Dark Past

3 O alívio do dia seguinte


Notas iniciais
Eu também posto essa história no Spirit. Vou atualizar ambos ao mesmo tempo sempre. Espero que gostem.

O sol batia em seu rosto e os pássaros cantavam. Por sua posição ainda não passavam das 10 da manhã. Andrew acordou sentindo o capim em sua pele e terra em seu rosto. Passou a noite na floresta e não se lembrava de muito do que acontecera na noite anterior. Sua memória estava tão esfarrapada quanto suas roupas. Sua camisa, antes branca, estava com manchas marrons de lama, completamente rasgada e com cortes gigantescos em forma de garra na área do peito, porém sua pele estava intacta. Não sabia o que tinha acontecido na noite anterior mas seus ferimentos já haviam se recuperado. Sua calça, antes azul escuro agora estava marrom de sujeira e ele estava sem um dos tênis que usara antes de adentrar a floresta. Sua aparência estava horrível, mas não tanto quanto as lembranças da noite anterior, porém se havia algo que não saía de sua cabeça são os olhos vermelhos do animal. Pouco antes dele desmaiar com o corte ele viu os olhos de seu atacante. Eram um vermelho, não tão profundo e escuro quanto o sangue, porém ainda eram amedrontadores.

Andrew andava pela floresta procurando uma saída enquanto pensava nas coisas que aconteceram na noite anterior. Será que seus amigos achavam que ele estava morto? O que era aquela coisa? Ele percebeu que ela não queria atacar seus amigos, só queria afastá-los de Andrew e isola-lo, mas por que? Essas perguntas rodeavam sua cabeça e o impediam de pensar claramente, porém se ele tinha certeza de algo era que havia algo diferente nele, mas o que era? Não sabia responder e sabia que não era bom ficar pensando neste tipo de coisa, era melhor ele se focar em sair daquele lugar. Haviam árvores por todos os lados e ele não conseguia se localizar direito, até que ele chegou em uma espécie de clareira. Havia uma árvore seca e retorcida no centro. Andrew não sabia o motivo, mas ela o dava arrepios, porém ele queria chegar perto dela, era uma atração inexplicável.

Andrew andava lentamente, até aquele lugar, até aquela árvore. Ela parecia falar com ele. Parecia sussurrar malícias em seus ouvidos. Parecia que a área ao redor era morta. Não haviam pássaros cantando, não haviam flores, mato ou plantas. Somente a árvore e o chão, que era terra, uma terra seca e sem vida. Andrew podia sentir o sol queimando sua pele, que não é totalmente branca, Andrew é um pouco bronzeada por natureza.

Quanto mais perto ele chegava da árvore, mais arrepiado ficava. Ele sentia seus pelos eriçados, até que chegou perto suficiente para tocar seu tronco seco e retorcido com a palma de sua mão. Não sabia o motivo mas precisava fazer aquilo. Foi então que visões de sangue e animais tomaram sua mente e uma lua vermelha apareceu como o centro de tudo. Uma lua bela, porém assustadora. Tigres, ursos, crocodilos, leões, ratos, raposas. Todos os tipos de animais silvestres apareciam em suas visões porém um lobo era a maior de todas. Lobos sempre chamaram a atenção de Andrew, mas isso não explicava o motivo das visões. Foi então que nove rostos apareceram abaixo da lua, todos mascarados ou com rostos escondidos pelas sombras. Era muita coisa passando por sua mente ao mesmo tempo até que as visões acabaram e ele soltou o tronco, pulando para trás, com suor frio escorrendo de sua testa. Aquilo era assustador, mas ele não sabia o porquê.

Andrew começou a correr para longe da árvore, não queria mais ficar ali. Só começou a correr, não sabia a direção ou o motivo mas não queria parar. Ele passou por muitas trilhas e buracos de coelho pelo caminho até finalmente chegar à clareira onde tinha encontrado seus amigos na noite passada.

— Estou perto de civilização, finalmente. — Disse Andrew voltando a correr, porém ele sentia algo diferente. Seu corpo estava leve, ele não estava correndo para chegar mais rápido em casa ou simplesmente por medo das visões da árvore, ele só queria correr.

Andrew chegou na área periférica da cidade, agora iluminada pela luz do dia. Era perceptivelmente uma área mais pobre da cidade, com pichações nos muros e paredes com somente tijolos ou pintura descascada, além do lixo espalhado e as inúmeras casas amontoadas e desorganizadas, assim fazendo os becos estreitos. Aquele lugar se assemelhava a um gueto. Depois de correr por muitos quarteirões percebeu que estava perto de casa porém ele sabia que precisava cuidar de algo mais importante. Precisava se encontrar com Alan.

Correu na direção contrária de sua casa e foi em direção à casa de Alan. Corria feito louco com suas roupas ainda rasgadas e sujas. Tinha sorte que era manhã em uma área residencial, grande parte das pessoas estavam trabalhando e as crianças e adolescentes estavam na escola, por isso não haviam muitas pessoas na rua, poucas pessoas viram sua péssima aparência e roupas em farrapos..

Depois de alguns minutos de corrida chegou na porta da casa de Alan, mas se deteve segundos antes de bater na porta. E se os pais de Alan o vissem assim? Preferia evitar que algum conhecido o visse naquele estado lamentável então ele entrou pelo quintal dos fundos e subiu em uma das árvores que lá tinha. Como frequentava a casa de Alan a muito tempo conhecia bem aquele lugar e eles brincavam juntos bastante tempo. Aquela árvore dava para a janela dele, que por sorte estava aberta, porém ele nunca havia tentado isso e não queria tentar agora, mas era sua melhor alternativa. Subiu sem muitos esforço no grande cipreste e se preparou para o salto. Estava nervoso mas não tinha tempo para pensar, deu um grande salto em direção a janela de Alan e por alguns centímetros suas mãos não a alcançam.

— O que foi isso? — Alan disse no andar de baixo. Andrew pôde ouvir claramente alguém subindo as escadas e logo após ouviu mais passos na casa, o que era estranho, a casa de Alan era grande, não fazia sentido ele escutar tão bem, mas não se preocupou com isso no momento. Se levantou com esforço da janela e entrou no quarto no momento em que Alan entrou. — Andrew!? — Exclamou Alan incrédulo, com olhos arregalados, antes de soltar o telefone que estava segurando momentos antes. — Alan correu em sua direção e o abraçou fortemente. Não era muito mais alto que Andrew, talvez alguns centímetros, ambos com altura mediana entre 1,72 e 1,75, a diferença entre os dois estava nos olhos. Os olhos de Andrew eram olhos amendoados castanhos escuros, tão escuros que chegavam a parecer negros, enquanto os de Alan eram redondos e claros, assim como seu cabelo, um tom castanho porém extremamente claro. Eram opostos até em questão de pele, enquanto Andrew tinha uma pele um pouco bronzeada devido à atividades físicas ao ar livre Alan tinha uma pele branca devido à suas origens escandinavas, mas eram tão agarrados quanto irmãos poderiam ser.

— Hey, calma, calma, eu estou bem — Disse Andrew apontando para o peito, sua camisa ainda com as marcas das garras porém seu peito intacto. — ele não me matou. Não sei o como e o porquê disso mas estou vivo e estou bem.

— Alan! por que está demorando tanto? — A voz de Jake ecoou do andar de baixo.

— Jake! Suba aqui e traga os outros! — Gritou Alan em resposta.

— Eles estão aqui? Ninguém foi para casa ontem?

— Ficamos todos preocupados, esperamos você voltar. Achamos que você tinha morrido mas ainda assim esperamos. Nenhum de nós conseguiu dormir, achamos que aquilo poderia vir atrás de nós também. Fico feliz que está bem. — Alan disse, dando um rápido e leve abraço em Andrew. — Eu estava ligando pra polícia para dar queixa na hora que vi você na janela.

— O que foi Alan? — Disse Jake na porta do quarto com um olhar calmo e deprimido, até que viu Andrew. — O que? DREW?! — Jake gritou alto suficiente para que toda a casa pudesse ouvir. Andrew ouviu passos rápidos e aflitos subindo a escada. — Eu não acredito, realmente não acredito. — Disse Jake com seus olhos puxados arregalados. Nesse momento os outros chegaram e pararam na porta.

— D-d-dr-drew? — Jessica gaguejou quando viu Andrew parado de pé — É você né? Não é um fantasma não é? — Nesse momento Andrew realmente queria rir porém tentou se segurar, não era culpa dela. Com a aparência esfarrapada e suja dele qualquer um pensaria que ele é uma aparição.

— Sim, sou eu, em carne e osso, ou quase, não sei o que aquela coisa pode ter arrancando de mim. — Disse Andrew tentando acalmar o clima, mas sem sucesso. Deu para notar que os olhos de Jessica e Ângela estavam inchados, provavelmente de chorar a noite toda e os outros não dormiram também. Estavam todos preocupados e isso de certa forma realmente alegrava Andrew.

— Eu realmente fiquei preocupada — Disse Ângela baixo, porém o suficiente para que todos ouvissem. — eu realmente achei que nunca mais te veria... — As lágrimas começavam a cair de seus olhos e ela correu em direção a Andrew e o abraçando fortemente. — Não me assuste assim! Idiota! Burro! Não se sacrifique por nós, e se você tivesse morrido?! — Ela gritava e chorava nos braços de Andrew num misto de raiva, preocupação e alívio ao mesmo tempo.

— Desculpe... — disse Andrew abaixando a cabeça. — Eu não queria preocupar ninguém. Só não queria que aquela coisa pegasse vocês. Mas eu estou bem, é o que importa, tudo bem? — Disse limpando as lágrimas dos olhos de Ângela. Se Andrew tinha um cabelo quase negro e Alan tinha cabelos extremamente claros Ângela era o equilíbrio entre os dois. Seu cabelo não era claro como o de Alan e nem escuro como o de Drew, porém tinha sua cor única, além de seu tamanho extraordinário, e claro, sua feições faciais eram lindas, delicadas como, perdoe-me o trocadilho, um anjo. Jessica tinha um cabelo ruivo que batia em seu ombro e sardas por todo o rosto, além de ser a mais medrosa do grupo, Alan a chamava de gato assustado quando eram mais novos. Jake, apesar de seus olhos puxados que denunciavam suas origens orientais, tendo uma mãe japonesa, era inglês, com um cabelo curto negro e uma personalidade que não pode ser descrita como nada mais que formal. Danny era o mais alto do grupo e jogador do time de basquete da escola. Era alto, loiro e bonito, o sonho de muitas garotas de seu colégio, mas somente estas pessoas sabem que ele é um verdadeiro pervertido por dentro. Esse era praticamente todo o grupo de amigos, que depois de uma noite de preocupações podem dormir tranquilos.

— Depois precisamos conversar. — Drew sussurrou para Alan de forma quase inaudível, que por sua vez só balançou a cabeça em afirmação.

Passaram-se algumas horas e todos foram para casa depois de uma longa despedida e pedidos incessantes de descanso e melhoras para Drew, que já tinha desistido de dizer que não estava machucado. Então a dupla ficou sozinha.

— O que queria falar? — Perguntou Alan.

— Bem, muita coisa aconteceu desde ontem, mas vou tentar ser claro e falar o que aconteceu desde que encontrei aquele homem na rua.

— Que homem?

— Sente-se e escute. — Então Andrew contou tudo que aconteceu. Desde seu encontro com Robert até a árvore retorcida que lhe mostrou coisas. Contou de sua melhora de sentidos e até mesmo de sua súbita vontade de correr. Alan ouvia atentamente a qualquer detalhe.

— Então, o que acha que pode estar acontecendo? — perguntou Alan.

— Eu realmente não faço a menor ideia porém aquele homem pode saber.

— Ta brincando? Um homem estranho te para de noite e te fala coisas estranhas, inclusive que você pode encontrar com ele naquela área, que por acaso é perto de onde fomos atacados e que por acaso é um lugar cheio de becos e lugares obscuros? Realmente, me parece uma boa ideia. — Alan usa seu famoso tom zombeteiro para falar da ideia de seu amigo.

— Para de resmungar. Eu quero saber o que está acontecendo. Você não?

— Querer eu quero, porém eu realmente não sei se devemos. É melhor você descansar um pouco antes.

— Alan, eu vou lá, e vou hoje. Estou te avisando pois você é meu melhor amigo e não quero por os outros em perigo.

— Entendo, já vi que não posso te convencer. Tudo bem. Quando partimos?

— Partimos? — Perguntou Drew, confuso.

— Sim, eu vou com você. Ou realmente acha que eu vou deixar você ir sozinho. — Alan da um sorriso de canto de lábio para Drew, que por sua vez sabia que não podia convencer o amigo a não ir. São como seus pais dizem, dois cabeças duras.

— Hoje a noite então, eu venho te chamar.Tenha tudo pronto antes das 23:00.

— Certo, agora acho melhor ir para casa. Seus pais devem estar preocupados. E troque essa camisa, por favor. Vista uma minha, não é bom chegar em casa com seu peito rasgado por garras não é mesmo?

— Sim, eu vou. Obrigado por tudo amigo. Até mais tarde.

Os garotos se despediram e Andrew voltou seu caminho para casa. Não era muito longe dali então chegou em pouco tempo. Sua verdadeira surpresa foi quando abriu a porta e viu seus pais na cozinha, tensos. Tentou andar em silêncio para não notarem mas parece que não funcionou.

— Filho? Finalmente está em casa, e olha que horas são. Onde passou a noite? Com quem ficou? Você está bem? — Sua mãe chegou o enchendo de perguntas. Não é como se ele fosse uma criança porém sua mãe o tratava como uma, apesar de reconhecer que Andrew já tinha crescido.

— Não se preocupe mãe, não foi nada. Não aconteceu nada, só acampamos na floresta que tem aqui perto. Não queria ficar sem avisar.

— Não se preocupe com isso filho, só fico feliz que esteja bem.

— Mas você realmente deveria ter avisado. — Disse seu pai, carrancudo. — Não vá fazer besteiras assim, principalmente sem nos avisar.

— Tudo bem, desculpe. Eu realmente tentei mas vocês voltaram tarde ontem. — Disse Andrew, tentando usar isso como desculpa.

— Sim, nós chegamos após meia noite, além de que já tive a sua idade, eu também saia para acampar com meus amigos. Fico feliz que esteja bem. — Seu pai diz, pondo a mão em sua cabeça. Andrew deu um “ufa” por dentro por seus pais serem compreensivos e por sua desculpa funcionar.

— Está com fome filho? — Sua mãe pergunta, e nesse momento sua barriga ronca. Mas não um ronco qualquer, aquilo foi O ronco.

— Acho que isso é um sim. — Seus pais riem juntos. Tinha coelho para o almoço e aquele cheiro da carne estava realmente atiçando Andrew. Ele sentia seu desejo aumentar e quando o prato foi servido ele comeu, quase esquecendo de usar os talheres. Aquilo era uma besta comendo em mesa humana.

— Não comeu nesse acampamento?

— Não muito. — Disse Andrew sem olhar para seus rostos, focado apenas na comida a sua frente. Assim que acabou ele disse que iria tentar dormir e foi para o quarto. Finalmente um pouco de paz, ou era isso que ele pensava antes de dores percorrerem seu corpo. Ele tentaria dormir mesmo assim, havia muito o que fazer essa noite e ele precisava de energia, o máximo possível. Não sabia o que ia encontrar. Deitou na cama e as imagens da árvore voltaram na sua mente, assim como os olhos vermelhos da criatura. Ele queria dormir, mais que isso, ele precisava, porém seria difícil. Mas mal sabia ele que o que estava por vir seria pior que qualquer outra que já enfrentara na vida.

Notas finais
Bem, como eu disse no outro site, eu pretendo postar em intervalo de 5 dias. O máximo que vai chegar é 7, caso eu esteja ocupado. Vou sincronizar com o Spirit, então daqui a 3 dias terá outro cap. Obrigado a quem leu até aqui.