Dark Side Of The Moon

1 Alice no país do nada


Notas iniciais
O que ela me disse: "Alice_ odeio o meu nome. Parece que eu sou aquele tipo de menina feliz, que tem uma família feliz, e faz coisas felizes. Ser feliz é estúpido."

—A tempestade de ontem arrancou o telhado da minha vizinha. Bem feito._

Ela é loira oxigenada e gorda, usa roupinhas de criança e tem um sério problema em fechar a boca.

Agora começou a ventar e o tempo está preto. Estou rezando para que tenha outra tempestade, pra ela morrer, também.

Eu gosto que vente. O vento é o meu namorado.

No outro dia, eu pedi para que ele bagunçar o cabelo do Júlio, só pra ele arrumar de novo. Ele é bonito, alto, popular, mulherengo. Eu o observo todos os dias na escola. Ele nem repara em mim. Idiota. Mas lindo.

Hoje eu quero que o vento vente uma tempestade. Amo tempestades, me sinto parte dela, enquanto todas as outras pessoas tiram a roupa do varal, ou começam a reclamar porque vai chover, eu estou aqui, sentada na janela. Vendo a tempestade.

Parece que o tempo feio, o barulho dos trovões, a ventania, os raios; refletem o meu interior. Tá sempre bagunçado, sempre barulhento, não há paz. O raio é o clarão que invade, entra e sai, tão radical e rapidamente, que dá tempo apenas de me apegar e conquistar a minha confiança, para que tudo se torne escuridão novamente.

Imagine só se eu pudesse ter o Júlio num dia de tempestade. Seria maravilhoso.

—Um incrível medo toma conta de mim. O medo da morte._

As coisas podem me atingir, mas por eu não ter medo, parece que quem tem medo sãos elas. Por exemplo, as pessoas têm medo de cobra. Eu já tive três. Venenosas. Deve ser proibido vender cobras venenosas, mas o meu tio lida com isso, ele as me deu. Ele fez Medicina Veterinária e se especializou em Clínica de Animais Selvagens, então quando ele tratava delas, ele me dava para criar. Elas nunca me morderam.

Mas eu tenho medo da morte.

Parece que a morte me persegue, desde quando eu parei para pensar nela. A morte deve ser lésbica, porque ela me ama.

Soube o que é morte de verdade quando o meu namorado morreu. Eu tinha doze anos, ele tinha vinte. Era drogado. Morreu porque não pagou as drogas que usava. O grupo que matou ele mudou de cidade, mas ainda está bem perto de mim.

Eu fiquei trancada no meu quarto durante uma semana. Encolhida no chão, dia e noite, com a minha mãe gritando do lado de fora, com fome, com sede, sem luz, com poeira do chão, sem o meu namorado.

Sai apenas porque tinha medo da morte. Dela vir e me levar junto com ela. Eu não gosto de mulher.

Eu quero ficar com o meu namorado morto, mas não quero passar pela morte pra isso. Eu queria que ele estivesse vivo, comigo, mas ele me traiu com a morte.

A segunda mensagem de amor que a morte me mandou foi a ida da minha mãe. Ela era boa, mas era lerda. Ela arrumou um namorado novo, eles foram passear. Eles beberam. Eles pegaram o carro pra voltar pra casa. Mas não voltaram.

Eu tive que reconhecer o corpo da minha mãe e do sujeitinho. Morreu bonita.

—Eu sei de uma coisa. Eu vou pro céu._

Eu vou pro céu porque tudo o que eu fiz aqui, vou pagar aqui. Não fiz muitas coisas, sou uma boa garota, nunca matei ninguém. Mas já matei o gato da minha amiga. Gato, gato mesmo, bicho. Ela me deixou com ele para viajar, e eu o matei, lentamente, com o facão da cozinha. Jorrou uma tonelada de sangue, na minha roupa, na faca, e o bicho gemia alto.

Eu não gosto de gato.

Não me odeie, eu já paguei por isso. A mesma morte que adotou o gato, roubou o meu namorado de mim. Mas ela não queria ele; ela me queria. E eu não vou deixa-la me pegar.

Que Deus perdoe a minha humilde e pobre opinião sobre os Seus planos. Mas eu acho que quem pouco fez, pouco paga, e quem muito fez, muito paga. É como se Ele zerasse as nossas vidas, para que todos tenham motivos o suficiente para ir pro céu.

Mas tem gente tão idiota e ignorante, que não quer ver as coisas, que parece que estão pedindo pra ir pro inferno.

Um exemplo? A pessoa que esquartejou a filha, recém-nascida. Não se sabe quem é, mas o bebê foi encontrado perto de um colégio. Algumas pessoas dizem que o bebê não estava esquartejado, estava quebrado, mas é a mesma coisa.

Uma pessoa que faz isso, deve ir pro inferno. Ou então, vai pagar muito, mas muito caro.

Uma nota sábia: O inferno são os outros.

Notas finais
Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.