Daring Love
4 Capítulo 4
Percebi que teria que agir. Eu realmente não tinha muito tempo, teria que criar as minhas oportunidades. Estava chegando o dia dos professores, era uma data propícia para fazer algo. Afinal, o aniversário dela já tinha passado, e as outras datas eram muito familiares, e eu não queria nada que remetesse ao fato de ela ter um família. Decidi que daria um cartão pra ela, escolhi com a ajuda da minha amiga e comprei. Inicialmente seria apenas o cartão, mas acabei comprando também um colar, que formava um coração, mas também parecia um M, de Marina, obviamente. Só decidi o que escreveria no cartão no dia que entregaria, era tanto que eu queria dizer, mas não queria parecer muito desesperada e nem entedia-la. Esperei numa escada pela qual eu sabia que ela teria que passar, coloquei o cartão e o colar num envelope grande, assim ninguém veria nem suspeitaria de nada e ela não teria problemas.
Quando ela passou, levantei e a abracei, desejei um “feliz dia dos professores” e falei que aquilo era pra ela. Ela pegou o envelope, sorriu e foi para a sala dos professores, onde estava tendo uma pequena comemoração. Bem, nem preciso descrever a ansiedade que fiquei depois. Não via a hora de a ver de novo e saber se pelo menos tinha conseguido tocar um pouco seu coração. Se as minhas palavras a tinham alcançado. Fui com minha amiga esperar pelo elevador no mesmo andar em que os professores ficavam. Sempre faziamos isso, até já tinhamos sido meio “convidadas a nos retirarmos”, mas nunca realmente saíamos. Então ela passou, e pra minha surpresa estava super felizinha, me dando sorrisos. Na minha mente fértil, zilhões de pensamentos passaram num segundo. Mas fiquei tão feliz, me sentia radiante. Não senti vergonha de olhar pra ela, como eu pensei que sentiria, apenas fiquei contente. Mas o que será que ela realmente tinha pensado? Eu tinha medo de que ela agisse daquele jeito por pena, ou compaixão. Que me visse como uma criança com um amor platônico, daquelas que desenham mil coração e escrevem o nome do ser amado no caderno. Nada contra fazer isso, mas a pessoa amada saber que você faz, já é um pouco demais. Ia ter uma feira cultural no colégio. A minha sala não ia participar, mas como eu e minha amiga estavamos sempre envolvidas com a organização de peças e saraus, uma das professoras pediu nossa ajuda. Claro que além de tudo, era um desculpa ótima para perdermos algumas aulas. E claro que também aproveitei pra saber se Ela viria. E ela disse que sim. Nós iriamos fazer uma adaptação curta de “Dom Casmurro”, passamos o dia anterior inteiro preparando tudo, o que nos rendeu o maior cansaço, mas pela arte, nós faziamos sem pensar duas vezes. Apresentamos várias vezes seguidas, entre lágrimas e suor, mas não vem ao caso o porquê. Queria que ela visse, mas ela chegou quando já tinhamos terminado. Mas naquele dia, eu queria que alguém conhecesse ela, e esse alguém é meu namorado. Sim,leitor(a), eu tenho um namorado.[continua...]
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