Dark Dawn

28 Capítulo 28: Avalanche


Notas iniciais
Vigésimo oitavo capítulo. Boa leitura e leiam as notas finais, por favor, é importante!

Capítulo 28:

Avalanche

○♦○

SASUKE VOLTOU A SI ABRUPTAMENTE, como se houvesse despertado de forma repentina de um sonho intenso. Depressa, retomou os sentidos e a ciência do entorno. O cabo de sua espada estava úmido de sangue e, à sua frente, o Chikage arfava, um filete rubro escorrendo do canto da boca. Uma vez que se percebeu de volta ao local onde a Cúpula dos Kages acontecera há pouco, firmou os dedos ao redor da arma e a puxou sem aviso do corpo do homem, lançando outro borrifo de sangue no piso de pedra.

Afastou-se alguns passos e percebeu que também estava arfante, o peito pesava a cada movimento que realizava para puxar ar para os pulmões. Tinha lhe custado muito chakra, mas ele havia conseguido romper o jutsu de Kazuma e retornara ao ponto de origem. Por reflexo, fechou o olho do Rinnegan, permanecendo apenas com o Sharingan fixo.

— Você foi capaz de quebrar o meu jutsu do Viajante de Mil Mundos, embora isso tenha te custado chakra demais — Kazuma arquejou, o sangue empapando a sua roupa e escorrendo até empoçar no chão aos seus pés; com as mãos, cobria o ferimento, apertando-o. — Ninguém nunca conseguiu esse feito antes. — Seus lábios ensanguentados se curvaram num sorriso. — Acho que devo te parabenizar, Uchiha Sasuke.

Não podia negar as palavras de Kazuma. Tinha usado mesmo muito chakra para romper o jutsu dele e conseguir voltar àquela realidade. A luta mal havia começado e Sasuke já começava a sentir um pouco dos efeitos de uma exaustão por uso excessivo de chakra. Além disso, em algum momento o Henge no Jutsu havia sido desfeito e a sua aparência verdadeira ressurgira, revelando-a aos olhos de todos.

Sasuke colocou-se numa posição de ataque. Uma rápida observação do campo de batalha deu-lhe a súbita certeza de que as circunstâncias haviam mudado desde que ele empalara o Chikage na ponta da sua espada. A começar pela quantidade monstruosa de chakra que os gêmeos reuniam, e que já tinha efeito sobre o prédio, fazendo com que as paredes trepidassem à sua volta e o chão se movesse sob os seus pés como se toda a montanha estivesse despertando de um longo sono e agora rugisse aos quatro ventos. Era o chakra deles, ele sabia, mas não tinha tempo de se envolver em outra batalha. Além disso, Sakura e o Mizukage já os haviam requisitado como adversários. Cabia a Sasuke concentrar-se em derrotar o Chikage de uma vez por todas.

— E então? ­— Kazuma voltou a provocá-lo. — Isso é tudo?

Sasuke queimou chakra no seu olho esquerdo, mirou o espaço próximo ao Chikage, pretendendo atacá-lo pelo flanco esquerdo. Então ativou o Amenotejikara e se preparou para o teletransporte instantâneo. Algo incomum aconteceu, contudo. Uma sensação esquisita apoderou-se de seu corpo, um torpor inesperado turvou a sua mente, aturdindo-o por um momento. Quando voltou a si, percebeu que havia teleportado para outro lugar e, agora, estava muito mais distante do Chikage e de onde havia estado só um instante atrás.

Mas que merda foi essa?, perguntou-se com um praguejar. Não havia a menor chance de que Sasuke pudesse ter calculado mal a distância. Algo ou alguém havia interferido no seu jutsu, essa era a única explicação plausível. Superando o orgulho ferido e a confusão que ainda o abalavam, ele se preparou para investir de novo.

Sasuke girou sua espada, arrastou um pé para trás a fim de ganhar impulso e partiu para cima do Chikage impiedosamente. Daquela vez, mirou num ponto diferente. Acertaria o homem bem entre os olhos e terminaria tudo num só golpe. Antes que pudesse fazê-lo, contudo, foi impedido por um homem que se materializou bem na sua frente, bloqueando o caminho. A bandana de Kirigakure confundiu-o por um momento.

Sasuke olhou rapidamente para a sua direita e percebeu o que estava acontecendo: o terceiro guarda-costas de Kazuma, o homem a quem ele chamou Hatori, havia conseguido de alguma maneira liberar um jutsu que aparentemente controlava o corpo do homem. Ele olhou para as feições retorcidas do Shinobi, para o modo rígido e mesmo desengonçado com que os seus membros se moviam e, com o seu Sharingan, foi capaz de enxergar as linhas vermelhas que ligavam o Shinobi feito de marionete a Hatori. As linhas eram vermelhas feito sangue, e imbuídas com seu chakra.

Hatori lutava contra Shikamaru e Chouji, manipulando contra eles pelo menos outros quatro Shinobis de diferentes nacionalidades. Hatori era um Shinobi excepcional para conseguir controlar tantas pessoas ao mesmo tempo, e Sasuke viu que ele estava se ligando a mais e mais Shinobis a cada minuto, prendendo-os à sua vontade com as suas linhas de sangue e chakra.

Sasuke travou o maxilar voltou a fitar a marionete viva que o encarava com pavor. Atrás dele, Kazuma sorriu.

— Qual é o problema, Sasuke? Por que não vem atrás de mim?

Num único balanço do dedo, a marionete de Hatori correu desajeitadamente na direção de Sasuke, manejando às cegas uma tantō, o braço cortando qualquer coisa que se colocasse à frente dele. Sasuke se defendeu, rechaçando os ataques com a lâmina da sua espada. Girou com habilidade, volteando seu inimigo, e bateu com o cabo da espada na nuca do ninja, desacordando-o com o impacto da pancada. Sasuke deixou-o onde estava e virou-se para o Chikage, mas uma Kunoichi surgiu de lugar nenhum e interpôs-se entre ambos. Outra marionente.

— Shikamaru, Chouji, acabem com esse homem! — pediu com premência enquanto evadia os golpes da mulher, bloqueando um chute dela com o antebraço e devolvendo o ataque com outro chute no meio do peito que a afastou o suficiente para que ele a contornasse e tentasse abordar Kazuma pelo flanco esquerdo.

Mais dois Shinobis impediram-no. Estava se tornando cansativo. E Sasuke não poderia machucar nenhuma daquelas pessoas, pois estavam sendo controladas contra a vontade. Sasuke evitou todos os ataques com a ajuda do seu Sharingan, mas uma terceira marionete uniu-se às outras duas nas investidas, então uma quinta surgiu de lugar nenhum.

— Merda! — praguejou por não conseguir se aproximar do Chikage e terminar aquela batalha de uma vez.

Sasuke esquivou-se dos golpes que lhe eram direcionados com uma série de piruetas. Chutava-as no peito e no estômago, e usava o cabo de sua espada para afastá-los, jamais os ferindo fatalmente, mas Hatori sempre enviava uma nova leva de marionetes vivas para interceptá-lo e mantê-lo ocupado.

O teto sobre a cabeça de Sasuke estremeceu fortemente de repente, uma rachadura imensa alastrou-se pela pedra branca como um veio negro com pelo menos um dedo de fundura. Pequenos pedaços da construção choveram sobre ele. Estava ficando mais frio ali dentro ou era a sua impressão? Sua respiração ofegante começava a se transformar em fumaça branca.

O chakra dos gêmeos explodiu outra vez, enviando uma onda de poder avassaladora por todo o recinto. Sasuke sentiu-a nos ossos, nos pelos eriçados do seu braço, na estática que enchia o ar como o prenúncio de uma tempestade violenta. Preocupado, ele ergueu a cabeça e encontrou Sakura e o Mizukage lutando contra um dos irmãos enquanto a garota terminava de reunir o chakra necessário.

— Sakura!— gritou por ela.

Viu-a desviar de uma estalactite de gelo gigantesca que brotou do chão, contornando-a num salto gracioso, para então tentar acertar o homem pelo flanco esquerdo com um chute poderoso. O Mizukage fez o trajeto inverso e também tentou acertar o adversário com a sua espada lendária pela direita.

— Mate o Chikage! — ela gritou de volta para ele antes que o seu chute explodisse numa parede densa de gelo, bem como o ataque da espada de Chōjurō teve a sua trajetória desviada por outra estalactite gigante.

Era tarde demais, Sasuke pressentiu. E o seu pressentimento se provou verdadeiro quando a garota terminou de conjurar o seu jutsu. Ele se voltou para Kazuma, que observava tudo se desenrolar à sua volta com um sorriso frio no rosto moribundo.

O chão sob os pés de Sasuke tremeu com maior frequência e intensidade, como num terremoto. Podia sentir as trepidações nas solas dos pés. Aquele poder estupendo avolumou-se e cresceu de tal forma que suprimiu todo o restante. A garota realizou alguns selos de mão.

— Yuki! — gritou pelo irmão, que anuiu e voltou para o lado dela.

— Entendi, Miyuki. Libere agora! — ele urgiu.

— Hai, aniki!

Sakura e o Mizukage até tentaram impedi-los de realizar os jutsus, mas foram detidos por uma redoma densa de gelo que os englobou, protegendo-os dos ataques de ambos até que tivessem tempo de realizar o que quer que pretendessem. Sasuke teve um mau pressentimento sobre isso. Virou-se para o Chikage e o encontrou ainda sorrindo, praticamente extasiado com o que quer que estivesse prestes a acontecer.

Então aconteceu. Os gêmeos poderosos liberaram o jutsu que vinham preparando. E toda a montanha enfim despertou, rugindo como uma fera raivosa. O chão sob os seus pés tremeu com ainda mais intensidade, as paredes envergaram e o teto começou a desabar.

— Sakura! — Sasuke voltou a chamar pela Hokage a fim de alertá-la.

— Eu já sei! — ela replicou num tom áspero.

A julgar pela forma como tudo estava desabando, uma boa parte do edifício seria engolida pela avalanche que estava a caminho. Sasuke se virou para o Chikage, determinado. Se o matasse, ainda havia uma chance de deter que o estrago maior fosse feito. Por isso, lançou-se contra ele, queimando chakra no olho esquerdo e evocando o Susano’o.

Quando Hatori enviou suas marionetes a fim de detê-lo, Sasuke simplesmente afastou-as todas com os braços gigantes do humanoide, empurrando-as para longe. Sentiria culpa por havê-los machucado depois, agora tinha assuntos mais urgentes para cuidar. Preparou a lâmina gigante e cintilante para cravá-la no homem. O Chikage estava esperando por ele, tanto que também queimou uma grande quantidade de chakra no seu olho e começou a abrir o portal para enviá-lo para outro mundo de novo. Sasuke precisava ser mais rápido do que ele e impedi-lo antes que conseguisse concretizar seu plano.

Apertou o passo, lançando-se como um raio em direção ao Chikage. Estava conseguindo, aos poucos, recuperar-se dos efeitos de haver quebrado o jutsu dele mais cedo, tanto que já tinha passos mais firmes e chakra disponível para os jutsus mais poderosos.

Um grande pedaço do teto se desprendeu e caiu bem no caminho de Sasuke. Usando a espada do Susano’o, ele a cortou em duas metades, saltou por cima e prosseguiu na empreitada de matar o Chikage. Antes que conseguisse alcançá-lo, contudo, o homem chamado Hatori chegou primeiro, envolveu o corpo ferido com seu braço e saltou para cima. Sasuke foi atrás, perseguindo-os incansavelmente.

Preparou uma flecha flamejante com as chamas do Amaterasu na balestra acoplada a um dos membros do Susano’o, mirou-a no Chikage e disparou um tiro certeiro. O projétil percorreu o espaço a uma velocidade inigualável. O Chikage mirou-a com o seu olho e usou algum jutsu para desviar a trajetória. Em vez de cravar-se no corpo do homem, ela fincou-se numa coluna a cerca de cinco ou seis metros do alvo.

Sasuke praguejou, mas não desistiu. Enviou chakra às solas dos seus pés e grudou-a ao teto. Hatori fez o mesmo, sustentando o corpo do Chikage. E fez algo inusitado em seguida: cortou a palma da própria mão com o auxílio de uma kunai, rompendo a pele até o ponto de verter uma quantidade notável de sangue, então concentrou chakra na região e apertou a palma ensanguentada contra o ferimento do Chikage. O efeito foi instantâneo, e o ferimento profundo causado por Sasuke começou a se fechar, curando-o, para o alívio de Kazuma, e para o desgosto de Sasuke.

Ele nunca tinha visto um ninjutsu médico como aquele, que usasse sangue e chakra para curar. Talvez se tratasse de mais uma das técnicas singulares do homem. Fosse o que fosse, estava restaurando as energias do homem — e depressa. Com a respiração uniformizada e o vigor voltando a si numa velocidade surpreendente, Kazuma encarou Sasuke.

— Pensou mesmo que eu me renderia tão rápido?

— Aa — Sasuke confirmou. — Tive esperanças de que te mataria depressa.

— Bem, não posso dizer que sinto por frustrar as suas expectativas então — ele desdenhou enquanto Hatori finalizava a técnica de cura; Kazuma afastou a mão dele quando percebeu que era o suficiente. — Eu tenho subordinados muito leais a mim e à minha causa ao meu lado.

— Nesse caso, passarei por cima deles primeiro para chegar até você.

Kazuma riu em resposta à promessa.

— Pois venha.

Sasuke aprumou-se, mesmo de ponta-cabeça.

— Que jutsu foi aquele que você usou antes? Para desviar a trajetória da flecha do meu Susano’o.

— Ah, você notou. — O sorriso de Kazuma era frio e cortante como gelo. — Aquela é a minha técnica de Distorção de Mundos. Graças a ela, posso desviar a trajetória de técnicas inimigas através de uma pequena distorção do nosso plano, ou mesmo usá-la para aturdir os meus adversários. Uma das armas secretas e infalíveis do meu Ketsuekigan. Assim como o seu Rinnegan te permite trocar de lugar com qualquer pessoa ou objeto ao alcance.

— Então você estudou a respeito do meu Amenotejikara. Usou-o antes também, para me enviar para outro lugar — Sasuke constatou.

— Sim, usei. Inclusive, se tentar usá-lo de novo para se aproximar de mim, saiba que ativarei o meu Distorção de Mundos em retaliação e será impossível prever aonde você acabará indo parar da próxima vez.

Sasuke travou o maxilar, mas entendeu que não seria viável usar o Amenotejikara para se aproximar de Kazuma. Precisaria pensar em outra estratégia, numa outra maneira de abordá-lo. Tinha conseguido antes, mas apenas porque ele assim o permitiu. Percebeu que havia sido manipulado a atacá-lo, para que o olhasse nos olhos e fosse sugado pelo seu jutsu. Tinha lhe custado muito chakra rompê-lo pela primeira vez, não podia continuar desperdiçando energia em ataques infrutíferos.

Teria que superar o Chikage no próprio jogo dele. Era a única forma de derrotá-lo.

○♦○

Sasuke estava hesitando. Sakura observava-o lá de baixo, atenta aos movimentos dele, mas no último minuto ele mal havia se movido. O homem chamado Hatori estivera amparando o Chikage até então, mas agora o líder do país do Sangue parecia ser capaz de permanecer de pé sozinho outra vez. O que aquilo significava?, ela se perguntava. Sasuke tinha o ferido anteriormente, e um ferimento bastante letal, do qual ele não se recuperaria depressa.

Hatori poderia ter utilizado algum jutsu de cura no Chikage, apenas isso explicaria a sua melhora repentina e significativa. Mas antes que ela pudesse começar a se preocupar com a situação do Chikage, havia os irmãos gêmeos liberando um poder imenso e ameaçando pôr toda montanha abaixo.

Chōjurō olhou para Sakura com incerteza.

— Hokage-sama, aquele homem é... Uchiha Sasuke.

Sakura olhou-o com uma expressão gentil.

— Eu prometo que explicarei tudo mais tarde, Mizukage-sama. Por ora, precisamos nos concentrar nos gêmeos Taniguchi. Se continuarem nesse ritmo, eles farão com que toda a montanha venha abaixo.

O jovem homem engoliu em seco, mas acabou aquiescendo e concordando com a decisão de Sakura de se concentrarem num inimigo de cada vez. Mas então, o que poderiam fazer contra os gêmeos que os impedisse de concretizar o plano destrutivo que corroboravam?

— Hokage-sama, precisamos impedi-los agora! — o Mizukage alertou-a. — Eles vão destruir tudo!

— Estou vendo — ela anuiu, fitando ambos com raiva.

Todo o edifício se sacudia, pedaços que se desprendiam das paredes e do teto espatifavam-se no chão. Exceto por ela, Chōjurō, Shikamaru e Chouji, todos os demais haviam sido nocauteados depois de serem usados como marionetes vivas por Hatori. Eles se aproximaram dos dois Kages.

— O que faremos contra esses dois? Eles vão colocar tudo isso abaixo com esse jutsu! — Shikamaru a indagou, esperando por novas ordens.

Sakura passou os dedos pelo ferimento na lateral da sua mão, liberando uma grande quantidade de chakra do selo que estava oculto pela bandana que trazia na testa.

Antes que pudesse realizar o jutsu que pretendia, a voz de Ino soou aguda na sua mente, de algum lugar do edifício. “Sakura, estão aqui! Shinobis de Chigakure, e são muitos! Invadiram o edifício!”. Era a peça final que faltava. Tudo fazia sentido agora.

— Sei o que o Chikage pretende. Ele está atrás dos Kages! Os Kages são os alvos! — afirmou. — Agora, fiquem perto de mim!

Dizendo isso, abaixou-se a apoiou a palma da mão no piso de pedra, semientoando a técnica.

Kuchiyose no jutsu!

No momento em que uma grande cortina de fumaça tomou todo o recinto, os gêmeos se fecharam sob a redoma de gelo a fim de se protegerem, e o edifício inteiro por fim colapsou. Rachaduras profundas se alastraram pelo chão, quebrando o piso, que afundou logo em seguida. A montanha rugiu ainda mais alto, estremecendo como se estivesse em agonia. Colunas despedaçaram, desabando de encontro umas às outras.

A nuvem de fumaça encobriu tudo, inclusive uma parte da destruição. Onde quer que Sai, Ino e seus alunos estivessem, Sakura só podia rezar àquela altura para que encontrassem um lugar seguro e se abrigassem da avalanche que trazia tudo abaixo. Um tsunami de neve e gelo quebrou as grossas paredes, inundando o recinto como numa enchente.

Tudo tremeu e, por um momento, pareceu a todos que os polos do mundo houvessem se invertido, colocando-os de ponta-cabeça. A destruição seguiu-se pelos próximos segundos. Mais paredes de romperam como barragens feitas de papel, eram incapazes de conter a força e a velocidade da torrente de neve que descia desde o cume da montanha.

Sasuke, que estava grudado ao teto, saltou quando este se partiu, deixando-o à deriva e sem um lugar no qual pudesse se apoiar. Assim, queimou mais chakra e completou seu Susano’o. O humanoide expandiu-se à volta dele e suas grandes asas feitas de placas cintilantes estenderam-se a tempo de deter sua queda. Uma vez que seu jutsu estava completamente formado, ele voou para cima, arrebentando uma parte mais frágil do teto a fim de escapar. A colisão lançou rochas de tamanhos variados em todas as direções. Mas ele voou rumo ao céu escuro com as asas do Susano’o bem estendidas, observando de lá de cima a destruição causada pelo jutsu dos Dragões Gêmeos de Gelo.

Durante toda a confusão, perdeu o Chikage e Hatori de vista, além de não ter podido socorrer Sakura e os outros. Crispando os olhos, Sasuke inclinou o corpo do Susano’o para baixo e voou a toda velocidade em direção ao chão. A avalanche deixou no seu rastro apenas caos e destruição. Havia troncos de árvores partidos sobressalentes, rochas protuberantes brotando em meio à alvura da neve e pedaços do edifício. Mas nenhum corpo.

Sasuke pousou, mais ou menos próximo à formação rochosa que formava o cume das Montanhas Três Lobos. Os tremores haviam cessado pela primeira vez em algum tempo. Então se desfez do jutsu do Susano’o e caiu em meio a neve. Estava prestes a começar a procurar pelos outros quando o chão se sacudiu sob os seus pés e a neve à sua frente explodiu. Rochas e árvores foram arremessadas por alguns bons metros, os escombros subindo cada vez mais alto como pássaros em debandada.

Dali, algo surgiu. Uma lesma gigante emergiu da cratera profunda, erguendo-se de modo imponente contra o céu noturno. Era branca com listras azuis ao longo do corpo úmido. Sasuke a reconheceu de imediato, assim como avistou a mulher que a comandava, acomodada bem sobre a cabeça da gigantesca invocação. Era Katsuyu, a lesma que Tsunade e Sakura invocavam.

— Sakura-chan, estão todos salvos — A voz da lesma ressoou com alívio através da noite invernal.

Sasuke trocou um longo olhar com Sakura, de cima da cabeça de Katsuyu. Em seguida, vislumbrou o Mizukage, Shikamaru e Chouji junto a ela. Do corpo da lesma, pequenos pedaços se desprenderam, caindo em meio a neve fofa. Cada um deles carregava um Shinobi inconsciente, além dos dois Lordes Feudais que haviam estado presentes na Cúpula. Sakura havia salvado todos os que estavam com ela. Claro que ela salvaria, refletiu, com um suspiro aliviado.

Ele se virou para a direção oposta, inspecionando o cume achatado da montanha à procura do Chikage e dos seus comparsas. Não demorou a encontrá-los, o homem não havia tentado se esconder nem tampouco fugir. Estava de pé, a cerca de trinta, trinta e cinco metros, e cercado pelos seus aliados. Mas mais Shinobis haviam se unido ao seu líder. Pelo menos dois esquadrões de ninjas leais à Chigakure estavam junto a ele.

— Sasuke! — Sakura chamou-o de cima da cabeça larga de Katsuyu, erguendo a sua voz acima do uivo do vento. — Eu já sei o que ele pretende! Ele planejou essa reunião e usou Kyoichi-sama para nos atrair até aqui! — Sakura resfolegou. — Ele pretende matar todos os Kages! Ele pretendeu nos matar desde o início! Há muitos mais Shinobis leais a ele aqui na montanha!

A espada de Sasuke se acendeu, um relâmpago corria pela lâmina esguia. Seus olhos friamente miraram Kazuma. Então era este o seu objetivo desde o começo: atrair as maiores autoridades militares dos cinco mais poderosos países, e depois assassiná-los. Isso traria ainda mais caos àquele mundo e fragilizaria a Aliança e as cinco vilas que a compunham. Deixá-las-iam vulneráveis o suficiente para que ele as atacasse e as dominasse quase sem esforço.

— Ouviu isso, Kazuma? — Sasuke bradou para o homem. — Já sabemos o que você planeja.

— O que não quer dizer que conseguirão deter o meu plano — ele gritou de volta. — Essa noite, eu terminarei o que você começou quinze anos atrás, Uchiha Sasuke! Está me ouvindo?! Eu terminarei o que você mesmo começou!

— Não — Sasuke negou. — Eu não vou permitir que você espalhe ainda mais destruição. Eu serei aquele a te deter nesse mundo e no outro. — Seus olhos fixaram-se no Chikage com uma determinação inabalável. — Essa luta acaba aqui e agora, Honma Kazuma.

À volta deles, o vento voltou a rugir, cessando o silêncio que tomou toda a montanha depois que a avalanche passou. Era o prenúncio da derradeira batalha que se aproximava.

Notas finais
Antes de tudo, um pequeno desabafo. Me afastei um pouquinho da escrita nessas semanas por um motivo pessoal: perdi a minha cachorrinha de dez anos há duas semanas. Foi um golpe duro, muito doloroso, não esperávamos perdê-la dessa forma tão repentina, e eu ainda tô me recuperando e tentando me adaptar à saudade que eu sinto dela. Não está sendo fácil. Por isso, precisei dar esse tempinho e não consegui aparecer por aqui na semana passada mesmo que o capítulo já estivesse prontinho pra ser publicado. Espero que possam entender isso. E agora eu tenho uma notícia não muito agradável: não tenho mais capítulos de Dark Dawn escritos, apenas metade do 29, e com tudo isso o que está acontecendo na minha vida pessoal é difícil prometer pra vocês que eu vou conseguir manter as atualizações semanais. Talvez eu consiga, talvez eu não consiga. Sobre o capítulo... Eu não sou o Kishimoto, mas eu tento. Katsuyu fez uma participação especial porque eu adoro essa lesma super fofinha! Espero que tenham gostado! A batalha termina no próximo! Muito obrigada por ter chegado até aqui! xoxo