Dark Dawn
14 Capítulo 14: O País do Ferro
Notas iniciais
Capítulo 14:
O País do Ferro
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A COSTA DO PAÍS DO FERRO ERA exatamente como o restante da sua nação: dura e gelada. Sasuke definitivamente não tinha boas recordações daquele lugar.
Na última vez em que estivera ali, sucumbiu à maldição do ódio criada por Indra, enfrentou os Kages, tornou-se um criminoso internacional e por muito pouco não matou duas das pessoas que mais amava em todo o mundo. Pisar ali ainda lhe trazia um gosto amargo à boca e uma pontada de remorso no peito, bem como um mau presságio que o acompanhava o tempo inteiro.
Tudo aquilo havia acontecido há tantos anos — quase uma vida atrás —, e ainda assim ele amargurava a época mais sombria de sua existência. Estivera perdido então, sem rumo, e louco para fazer de do mundo o seu inimigo, o foco da sua vingança desenfreada. Parando para pensar, depois de tanto tempo, ele só estivera desesperado de dor e de solidão, e se entregar ao ódio e à escuridão era o único caminho que conhecia, o único remédio para toda aquela raiva que carregava.
Já não sou mais aquela pessoa há muito tempo, lembrou-se enquanto as ondas se chocavam contra a embarcação no ancoradouro. O cheiro da maresia era intenso e desagradável. O porto no qual ancoraram estava pouco movimentado naquele início de manhã graças ao mau tempo. Tinham feito uma viagem segura, sem incidentes, e deviam isso, em parte, à perícia do homem em navegar.
O céu estava escuro quando atracaram no porto da cidade costeira. O vento era frio, penetrava nas roupas de Sasuke como dedos feitos de gelo que lhe tocavam os ossos, e persistiam em afastar o capuz do seu rosto. Era um país duro e soturno, exatamente como se recordava. E embora não estivesse nevando, nuvens densas se aglomeravam no céu cor de chumbo, escondendo o sol da alvorada.
Shikamaru foi quem os liderou, pagando ao capitão do barco pela viagem, e dando a ele uma gorda gorjeta a fim de comprar o seu silêncio e discrição. O homem agradeceu pela generosidade, e garantiu que estaria sempre a serviço do Hokage e da vila da Folha.
Juntos, os cinco integrantes da equipe designada por Kakashi atravessaram a cidade portuária em direção ao local onde aconteceria a próxima Cúpula dos Kages. Os cidadãos deram pouca atenção ao grupo de viajantes. E viam-se alguns poucos samurais circulando pelas ruas, cuidando da ordem e da paz do país.
O frio era intenso e tinha começado a nevar um tempo depois que o grupo se hospedou num hotel para que Sai e Ino pudessem fazer contato com o grupo de Sakura com um dos pássaros de tinta dele. Shikamaru combinou o ponto de encontro apenas a algumas horas dali numa cidadezinha próxima, depois de uma floresta densa e coberta de neve.
Embora custasse disfarçar, Sasuke estava se sentindo mais inquieto a cada minuto, e o prospecto de ficar dentro daquele quarto de hotel na companhia de Shikamaru e de Chouji quando havia tanto a ser feito e o Chikage poderia estar em qualquer lugar, espreitando-os agora mesmo, enervava-o.
Com as costas apoiadas contra a parede, retirou o manto pesado que usava e desembainhou a katana que trazia consigo, assim como uma pedra de amolar. Colocou-se a afiá-la compenetradamente. Deslizava a pedra ao longo da lâmina estreita, apoiando-a contra uma perna dobrada a fim de compensar a ausência do outro membro, e fazia isso mais para se acalmar do que qualquer outra coisa.
A segunda e estranha experiência que tivera antes ainda o assombrava. Daquela vez, não tinha sido transportado para o seu corpo original, para a realidade à qual pertencia, mas encontrou a sua versão daquele mundo e a reunião com o outro Sasuke daquela realidade não havia sido das mais agradáveis.
Encará-lo havia sido como encarar os seus maiores arrependimentos, os seus medos mais profundos e a parte do seu passado que ele julgara ter deixado para trás há tanto tempo. Era como se um ferimento antigo houvesse reaberto no seu corpo depois de ter cicatrizado, e agora toda a podridão estava vazando e contaminando tudo o que tocasse.
Sai e Ino voltaram ao quarto, fechando a porta e retirando seus mantos. Havia neve derretendo nos seus cabelos e as faces dos seus rostos estavam coradas devido ao frio que se intensificava a cada minuto.
— Está feito. Enviamos a mensagem. Mesmo se o tempo piorar, o pássaro de Sai alcançará o esconderijo onde Sakura está nos aguardando — a Kunoichi informou a Shikamaru. — Se quisermos chegar ao ponto de encontro na hora certa, devemos partir dessa cidade dentro de no máximo duas horas.
— Muito bem — ele aprovou. — Isso ainda nos deixa com uma margem de vantagem. Aproveitaremos essa oportunidade para reabastecermos os nossos suprimentos e antecipar possíveis movimentos do inimigo. Quero que façam uma pequena varredura, descubram se os moradores dessa cidade viram ou ouviram boatos de Shinobis leais à Chigakure aqui no país do Ferro.
“A partir de agora, nos moveremos por um território desconhecido e existe a possibilidade de termos os nossos passos vigiados por espiões enviados pelo Chikage. O anonimato ainda é o nosso maior aliado, e a nossa maior garantia de que teremos sucesso nessa missão.
Sasuke embainhou a espada e se levantou. Shikamaru ordenou ao grupo que se dividisse e que se esgueirasse pelas ruas da cidade portuária para reunir suprimentos e informações para o restante da viagem. Divididos, chamariam menos atenção. Ainda assim, eles deveriam ficar atentos a prováveis espiões o tempo todo. Tinham tido a sorte de não serem seguidos até ali, não podiam arriscar arruinar o elemento surpresa, não até que tivessem se reunido ao grupo de Sakura e se dirigissem ao local onde aconteceria a Cúpula dos Kages.
O grupo se dividiu em duplas: Sai e Ino seguiram por uma rua, Shikamaru foi com o melhor amigo, Chouji, por outra, e Sasuke, que anunciou a sua decisão desde o começo, foi sozinho. Shikamaru concordou, citando que ele sozinho já chamava atenção o bastante.
Sob a neve que caía, Sasuke seguiu por uma viela estreita e meio desabitada. Estava escurecendo rápido e, talvez, eles não tivessem mais do que apenas algumas horas de luz do sol. Apesar do frio extremo, ele não tremia sob o manto. Havia preocupações demais na sua cabeça. As necessidades básicas do seu corpo tinham se tornado secundárias ou terciárias ante a seriedade da situação que defrontava.
Caminhou pelas ruas com a cabeça cheia de pensamentos e de angústias, parando de vez em quando para observar o entorno e absorvê-lo, usando seus instintos para procurar por possíveis informantes do Chikage enquanto abastecia a sua bolsa com alguns mantimentos, parando de loja em loja. Algumas exibiam seus produtos em vitrines chamativas, já outras preferiam a discrição e mantinham a mercadoria a salvo dentro do estabelecimento.
Sasuke comprou alguns pergaminhos em branco, algumas comidas com prazo de validade estendido e um novo manto, de tecido mais grosso e forrado por dentro. O país do Ferro era frio e inóspito, com um mau tempo constante. Queria estar preparado para quaisquer eventualidades. No fim, ficou aliviado quando tudo o que viu nas ruas foram civis cuidando dos seus afazeres.
Por um instante, chegou a desconfiar de um homem de meia idade que caminhava logo atrás num passo sossegado. Usando sua velocidade e habilidade superiores, Sasuke subiu a rua até um ponto cego, saltou por cima de um telhado e se agachou, silencioso, a fim de observar o suspeito. O homem, entretanto, logo se reuniu a uma mulher jovem, que trazia uma menina no colo. Eles se cumprimentaram afetuosamente, e logo o homem se afastou junto delas.
Sasuke suspirou. Não passou de um alarme falso. Continuou a sua peregrinação pelas ruas congeladas, percorrendo outra viela, esta ainda mais desabitada do que a anterior. Mas, então, percebeu que ele era o único a atravessá-la e decidiu que já tinha tido o bastante.
Parou por um momento, encostando-se rente a um muro, e exalou no ar enregelante. Ergueu a mão e fitou a sua palma por um minuto inteiro, debatendo se deveria ou não. Decidiu-se então, e ativou o Sharingan. Aguardou por um bom tempo para descobrir se algo aconteceria. Se terminaria de volta ao seu corpo original por um curto período, ou se reencontraria o Sasuke daquela realidade naquele lugar escuro de antes. Como a dor que sentira antes esteve ligada ao seu dōjutsu, imaginou que se o ativasse poderia testar se ela se repetiria ou não.
Nenhum dos dois aconteceu, contudo, e ele se frustrou. Desativou o Sharingan e desencostou do muro, descendo a rua em direção ao hotel outra vez. Já não tinha mais nada para comprar e estava sem paciência para vagar a esmo pela cidade. Voltou ao quarto onde tinham se hospedado mais cedo e foi o primeiro a chegar.
Sai e Ino foram os próximos, reportando não terem percebido nenhuma atividade suspeita. Cada um deles tinha comprado o próprio suprimento, que traziam nas mochilas pesadas que carregavam nas costas. Por último, Shikamaru e Chouji entraram no quarto para relatar o mesmo: não havia ninguém os seguindo, pelo menos não ainda.
— Vamos aproveitar que a nevada não piorou e partir imediatamente — ele anunciou para o time.
Sasuke e o grupo deixaram a cidade portuária para trás menos de um quarto de hora depois, movendo-se velozmente pela floresta fechada de abetos que circundava a sua porção sul. A neve havia tingido tudo de branco nas últimas horas, e o tempo continuava a escurecer cada vez mais. As nuvens cinzentas se aglomerando de tal forma que terminaram por encobrir o que ainda restava de luz diurna.
Rajadas abruptas de vento teimavam em empurrar o capuz de Sasuke para longe do seu rosto corado pelo frio. A corrida, pelo menos, mantinha-o suficientemente aquecido. Enquanto os seus músculos trabalhassem para colocar o seu corpo em movimento, ele não sofreria com o mau tempo.
A floresta era tão densa que às vezes dava-lhe a impressão de que se fecharia à volta do grupo, sufocando-os com seus ramos finamente entrelaçados enquanto a neve continuava a se acumular nas copas das árvores mais robustas. O chão, a tantos metros dos pés de Sasuke, estava forrado por uma brancura impecável e que se estendia até onde os seus olhos conseguissem alcançar.
Percorreram uma boa distância num tempo consideravelmente curto, exigindo o máximo de suas formas físicas para que alcançassem o ponto de encontro na hora combinada.
— Ino! — Shikamaru deu o comando para a parceira de equipe, que aquiesceu.
Ino uniu as mãos num selo e se concentrou por um momento, estendendo as suas habilidades sensoriais por toda a floresta a fim de se assegurar que continuavam sozinhos. Depois de meio minuto, relatou ao líder da missão:
— Não sinto nenhuma presença — garantiu, e Shikamaru deu a ordem para que mantivessem o ritmo.
O tempo estava correndo, as milhas estavam terminando. Finalmente, Sasuke pensou, sentindo-se um pouco menos amuado. Shikamaru então indicou para Sai, que desenrolou um dos seus pergaminhos e o pincelou com traçados ágeis na folha em branco numa velocidade inumana, reunindo chakra para a sua técnica.
— Chōjū Giga!
Um banco de corvos foi invocado a partir do pergaminho, pretos e quase imateriais. Estenderam as asas feitas de tinta e, grasnando, voaram em conjunto para todas as direções, dispersando-se e desaparecendo por entre os troncos das árvores a fim de localizar e identificar possíveis ameaças ocultas.
— Continuem! — Shikamaru comandou ao grupo, que acatou.
Eles se forçaram a continuar, saltando cada vez mais longe e cada vez mais rápido através das árvores. Os flocos de neve grudavam no cabelo e nos cílios de Sasuke, batendo contra o seu rosto. Ao ofegar no ar frio, a sua respiração se transformava numa bruma fugaz.
O céu sobre eles escureceu, tornou-se um breu à medida que a nevada se intensificava e o frio se solidificava, ao ponto de quase se tornar um sexto integrante da equipe e um conhecido íntimo de todos eles. Sasuke agradeceu a si mesmo pela ideia de ter adquirido um manto mais grosso. O tecido não espantava o frio de todo, mas ao menos assegurava que ele não congelaria até os ossos.
— Ino! — Shikamaru se virou para a companheira de time de novo.
Ino repetiu o procedimento pela terceira vez na última hora, vasculhando o perímetro ao redor deles à procura de possíveis assinaturas de chakra. Sasuke ficava ansioso a cada vez que eles faziam isso. Não sabia se pela possibilidade de encontrar um inimigo ou o grupo de Sakura. Talvez ambas as conjunturas o inquietassem.
— Ainda não sinto ninguém! — ela declarou ao parceiro.
Sasuke estava quase se virando para frente de novo quando percebeu, pela reação de Ino, que ela havia acabado de sentir mais presenças na floresta. A Kunoichi esbugalhou os olhos claros e afastou os lábios numa interjeição que foi interrompida pela urgência no tom de Shikamaru:
— O que foi? Quem você sentiu?
Ela não precisou responder à pergunta dele. Três silhuetas usando mantos claros vieram ao encontro deles, voando pela floresta nevada. O trio se deteve a poucos metros da outra equipe, pousando sobre um grande ramo. Todos pararam, pousando próximos uns dos outros nos galhos das árvores. Sasuke foi o único a se manter um pouco mais afastado, puxando o capuz ainda mais sobre a cabeça. Os três Shinobis eram jovens, pelo que pôde perceber, e usavam hitaiates com insígnias de Konoha. Além disso, os mantos que cobriam suas vestimentas eram brancos com listras vermelhas, azuis ou verdes. Eram claramente leais à Folha.
De onde estava, Sasuke percebeu que Shikamaru estudou os três por um momento antes de cumprimentá-los com certa familiaridade:
— Hikari, Toyoharu, Yusuke. Não esperávamos encontrar vocês pelas próximas duas milhas.
Eram os alunos de Sakura. Tinham de ser, Sasuke concluiu enquanto os estudava com discrição, mal se movendo. Esperava que a imobilidade que adotou o camuflasse com o ambiente. Não queria ser notado, mas temia que se saltasse para longe agora acabasse por chamar atenção.
— Shikamaru-sama! — a única garota do trio exclamou sem fôlego. — Encontramos vocês!
Shikamaru suspirou de um jeito que claramente expressava desconforto.
— Ainda não estou tão velho assim para que comecem a me tratar dessa forma — lamuriou-se.
Os três jovens ninjas trocaram olhares e sorrisos em resposta.
— Que bom que nos encontramos — um dos garotos murmurou; era o mais alto dentre os três.
— Sim, estávamos nos movendo em direção ao ponto de encontro. O que aconteceu para que vocês o abandonassem antes que nós chegássemos? — Ino perguntou a eles.
Eram realmente jovens, percebeu, deviam ter no máximo entre quatorze e quinze anos. Todos com as cabeças e os rostos meio ocultos pelos capuzes das capas que vestiam.
— Fomos seguidos por dois espiões do Chikage há dois dias — a garota explicou.
— A sensei conseguiu cuidar deles antes que a nossa posição fosse delatada, mas achou mais seguro que não ficássemos num único lugar por tempo demais. E vocês demoraram — queixou-se o outro garoto, o mais baixo dos dois. — Como sabíamos qual rota usariam para vir para cá, decidimos interceptá-los no meio do caminho.
Shikamaru estreitou os olhos. Ergueu a cabeça e pareceu procurar por uma quarta silhueta que não estava entre eles. Quando tudo o que viu foram apenas árvores e neve, aquietou-se.
— E onde ela está agora?
Foi a garota quem olhou para trás, parecendo confusa para Sasuke por um breve momento.
— Ficou para trás. Ela disse que tinha que resolver um assunto pendente, mas que se reuniria conosco assim que tivesse cuidado de tudo. Já deve estar chegando — disse auspiciosamente, fios de cabelo de um bonito tom de violeta escapando por baixo do capuz.
O rosto pálido dela estava corado pelo frio, mas os olhos azuis traziam dentro deles um calor aconchegante, uma flâmula juvenil e inocente. Os dois garotos eram altos e fortes, e flanqueavam a garota protetoramente, usando seus corpos como um escudo para defendê-la de qualquer ameaça — visível ou invisível — na floresta.
Ino sorriu ante as palavras da jovem Kunoichi.
— Ótimo, mal vejo a hora de parabenizar aquela testa grande metida.
O clima tinha ficado mais leve de repente. O fardo da missão que deveriam cumprir desapareceu dos ombros daqueles Shinobis, permitiu que sorrissem — ainda que brevemente — e que trocassem comentários despreocupados enquanto a neve ainda caía ao redor deles. Mas então, um dos garotos cruzou o olhar com Sasuke e, em vez de desviá-lo, persistiu em escrutiná-lo, estreitando os olhos amendoados cada vez mais.
Sasuke se sentiu desconfortável sob a intensidade daquele olhar. Percebeu que o garoto buscava associar um nome ao seu rosto, vasculhando a sua memória atrás daquele único que se encaixaria.
— Quem é ele? — Foi a garota, Hikari, a questionar, tombando o rosto amável para Sasuke.
Shikamaru massageou o pescoço rígido e voltou a suspirar, mas daquela vez o suspiro foi de pesar.
— Vai ser complicado explicar isso agora — murmurou.
Os três jovens Shinobis fitaram Sasuke com ainda mais atenção e curiosidade depois do comentário do líder do grupo. Sasuke, contudo, afastou-se do olhar deles ao dar-lhes as costas. Olhou para a floresta ao redor dele, para as grandes árvores antigas. A neve caía silenciosa, o vento sussurrava nas copas robustas.
Talvez fosse o momento mais oportuno para se afastar do grupo, deixar que recebessem o trio jovem e Sakura, que também estava a caminho segundo a garota. Seguiria o conselho de Shikamaru e se manteria longe do caminho dela até que pudesse ser devidamente explicado. Não que as explicações pudessem aplacar a tensão do momento em que ela olhasse para o rosto dele — o rosto de um assassino naquele mundo —, mas talvez a impedisse de atacá-lo num rompante de fúria.
Sasuke estava prestes a saltar quando sentiu uma trepidação sutil no galho sob os seus pés, tão suave quanto a lufada de vento que o atingiu em cheio nas costas. Antes que se virasse para encarar o recém-chegado sabia de quem se tratava. E se equivocou ao assumir que estivera preparado para aquele encontro. Jamais estivera.
— Ah não... — ele ouviu Ino murmurar, e, de algum ponto da floresta, Shikamaru praguejou.
Sasuke se virou depressa, mas só o que teve tempo de ver foi um lampejo de cor-de-rosa pálido e um verdor enfurecido diante do seu rosto. O ar se expandiu à volta dele, foi quase completamente sugado por um momento. O tempo desacelerou, e o destino pregou-lhe uma peça cruel.
Sakura se moveu, silenciosa e letal como uma felina. Curvou o dorso, dobrou os joelhos, mas ergueu um punho que explodia chakra e poder. O mesmo punho cuja trajetória percorria com velocidade o curto percurso até o abdome de Sasuke.
Na pior das hipóteses, aquele soco potente quebraria várias das suas costelas e destruiria boa parte dos seus órgãos vitais, causando inúmeras contusões e hemorragias internas. Na melhor das hipóteses — se se deixasse ser atingido pelo golpe impetuoso —, ele morreria depressa.
O punho de Sakura se aproximou mais. O tempo permanecia desacelerado, Sasuke era capaz de segui-lo com os olhos, mas seu tempo de reação não os acompanhava. Estava entorpecido, atônito com a súbita chegada dela. A vantagem era toda de Sakura, sabia disso, o elemento surpresa colocara o jogo a favor dela. Então, o punho enluvado se conectou com o abdome de Sasuke numa explosão de poder.
O tempo voltou a correr.
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