Darck Hood

1 Uma fria noite de inverno


Notas iniciais
Olá pessoas, esta é uma fic meio sombria, achei interessante escreve-la, caso vcs gostem eu posso fazer outras e transformar em um conjunto de novas versões de historias infantis, como branca de neve, Rapunzel, etc.
Espero que gostem, e desculpem qualquer erro.
Boa leitura.

Era uma fria noite de inverno. O chão estava coberto com a neve branca. A lua brilhava alta no céu estrelado. Mas esta não era uma noite normal. Esta não era uma noite boa.

Ao longe um eco do que já foi um grito é sustentado pelo silencio sombrio da floresta.

Uma menina, cabelos pretos esvoaçantes, olhos verdes, antes expressivos, que agora carregam uma frieza sutil de uma assassina, sai correndo por entre as arvores mortas da floresta, montada em um lobo cinzento. A casa que a garota fugia agora se tornara uma cena de um crime. As sirenes da policia ecoavam ao longe, mas é tarde demais. Quando finalmente os carros da policia aparecem, eles apenas veem um vulto vermelho escuro em cima de algum animal se esquivando por entre as arvores ao longe.

A garota não olha para tras em nenhum momento, e é só quando chega à caverna em que seu lobo vivia é que ela relaxou. Não se arrependia de nada, não sentia nada, incrível como matar te completa e te transforma, pensava ela. A aquela pessoa mereceu o que foi feito a ela. A memória do corpo de sua madrasta ensanguentado lhe causava um sorrisinho de canto, o tipo de sorriso de orgulho de um trabalho bem feito.

Ela abaixou o capuz e tirou sua capa de frio. O tecido agora estava tingido de vermelho, um tom carmesim escuro. O tom do sangue seco. O sangue de sua madrasta.

A garota jogou a capa em um canto da caverna e caminhou até o majestoso animal de pelagem cinzenta que estava deitado em um canto mais afastado da entrada da caverna. Ela acariciou o topo de sua cabeça e sentou-se ao seu lado, apoiando as costas na barriga dele.

– Agiu muito bem hoje Wolff, muito bem garoto – O lobo deitou a cabeça no colo da menina, que continuava a acaricia-lo. Se lembrando do passado, a garota pensou em como aquela mulher a tinha enganado, o modo com que tinha acabado com sua vida.

A mulher que ela havia matado essa noite era sua mãe, ao menos era o que ela achava até uma semana atrás quando descobriu que aquela mulher na verdade era sua madrasta, e que por todos esses anos havia mentido para ela e a maltratado de todas as formas possíveis. Descobriu também que essa mesma mulher que se dizia sua mãe, havia assassinado a sangue frio seu pai.

E como se não bastasse tudo isso, quando sua avó paterna descobriu o segredo e tentou avisar a policia, a madrasta matou-a também. Felizmente, a avó da garota conseguiu avisa-la antes de morrer. Depois desses assassinatos, a mulher parecia piorar cada vez mais, a cada hora, a cada dia.

Obrigava a pobre garota a fazer serviços pesados, constantemente perdendo a paciência e se acabando na bebida, descontando na suposta filha toda a sua ira sem motivo aparente. Aos poucos a mulher se tornou uma tirana louca.

Um dia, um caçador da região bateu a porta da casa onde a garota morava. Quando ela abriu a porta, o caçador entrou empurrando-a para o lado, como se aquela casa pertencesse a ele. A madrasta da garota riu quando a menina caiu. Sem dar à mínima, o caçador foi até a mulher e a agarrou, beijando-a de forma violenta e repugnante.

As visitas do caçador tornaram-se frequentes. A menina tinha que se esconder em lugares pequenos e afastados do quarto, tapando os ouvidos para não ouvir os grotescos sons que enchiam a pequena casa. Aos poucos, a vida da garota foi se tornando vazia, travada em uma rotina que consistia em aturar as loucuras da mãe, aguentar seus ataques de raiva e se esconder ao fim do dia quando o caçador vinha “visitar” sua mãe. E quando a menina achou que nada mais podia piorar, o caçador começava a dar em cima dela sempre que sua mãe virava as costas, ou até mesmo quando ambas estavam perto uma da outra.

Seu interesse foi confirmado no dia em que, ao demorar um pouco mais para limpar o chão, ela teve que ficar até a noite o limpando e ouviu o caçador falar com a mulher no quarto. “Você tem uma filha tão linda, poderia me deixar brincar com ela, não?”. Ao ouvir isso, a garota tapou a boca para conter um grito de horror. Por um tempo não se ouviu mais nada no quarto, até que ela ouviu a mulher responder, “Ora... não vejo porque não, mas isso não vai sair de graça, e você sabe bem disso”.

Abrindo os olhos que nem havia percebido que tinha fechado, a garota voltou ao presente, saindo de suas terríveis recordações. Olhando para fora da caverna, viu que o dia estava prestes a amanhecer. Quantos anos ela não havia sofrido com aquela maldita? E aquele caçador desgraçado também não estava impune.

Mas com ele, ela não tinha com o que se preocupar, o seu lobo já tinha dado um fim no infeliz. E em relação à madrasta, dela só restaram as vestes, e uma sombra no passado da garota. Ela se prendia às duas únicas pessoas a quem ela amou de verdade, seu pai e sua avó. Ambos mortos por um destino cruel. Ela sabia que ambos morreram tentando salva-la, e foram mortos por aquela mulher.

O sol nasceu no horizonte. A menina levantou-se e pegou sua capa, amarrando-a e colocando o capuz sobre a cabeça. A garota saiu da caverna seguida do lobo. Passou perto da casa em que ela morava, a policia interditara o local. Andando por mais algum tempo ela chegou à entrada da cidade. Mandando o lobo ficar escondido, ela entrou e foi até uma banca. Olhando para os jornais, a única noticia era sobre a morte da mulher que morava na casa mais afastada da cidade. Em todas as manchetes, o destaque era quem seria o assassino, e a que se dava desaparecimento da menina que também morava lá.

Em um dos jornais estava em destaque uma entrevista de um dos policiais que dizia ter visto um animal correndo com alguém ou alguma coisa que vestia uma espécie de capa escura. E nos outros jornais, o estranho vulto já tinha um nome definido. “Capa Sombria”.

A garota sorriu levemente com o nome que recebera. Ela caminhou de volta à floresta e montou em seu lobo. Não sabia ao certo para onde iria, nem o que faria, mas ao menos agora ela estava livre das terríveis garras de sua madrasta.

Notas finais
O que acharam? devo continuar com esse projeto? Digam nos reviews quais devem ser as próximas historias, ok?
Beijos e até breve ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!