travesseiros, e dormiu do meu lado. Cara, eu juro, que depois que tudo isso acabar, eu me tranco em um quarto com ela. Me levantei, meio sonolento, quando dois olhos caramelos e verdes tomaram minha visão. Uma sobrancelha se levantou enquanto seu lábio vinha de encontro a meu rosto. Meu cara estava formigando e queimando a cada centímetro que seus lábios chegavam de meu rosto, e recebo um beijo na bochecha. –Bom Dia. – Lua murmurou, enquanto deixava a cabeça cair em meu peito. – Bom Dia... Por certo tempo, ficamos nos encarando, até que ela teve a iniciativa e se levantou. – Bem. Vamos arrumar isso, porque se o pessoal nos visse assim, iriam pensar merda. – Ela se levantou e começou a dobrar o lençol. – Por que – Pergunto, enquanto me levanto. – ‘Por que’ o que? – Porque veio aqui, me cobriu e tudo mais? – Você estava com frio, eu vim aqui e te ajudei, me ame. Agora me ajude aqui. – Ajudei-a a dobrar o lençol e vou carregando tudo pra dentro do armazém. O armazém estava como sempre, fedido, cheio de mofo e pequeno. Não sei como cabíamos todos nós ali dentro, mas cabia. Colocamos as coisas em cima de uma estante que estava grudada na parede. Quando íamos sair do armazém, Lola entrou falando alto: – Vocês são demônios, todos demônios, querendo ou não! E logo atrás, veio Wren apressado, tentando acalmá-la. Saímos e fechamos o armazém, para terem privacidade. Bem, não tínhamos nada a fazer. O mundo destruído, todo mundo fraco, estamos sem alimentos e sem nenhum plano. Jace que costumava fazer isso, mas... Deixei esse pensamento de lado, afinal, é melhor fazer algo a respeito do que ficar se lamentando. Segui Lua até a extremidade do prédio, onde eu havia falado com ela pela primeira vez desde que acordara. Olhando o céu cinza, tomado por uma barreira de nuvens, como uma prisão sem escapatória, eu me peguei pensando em como esse mundo ficou pequeno. Tipo, antes, eu me sentia limitado a um lugarzinho só, agora, depois das mutações, eu me sinto mais livre, como se pudesse ir pra qualquer lugar. É um sentimento estranho, porém, uma das únicas coisas que eu sentia que eu tinha certeza do que era. Quando percebo, Lua esta encostada no meu ombro. – Lindo, não? – Ela pergunta, sem tirar os olhos no horizonte a frente. – O horizonte? Um pouco. – Respondo. Fez-se um silêncio por um tempo, onde só se ouvia grilos e o vento soprando relativamente forte a nossa volta. Por fim, Lua quebra o silêncio. – Dante...? – Oi? – Eu... Bem. É complicado. – O que é complicado? – Me viro, e percebo que ela faz o mesmo. Ficamos nos olhando, esperando a próxima palavra um do outro. – Eu não fui te cobrir Só porque senti pena... – Ela murmurou. – Então o que mais? – Por que eu te... – Nesse momento, ela foi interrompida, por mim. Eu a beijei. Eu sei que isso foi meio... Repentino, mas por incrível que pareça, ela retribuiu-o. Coloquei minha mão atrás de sua cabeça, e fiquei acariciando seus cabelos. Ela era, sem dúvida, a garota mais linda que eu já vi na vida. Acho que poderíamos ter ficado ali a tarde toda, se uma explosão não tivesse acontecido bem ao nosso lado. Lua, que recebeu mais o poder do impacto do que eu, quase despencou do prédio se eu não a tivesse segurado pelo braço e a puxado de volta com um dos meus braços, enquanto o outro estava com as garras fixas na parte plana do prédio. Quando voltamos para cima, uma espécie de névoa negra formava a nossa frente. Eu não me arriscaria ir pra frente, como também não arriscaria ficar parado. – Lua vá agora. – Murmurei alto o bastante pra ela ouvir. – Eu não vou te deixar aqui... – Se algo te acontecer, eu nunca me perdoaria. Dê a volta na névoa, eu sinto que ela não esta atrás de você, e sim de mim. – Amor... – Essa palavra me fez congelar. – Amor... – Dei um beijo nela. – Gostei... – Ela sorriu, mas eu não. – Vá, agora. – Okay... Eu te amo... – Eu também te amo... – E fui a última vez que eu a vi correndo. Como previsto, a névoa não diminuiu, nem aumentou. Lua passou como se fosse invisível. Logo, passos começar a ecoar sobre a névoa, e dois olhos totalmente vermelhos ficaram visíveis em meio aquela escuridão. – O filho de Nocturne... Que prazer vê-lo. – A voz ecoou por toda a área, trazendo consigo calafrios e arrepios. – Quem é você? – Pergunto. Por algum motivo, eu não fugi nem avancei. Só fiquei observando a névoa se decepando. – Isso não importa agora. O que importa – Pude ouvir o som de uma lâmina atingindo o chão. – é como você vai morrer, filho da noite. A névoa sumiu por completo, mostrando um homem com um belo bronzeado, musculoso e sarado, com uma calça preta e longa, e ele estava descalço. Mas não foi isso o que chamou minha atenção, e sim as asas estendidas atrás de suas costas. Um conjunto belíssimo de asas, abas eram negras, como trevas. Um anjo? Possivelmente, mas não existiam anjos, esse era o problema. A sua mão, uma espada de pelo menos 70 cm estava com a ponta em direção ao chão, enquanto o homem a segurava pelo cabo da bainha. Um sorriso se formou no seu rosto, como um predador pronto para atacar a presa. Seus cabelos estavam desarrumados e seus olhos vermelhos ardiam como fogo.
– Vou perguntar de novo. Qual o seu nome? – Lua jogou pra mim uma lâmina por cima do homem-anjo. Peguei-a no ar enquanto o homem me olhava com um belo sorriso no rosto. – Meu nome é Castian. – Um vento frio pairou a nossa volta. – Como sabem, anjos matam demônios. Vampiros, de certa forma, são demônios. Eu vim aqui exterminá-lo de vez. Olha o que fizeram a esta cidade, e ainda querem ser perdoados? Por Deus, eu vou destruir até o seu ultimo fio de cabelo. – Tente. – Foi a única coisa que disse. Um anjo vindo nos punir? Pelo amor. Ele avançou com uma velocidade impressionante, transferindo um golpe da minha espada, fazendo-a voar. Depois algo tocou meu ombro, eu me viro e ele enfia a lâmina em meu peito. Fico de joelhos enquanto ele tira a lâmina e abra suas belas asas negras na minha frente. Ele me segurou pela gola da camisa e me levou para cima, em questão de segundos. – Espere! Não faça nada! Por favor... – Pude ouvir Lua gritar e chorar lá embaixo. Por algum motivo, meus ferimentos não se curavam, e eu já ia perdendo a visão. Tudo pra mim era um borrão. Senti ele me levar cada vez, mas longe do prédio. – Filho da Noite, este é o seu fim. Castian me soltou. Fechando os olhos, caio para a escuridão abaixo de mim.
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