Dark Angel
10 Ah, 15 anos...
Tudo começou quando eu tinha 15 anos, mas naquela época eu não fazia a menor noção de que meus pais não eram humanos. Me lembro até hoje daquela briga com a minha mãe. Eu não era a filha perfeita, mas também não costumava aprontar, porém minha mãe era bem seletiva com as minhas amizades e quase não me deixava sair com ninguém. E havia aquele menino que eu estava afim, nós já havíamos saído diversas vezes escondidos da minha mãe, mas dessa vez quando cheguei, Nora estava esperando na varanda com uma cara nada legal. Entrei em casa como se nada tivesse acontecido e ela me seguiu, começou a falar dos perigos de sair aquela hora e com pessoas que eu mal conhecia, que ele podia ter me matado ou feito algo pior, que ela estava decepcionada comigo e que eu nunca mais estaria autorizada a sair de casa, que eu só me envolvia com gente que não prestava, que eu estava provando ser uma filha inútil e indesejada. Nessa hora minha raiva explodiu, foi tão rápido que mal consegui perceber, a faca saiu voando em direção a minha mãe, mas graças aos reflexos avançados dela, não a machucou além de um corte na mão. Eu não entendia o porque minha mãe estava com tanta raiva ao ponto de falar aquelas coisas comigo (hoje sei que provavelmente tinha pessoas más, anjos caídos querendo minha cabeça ou nephilins, tanto faz), só sei que ali brotou uma raiva incontrolável em mim ao ponto de acontecer o que aconteceu. Minha mãe me mandou direto pro quarto e ficamos semanas sem nos falar.
Aproximadamente um mês depois, eu acordava toda noite com vozes estranhas na minha cabeça, e com o passar dos dias estava insuportável, eu ouvia mais e mais gente falando nos meus pensamentos, eu não conseguia controlar, meu desempenho escolar caiu, eu só vivia trancada no meu quarto com a música no último volume, até que descobri que essas vozes insuportáveis eram pensamentos alheios. Com o tempo, eu comecei a controlar e escolher quem eu queria ler a mente, até que eu decidi que isso não era a melhor coisa, já que consegui ouvir coisas que me magoaram ao extremo. Junto com isso, descobri que eu conseguia induzir vontades e pensamentos em outras pessoas e anos depois isso acabou ocasionando em uma tragédia que eu me recuso lembrar.
O número de habilidades que eu possuía era absurdo, porém eu não confiava em ninguém o suficiente para conversar a respeito. Nisso eu fui me afastando dos meus pais, até que chegou o dia de entrar na faculdade. Nós eramos extremamente unidos, eu sempre contava absolutamente tudo para eles, mesmo sendo rebelde as vezes e escondendo ago, no fim eu acabava contando. Aproveitei a distância para me mudar com a minha amiga para mais próximo da faculdade. No início comecei a sair pra beber e essas coisas que todo universitário conhece, mas quando descobri que isso interferia no controle das minhas habilidades, resolvi parar.
A visita de Kol ontem me lembrou o melhor que essas habilidades me trouxeram, os momentos de diversão e de pegadinhas que fiz com pessoas que jamais desconfiariam da realidade, mas também me lembrou o pior. Josh. Não, eu não podia pensar naquilo, eu realmente NÃO podia pensar naquilo. Aquilo tirou meu sono por meses, mais de um ano, não lembro exatamente, foi horrível, eu não podia me dar ao luxo de deixar tudo voltar a tona. E se alguém descobrir a verdade? Ah, eu estaria tão ferrada.
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