Dark World
5 5. Como transformar pesadelos em bons sonhos
— Sim querida, aguente firme. Está quase!
— Isso. Você é a mulher mais forte do mundo, continue.
— Amor! Conseguiu!
— Meus parabéns Senhor e Senhora. Deu tudo certo.
— Amor, não é lindo? Tem seus olhos.
— Como é um garoto, dê o nome.
— Sim, se chamará Guilherme.
— Mas querido, achei que seria Robert, como você havia falado.
— Por que Guilherme, amor, é um nome especial, sinto que ele fará coisas extraordinárias. E é legal também o nome.
- 2 anos depois –
— Vamos Guilherme, diga papai. Pa-pai. Vamos seu garotão mimado.
— La-la. Pa-la-ne-lo.
— Papai! Guilherme. Olha o papai.
*risos*
— Diga mamãe Guilherme. Falou Niki.
— Pa-ma-ma.
— ma-ma...
— É, eu não levo jeito pra isso. Disse Cheow.
— Arg. Olha só a bagunça que ele fez.
— Segura um minutinho ele aqui amor, vou limpar essa sujeira.
- Três anos depois –
— Pai, por favor. Já sou grande o suficiente para andar sem essas rodinhas.
— Acho que ainda não está na hora em filhão.
— Mãe, fala pro meu pai.
— Tudo bem, vamos tentar então. Desce ai Guii.
— Pronto. Vamos com cuidado.
Cheow guia devagar a bicicleta de Guilherme, ajudando-o a ir adiante. Aos poucos e com instruções de Cheow. Solta a bicicleta ao longo do percurso e Guilherme continua a pedalar.
— Pai, veja! Estou conseguindo.
— Estou vendo! Continue, mas com cuidado. Preste atenção na frente.
— Sim, sim.
Guilherme continua guiando, bamboleando, mas sem problemas. Logo domina a bicicleta com algumas quedas. Diverte-se no parque. O parque está cheio de alegria, crianças em todos os lados brincando, fazendo molecagem e os adultos sentados nos vários bancos espalhados pelo parque, conversando uns com os outros. Quando a infância é boa e calorosa, nunca esquecemos.
Aos 12 anos, Guilherme já ouvia bandas como Iron Maiden e System of a Down. Gostava de desenhar apesar de não ser bom nisso. Adorava ler livros de histórias fantásticas, suspense e investigação, principalmente quando envolvia mitologia grega, egípcia. Já fazia coisas “inexplicáveis” acontecerem, como certa vez na escola ele desejava muito tirar nota alta em um teste no colégio e nesse teste, ele estava marcando as questões certas, respondendo todas corretamente sem perceber. Na hora da entrega, a professora falou que há anos ninguém tirava a nota máxima em um teste dela. No colégio ele era meio solitário apesar de ter amigos ao seu redor. Ele sentia falta de algo, mas não compreendia o que era.
Quando completou 14 anos, tudo começou a ficar mais estranho. A frequência que os desejos se realizavam era maior, mas vários deles não aconteciam, por que seus sentimentos não eram fortes o suficiente ainda. Dois meses após seu aniversário começaram os primeiros atos de Guerra no mundo, justo aquela época que ele julgava a melhor de sua vida.
Ele sempre fora contra padrões impostos pela sociedade para “igualar” as pessoas. Ele acredita que se todas as pessoas estivessem sincronizadas, nada daquilo seria preciso. Seria um mundo bem melhor e perfeito. Um eterno sonhador ele é. As melhores pessoas são as sonhadoras, as que querem mudar o mundo, não importando com as consequências negativas que surgirão a eles.
Sua alegria estava perto do fim, a guerra acabaria com ela facilmente. Ele não sabia o que era realmente o vazio até aquele dia chegar.
*click*
— [O Brasil está um caos, nós logo não poderemos mais transmitir Senhores telespectadores. As tropas militares querem assumir o comando, mas o Estado não cai e logo tropas estarão ocupando e destruindo, sim! Destruir e acabar com nossas vidas, vidas inocentes. Ninguém sabe ainda quem é o comandante desse massacre. Ninguém mais está a salvo.].
— [Ei, o que é isso? O que. Pare!]. Acaba a transmissão da TV.
Cheow fica boquiaberto diante da TV.
— Niki! Grita ele. – Infelizmente a hora chegou. Fala pra si mesmo.
— Niki corre para a sala e pergunta o que houve. Chow pede para que Niki pegasse Guilherme e o colocasse em segurança enquanto trancava a casa. Niki sobe rapidamente ao quarto de Guilherme e o chama.
— Venha rápido filho, temos que te esconder, a hora chegou.
Os dois vão até a sala puxam o livro correto em uma das estantes e a estante vira de lado. A porta secreta aparece. Niki aproxima seu olho, digita uma senha impossível e fala umas coisas em um idioma o que leva Guilherme pensar que é Alemão. A porta se abre. É visto a escada e outro alçapão acima. Niki entrega a chave para Guilherme e pede para ele esperar lá dentro.
— Calma meu anjo, tudo ficará bem.
— E vocês mãe? Tem que vir também.
Niki da um abraço apertado nele e o beija. Iremos sim, fique e se acalme. Tudo ficará bem.
— Espero que venha mãe.
Niki volta, tranca a porta e repõem o livro no lugar.
— Pronto. Diz ela a Cheow. — Vou me preparar.
*sons de explosão* Várias acontecem.
Guilherme fica atento às imagens da câmera naquele ambiente e então acontece.
Guilherme acorda soando no meio da madrugada. Os pesadelos o incomodam com mais frequência. As imagens voltam quando ele mais quer esquecê-las. Ele vai até a pia lavar o rosto e se olha no espelho devaneando. Pensa em seus pais, mas logo o pensamento desaparece. Ele diz a si mesmo que irá fazer seu futuro não ser como foi seu recente passado. Como ele não consegue dormir, ele se veste e sai de seu quarto em silencio para dar uma volta. Ele vai ao jardim nos fundos e fica próximo ao chafariz observando as estrelas.
— Noite linda, não? Cumprimenta o Mestre.
— Mestre, não consigo dormir. Continuo tendo aqueles pesadelos.
— Você é forte. Deve se concentrar. Seu pesadelo é você apenas que o controla. Por mais difícil que seja, você deve controlá-lo e transformá-lo em um sonho de forma sabia.
Guilherme volta a olhar para as estrelas e continua:
— Eu não sei se devo. Por que logo eu? Estou confuso.
— É por isso que o destino o trouxe aqui. Você entenderá com o tempo. Você não é o único, está tudo bem.
Guilherme estava prestes a continuar a conversa quando percebe que o Mestre não estava mais la e da um suspiro.
— Espero realmente saber o que quero a tempo. Pensa ele enquanto volta ao quarto e adormece.
- Duas longas horas após o nascer do sol –
Guilherme está pronto para o dia. Caminha até o campo de treinamento carregando sua espada e vê que Erick e o Mestre K estão treinando. Então ele observa.
— Cuidado com sua esquerda. Não desvie o olhar de seu inimigo, ele irá aproveitar todas as suas falhas (...) reclamava o Mestre.
Os dois estavam em um ótimo e equilibrado combate.
— Atento ao jogo de passos Erick!
O Mestre bloqueia um ataque de cima dado por Erick, empurra a espada dele para o lado e retorna, atacando Erick. Erick recua rápido para o lado que sua espada foi e esquiva a tempo. O Mestre volta rápido para um novo ataque, mas Erick contorna o Mestre a avança a espada até o pescoço de seu Mestre, não rápido o suficiente, pois o mestre defende de forma que a espada de Erick sai de sua mão mesmo com o guarda-mão rígido e cai no chão. O Mestre investe contra Erick e param por ali com sua espada apontada para Erick.
— Excelente duelo, diz Guilherme espantado.
— Nunca é bom ter uma arma apontada para si Guilherme, retruca Erick.
O Mestre se retira, pedindo que os dois treinem. Erick fala sobre espadas e o modo de lutar. Teorias por hora.
Minutos depois, eles começam um duelo. O ritmo era lento para que Guilherme tentasse acompanhar Erick e ao mesmo tempo falando instruções. Durante horas a fio eles duelavam como treinamento com pequenas pausas para descansar.
Em quanto isso no mundo político, O Sr. Presidente Peter Khaman tentava solucionar os problemas, mas em vão. Peter foi forçado a seguir Arthur, preferiu isso que a morte. Aos poucos, os países estavam sendo tomados por esse grande vilão e logo se tornaria o Senhor autoritário do mundo. Arthur foi um dos discípulos do Mestre K. Ele era seu melhor aprendiz, mas não conseguia entender o bem quando se tinha todas aquelas habilidades e poderes. Ele logo se tornou ganancioso e perverso, lutou contra o Mestre para começar com o controle do templo, mas falhou miseravelmente, deixando uma marca única no Mestre. O único que consegui tal feito.
Arthur já controlava grande parte do mundo: Américas, Europa, África, Ásia, Oceania. Poucos eram os países que resistiam a sua força. Seus seguidores maléficos obedeciam fielmente às ordens de Arthur. O mundo estava perto de um novo começo e Arthur queria dar um fim no Mestre logo. Acreditava que com todo aquele poder não seria difícil.
Arthur estava na Itália comemorando sua recente vitoria e quando o mundo estivesse aos seus pés, nada mais poderia desafiá-lo. Seus poderes eram perfeitos para isso e tudo seguia perfeitamente bem para ele.
Dias se passaram e o Mestre estava treinando Guilherme. “A magia da magia”. Guilherme está melhorando cada vez mais suas habilidades mágicas e de luta com espada. Ele já conseguia conjurar objetos mais pesados (não muito pesado), só não sabia que isso era só uma parcela de seu poder.
— Guilherme, tente manipular a energia pensando em algo forte do passado, uma lembrança inesquecível. Disse o Mestre.
Ao tentar, ele fez uma esfera parcial de energia branca opaca, sem brilho que logo desaparece.
— Não consigo Mestre.
— A força do seu amor é a forma dessa energia. Pense em algo forte mesmo, insuperável.
Guilherme fecha os olhos para se concentrar. Aos poucos aparece a esfera de energia, agora azul. O brilho vai se formando e o tamanho da esfera aumentando, quando começa a mudar a cor. O Mestre observa atento a cor negra sobressaindo sobre o azul. Ela fica enorme, o Mestre se afasta da esfera e tira Guilherme do transe que estava. Tudo volta ao normal.
— Diga-me o que pensou. Exigiu o Mestre.
— Eu... Guilherme hesita.
— Eu pensei no momento em que meus pais (...).
— Sim. É uma lembrança forte. Mas o sentimento era maligno. O ódio é um sentimento difícil de controlar e pode acabar com a pessoa. Você deve buscar sempre os bons. O melhor deles é o amor. Se você sentir o amor, irá controlar o ódio.
Guilherme fecha novamente os olhos e ergue suas mãos para frente. A energia começou a se formar negra. O Mestre já estava preparado quando ela simplesmente “rachou” e se tornou branca. Era uma luz muito forte que vinha da esfera de energia. Ele abriu os olhos e a esfera começou a mudar ganhando forma. Ela ficou em forma de raposa e depois não pareceu mais ser energia e sim uma raposa de ar. A raposa os olhou e voou ao céu, onde provavelmente nunca saberão seu destino.
— Mestre!
— Fantástico! Não me fale o que você pensou. Lembre-se: As boas lembranças e os bons sentimentos nunca serão derrotados pelos maus, mesmo que não aparente.
E assim continuaram o treinamento até o anoitecer. Já eram duas horas da madrugada quando o alarme soou. Erick e Guilherme acordaram e se arrumaram assim como todos os outros que estavam dormindo em seus respectivos quartos. Foram ao jardim da frente e lá avistaram o Mestre K indo em direção a um holograma de um homem com vestes parecidas com a do Mestre. Todos ficaram ao redor pouco afastados para ouvir a possível conversa.
— Nenhuma forma sua é bem vinda aqui Arthur. Disse o Mestre
— Kami. É sua ultima chance de rendição ao meu novo império. Todos vocês. Falou Arthur.
— Enquanto estivermos aqui juntos você nada poderá fazer.
— Velho tolo. O mundo já caiu aos meus pés. Tenho servos em todas as partes do mundo. Em breve estarei concluindo meu objetivo e ninguém, nem mesmo você impedirá.
— Você não esta falando daquilo? Está?
— Sempre foi aquilo. Quero criar o mundo perfeito e você sabe que eu posso e que é preciso. O mundo está praticamente destruído por esses humanos podres. Junte se a mim Mestre.
— Nós o impediremos. Você não fará isso, você não pode.
— Posso e já comecei. Você não pode impedir, pois não há tempo suficiente. É impossível parar.
— Vá embora. Nós o encontraremos e acabaremos com sua vilania.
— Desperdiçando sua ultima chance. É o que veremos.
Assim o holograma some, desaparece com o vento da madrugada.
— Todos ouviram! A partir de agora estarei selecionando e organizando forças. Quero relatórios atualizados de todos que estão no templo. Quero a inteligência os organizando e me entregando para mim o mais rápido possível. Quero os novatos e experientes prontos em três horas. Vão! Exigiu com firmeza o Mestre Kami.
Em duas horas todos já estavam separados. Havia grupos de magos, espadachins, cavaleiros, brutos, alquimistas e outros. Separados em subgrupos de novatos e experientes. Com melhor vocação para cada elemento, velocidade, agilidade assim como tipo de luta e duelo. Todos estavam organizados no jardim dos fundos do templo. E já nessa parte, eram montados grupos novos, específicos. Com mágicos e espadachins juntos, experientes e novatos com cada habilidade diferente ou igual para melhor apoio. Erick e Guilherme ficaram juntos no mesmo grupo com uma maga e outro espadachim.
Após a reunião do Mestre com a inteligência, foram decididos os lugares que cada grupo iria. São vários países e cidades para pouco tempo, que eles não sabiam ao certo quanto. Vários grupos já estavam partindo. Alguns tinham teletransporte para facilitar a ida enquanto ninjas viajavam pelo chão e os que tinham habilidade de voar com suas vassouras, tapetes ou simplesmente flutuar.
Guilherme, Erick, Bastet e Joe foram designados a irem para a França. É um longo caminho a percorrer em pouco tempo. Todos estavam ansiosos para chegar aos destinos e fazer o que deve ser feito.
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