Dark Wood Circus
4 4 - Blue Ice Castle
Notas iniciais
"Vá em frente e olhe para o céu, ele já esta frio como gelo branco"
Voltamos para história de Hatsune Miku. E as coisas realmente não se acertaram para ela. Por um momento se viu livre, mas foi obrigada a voltar para seu reino. Esperava não encontrar Meiko, mas o encontro parecia inevitável.
– Olá, Miku – sorriu de forma diabólica.
Miku tremia e tentava não olhar para os olhos de Meiko. Aqueles olhos da cor do sangue. E ela era apenas a princesa de olhos da cor do mar.
O castelo parecia mais frio, talvez não fosse apenas impressão. Mas, naquele castelo de gelo, Miku foi presa.
Apenas temos notícias de Hatsune Miku após passados dois meses presa no castelo. Foi anunciado seu casamento com um jovem garoto de cabelos azuis. Meiko o programara, mas nem mesmo anunciara Miku de sua decisão.
O noivo foi chamado e encontrou-se com a garota de cabelos azuis. Não era esperado, mas aconteceu. Ambos se posicionaram próximos à escada e se dirigiram os olhares. Miku assustou-se ao perceber que conhecia o rapaz de algum lugar.
– Você poderia me dizer seu nome? – pediu.
– Shion Kaito – respondeu ele, tomando a mão da garota e levando aos lábios.
O circo dos bosques escuros. Ela se lembrou. Retirou a mão com rapidez, como se o toque de Kaito tivesse lhe dado um choque.
– Algum problema? – perguntou ele, estranhando a reação.
– Você não se lembra mesmo? Do circo dos bosques escuros?
– Querida Miku, aquilo foi apenas um sonho ruim!
– Se foi apenas um sonho ruim, por que eu e você sabemos dele? – berrou Miku.
Kaito pareceu não achar explicações para aquilo.
– Eu não quero me lembrar de nada relacionado à aquilo... Nada...
Antes que Kaito pudesse dizer alguma coisa, Miku chocou seu corpo contra o do outro, empurrando-o na escada. E o garoto de cabelos azuis caiu ao longo dos degraus. Quando finalmente chegou ao último, seu corpo atingindo o chão soou como vidro sendo quebrado.
Kaito estava morto. Miku retirou a aliança de seu dedo e atirou-a ao lado do corpo do cadáver.
Mas não era o suficiente ter matado apenas ele, era preciso dar o mesmo fim trágico aos outros
Uma noite. Hatsune Miku em seu quarto. Rin e Len foram chamados. Rin avistou a garota primeiro e automaticamente lançou-se sobre ela.
– Miku, quanto tempo! – gritou animadamente. – Você está ótima!
Miku nada respondeu, apenas fitou a baixinha que apertava sua cintura.
– Realmente um bom tempo, Miku – disse Len, aproximando-se. – Como vai sua nova vida?
– Não muito bem, as lembranças do circo ainda me assombram.
– Isso é horrível.
– E é por isso que quero apagar todas as lembranças...
Rin soltou-a de imediato.
– Miku, você poderia ensinar para mim e para o Len como fazer isso – pediu ela inocentemente.
– Rin, a maneira que encontrei... – Miku arrancou uma estaca de gelo que se encontrava na parede e a escondeu atrás das costas enquanto caminhava na direção da loira. – É matar você e seu irmão.
De forma rápida, Hatsune Miku tirou a estaca de trás de suas costas e adiantou-a na direção de Rin. Porém, com um movimento mais rápido ainda, algo abraçou a pequena. Len. A estaca perfurou as costas do garoto, mas era grande demais para parar por ali, portanto também perfurou o peito de Rin.
Len olhou para trás. A última coisa que viu foi o rosto assombrado de Miku.
Era doloroso matar aqueles que amava, mas era preciso.
Uma semana depois Meiko se dirigiu ao quarto de Hatsune Miku.
– O que está planejando? – perguntou assim que abriu a porta.
– Eu não quero me lembrar de nada.
– As lembranças nunca vão te abandonar completamente.
Miku deu de ombros.
– Ouvi falar que também matou Neru e Haku. Agora todos estão mortos, não é verdade?
– Sim.
Com um aceno de cabeça, Meiko deixou o quarto de Miku. Fazendo-a ficar sozinha com seus pensamentos.
Aquilo era difícil. Talvez Meiko estivesse certa. Talvez não adiantasse tentar apagar as pessoas, as memórias estavam em sua mente. As malditas memórias que a atormentavam. Qual seria o modo de perder isso? Talvez o único fosse...
Morrer.
Hatsune Miku olhou ao redor. O Gelo tomava parte da parede cada vez mais. Poderia ser um bom fim. Encostou as costas naquela parede e estendeu os braços, de modo que pudesse tocar o gelo. Frio. Essa foi a sensação que teve em seus dedos. Frio. Assim ela agira com relação aos seus amigos.
O único modo de acabar com toda a dor seria morrer.
Os dias passaram, o gelo começou a tomar conta do corpo da garota. Pouco a pouco. Começou a sentir uma dor aguda em seus membros, sabia que a hora estava próxima.
Por fim, deu um sorriso quebrado. E seu coração se congelou.
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