Danse Macabre
8 Capítulo 8
Vendada
A estrada estava livre por muitos quilômetros e estávamos em silêncio dentro do carro. Eu olhava pela janela, mas não via nada do lado de fora. Estava pensando sobre o que havia acontecido na noite anterior. Meu corpo ainda reclamava, estava com algumas marcas no pescoço, ombro, final das costas, e imaginava que Daryl deveria estar do mesmo jeito.
Arrebentamos nossos limites ali, naquela noite. Eu estava aprendendo o que gostava, e eu estava aprendendo que gostava de Daryl Dixon, do lado forte, do lado insano, do lado bruto. Engoli em seco evitando pensar demais no que acontecera. Eu estaria excitada novamente em alguns minutos e pularia no colo dele se não me controlasse, mas ele estava quieto por esse e outro motivo. Daryl estava quieto desde que saíra da cama ontem de madrugada, a boca avermelhada do meu sangue, suor escorrendo por todo o corpo, os olhos arregalados, assustados com o que fizemos.
Eu sabia que ele perderia o controle, mas nada havia preparado Daryl para isso, e nem mesmo o havia preparado para que ele me visse aceitando isso tão bem e de bom grado. Ele não estava preparado para que eu gostasse daquilo, não estava preparado para me aceitar e querer mais do que ele tanto tentara esconder.
Me mexi e olhei Daryl, fitei seu perfil enquanto ele dirigia, os olhos observando o ponteiro da gasolina, vendo em quanto tempo teríamos que abandonar o carro e continuar a pé. Por alguns quilômetros vi que estávamos seguindo para um lote em planejamento, algo como um condomínio. Não queria criar esperança de acharmos outra casa, de acharmos outro lugar seguro para nos abrigarmos por um tempo.
"Vamos ficar nesse silêncio até quando?"
Ele grunhiu. Quando Daryl não queria falar sobre algo ele grunhia, grunhia e continuava em silêncio logo após. E eu não estava querendo isso. Queria conversar, queria saber o que desencadeara tudo aquilo ontem. E queria mais.
"Daryl, porque não fala comigo sobre ontem?" Ele grunhiu novamente. "Daryl, fala comigo."
Ele grunhiu e apertou as mãos no volante, os olhos me observando brevemente pelo canto. Eu queria mais do que tudo que Daryl falasse comigo, que me dissesse o porque de tudo aquilo. O porque do silêncio e o porque de ontem.
Suspirei alto, vendo-o mover as mãos no volante, ele fazia isso quando estava nervoso, pensativo, evitando pensar demais. Me movi novamente, o espaço entre nós dois no carro não era tão grande, mas estávamos separados. Me aproximei, movendo minha perna até que estivesse próxima da dele, minha mão solta em meu colo.
"Você não tem idade, Bethanie." Ele disse baixo, sério, sombrio. "Não tem idade para o que aconteceu…" Ele levou a mão para esquerda para a nuca, coçando-a. "Eu… não posso. Merda, Beth."
Eu entendi. Eu realmente entendia o receio dele. Realmente entendia que ele estava com medo de que aquele Daryl tomasse conta dele, o dominasse e por consequência, me dominasse. Mas o que Daryl não entendia era que eu queria. Eu realmente queria que aquilo acontecesse. E eu sabia que com Daryl eu teria que dizer todas as letras ou ficaríamos naquela dança eternamente.
"Eu te disse que queria isso, Daryl." Engoli em seco afundando meus próprios receios. "Te disse que queria ser amarrada, vendada, apanhar…" Eu poderia continuar a lista, mas vi os nós dos dedos dele ficarem brancos enquanto apertavam sem dó alguma o volante. "Ontem… você apenas… foi você mesmo."
"É isso mesmo que você não deveria querer, Bethanie."
"Eu quero você, Daryl."
Aquela foi a última coisa que falei e ele também. Após aquelas palavras nos permitimos afundar no silêncio em apenas tentar entender. Eu queria entender o receio e Daryl queria entender minha aceitação e ânsia para ser dele, de todo ele.
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A gasolina havia acabado há quatro horas e estávamos a pé, caminhando para chegarmos ao tal lugar que deveríamos estar seguros, no condomínio em construção. Daryl havia me dito que deveríamos pensar seriamente no que faríamos caso encontrássemos tal lugar habitável.
Eu queria dizer que deveríamos ficar ali, não mais sair, não mais procurar, não nos arriscar, mas aquilo o mataria, assim como quase o matou quando disse em uma briga algum tempo depois. Eu queria nossa família, mas nos queria vivos. E a cada vez que Daryl saia eu não tinha certeza se ele voltaria.
Nas próximas três noites, dormimos em carros na estrada, revezando turnos, seguindo durante o dia. A comida estava rareando e Daryl achava que seria melhor não entrar demais na floresta para caçar uma vez que faltava pouco para chegarmos ao tal lugar.
Matamos poucos dos errantes, conversamos pouco, nos olhamos pouco. Daryl estava com medo, e ao passar os dias notei que o medo era de me perder. O medo era de me assustar, de me afastar. E eu dançaria ao redor dele até provar que não iria a lugar algum. Mas antes, precisávamos descobrir se o local seguro, realmente era isso.
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Seis dias. Foram seis longos dias andando após a gasolina do carro acabar para conseguirmos chegar até os portões de Alexandria. No começo eu não queria entrar de modo algum. Mas então, se eu soubesse o que me aguardaria dentro daqueles portões, eu teria chutado as grades abaixo. Daryl chegou aos portões com a besta levantada, minha arma estava em minha mão, minha faca pronta para ser puxada.
Eu tremia de medo, mas também de cansaço, de dor, de fome, de sede. Eu queria muito acreditar que Daryl estava certo, que aquele era um lugar seguro, mas já havíamos nos enganado tantas vezes. Ouvimos um leve raspar de botas e logo alguém aparecia por cima dos grandes muros de metal que haviam colocado ali.
Meus joelhos cederam e guardei minha arma ao ouvir meu nome tão baixo que achei ser ilusão. Olhei para Daryl e o vi abaixando a besta, os olhos me fitando a seu lado. Deus, eu deveria estar alucinando. Mas então os portões foram abertos com força e rapidamente e a voz de Glenn vindo em nossa direção era real demais.
Sorri enquanto chorava e fiquei tão desesperada por abraçá-lo e me certificar que ele era real, que o derrubei no chão. Era tão estranho poder respirar novamente, poder sentir minha família novamente. Poder saber que eles estavam ali, porque se Glenn estava ali, Maggie também estaria.
"Beth, é você mesmo?" Glenn também não parecia acreditar. Nos levantamos devagar, Daryl estava a nosso lado, um sorriso passava pelo canto de sua boca. "Todos vão adorar isso."
As próximas horas foram estranhas. Lembro que foi como estar novamente entre estranhos, mas estranhos que eram minha família. Meu sangue, mas ao mesmo tempo não. Daryl havia se tornado tudo que eu tinha como referência e todos eles de volta me deixavam sem norte, sem um rumo certo a seguir.
Maggie estava grávida, a pequena barriga já começava a despontar da calça, Judith já começara a balbuciar palavras, Carl estava tão grande, Rick, Michonne e Carol estavam diferentes, mas ao mesmo tempo iguais. Vários outros conheci brevemente, apenas ouvindo seus nomes e sorrindo enquanto os olhava. Procurei Daryl entre os outros e o achei com Rick, os olhos vidrados nos meus enquanto escutava o que o Xerife tinha a dizer, um sorriso perturbador brotando em seus lábios.
Tentei entender, mas ele apenas acenava devagar, concordando com algo que Rick dizia e então ele encarou o outro homem, sua expressão mudando totalmente para séria. Rick me fitou por alguns segundos e então:
"Beth, poderia vir aqui?" Andei devagar até os dois, todos os presentes dentro daquela sala espaçosa na casa de Rick me fitando. "Onde vai ficar?"
Maggie como sempre falava por mim, decidiu que isso poderia continuar.
"Comigo e Glenn, claro."
Mas dessa vez, ela estava errada. Redondamente errada.
"Não." Dei um passo para trás, ficando ao lado de Daryl e encarando Maggie e todos na sala. Não havia um par de olhos que não estava me fitando. Alguns curiosos, outros surpresos. Eu nunca havia falado com Maggie daquele jeito. Ela estava surpresa. "Vou ficar com Daryl."
Carol prendeu a respiração e Carl pareceu chateado, minhas palavras causaram um impacto interessante no grupo. Eles não imaginavam o peso que aquelas palavras tiveram para Daryl. Nem eu imaginava, não até um pouco mais tarde naquela noite.
"Por que?"
"Porque quero, Maggie."
Algo como uma risada baixa saiu da garganta de Daryl e me virei para olhá-lo. Seus olhos claros estavam em mim e ele disse:
"Rick tem uma casa menor ao fim da rua. Disse que é minha, se eu quiser. Dois quartos." Ele deu de ombros, mas os olhos não deixaram os meus por nenhum segundo. Sorri, eu entendia o que ele não queria dizer. O que ele não conseguia dizer.
"Eu vou." Me virei e encarei todos. "Morarei com Daryl."
Minhas palavras saíram como ponto final, porque nem mesmo Maggie ousou me questionar ou me dizer o contrário, ao menos não na frente dos outros. Eu sabia que ela gostaria de me encher de perguntas mais a noite. E então começaram os questionamentos, as perguntas, as histórias e tudo passou como um borrão. Há mais de uma semana estávamos sozinhos, perdidos e sem família a não ser nós dois. Agora tínhamos todos de volta e isso me sufocava.
Na primeira oportunidade que tive, saí da casa de Rick, seguindo para a casa que Daryl havia dito que seria dele e eu poderia dividir. Ele estava conversando com Rick quando eu saí, eu não queria perturbá-lo. Ele parecia mais relaxa, mais 'em casa' ao redor de Rick que eu não queria tirar isso dele. Respirei fundo e observei a casa enquanto me aproximava.
Era uma modesta casa, parecia 'nossa primeira' casa. A iluminação era mínima na rua, algumas casas estavam totalmente apagadas, algumas tinha velas em alguns cômodos. A casa que Rick dera a Daryl era a última da rua e parecia ser algum tipo de casa de caseiro. Achei perfeita.
Subi na pequena varanda e ouvi a madeira ranger embaixo de minha bota. Sorri. Aquilo era tão familiar e ao mesmo tempo tão estranho. Eu queria que tudo ficasse bem, que conseguisse acreditar que essa comunidade comandada por Rick e Daine poderia dar certo, que o mundo acabando do lado de fora não fosse invadir e nos matar; mas eu estava cética demais para acreditar nisso.
Girei a maçaneta e a porta se abriu devagar, dando visão para uma pequena sala com dois ambientes. Era pequena e a pouca luz não me ajudava em nada, mas eu conseguia ver alguma coisa. Vi móveis nos dois ambientes, entrei deixando a porta aberta para conseguir me mover lá dentro. Achei meu caminho para a pequena cozinha, com um balcão e uma área de lavanderia pequena e a porta dos fundos. Indo para direita e seguindo a pouca iluminação que entrava pelas janelas, encontrei os dois quartos. Um tinha cama de casal e o outro uma cama de solteiro, cômodas e criado-mudo. Logo em frente aos quartos estava o banheiro, com uma banheira e um chuveiro juntos. Achei a casa feita para um casal.
Encostei no batente e percebi que estava sendo observada. Virei o rosto para a direção da porta de entrada e lá estava Maggie, seu rosto estava encoberto pelas sombras, mas eu conseguia divisar que ela não estava sorrindo. Maggie não deveria estar muito feliz comigo.
"Você mudou."
Ela comentou e me senti como se eu mudasse bem em frente aos olhos dela, mas a verdade é que eu vinha mudando aos poucos, eu vinha modificando minha vida desde a prisão, e agora eu estava longe de ser a Beth que ela conhecia. Eu estava bem longe de ser quem era quando nos separamos.
"Você também." disse apontando para sua barriga.
Maggie sorriu e se aproximou, ficando a meu lado, olhando para dentro do banheiro como eu estava fazendo quando a percebi ali.
"Você e Daryl…" Eu sorri e a olhei. Maggie sempre foi uma pessoa de dizer exatamente o que achava, o que queria, não seria diferente. "Vocês estão juntos?"
Eu não sabia responder aquilo. Eu sabia resposta que tinha pra mim, mas dizer que estava com ele, era algo que eu ainda não conseguia. Porque a realidade era que eu não sabia o que éramos ou como estávamos. Tudo que eu sabia era que eu já era dele.
"Maggie, nós…" Eu me movi andando pela sala mal iluminada. Sentia os olhos de Maggie em mim.
"Ele também está diferente." Ela comentou se aproximando e sentando no sofá pequeno no canto. Me sentei no outro, a sua frente, a mesa de café entre nós. Maggie estava diferente. Em outros tempos ela teria gritado e exigido saber o que acontecia entre nós. Hoje, ela está muito diferente, parece mais calma, pensativa. "Eu vi como ele te olha. Ele parece… ele parece que te venera."
Sorri no escuro. Maggie mal sabia que era o contrário. Eu venera Daryl, eu era dele. Ficamos em silêncio um tempo, mas Maggie não consegue se controlar, por mais calma que estivesse, por mais centrada que ela parecesse.
"Vocês estão…"
"Bethanie."
Daryl me chamou da porta de entrada e eu não havia ouvido ele subir os pequenos degraus e aparentemente Maggie também não. Nos viramos, olhando-o. Ele estava sério, apesar de que pela falta de luz ele parecia não estar nada feliz. Vi pelo canto de olho Maggie se levantar e ir na direção da porta, porém, parar e me fitar por cima do próprio ombro.
"Amanhã conversamos."
Não foi uma pergunta e eu lembro de que quis me esconder das perguntas que ela faria no dia seguinte. Ela bateu a mão ao lado da porta e ligou a única lâmpada da sala, me deixando embaixo de um foco de luz.
Daryl deu passagem para que ela saísse e logo após entrou e fechou a porta, os olhos colados em mim. Sabia bem o que ele não queria dizer, mas eu queria ouvir. Eu queria ouvir tudo que Rick lhe dissera.
"Rick disse algo?"
Daryl entrou devagar e olhou toda a casa como eu havia feito, mas checou a janela e a porta dos fundos, talvez essa mania nunca nos deixasse. Ele se sentou onde Maggie estava, colocando a besta a seu pé.
"Ele me perguntou." O vi me fitar sério, talvez ali eu achasse a resposta para o que Maggie tinha me perguntado. "Ele quis saber se vamos ficar juntos."
Assenti. Eu não queria falar nada e assustá-lo a ponto que ele não falasse mais nada. Daryl era arredio quando se abria, mas comigo ele melhorou com o tempo, mas ali ainda estávamos dando pequenos passos.
"Bethanie." O olhei e tentei parecer calma, mas sabia que estava falhando miseravelmente. Ele continuou. "É minha?"
Minha garganta fechou, eu queria dizer que sim, mas meu corpo queria provar que eu era, que eu era toda dela. Me levantei, seguindo para frente, sentando em seu colo, uma perna de cada lado das dele, minhas mãos em seus ombros. Daryl respirou fundo, como se um alívio corresse seu corpo. E eu senti um alívio correr o meu.
"Eles não vão me fazer mudar de ideia. Eu disse que era sua, Daryl."
Beijei devagar sua boca, sentindo que ele segurava minha cintura, apertando devagar, me puxando para mais perto, me abraçando e me colando em seu corpo.
"Vai se arrepender, Beth."
A voz dele era calma, mas baixa, sombria.
"Eu quero você."
Eu disse baixo, mas minha boca estava colada a dele, e o senti se excitar com essa declaração. Deus, Daryl não precisava de nada para enlouquecer comigo e eu também não precisava de nada mais para enlouquecer com ele. Sorri enquanto o beijava novamente, mas então ele parou, suas iris ficando negras enquanto me olhavam seriamente.
"Preciso de um banho."
A declaração dele me deixou surpresa, mas também não recusava que precisaria de um banho, mesmo que logo após precisaríamos de outro. Agora poderíamos nos dar ao luxo de tomar banho todos os dias, ao menos por enquanto.
Eu via aquela chama em seus olhos, mas havia algo mais. E eu viria a descobrir em poucos minutos.
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É uma grande realidade que quando se perde um sentido, os outros se intensificam. Estar vendada me fez sentir mais e mais os toques, suspiros e gosto de Daryl. E eu estremecia a cada toque de sua mão, a cada vez que ele colocava os dedos em sua própria boca e logo após na minha, me fazendo sentir seu gosto.
Ele havia tomado banho antes e então eu entrei na banheira e quando saí, Daryl estava no quarto, uma cadeira da cozinha no centro, as cortinas fechadas, todo o resto da casa no escuro. O observei e o vi sentado na cama, olhando a cadeira. Eu sabia o que ele queria. Me sentei na cadeira, a toalha sendo a única coisa que eu estava usando. Ouvi Daryl se mover ao meu lado, e então ele colocou um pano em meus olhos, me deixando totalmente vendada.
"Você disse que que queria ser vendada, Bethanie."
"S-sim…"
Eu estremeci e gaguejei enquanto falava, mas não era medo. Nunca tive medo de Daryl, não tinha medo dele e nunca tivera. Ele andou ao meu redor, eu conseguia ouvir sua respiração, e então senti sua mão em meu rosto, a pele quente combinava com a minha.
"Eu não sei como você consegue isso, Bethanie." Ele disse baixo, sua voz a minha direita, sua mão segurando meu maxilar. "Mas você consegue… você quer que eu perca o controle… quer que eu…" Ele tirou a mão de meu rosto e eu me senti sem chão. Queria que ele me tocasse, queria tocá-lo. Estar vendada estava me deixando louca e não havia passado nenhum momento.
"Rick quis saber." A mão dele voltou a meu rosto, mas dessa vez o dedo dele correu meu lábio inferior abrindo minha boca. "Ele me perguntou se me forcei em você…" A raiva passou por sua voz, mas então ela ficou divertida e mais baixa. "Mas disse que foi você, Bethanie. Disse que você que se forçou em mim."
Eu ri e ele soltou meu lábio, para logo após voltar e senti que seu dedão estava molhado. Senti seu gosto. Ele havia colocado o dedo na boca e colocado na minha. Eu estremeci. Adorava seu gosto, seu cheiro, tudo.
"Ele quis saber se você é minha." A raiva voltou a sua voz. "Ele parece ver que mulher você se tornou." Ele retirou o dedo de minha boca novamente e logo após voltou ainda molhado. "Eu disse que você era minha, Bethanie. Inteira. Cada maldita parte…" O senti respirar mais rápido. Estremeci e apertei a toalha em meu colo. Ela se soltou e ouvi a respiração de Daryl parar por um breve momento. "Abra a boca."
Agora mais um dedo voltava molhado para minha boca e eu queria mais, queria Daryl por inteiro em mim. Estremeci e ele se aproximou, o calor de seu corpo passando para o meu. Ele se moveu devagar, não parecia ter pressa alguma, mesmo que eu estivesse quase morrendo para ser dele mais uma vez.
Eu ouvi Daryl arrastando uma cadeira logo a minha frente, sua respiração baixa e pesada me fazendo saber que ele estava tão excitado quanto eu.
"Minha mão… onde quer?"
Estremeci e coloquei sua mão em meu seio, apertando com força, ouvindo minha respiração acelerar. A de Daryl ficou suspensa por um tempo, como se o que eu tivesse acabado de fazer o tivesse chocado ao ponto do silêncio. Porém, ele logo apertou os dedos por minha carne, meu gemido de dor ecoando pelo cômodo. Deus, eu deveria estar quente como o inferno, pois sentia suor começar a escorrer por minhas costas, minha vontade de Daryl apenas crescendo. Respirei fundo ao senti-lo se aproximar mais, a cadeira raspando no chão de madeira.
"Mais?"
Sua voz estava irreconhecível, ou talvez eu estivesse imaginando, já que tudo parecia mais intenso e mais forte quando eu estava vendada. Daryl seguiu com a outra mão por minha cintura, apertava agora meu quadril, me tirando da cadeira, me fazendo sentar em seu colo, uma perna de cada lado.
"Mais, Daryl. Por favor."
Minha voz estava baixa, tremida, eu precisava dele. Estremeci mais uma vez ao senti-lo beijar meu colo, a língua trilhando calmos caminhos até meus seios, sugando cada mamilo de uma vez, me fazendo apertar os dedos em suas costas, cravar as unhas pequenas em suas cicatrizes.
"Daryl."
Eu queria vê-lo. Queria ver Daryl perder o controle novamente, mas algo como ser impossibilitada de ver, de poder assistir fosse o que ele fosse fazer comigo, me deixava mais e mais excitada. Não saber seu próximo passo, me deixava ansiando cada vez mais.
"Minha, Beth." Ele sussurrou enquanto cravava os dentes em meu pescoço, as mãos apertando meu bumbum e me puxando com força contra seu corpo. Deus, ele estava quase. Daryl estava quase a beira da insanidade, o que me deixava assustada por não poder ver a transformação em seus olhos e ao mesmo tempo, me deixando ansiosa por poder sentir o descontrole chegando em minha pele.
"Vai se arrepender, Bethanie. Vai se arrepender de ser minha."
Era uma promessa, e eu sabia bem que ele não iria recuar enquanto eu não mostrasse que não seria daquele modo. Me empurrei contra ele, querendo seu corpo dentro do meu, naquele momento. E não foi necessário mais uma vez, Daryl entrou em mim devagar, deslizando centímetro a centímetro, sua respiração suspensa todo o caminho.
"Merda, Bethanie."
Ele disse assim que o senti estar inteiro dentro de mim, e eu queria. Queria Daryl ainda mais fundo, ainda mais dentro. Eu queria que ele me tivesse e nunca se arrependesse. Movi meu corpo, os dedos dele trilhando minhas costas, me apertando contra ele, me segurando mais firme.
"Não se mova, Beth… eu não vou durar muito mais."
Sorri e ele deve ter visto, pois se levantou comigo em seu colo, o movimento fazendo com que ele deslizasse para dentro e para fora de mim. Soltei um longo e satisfeito gemido. Mas logo após ele começou a andar e após alguns passos o senti se inclinar, sentando novamente e então me soltando.
Senti o colchão embaixo de meus joelhos e sabia que estávamos na cama. Era hora. Ele me deixaria ter o controle. Ele estava me deixando ter o controle, 'dominá-lo', mesmo que eu estivesse vendada. E talvez fosse por isso. Talvez esse fosse o motivo dele me deixar guiar, pois vendada eu não veria que ele estava 'vulnerável'.
Movi meu quadril em um ritmo frenético. Suor escorria por minhas costas, eu sentia que estávamos banhados em suor já, mas ele não havia me tocado mais e eu estava totalmente no controle. Pensei em tirar a venda, mas acabaria com tudo. Senti meu orgasmo se aproximando, meus gemidos mais e mais altos, os dele parecendo rosnados apenas me empurravam mais e mais perto da beira.
Apoiei as mãos no peito de Daryl e então ele puxou minha venda. Pisquei assustada, mas meu quadril tinha vida própria, não parou de se mover, rebolando e achando a fricção perfeita. Daryl me olhou nos olhos, as mãos indo para trás da cabeça, como se estivesse assistindo algo na TV. E lá estava. Lá estava aquela chama insana que se acendia a cada vez que ele perdia o controle.
"Goze, Bethanie."
E foi isso. Ele sorrindo e me dizendo para gozar que foi minha perdição. Estremeci várias vezes enquanto sentia que ele movia-se devagar, mas certeiro dentro de mim, e então ele veio. Os olhos colados aos meus, o corpo tenso, a boca aberta e um gemido rouco e curto escapando de sua boca.
"Você vai me matar, Bethanie."
Ele me puxou e me fez deitar em seu peito, as mãos apertando minhas costas, meu prendendo com ele. Dei risada em seu peito enquanto ouvia seu coração desacelerar.
"Se eu te matar, não vou mais ter isso." Levantei o rosto e o olhei dentro daqueles olhos que voltavam ao verde aos poucos. "E eu quero isso pra sempre."
"Você fala isso com ele dentro de você."
Fiz uma careta de nojo e ele deu risada, beijando o topo da minha cabeça e acariciando minhas costas de forma rude. Sorri enquanto abaixava novamente a cabeça em seu peito e esticava as pernas para poder deitar corretamente. Ele não estava errado ao falar que eu o queria sempre dentro de mim, mas queria o que era meu e estava do lado de fora. O que era meu, e eu não poderia largar nunca.
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