Darcanjo

1 Round 1 - Prólogo


Notas iniciais
Olá gente, como sou horrível com apresentações vou pular essa parte. Minha história será longa e tentarei postar pelo menos 1 capítulo por semana. Podem haver referências indiretas a diversos animes, pois assisto muitos e é deles que vem minha inspiração, mas tentarei o máximo possível deixar a história original, boa leitura.

– Arf, arf, arf – Arfou o jovem, parando para descansar um pouco – Vim parar numa escola, arf, arf, e agora? Preciso me esconder.

Ele olhou desesperadamente para seu lado esquerdo e viu uma sala de aula repleta de cadeiras, um quadro negro com algumas anotações, provavelmente de matemática, e alguns outros objetos escolares. Já pelo seu lado direito ele tinha a visão de um pátio no térreo com alguns bancos, uma ou duas árvores, alguns canteiros de flores e mais um vasto número de cômodos. Mas nenhum local onde ele pudesse se trancar.

– Um banheiro, preciso de um banheiro!

Deu então uma volta completa em torno de si, mas não conseguiu distinguir nada que se parecesse com um. Provavelmente existiria algum no terraço, mas, como daquela altura não era possível vê-lo, sua única opção era descer.

– Queridoooo... – Ecoou uma voz pelo corredor.

Ela possuía um falso tom gracioso como a de uma vendedora de loja de sapato, porém com um tenebroso toque de má intenção que fez o corpo do jovem estremecer automaticamente.

– Tenho de correr ou ela vai me alcançar.

Antes de começar a fugir a única coisa que ele conseguira ver foi a aparência de uma mulher que já estava com um pé na cova. Se ele já não tivesse alguma experiência no assunto teria se assustado com a velocidade de aproximação daquela pessoa.

– Cadê vocêêêê... – Continuou a voz rouca agora a uns 100 metros de onde ele estava.

– Merda – xingou o rapaz enquanto entrava em uma sala para descansar um pouco e via a silhueta dela passar direto por onde ele estava.

Já fazia algum tempo que ele não fazia aquilo e começava a perder a prática. A sensação de liberdade da viagem astral era tão boa que ele havia esquecido os riscos do processo. “No pain, no gain” era tudo o que ele conseguia pensar naquele momento.

– Resolveu aparecer docinho? – Disse a idosa quando o viu correr em direção as escadas.

Ele era veloz, só não sabia se o suficiente para escapar das garras dela, a mínima vantagem que possuía parecia desaparecer junto ao seu fôlego. Seu coração batia tão rápido que parecia querer pular para fora do peito. Descia a dois degraus por vez, três, quatro, se olhasse para trás já era.

– Se eu chegar ao banheiro dou um jeito de voltar – Pensou assim que chegou ao térreo – Banheiro, banheiro, banheiro, achei!!

Sem pensar duas vezes ele se pôs para dentro e fechou a porta com força.

– Agora vem a parte difícil – Pensou enquanto se concentrava para usar o trinco e se jogava contra a parede – Voltar para casa, voltar para casa, voltar para...

Logo seus pensamentos foram interrompidos pelo frio violento que adentrou ao local. A maçaneta começou a se mover tentando abrir a porta.

– Meu bemmmm... abre a porta pra vovó, abre – Falava a voz enquanto batia na porta a uma força descomunal.

– Aqui eu estou seguro. Vá embora!! – Gritou o rapaz.

De repente o ferrolho começou a se mover bem devagar, para cima, para baixo, para cima, para baixo. É claro que aquilo não pararia um fantasma.

O jovem começava a suar frio, lembrando de todos os filmes de terror que já havia assistido, e imaginando o pior. A demora só fazia aumentar sua ansiedade até que... BAM! A porta se abriu.

O corpo do fantasma apareceu aos poucos diante da escuridão, primeiro os cabelos desengonçados, depois as mãos e rosto flácidos e enrugados e por último sua roupa branca com alguns pequenos rasgões e sujeira. Se fosse algo vivo seria a perfeita imagem de uma bruxa dos contos de fada. Mas não era. Talvez, por isso, fosse até mais perigosa e amedrontadora.

– Se eu estivesse com meu livro você já teria virado picadinho – Disse o garoto ainda tremendo de frio e de medo.

– Que pena, que pena... – Dito isso, ela soltou um gemido e começou a correr em sua direção.

Cada vez mais fraco, encurralado e sem conseguir se concentrar. Estava perdido.

– Se abaixa – Gritou uma voz à porta.

Sem energia, sua única opção foi desabar ao chão. Um grande objeto passou zunindo acertando seus cabelos. Seja lá o que fosse aquilo cortou o fantasma ao meio.

– Olá! – Disse seu salvador com um sorriso no rosto.