Darkness
18 Eu devo ir.
– O que me levaria a acreditar que o capeta está na minha frente? – Pergunto, alto o bastante para que as pessoas que estão passando pela frente do beco ouçam e virem a cara para mim, como se eu fosse um estranho.
– Eu poderia abrir um portal e liberar alguns demônios para te provar meu valor. Porém eu tenho pouco tempo. – Diz Lúcifer em um tom fraco e severo, como se estivesse zombando de mim ironicamente. – Então que merda você está fazendo aqui, oferecendo-me propostas? – Bem, digamos que eu precisei de muito trabalho para possuir esse corpo. Mas veja só, você já foi lobo, vampiro, Híbrido, agora é meio anjo e meio demônio, isso são bons motivos para eu te querer como minha casca. – Casca? – Pergunto assustado. Por mais que pareça simples, a palavra ‘casca’ me causa calafrios. – Sim, eu irei possuir seu corpo se disser sim a minha proposta. – O que você iria fazer no meu corpo? – Apenas causar uma guerra de volta aos céus, nada demais... Será que valia mesmo a pena arriscar tudo por um amigo? Ou eu era ingênuo demais para não ver isso. Ou ver e não querer. Olho em volta para as paredes rachadas e pichadas de spray vermelho a minha volta, esse lugar provavelmente é frequentado por drogados e vândalos. Reviro meus olhos para Lúcifer, que agora está se mexendo de pouco em pouco, e suspirando, como se estivesse segurando para não sair daquele corpo. Acho que nem Minha mãe, minha irmã e nem mesmo meu pai iriam ficar felizes pela decisão que eu irei tomar agora, mas eu não ligo. Tudo o que eu quero, é ajudar Eryck de alguma forma, independente de qual seja ela. Lúcifer se aproxima e estende sua mão, esperando pela minha resposta. – Então, como vai ser? Olho mais uma vez para as paredes, depois volto meus olhos para Lúcifer. Um plano se formava na minha mente. – Fechado. – Aperto sua mão, e logo minha visão embaça, deixando tudo como um borrão escuro, e sinto todo o meu corpo desabando. ... Acordo escorado em um pequeno pilar de mármore, e ele me é familiar. Levanto-me com dificuldades, ouvindo gritos e explosões atrás de mim, mas eu estou recuperando os sentidos ainda, então deixo o som de lado. Eu viro para o pilar de mármore e vejo que é idêntico ao que tem no monte dos anjos. Não, esse é o pilar do monte dos anjos. Em uma pequena fração de segundos, meus sentidos voltam e vejo que estou exatamente no meio do campo de batalha. De um lado, Urih e Jensen lutam com espadas de fumaças verdes, do outro lado, anjos com as asas cortadas em certos pontos ou manchadas de sangue lutam com espadas duplas e pequenas, e são extremamente habilidosos. Eu deles atinge o rosto de Jensen, fazendo-o cair de joelhos, depois cravam uma das lâmina de ponta dupla em sua testa. Outro se dirige a Urih em uma velocidade encantadora e o derruba, perfurando as lâminas no seu pescoço. Ver a cena de dois amigos meus no chão me irrita e eu parto para cima dos anjos rebeldes, que logo percebem minha presença e avançam também. Coloco a mão no manto. Não tenho nenhuma arma ou espada. O capeta é esperto. Pulo e abraço as asas, planando sobre os rebeldes e caindo ao lado de Jensen, pegando a espada de ponta dupla serafim que estava em sua cabeça e atingindo um dos rebeldes nas costas, cortando uma de suas asas ao meio. Ele estremece e caí de joelhos, e logo se deita na própria poça de sangue. O outro anjo que abriu as asas e está no ar, se vira para mim, com olhos extremamente frios e cheios de ódio. Ele avança e eu jogo minha espada, acertando sua costela, ele deixa a espada cair no chão, e quando suas asas falham, ele desaba na própria arma, que o mata. Com todo aquele sangue espalhado, eu me lembro da minha morte, de quando eu morri para salva-la...Salvar Lua. O seu cheiro doce e suave, seu ataque de fofura repentino, aqueles olhos... Não, não posso me distrair. Viro a cabeça para cima, olhando o sangue se espalhando pelo monte. Tudo está vermelho, ensopado de sangue, corpos, penas. Eu estremeço e caio de joelhos. Eu queria poder parar aquilo, parar a guerra, o ódio, as lâminas, Tudo. Fecho meus punhos no chão e os encaro. Será que não há nada que eu possa fazer? Logo, o monte começa a tremer, e faíscas brilham do chão. Uma parte do monte de racha, e dele, uma luz negra cobre tudo. Minha visão embaça e eu fecho os olhos, temendo abri-los de novos. Quando tomo coragem, os abro e tudo muda. Os anjos rebeldes estão caídos no chão, Castian e Joh estão com armas na mão e sangue jogado pelo corpo, olhando diretamente para mim, mas Por quê? Eu faço um gesto para que eles me sigam e vou até a borda do morro, olhando em volta, a procura de algum sinal obscuro, mas não vejo nada. Ouço barulho de penas balançando ao vento perto de mim e pulo, esperando que eles estendessem o recado. ... – Você tem noção do que fez?! – Grita Castian pra mim. – Sim, eu tenho. – Respondo, calmamente. – Ele vai trazer a destruição para todos. – Fala Joh, assustada.
– Só me matarem, simples. – Não vamos te matar, caramba. Quando ele vai vir? – Pergunta Castian, com raiva e ódio no olhar. – Não sei... Ele disse que apareceria. – Tomará que seja logo – Murmura Joh. Depois de segundos, uma brisa invade os campos do bosque, fazendo com que um mau-humor invada meu corpo, e eu murmuro, estressado. Logo, Eu sinto algo falhar, e eu caio. Uma névoa começa a me rodopiar e entra em uma mata, e logo saí um homem corpulento e extremamente novo, com uma idade de dezenove ou vinte anos. – Vamos logo com isso, esse corpo não vai aguentar mais que duas horas. – Diz o homem e eu logo reconheço a voz. Lúcifer. – Espere. Temos que conversar. – Castian diz para Lúcifer, que o ignora e vai até o cemitério sem dizer uma palavra. Chegando à porta, ele apenas passa a mão, como um vulto sobre as laterais da porta e se afasta. Seu rosto continua o mesmo; Sem expressão e sombrio. A porta range aos seus pés e caí, mostrando símbolos desenhados na parte de dentro. A frente dela, o portão queimava em chamas vermelhas, e algumas sombras surgiam delas, depois desapareciam. Lúcifer faz gestos com as mãos no ar e logo as chamas ficaram amarelas, e Castian suspira. – Isso impede que demônios saiam enquanto estivermos lá dentro. – Explica Lúcifer enquanto passa pelas chamas. – Tomem cuidado. – Alerta Castian. E eu o sigo pelas chamas, que dessa vez, provoca arranhões na minha pele. Depois das chamas, tudo era como antes. As paredes sombrias, o piso ensanguentado, os buracos na parede, porém tinha algo de novo. O corpo de meu pai sumiu. Um aperto se expande no meio peito mas eu sigo reto, atrás de Castian e Lúcifer. Castian suava, e mantinha a respiração tensa; estava nervoso. Lúcifer agia normalmente, como se aquilo fosse como um passeio no parque... Se bem que para ele, deveria ser. Ele começa a andar um pouco mais rápido, e por corredores que eu não vi da primeira vez que estive aqui. Ele para de frente a uma parede cinza com escrituras feitas em sangue, deixando seu olhar percorrer toda a parede, como se estivesse procurando alguma falha. No fim, ele apenas chuta a parede, fazendo-a se despedaçar e segue reto pela escuridão, corro um pouco para poder acompanhar seus passos. Mesmo no escuro, vejo que seu rosto começou a se despedaçar, deixando cortes e marcas de queimaduras no queixo e nas bochechas. O corpo não iria aguentar muito tempo. A nossa frente, uma luz avermelhada começa a brilhar com mais força a cada passo que damos, até que finalmente saímos da escuridão e damos de cara com um penhasco. Corpos cercavam minha esquerda, corpos de humanos, todos desidratados e queimados. Lá em baixo, gritos e sons emergiam da escuridão, deixando-me ansioso. – E então? – Pergunto diretamente a Lúcifer. – O que faremos a seguir? – Pulem. O amigo de vocês está lá em baixo. – Responde, calmamente. – E você? – Castian pergunta. – Eu vou atrás de um corpo mais resistente. Eu vou voltar quando conseguir um. – O que nos faz acreditar em você? – Joh pergunta, suspirando. – Vocês acham que eu deixaria minha casca morrer? Não. Eu vou voltar e tirar vocês daqui, depois pegarei meu premio, agora Pulem! Eu me aproximei da borda do penhasco, deixando meus olhos fixos na escuridão lá embaixo. Eryck estaria ali? Ou já estaria morto, e Lúcifer está nos usando? Bem, essa é o único meio que eu tenho de saber. Viro-me para trás. Castian me olhava, como se estivesse suplicando para que eu não fizesse isso, mas não tinha outra escolha. Joh suspirava e suava. Provavelmente a presença de Lúcifer era mais forte do que eu pensei. E Lúcifer por sua vez, apenas me olhava com um belo sorriso no rosto, deixando a pele de seu rosto cair, deixando a mostra veias e sangue. Ele me salvaria, porque precisava de mim. Ele não me deixaria morrer, certo? Apego-me a esse pensamento e pulo, brandindo minhas asas na escuridão que se forma há minha volta.
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