Dark Side

13 Dreaming about the future


Notas iniciais
BUM! CAPITULO BONUS PRA TIRAR A LEITURA DA MISÉRIA! ♥ Espero que gostem e aproveitem! Provavelmente será menor do que o anterior (ou não, nunca se sabe -q), mas o que vale é o carinho (e a continuação da história, obvio) ♥ PS: Esse capitulo vai ser dividido em duas visões para ficar mais longo e gostosin de ler, irei separar as visões com o famigerado "~".

A noite de todos foi arruinada com aquela invasão. A maioria dos guardas vasculhavam os arredores enquanto outros calculavam o prejuízo da vez. Nessa noite o Cristal estava intacto, mas não podíamos dizer o mesmo da despensa e da loja de mascotes.

Karuto praguejava alto a cada item que ele dava falta, não haviam roubado uma grande quantidade, mas o que levaram faria falta. Ao analisar as cordas cortadas da rede que usamos como armadilha concluí tristemente o que suspeitava, na qual não havia dito uma sílaba sequer desde o ocorrido.

Fui desperto dos meus pensamentos ao sentir Ewelein colocar uma bolsa com água gelada sobre o inchado no meu rosto, resultado do forte soco que havia levado minutos atrás. A chegada de Miiko e dos outros não permitiu com que eu voltasse aos meus devaneios sobre o roubo.

—Poderia dizer de novo como conseguiu esse machucado? -Ewelein insistiu pela quinta vez, e sobre os olhares de todos ali, me sentia obrigado a falar.

—Levei um soco de um dos invasores, simples.

—Então você conseguiu chegar perto de um? Por que não foi atrás para captura-lo? -Valkyon questionou.

Naquele momento me recordei de ter corrido atrás de quem havia me golpeado, havia dado vantagem de alguns metros para ela enquanto me recuperava do choque daquele impacto. Segui o mais rápido que pude a moça de cabelos loiros e a vi desaparecendo numa nuvem de fumaça na entrada da floresta junto com o mascarado que sempre aparecia para nos vigiar. Não havia nenhum vestígio deles no local do desaparecimento quando fui checar.

Infelizmente não restava dúvidas para mim. Aquela moça, os cabelos loiros, os olhos dela quando me encararam com surpresa após me golpear, o cheiro. Era Lorelay.

—NEVRA! -Ykhar estalava os dedos freneticamente na frente dos meus olhos, me assustando levemente e me fazendo voltar para a realidade.

—Oi? Que foi?

—Você está muito pensativo depois de tudo o que aconteceu. -Ewelein afastou a bolsa do meu rosto. -Está escondendo algo?

—O que ele poderia estar escondendo? -Ezarel a encarou. -Ele só não quer admitir que deixou um ladrão escapar.

—Era a Lorelay. -Acabei dizendo por fim.

Todos ficaram em silêncio e me encararam, como eu havia previsto. Logo começariam as perguntas ou as suposições indesejadas que eu gostaria de evitar.

—Você... Tem certeza que era ela? -Kero questionou cautelosamente, preocupado.

—Sim, eu reconheceria o cheiro dela em qualquer lugar... E aqueles cabelos loiros também... -Encarei a rede cortada no chão da despensa. -Ela que entrou aqui e cortou a rede para salvar quem estava aqui...

—Então é isso? Ela traiu a gente? -Ezarel cruzou os braços, com cara de desgosto.

—Não, ela não faria tal coisa! -Dessa vez foi Kero que começou a defende-la. -Ela não tem jeito de quem... De quem faria algo ruim!

—Está achando que ela estava sendo forçada a roubar? -Questionou Ezarel.

—Provavelmente! -Kero estava nervoso com a conversa.

—Se ela estivesse sendo forçada, ela teria pedido ajuda na primeira oportunidade... Ao inves de fugir do Nevra, poderia pedir ajuda. -Alajéa comentou. -Você sequer conhece ela direito, Kero...

—Deve ter uma explicação para isso. -Foi a única coisa que comentei antes de me levantar. -Não podemos ficar tirando conclusões precipitadas assim... Já falhamos com ela uma vez, não queremos correr o risco de falharmos de novo... Ou ao menos EU não quero.

Retirei-me da despensa antes que pudessem responder ao que eu disse, ainda estava absorvendo ao soco que ela havia me dado. Também não poderia censura-la, afinal ela estava escondida, pode ter sido um reflexo causado com o susto da minha aproximação.

—Nevra?

Virei-me e vi Miiko se aproximar sozinha, o que me fez suspirar profundamente, já me preparando para as possiveis acusações.

—Sim?

—Acredita mesmo que ela não é alguém ruim? -Miiko questionou calmamente.

—Eu acredito que sim... Mas por que está me perguntando isso agora?

—Porque se ela veio hoje roubar suprimentos com aqueles caras... Ela vai voltar. E eu gostaria que você tentasse falar com ela... Talvez ela confie em você para deixa-lo se aproximar.

—Quer que eu a engane para saber o esconderijo daqueles caras?

—Quero que você apenas converse com ela, Nevra. Eu também não quero falhar de novo com ela.

~~~~

Estava tudo claro.

Eu me encontrava num campo aberto, cheio de flores e com uma brisa confortante soprando, o céu azul com poucas nuvens brancas salpicadas naquela imensidão trazia mais paz para o lugar. Sentia a grama bem aparada e fresca nos meus pés descalços, meu corpo trajava um leve e simples vestido branco com as nuvens, meus cabelos estavam trançados de forma leve e relaxada.

Caminhei por aquele campo sem saber ao certo onde eu estava, foi só após alguns segundos de caminhada que avistei a silhueta de alguém no horizonte, ela também vinha ao meu encontro. Quando sua forma finalmente se tornou clara para mim vi sua face.

Minha bisavó Dione, vestida com um belo, porém leve e simples vestido azul escuro com uma estampa florida e colorida, seus cabelos loiros como os meus estavam soltos e em sua cabeça repousava a mesma coroa que eu vi na foto no livro. Sua aparência estava bem mais jovial do que me lembrava, parecia que tínhamos a mesma idade agora.

—Bisa! -Não consegui me controlar e corri até ela, a abraçando com força e sendo acolhida por seus braços leves e quentes. -Bisa, é tão bom revê-la! Eu... Eu tenho tantas perguntas!

—Eu imagino, querida... -Ela sussurrou enquanto sorria. -É por isso que vim visita-la.

Dione sentou-se no gramado e me juntei a ela, meu coração batia forte com aquele encontro. Todos os questionamentos que estavam na minha cabeça se misturavam e eu já não conseguia saber por onde começar.

—Deve estar sendo difícil se adaptar nesse novo mundo, não é? -Ela começou de modo simples, para descontrair a conversa.

—Sim... Em um dia eu estava enfrentando problemas do cotidiano de um humano normal... E no outro estou cercada de magia e de coisas que pensava que não existiam... E no outro descubro que sou a princesa deles!

Minha bisavó riu gentilmente com o que eu disse.

—Sinto muito por ter jogado sem querer todo esse peso nas suas costas...

—Tudo bem, eu sei que não foi sua culpa, bisa... Só preciso de... Orientações...

—Com a cabeça cheias de dúvidas, suponho?

—Bastante...

—Já digo que não poderei responder todas.

—Entendo... Eu... Eu estou fazendo a coisa certa, bisa?

—Como assim?

—Sendo espiã... Roubando...

—Eu não concordaria com ações assim... Mas o que você está fazendo é um mal necessário... Pessoas dependem do que você está fazendo, e eu sei que está fazendo para ajudar a todos...

—Sim... -Sorri, aliviada por não ser censurada pelos meus atos. -Eles foram tão acolhedores comigo... Mesmo quando não sabiam quem eu era...

—Mas suas ações vão bem além disso, e você sabe disso, não é?

—O que quer dizer?

—Você já pensou no seu futuro quando for coroada rainha?

O pensamento me fez estremecer um pouco.

—Não está muito cedo para pensar nisso...?

—De jeito nenhum! -Ela sorriu. -Virou um futuro inevitável para você... Então você ter que começar a traçar suas metas para o grande dia... Não tem nada em mente?

—Bem... Eu iria tentar acabar com essa briga entre Eel e essas pessoas que me acolheram... Todos são pessoas de bem, não tem motivo de tanta briga...

—Continue... -Dione sorria, como se gostasse do que estava ouvindo.

—E... Eu acabei de pensar em algo... Mas não sei se é possível... Afinal eu nem sei usar meus poderes ainda...

—O que seria?

—Eu pensei... Em tentar acabar com a maldição...

—Isso.

—Hã? Isso o que?

—Era nisso que eu queria chegar, querida.

—Nisso o que?

—Quebrar a maldição. Você pode fazer isso. E é pra isso que você apareceu aí. Não foi por acaso.

—Mas bisa! Eu sequer sei usar meus poderes! Alias, que poderes eu tenho, exatamente?

—Você tem poderes da terra, das plantas e um pouco do ar. De todos os poderes que eu possuía, você herdou apenas esses. Agora... Com treino e paciência, você consegue ficar mais forte.

—E como eu vou quebrar a maldição? Foi aquele seu amigo que a lançou, talvez seja forte demais...

—Tudo tem um ponto fraco, Lorelay... Você vai descobrir como quebrar a maldição e esse será seu primeiro grande feito como princesa. -Ela se levantou. -Nosso tempo juntas está chegando ao fim.

Levantei-me depressa, um pouco zonza com toda a informação.

—Espera! Você sabe como exatamente quebrar a maldição? Ou algo assim? Você tem que me ajudar, bisa!

—Você vai descobrir tudo em seu devido tempo, Lorelay... E você tem pessoas para lhe ajudar, confie nelas... -Ela me abraçou com carinho. -Eu virei visita-la sempre que conseguir, eu prometo...

E em um piscar de olhos, tudo ficou escuro. Abri os olhos e me vi no meu quarto no castelo de Elalren, sentei-me na cama e esfreguei as mãos no rosto. Tudo havia sido um sonho. Sentia a tensão da responsabilidade sobre meus ombros, uma ansiedade crescente sobre todas as novas informações que recebi da própria rainha.

Eu precisava treinar.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ Comentem ♥