Dark Dawn

22 Capítulo 22: Proximidade Letal


Notas iniciais
Vigésimo segundo capítulo. Boa leitura!

Capítulo 22:

Proximidade Letal

○♦○

O MEU SHARINGAN? ME LEVAR PARA CASA? — Sasuke tocou a pele debaixo dos olhos, sentindo-a nas pontas dos dedos calejados; estava mais quente do que deveria estar depois da experiência intensa que tivera.

À sua frente, Sakura aquiesceu. A floresta estava silente à volta deles com flocos macios de neve acumulando-se nos ramos dos pinheiros, que pendiam pesados e sobrecarregados com o peso da última e recente nevada. Uma nuvem tinha encoberto o mormaço tímido daquele início de tarde, e mesmo a mais suave das brisas era suficiente para tirar arrepios gelados de ambos os viajantes.

Sakura umedeceu os lábios com a ponta cor-de-rosa da língua.

— Sabe, eu já li livros de estudiosos que acreditavam fervorosamente na existência de outras realidades paralelas à nossa. Num mundo em que seres humanos são capazes de tantas maravilhas e de tantas desgraças graças ao chakra quem seria capaz de afirmar que a nossa realidade seria a única?

“Alguns estudiosos também estavam convencidos de que o chakra seria capaz de conectar essas realidades e de que só seria preciso encontrar uma forma de abrir fendas entre duas realidades para que pudéssemos viajar de um mundo para o outro. Infelizmente, as teorias deles jamais foram provadas e permaneceram apenas no campo da especulação, mas, olhando de perto para o que houve contigo, acredito que isso tudo está mais do que provado.

Sasuke ouvia a tudo o que ela dizia com uma espécie de expectativa crescendo dentro dele enquanto as peças iam se unindo, e as escassas informações das quais ele dispunha enfim começavam a fazer um pouco de sentido. Chakras sendo transferidos de uma realidade para a outra através de fendas criadas artificialmente.

— O Chikage continua sendo a chave para tudo isso — ele murmurou por fim, exalando uma nuvem alva no ar gelado. — Mas o que você disse sobre o meu Sharingan...

— Pense bem — ela disse, mudando o peso do corpo para a outra perna. — O Sharingan sempre esteve conectado a dimensões. O Sharingan do Obito já era capaz disso.

— Com o meu Rinnegan, aprendi a abrir as dimensões da Kaguya — ele complementou, fortalecendo a teoria dela.

— Está vendo? Tudo está conectado. — Sakura cruzou os dedos indicador e médio para enfatizar sua sentença. — O seu Sharingan está tentando te conduzir à sua realidade original, mas eu acredito que esteja falhando...

— Porque não está encontrando a fenda certa — ele completou por ela. — A fenda que o Chikage abriu inicialmente e que me trouxe para cá... É através dela que eu preciso retornar.

— Quando o seu Sharingan estiver sincronizado com a fenda pela qual você veio para o meu mundo, será capaz de voltar para casa, Sasuke-kun. Isso em tese, é claro — ela acrescentou cautelosa. — Se pudéssemos testar essa teoria antes de colocá-la em prática...

As palavras de Sakura encheram-no de esperança, deram-no um sopro de vigor e renovaram a sua determinação. Se fosse tão fácil quanto ela pressupunha, Sasuke só precisaria sincronizar o seu Sharingan com a fenda entre dimensões criada pelo Chikage. Então, seria capaz de voltar para o seu mundo.

— Não, você está certa — disse resoluto. — Kiyoko disse que o meu Sharingan era a chave para a derrota do Chikage e para que eu saísse desse lugar. Ela não pode ter mentido sobre isso, não sob o meu genjutsu. E você está certa sobre esses apagões que venho sofrendo há alguns dias. Eles estão relacionados ao meu Sharingan. Mas como não o tenho sincronizado com a fenda pela qual vim parar aqui, estou falhando em permanecer no meu mundo e, por isso, continuo retornando para cá.

O silêncio imperou entre eles durante um longo momento, nenhum deles sabia mais o que dizer depois de haverem discutido em detalhes a teoria de Sakura. Ele começou a se sentir desconfortável, virou o corpo ligeiramente para longe dela, fitando a neve espectral que caía à sua volta.

Uma ideia ocorreu a Sasuke então.

— Você possui bastante conhecimento a respeito do Sharingan.

A expressão no rosto de Sakura mudou abruptamente, um lampejo de dor e escuridão atravessou os olhos claros dela, tornando-os mais escuros por um só segundo, tempo suficiente para que Sasuke entendesse tudo o que havia para entender.

— Estudei com afinco sobre o dōjutsu do seu clã depois da morte de Naruto e da Tsunade-sama — ela revelou numa voz apática, desapaixonada; uma frieza que nada tinha a ver com o inverno se instalou no estômago de Sasuke. — Para conhecer todos os seus pontos fortes. E todos os seus pontos fracos especificamente.

— Para me matar, em outras palavras — concluiu por Sakura.

— Sim — ela admitiu sem remorsos, sem preâmbulos. — Ou ao menos para saber como te enfrentar, de igual para igual. Quando o momento chegasse. — Ela suspirou. — Mas isso não importa agora, de qualquer maneira.

— Entendo — Sasuke aquiesceu e se arrependeu por ter trazido o assunto à tona.

Toda amabilidade entre ele e Sakura desvaneceu, rompendo-se como uma bolha de sabão. No seu lugar, restou, mais uma vez, apenas a mágoa envelhecida que ela ainda nutria pelo Sasuke que lhe tirara tudo de mais precioso no mundo e a deixara para trás, sangrando, para recolher os cacos do coração e refazer a vida da melhor maneira que encontrasse — o que ela fez, levantando-se como sempre se levantou; uma guerreira em todos os sentidos.

— É melhor nos reunirmos ao meu time agora. Estamos sendo esperados nas Montanhas Três Lobos — ela disse, virando o corpo e já se afastando em direção aos alunos.

— Aa — Sasuke assentiu, mas não a seguiu de imediato.

Quando ela já se encontrava a uma boa distância, virou-se para encará-lo, mas a expressão no seu rosto estava ilegível de novo.

— Não se esqueça do meu pedido — relembrou-o. — Disfarce-se com um henge no jutsu quando estivermos perto o bastante das Montanhas Três Lobos. Você será o meu guarda-costas.

E dito isso partiu sem olhar para trás outra vez. Sasuke suspirou. Esperou um ou dois minutos e só depois a seguiu, reunindo-se à Sakura e aos alunos dela, que continuavam extremamente infelizes com o mau tempo.

Assim que recolheram todos os suprimentos, colocaram-se em movimento outra vez. Seguiram pela floresta cerrada enquanto as montanhas monstruosas trigêmeas ficavam cada vez maiores e mais próximas.

— São assustadoras, Sakura-sensei — Hikari comentou com espanto, erguendo bem a cabeça a fim de fitá-las.

— Eu detestaria viver por perto — Toyoharu fez eco à lamentação da parceira de equipe.

— De fato, parecem agourentas — Yusuke completou, ajeitando os óculos com os dedos dormentes de frio.

— São apenas pedras e gelo — Sakura os contradisse para dispersar aquela aura pesada entre os jovens alunos. — Todos vocês verão uma vez que estejamos lá — prometeu.

Mas a sensação de tensão não os abandonou mesmo quando estavam próximos o suficiente das montanhas para ouvir o modo como o vento uivava nas frestas da rocha congelada. Um pouco antes, Sasuke tinha se ocultado por trás de um vistoso pinheiro coberto de neve e realizado o henge no jutsu. Agora, sua aparência assemelhava-se muito mais a de um Shinobi comum com grossos e curtos cabelos castanhos, olhos também castanhos e um rosto de feições simples porém simpáticas. Um hitaiate com a insígnia da Folha adornava o centro da sua testa e havia um uniforme comum sob o seu manto pesado. Manteve a bainha da espada pendurada às costas, por via das dúvidas.

Os dois garotos limitaram-se a olhá-lo em silêncio quando revelou a nova aparência ao grupo, mas Hikari tinha lhe sorrido e dito que continuava muito bonito e charmoso. Sasuke aproximou-se deles sem jeito, buscando pelo olhar de Sakura, mas ela não o fitava, mirava as montanhas acima com apreensão e cautela.

— Aqui, Sakura-sensei! — Hikari tinha lhe entregue o pergaminho que continha a mensagem secreta de Kakashi nesse momento, atraindo a sua atenção.

— Ah, obrigada, Hikari-chan! — ela agradeceu ao tomar o pergaminho das mãos da pupila.

Então, pousou-o em meio a neve e, pressionando a palma da mão contra o papel, invocou de lá o costumeiro adereço dos Kages: o grande chapéu vermelho losangular com uma tira de tecido fino pendente e o kanji de Fogo adornando o seu centro em vermelho contra o fundo branco. Ela parecia cansada ao segurar o chapéu, sem dar sinais de que o colocaria sobre a cabeça.

— Então chegou o momento... — murmurou para si mesma entre um suspiro e outro.

Sakura fechou os olhos e pareceu meditar, ir para longe. Sasuke teve a estranha impressão de que ela estava pedindo por forças a alguém para desempenhar o papel que teria que desempenhar. Talvez tivesse se virado para a mestra ou para Naruto.

Quando abriu os olhos, ele percebeu que a determinação tinha retornado às suas feições, tornando-as tão rígidas quanto as pedras das montanhas acima deles. Sakura se virou para o grupo e decretou:

— Certo, então vamos lá!

— Hai, sensei! — os alunos responderam, entusiasmados pela primeira vez em muito tempo.

Seguiram em direção às montanhas, em direção à edificação oculta entre as suas escarpas congeladas, o prédio onde a Cúpula dos Kages aconteceria no dia seguinte. Uma vez que se aproximaram o suficiente, começaram a notar as presenças de outros Shinobis e samurais em abundância que estavam ali para garantir a segurança dos líderes invitados para a reunião.

Depois de subirem por uma estrada que serpenteava para cima, depararam-se com o grande edifício aninhado num seio pedregoso protegido da neve e do vento pela formação rochosa com forma de mandíbula de lobo. O edifício continha algumas instalações menores que se espalhavam por toda a extensão da montanha, certamente para acomodar os líderes que vinham para a cúpula bem como as suas escoltas e comitivas.

Ainda nevava quando eles alcançaram as grandes portas duplas de madeira pintada, vigiada por samurais sisudos que cumprimentavam os recém-chegados com meias palavras murmuradas por trás dos capacetes de chifres.

Sasuke tinha permanecido calmo durante todo o percurso até o portão. No momento certo, Sakura tomou a dianteira e se apresentou como a Nanadaime Hokage de Konohagakure no Sato, deixando que os samurais dessem uma boa olhada no chapéu que ela trazia numa das mãos.

Os samurais se entreolharam, confusos.

— Nós esperávamos pela vinda do Rokudaime Hokage Hatake Kakashi para a Cúpula — um deles alegou.

Sakura sorriu, toda cortesias e gentilezas.

— Houve alguns contratempos, então ele decidiu me enviar. Sou a sucessora dele. Posso, inclusive, lhes mostrar a mensagem dele que me pede para representar os interesses de Konoha e do país do Fogo na reunião.

Apesar do sorriso, Sasuke notou o tom persuasivo da voz melódica, o adejar encantador dos cílios e a postura corporal relaxada. Os homens imediatamente trataram de se desculpar pelo equívoco e alegaram não ser necessário ver a mensagem de Kakashi para tomarem a palavra de Sakura como verdade. E num piscar de olhos, aquela mulher os tinha bem na palma da mão.

— Precisamos apenas saber os nomes dos seus acompanhantes, Hokage-sama. Uma questão de protocolos, tenho certeza que pode nos compreender — um deles disse.

— É claro — Sakura aquiesceu, solícita, e apontou para os três alunos primeiro. — Estes são Ogawa Yusuke, Shimizu Toyoharu e Fukuda Hikari, meus alunos.

O samurai rapidamente registrou os nomes dos três jovens shinobis e então chegou a vez de Sasuke. O homem olhou para Sakura, expectante para que ela o apresentasse e assim o registro também pudesse ser feito. Ela sorriu para o samurai, e Sasuke estava prestes a tomar as rédeas da situação quando a voz dela deteve-o:

— E este é o meu guarda-costas, Fukuda Sho.

O samurai registrou o nome enquanto Sasuke olhava para os alunos de Sakura, que segredavam alguma coisa uns para os outros entre risinhos e caretas engraçadas.

— Muito bem. Todos registrados. Há mais alguém a caminho, Hokage-sama?

— Sim — ela respondeu sem hesitação daquela vez. — Um esquadrão que deve se reunir a mim aqui nas Montanhas Três Lobos composto por Nara Shikamaru, Yamanaka Ino e Akimichi Chouji, além de um antigo integrante da Anbu chamado Sai. Eles chegarão a qualquer momento, a tempestade deve tê-los atrasado. — Outra vez, ela inclinou o rosto belo e esboçou um sorriso para o samurai, que pigarreou, encabulado.

— Ah, sim. Eu me certificarei de te informar sobre a chegada deles assim que cruzaram estes portões, Hokage-sama. Enquanto isso, por favor, prossiga para as instalações adjacentes onde ficarão mais bem acomodados até a reunião, amanhã pela manhã.

O samurai passou algumas instruções ao grupo para que pudessem encontrar os alojamentos especificados. Sakura agradeceu mais uma vez e eles, por fim, entraram no edifício sem quaisquer problemas. Tendo deixado os vigias para trás, Sasuke se deteve ao ouvir o som de um riso pela segunda vez desde que passaram pelo portão.

Ele se virou para o trio de alunos de Sakura com um ar visível de aturdimento.

— Aconteceu alguma coisa?

Um dos meninos suspirou ao respondê-lo.

— Nada demais, só o fato de que a Sakura-sensei deu o nome do tio da Hikari aos samurais.

Sasuke fitou as costas de Sakura, que se afastavam deles a cada passo dado. Ele se virou de novo para Hikari quando percebeu que ela ainda estava rindo, cobrindo os lábios para tentar — sem sucesso — abafá-lo.

— Fukuda Sho é seu tio?

A menina meneou a cabeça num gesto afirmativo e tocou o lábio superior com a ponta cor-de-rosa da língua. Depois, ergueu uma mão e mostrou o dedo mindinho a Sasuke.

— É o ex-namorado da sensei também.

A informação chocou Sasuke por um momento. Toyoharu se aproximou com um suspiro pesado.

— Os dois não tiveram um término de relacionamento lá muito agradável.

Hikari inflou as bochechas num gesto infantil e fulminou o companheiro com o olhar.

— A Sakura-sensei tinha outras prioridades e o idiota do meu tio não pareceu entender isso muito bem. Ele estava mais do que pronto para levar o relacionamento para outro nível depois de dois anos e meio. — Hikari enfatizou a fala com gestos amplos, indicando que se referia claramente à palavra “casamento”. — Tão idiota! — ela repetiu o insulto, cada vez mais exasperada. — Eu disse a ele para não insistir no assunto, para ser paciente, mas os homens são malditamente teimosos quando querem ser — acrescentou num lamento e com um dar de ombros.

Toyoharu ergueu os braços, alongando-os sobre a cabeça.

— E ele ganhou um belo pé na bunda por isso.

— O que é uma pena porque eles formavam um par lindo — Hikari gemeu desgostosa. — E eu cheguei pertinho, pertinho de ter a Sakura-sensei como minha tia! — Cobriu os lábios de novo e usou a mão para esconder o sorriso.

— Nós realmente não deveríamos discutir a vida amorosa da Sakura-sensei pelas costas dela — Yusuke se uniu à dupla, censurando-os por discutir a vida privada da professora longe dos ouvidos dela.

Hikari lançou um olhar malicioso para o companheiro.

— E você não pode negar que adorou o fato de a Sakura-sensei ter chutado o meu tio, Yusuke-kun, afinal, por causa disso ela pôde continuar se dedicando completamente à gente. Eu me lembro de ter te visto bem aliviado quando soubemos do término.

O menino enrubesceu, mais que depressa negando as palavras de Hikari enquanto os dois companheiros continuavam a caçoar dele. Mais à frente, Sakura se virou zangada para os alunos e disse a eles para não se afastarem dela. Os três anuíram e correram a fim de alcançá-la, mas Sasuke ainda levou um tempo para fazê-lo também.

Estava atônito com a revelação, mas se forçou a engoli-la, recompôs-se com um balançar da cabeça, e seguiu os outros, mantendo-se um pouco mais distante do que antes. O grupo se embrenhou nas entranhas da fortaleza de rocha, percorrendo um longo corredor que os levou a um amplo espaço por onde zumbiam as vozes dos visitantes.

O saguão principal do edifício estava meio cheio, com samurais zanzando de um lado ao outro, e muitos shinobis de diferentes países reuniram-se ali para conversar e trocar informações, especialmente aqueles que eram oriundos das nações aliadas. Apesar disso, não viram nenhum outro líder.

Sasuke atravessou o saguão com passos rígidos. Não tinha boas lembranças daquele lugar: as vidas que tirou, as vidas que ameaçou, as vidas que, por pouco, não destruiu. Foi ali que lutara uma batalha dura contra o Raikage na companhia de Suigetsu e de Juugo. E foi ali que decretara, há muitos anos, que os seus olhos estavam selados para a luz e que o seu objetivo jazia apenas na escuridão.

Eu era um idiota, disse a si mesmo, mas isso não amenizou o gosto amargo que se espalhava pela sua boca. Fitou as costas de Sakura e se perguntou o que se passava pela cabeça dela. Da última vez em que uma Cúpula dos Kages aconteceu, ele representou o papel de vilão. Ele era o Chikage.

Seguindo as instruções dadas pelo samurai de antes, eles se afastaram do prédio principal e seguiram por uma extensão de corredores bifurcados até os alojamentos designados para o Hokage e para a sua escolta, num dos edifícios adjacentes, exatamente como lhes tinha sido dito.

Sakura abriu a porta de um quarto no fim de um corredor e revelou um cômodo amplo e bastante confortável com poltronas dispostas ao redor de uma mesa de centro com um vaso florido adornando-o, um carpete felpudo que cobria todo o assoalho e uma grande janela com vista para o vale níveo logo abaixo.

— Ah puxa, que demais! — Hikari entrou no cômodo e se jogou numa das poltronas. — Tão confortável! — murmurou num suspiro de contentamento.

Toyoharu uniu-se a ela, também testando a poltrona ao lado. Sakura sorriu para a visão dos alunos esparramados nas poltronas.

— Comportem-se! — lembrou-os, contudo.

Yusuke e Sasuke foram os últimos a entrar no quarto, este fechando a porta ao passar. Havia duas portas na parede dos fundos do quarto, que revelaram dois quartos, um deles inclusive com um banheiro contíguo. Hikari e Sakura ficaram com um dos quarto, enquanto os meninos ficaram com o outro. Sasuke alegou que se arranjaria em qualquer lugar; decidiu que ainda era melhor que ficasse fora das vistas dos outros.

Havia camas de solteiro confortáveis suficientes para todos, inclusive para aqueles que ainda chegariam. Toyoharu e Yusuke tomaram um banho quente, vestiram roupas limpas e depois se acomodaram numa das camas para jogar alguma espécie de jogo de cartas. Sasuke limitou-se a observá-los interagir, sentindo-se nostálgico de certa forma, pois a rivalidade saudável entre os garotos ainda o fazia lembrar dele e de Naruto quando ainda eram genins e competiam por praticamente tudo.

Quando chegou a vez dele de tomar banho, entrou no banheiro contíguo ao outro quarto e só então se permitiu desfazer o henge no jutsu, assumindo a sua aparência verdadeira. A água do chuveiro estava escaldante, mas depois de todo o frio que passaram na estrada ela tornou-se um alento bem-vindo.

Ao sair do banho, envolto numa nuvem de vapor quente, vestiu roupas secas e limpas, mas não sentiu necessidade de refazer o henge no jutsu, pelo menos por enquanto.

Por volta das seis horas, uma refeição farta foi servida a todos. Pela manhã, a Cúpula dos Kages aconteceria e todos estavam apreensivos, praticamente contando as horas restantes até o seu início. Então, quando passava das onze horas, alguém bateu à porta do quarto.

Os alunos de Sakura dormiam, fatigados da viagem; os garotos no mesmo quarto, a garota no quarto que dividia com a professora. Sasuke estava sozinho na sala de estar do cômodo e colocou-se de pé, em alerta, assim que as batidas soaram.

Sakura surgiu do quarto envolta num roupão felpudo e com os cabelos ainda um pouco úmidos do banho quente que tomara mais cedo. Ela passou por Sasuke, relanceando a ele um olhar cauteloso. Então se postou atrás da porta e, respirando fundo, girou a maçaneta, abrindo apenas uma pequena fresta. Sasuke não foi capaz de ver quem era, pois estava no outro canto do recinto, meio oculto nas sombras noturnas.

Mas Sakura imediatamente alargou a fresta e deixou três pessoas passarem pelo umbral e entrarem no quarto: eram Shikamaru, Ino e Chouji, todos pálidos e fatigados. Ela fechou a porta depressa, mas não antes de espiar o corredor para ver se havia mais alguém.

Então se virou para o trio recém-chegado sem se dar ao trabalho de apertar o interruptor para acender as luzes. A luz da lua que varava as grandes janelas fornecia iluminação suficiente, fachos de luz prateados e azulados que se derramavam sobre o carpete grosso do cômodo.

— Vocês acabaram de chegar? — perguntou a Shikamaru, que anuiu.

— Sim, passamos pelos samurais no portão e eles nos indicaram o caminho. Quiseram te avisar de que estávamos a caminho, mas aleguei que não seria necessário e que vínhamos imediatamente para cá.

Ela cruzou os braços a fim de ocultar um pouco da tensão que praticamente irradiava do seu corpo.

— E então? Que informações vocês têm para mim? Trouxeram a localização do Chikage e da Guarda Escarlate?

Shikamaru foi contundente ao revelá-las:

— A situação é muito pior do que imaginávamos. Nós o seguimos até aqui, Hokage-sama. O Chikage está aqui — enfatizou.

Sakura descruzou os braços, atônita.

— Como ele pode estar aqui? Você quer dizer que ele pretende tentar mesmo alguma coisa durante a Cúpula?

Shikamaru meneou a cabeça, negando.

— Não, Hokage-sama, eu quero dizer que o Chikage pretende participar da Cúpula. O desgraçado veio até aqui não para cometer um atentado à surdina, mas veio às claras no intuito de representar o país do Sangue e os seus interesses.

Um silêncio sufocante envolveu todos depois disso, emudecendo mesmo Sasuke e Sakura, que não tinham ideia do que o Chikage pretendia ao forçar a sua participação na Cúpula.

Em algumas horas, o sol nasceria no vale e a reunião de líderes de diversos países teria o seu início marcado. Em algumas horas, todos estariam frente a frente com o Chikage.

Inclusive aquele quem mais esperou pelo confronto com o líder do país do Sangue.

Notas finais
Muito bem, hora da polêmica! Sim, a Sakura teve um namorado nesse mundo. E conheceremos mais dele futuramente e do relacionamento que eles tiveram, embora eu não possa falar muito disso ainda! Haha Polêmicas à parte, o Chikage está chegando! E ele quer participar da reunião! O que será que ele pretende aprontar?! No próximo capítulo, a Cúpula começa! o/ Até! xoxo