Dark Moon

44 Capítulo 44


Notas iniciais
Boa leitura :)

Renesmee capítulo 44

Saí correndo, o mais rápido que eu conseguia, para qualquer lugar. Qualquer longe da casa do Jacob, e da casa do Zack, chega de namorados, chega de tudo, eu só vou ir à escola, comer, dormir. Sem esforço, sem sentimento, sem dor.

Simples assim. Meus pés me levavam até a minha antiga casa, aquela, que eu nem considerava mais casa, para mim, as quando a vejo, sinto um alivio enorme. Sinto, com se eu pertencesse a ela, estou desesperada para entrar e ficar na proteção de pais, ser mandada pela minha família, ter alguém, que realmente se preocupa comigo. Estou cansada de tomas minhas próprias decisões. Prefiro que os outros escolham para mim.

Quando cheguei em casa, não tinha nem mais forças para pular a janela. Entrei em arrancos, pela porta da frente, estavam quase todos sentados na sala, To Emmett estava assistindo a um jogo na televisão. Alice estava me olhando com reprovação. Eu só não sabia se ela sabia de tudo.

Minha mãe veio correndo para perto de mim, juntamente com meu pai, ao seu lado. Os dois me tocavam, e perguntavam o que aconteceu, mas o máximo que eu conseguia fazer era chorar. Chorar igual a um bebê, com os soluços irrompendo de minutos a minutos.

Tio Jasper, tentava me acalmar, me fazer ficar tranqüila e parar de chorar, mas era como se meu coração estivesse quebrado em milhares de pedacinhos que não iriam se consertar nunca mais. E não adiantava, por mais os esforços que o tio Jasper fazia, ele não conseguia. Ele não conseguia me ajudar, ninguém conseguia. Eu estava perdida, perdida para sempre.

Meu rosto ainda estava cheio de sangue, que pingava nas roupas que eu usava do Jacob. Roupas que eu jogaria fora. Roupas que eu não desejaria ver nunca mais. O pior de tudo para eu conseguir passar por cima, é que, a culpa é toda minha. Toda e completamente.

“Renesmee, o que aconteceu?” minha mãe me perguntava para mim, com sua voz doce e meiga. Acho que estava tentando me ajudar. Mas coitada, só que ela não sabia, que não tem mais como me consertar, que é melhor ela desistir antes de tentar.

“Co-com li-licença” eu disse, gaguejando entre soluços.

Abri caminho, afastando todas as mãos que queriam chegar perto de mim. E me tocar, tentar me acalmar. Tio Jasper ainda tentava, mas eu sabia que não ia funcionar, por mais que ele tentasse, e então resolvi avisá-lo, porque não adianta, e não ia mais adiantar, nunca.

“Não dá tio Jasper” eu disse, com uma voz fraca e baixa, mas eu sabia que todos que estavam naquela sala, escutaram. Comecei a subir as escadas que davam acesso ao meu quarto, e torci, para que nenhum deles viesse atrás de mim. “Não dá” eu repeti, baixinho só para mim, mesmo sabendo que escutariam.

Tio Jasper tentou mais um pouco, mas logo parou, e acho que desistiu, a medida que eu subia as escadas, eu sabia que todos da sala, minha família, tinham seus olhares me acompanhando, enquanto eu subia, devagar e dolorosamente.

Cheguei em meu quarto e fui direto para o banheiro, me olhei no espelho. Meu rosto, estava horroroso, todo cheio de arranhões, alguns fundos, e outros mais rasos, e alguns ainda sangravam. Eu não parei de chorar um sequer segundo. Então, fui tomar um banho quente, depois de tomar essa chuva gelada.

A medida que eu fui tomando meu banho, lavando meu cabelo, eu fui lembrando de tudo. Eu estava vazia. Não, na verdade só me restara um sentimento. Raiva. Eu tinha raiva de mim mesma. E a raiva aumentava, quanto mais eu pensava no que tinha acabado de acontecer.

Comecei a me arranhar toda de novo, mas tinha que ser em um lugar onde ninguém visse. Arranhei meus braços. Com minhas próprias unhas. Agora eu conseguia sentir mais alguma coisa, conseguia me sentir mais viva, conseguia sentir dor, enquanto minha raiva se esvaía.

Agora, meus dois braços pulsavam. O sangue jorrava deles. Estavam vermelhos e inflamados. Minhas lágrimas ainda escorriam, como a água do chuveiro, que levava embora meu sangue e minhas lágrimas para o bueiro, onde ninguém mais ia vê-las.

Acabei o banho e coloquei um moletom meu, e uma calça do mesmo moletom da blusa. Deitei em minha cama, e adormeci, o que eu mais queria, para a mais profunda escuridão. Tendo um maravilhoso sono, sem sonhos. Nem sei quantas horas fiquei apagada.

Acordei, e fiquei deitada na cama pensando. Nem sabia que horas eram, só sabia que eu tinha que ir na escola, eu sabia disso, aliás, fui eu que inventei de querer ir na escola. Eu faltei algumas aulas, eu acho. Mas a partir de agora eu preciso voltar a ir. Sei que minha mãe quer que eu vá agora que eu já comecei, mas e depois? Eu cresci rápido demais. Vão acabar desconfiando, não vão?

Faz tempo que eu não me meço. Faz tempo que eu não fico em casa. Casa. Será que eu posso ainda chamar aqui de casa? A quanto tempo que eu não passo com a minha família. Eu até tinha esquecido que tinha uma família. Mas e agora? Jacob não quer mais me ver. Jacob não quer mais me ver. Estou sozinha. E ele ainda pode contar meu segredo para todos. Estou com medo de perder todo mundo de uma vez só.

Eu estava deitada na cama, já estava amanhecendo o dia, e eu estava de baixo do cobertor, toda encolhida, examinando o estrago que foi feito em mim, depois daqueles arranhões. Meu rosto eu nem quero ver.

Escutei batidas em minha porta.

"Entre" gritei, mas minha voz soou fraca e rouca.

A porta se abriu devagar. Minha mãe entrou com movimentos graciosos e precisos. Veio até mim na cama e se sentou em uma pequena parte que sobrava em minha cama. Seu olhar correu pelo meu rosto e sua expressão mudou para preocupação e desespero, mas logo depois voltou a ser a mascara bem treinada de sem expressões.

"Querida, você tem que acordar para ir a escola. Está se sentindo melhor?" minha mãe perguntou com uma voz doce e meiga.

"Tudo bem. Estou melhor" eu respondi murmurando.

"Ok" ela disse se levantando da cama. "Depois desça para comer alguma coisa" ela continuou enquanto andava até a porta, estando de costas para mim. Ela saiu, mas quando fechou a porta eu juro que, se ela pudesse, estaria chorando.
Fiquei mais um pouco de baixo do cobertor e logo levantei para escolher uma roupa para vestir, estava muito frio hoje.

Eu estava tremendo de frio quando fui escolher minha roupa em meu closet. Resolvi colocar o de sempre, um moletom preto e uma calça jeans azul escura, um tênis. Ainda continuei a sentir frio, mas assim está um pouco melhor.

Desci as escadas e as primeira pessoas que eu vejo são, meu vô Carlisle, que andava em minha direção e meu pai, que ficava olhando furtivamente e loucamente para meus braços. Que eu até sei motivo. Ele sabe, porque ele leu os meus pensamentos. Minha mãe já deve estar sabendo.

"Eu preciso tirar seu sangue, será que pode me acompanhar, Nessie?" perguntou meu vô. Fiz que sim com a cabeça, não confiando na minha voz.
Caminhei junto do meu vô até o laboratório improvisado.

"Por que precisa tirar meu sangue, vovô?" perguntei, estando curiosa, fazia algum tempo que ele não tirava mais sangue meu.

"Para ver aquele teste, sobre uma possível gravidez em você." ele respondeu e eu corei.

"Ok" disse.

Sentei na cadeira, ele colocou uma das mangas do meu moletom pata cima, e seus olhos passavam pelas horríveis cicatrizes recém cobertas nos meus braços. Vejo que o meu pai não contou para todos.

"Isso vai se curar logo" ele disse.

E logo coletou meu sangue. Fechou o vidrinho e o colocou em algum lugar lá para examiná-lo. Ele ficou em seu laboratório/hospital para analisar meu sangue, enquanto eu saí andando de lá, para a sala novamente. Ainda estava cedo. Eu não ia querer comer hoje. Claire veio andando em minha direção na cozinha vazia.

"Oi" ela disse "está se sentindo melhor?" perguntou.

"Sim, estou" eu disse, nossa faz tempo que não conversávamos. Eu precisava contar algumas coisas para ela, só algumas. "Eu preciso te contar algumas coisas, mas não aqui, onde eles ouvem tudo" eu disse sabendo que eles ouviriam.

"OK" ela respondeu, e foi andando em direção da sala, onde começou a subir as escadas e eu fui atrás dela.

Estávamos em seu quarto. E eu estava lhe contando de minha briga com Jacob. Lhe contei de minha estadia na casa do Zack, contei a ela quase tudo. Eu geralmente falava as coisas para Claire. Ela tinha a minha idade e me entendia. Até que eu fui andando em seu quarto e vi um pacote de absorvente. E olhei para Claire.

"O que aconteceu Claire, você não vai me contar?"eu perguntei, interrompendo o que ela estava dizendo.

"Hm. Eu. Você sabe." ela disse abaixando a cabeça.

"E ia me contar quando?" perguntei.

"Não sei, você ficou alguns dias fora. E eu nem sabia onde você estava." ela contou.

"Ah, tá" eu aceitei.

"Você nunca vai menstruar por ser de um tipo diferente de vampiro..?" ela começou a perguntar. Mas nem precisava acabar porque eu já sabia o que ela queria dizer e também já sabia a resposta para essa pergunta.

"Não, eu nem sei se eu vou poder ter filhos um dia." eu disse, deixando a frase pairar no ar. Uma lagrima escorre pela minha bochecha. Eu queria ter filhos, mas sempre que essa ideia me vem, é em um futuro distante, com Jacob ao meu lado.

"Não fica assim, Carlisle está pesquisando" ela tentou me reconfortar.

"Vocês têm que ir na escola, Jacob chegou" gritou minha mãe la embaixo.

Jacob? Ele, ele veio..

"Você vai no banco da frente" eu avisei Claire.

Assim nós saímos de casa e entramos no carro, eu nem olhei para o Jacob, muito menos cumprimentei. Fiquei escondida no banco de trás. Pensando em tudo o que estava acontecendo ultimamente. Enquanto eu podia sentir o carro deslizar pelas ruas.

Chegamos na escola e eu saí do carro primeiro, e fui mais rápida que eles, não querendo nem ver o rosto do Jacob. Eu sabia que eu estava toda arranhada, até meu rosto, que iria cicatrizar rápido. Eu também sabia que Jacob me olhou pelo retrovisor do carro, ele me observou durante o tráfego inteiro, e eu tentei não olhar naquela direção. Eu estava chegando na porta da minha primeira aula quando Zack me encontra.

"Meu Deus, o que aconteceu, Renesmee?" ele me perguntou, preocupado, passando a mão no meu rosto.

"Na-nada, eu ca-caí" gaguejei.

"Sua primeira aula é comigo hoje, lembra?" ele perguntou, mesmo não acreditando em mim. Fiz que sim com a cabeça.

Ele pegou minha mão e saímos andando juntos pelo corredor, até chegar a porta da nossa sala. Entramos e sentamos um do lado do outro em dupla, na última mesa, lá no fundo.

Ele ficou conversando comigo e mexendo na minha mão e na minha unha, se distraindo. Até que ele viu alguns dos cortes em meu braço, com a manga do moletom desajeitada.

"O que é isso, pode me dizer?" ele perguntou arregaçando mais ainda a manga do meu moletom.

"Eu..." comecei a dizer, mas ele fez cara dr quem não ia acreditar em nada do que eu ia falar então eu finalmente disse: "você não vai acreditar em nada que eu te disser, não é mesmo?" perguntei.

"Não" ele respondeu.

"Então é isso mesmo que você acha que é" eu confirmei.

"Por que você está fazendo isso, Renesmee?" ele me perguntou preocupado, com a testa franzida.

"Eu não sei, eu... Não tem como eu te contar, você não sabe quase nada de mim" eu disse por fim.

"Eu te conheço o suficiente para saber que isso que você esta fazendo é ruim e eu quero o bem para você" ele disse sinceramente.

"Ok" eu respondi.

"Você não caiu não é?" ele perguntou, se referindo ao meu rosto.

Notas finais
Já tem o outro..