Daniel Alexander
11 Perdoar é um Dom precioso
Notas iniciais
Manhattan, Nova York.
Nevava forte e Percy entrava no prédio do Departamento de Polícia de Nova York com Leo. Eles foram prestar mais um depoimento para a investigação de quem seria o Primordial, cujo apelido agora estava também nas bocas dos policiais de Nova York. Era oficial que o criminoso fosse conhecido por esse nome agora.
Os dois estavam no elevador, e tinham as caras emburradas. Percy não tirava da cabeça o resto do dia de Natal, onde correra para a casa de Annabeth, mas Atena o barrara na porta. Ela estava irada, achando que Percy era um compulsivo sexual, e lhe disse que estava mais que certo de alguém o perseguir, e destruir com a vida dele. A resposta do filho de Poseidon foi que iriam atrás de Annabeth, já que ela era mais que parte da vida dele, eles eram um só. Atena bateu a porta na cara dele. Quando voltou, escutou sem querer uma discussão dos pais, se acusando de quem seria a culpa caso se provasse verdade que Nico fora estuprado por Percy, o que já não parecia absurdo a ninguém. Percy se trancou no quarto até que Leo bateu a porta dele, e disse que ele tinha sido chamado pela polícia.
Leo já estava com a cara emburrada por descobrir que seu trunfo não ia ser tão fácil de conquistar. Os latinos e seus descendentes nos Estados Unidos geralmente são bem próximos, mas Reyna não lhe deu rios de confiança, mesmo que não soubesse quem ele era. Leo enviava alguns dados das cenas dos crimes para a polícia sob o codinome de Bad Boy do Bem. Ele se apresentou a Reyna como um cadeirante em busca de um restaurante, e ela foi fria e durona na visão dele. Apenas empurrou sua cadeira, e ao fim balançou a cabeça negativamente.
Os dois saíram do elevador e entraram na conturbada sala onde a investigação estava sendo feita. Andaram até um oficial que os levou para Reyna, e ali entraram na sala dela.
O ambiente não tinha nada de especial, mas a figura sentada ao telefone era forte, centrada, e severa. Reyna usava o cabelo traçado e preso, e roupas escuras. Logo que notou a presença de ambos desligou o telefone e virou convidando-os a se sentar com as mãos.
— Bom dia Perseu Jackson. — Reyna destravou o computador ao lado da mesa, e digitou a senha. — Olá Leo, de novo.
Percy se virou e encarou o amigo.
— Oi? — Leo se fez de desentendido.
— Não se faça de idiota, por favor! — Reyna suspirou. — Eu sabia que tinha um latino atrás dos autos da investigação e de programas que ajudam a polícia a caçar criminosos, e digamos que isso não te ajuda muito Leo, especialmente por tentar me fazer falar alguma coisa ontem. Eu fiquei cheia de perguntas pra te fazer.
— Peraí, Leo, que história é essa? Você ainda está investigando? — Percy se agachou para encarar o amigo. — E o seu atentado?
— Sim eu estou, mas eu não consegui muita coisa, apesar de termos sofrido um grande baque da última vez. — Leo encarou Percy de volta. — Apesar de o atentado ter me parado, foi por só por pouco tempo.
— E eu tenho fortes crenças sobre o porquê você estar nessa investigação, Leo. — Reyna se levantou da cadeira e foi até a frente da mesa, parando e apoiando as mãos sobre a superfície do móvel.
— Precisa de mais algum motivo? — Percy apontou para as pernas do amigo, cobertas, por causa do frio, com um cobertor. — A nossa amizade, talvez?
— Sim, precisa! — Reyna puxou o cobertor das pernas de Leo. — Vamos lá, Leo, faça a sua mágica!
Leo segurou os apoios da cadeira e se pôs de pé, aparentando dificuldade. Logo começou a andar, mas devagar, mancando praticamente.
— Direito! — Reyna bradou, e Leo começou a andar normalmente.
Percy observava tudo chocado, respirando forte e rápido, com os olhos abertos e estarrecidos, afinal, Leo nunca contou que voltara a andar.
Leo então caiu. E depois se sentou com as pernas cruzadas no chão do escritório.
— Desculpa, realmente Percy, me desculpe, por não ter falado nada pra nenhum de vocês! — Leo falava enquanto se apoiava na mesa de Reyna para pode ficar em pé.
— Bem, Leo, isso te coloca numa posição delicadíssima. — Reyna retomou a palavra. — Você está buscando o Primordial, ou tentando despistar todo mundo?
— Como assim? — Percy e Leo disseram em simultâneo, apesar da voz de Percy ter saído lenta, como se ele tivesse despertado de um transe, e Leo falou furioso e indignado.
— Leo Valdez, você é o suspeito número um de ser o Primordial. — Reyna jogou as palavras, esperando a reação de Leo, que ficou visivelmente indignado.
— Ele me deixou sem andar, mulher, quase me matou com esse e outro atentado, eu estive sem andar por meses, e agora, você me diz que acha que eu quis fazer tudo isso com o Percy, com a Annie, com Jason, comigo e todos os outros? — Leo bateu com a palma da mão direita sobre a mesa de Reyna enquanto esbravejava. — Você é doida?
— Contenha-se, você está numa delegacia, e lembre-se, eu posso te prender por desacato a autoridade! — Reyna retrucou. — Vamos começar com os depoimentos logo! Importa-se em esperar do lado de fora, Leo?
— Vai Leo. — Percy ainda parecia preso na revelação chocante que presenciara.
— Até logo, corazón! — Leo se sentou na cadeira, e colocou o cobertor sobre as pernas, enquanto Reyna foi até a porta e abriu para ele. Ele moveu as rodas, sendo ainda observado pelos outros dois.
Leo saiu ainda processando a capacidade incrível que Reyna tinha para desvendar as coisas.
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Thalia gostava de rever os álbuns de fotografia que seu pai guardava nos armários. Ali podia encontrar pistas e mais pistas de como devia ser a convivência do pai e dos tios. Encontrou uma das fotos que mais gostava de ver: Réia, a avó, sentada num cadeirão, com Héstia já crescida; Poseidon sentado aos pés da mãe; e seu pai no colo da matriarca. A foto devia ter sido tirada pouco antes da morte da avó, já que é notável a máscara negra que a mulher tinha em volta dos olhos, seus tios contam que ela foi jogada do andar de cima da casa dias antes, tendo ficado toda marcada pelos machucados. Thalia sentia uma vontade de ter estado naqueles tempos, gostaria de conhecer a avó, que parecia uma boa pessoa.
Uma batida na porta do quarto despertou a cantora do seu sonho. Ela gritou permitindo o irmão de entrar. Jason sentou no pé da cama forrada de preto de Thalia. Ela o encarou, e ele devolveu o olhar.
— Fala bro! — Thalia disse fechando o álbum.
— Você não sabe como faz falta Thalia, como você é uma luz especial para essa casa. — Jason falou com a voz mais baixa que o normal. — Os dias sem você aqui são silenciosos. Papai sai cedo, eu arrumo tudo, e no fim, vou dormir, e ele volta, nem vejo. É soturno, obscuro sem você aqui.
— Pelo que eu pude ver, está assim, obscuro não só aqui, mas em toda a família. — Ela fez uma pequena pausa. — Imagina se eu tivesse namorado o Percy pra valer, ou se ainda estivesse namorando-o. Poderia ser eu a estar grávida, vítima de um estupro. — Thalia acrescentou o pensamento à fala, desconsertando um pouco Jason.
— Que isso Thalia, o Percy nunca iria ficar com você, ele te largou, digamos assim, porque além de vocês serem primos de primeiro grau, e ele ser um idiota às vezes, Annabeth surgiu na vida dele.
— Jason, na verdade para ele deve ser até hoje parte de uma última brincadeira de infância, qualquer coisa assim. — Ela refletiu. — Eu que realmente me apaixonei por ele, mas ele foi se apaixonar por ela. Annabeth é perfeita para ele, melhor do que eu seria, e disso você pode ter certeza.
— Claro, mesmo porque você é muito para ele. — Jason encerrou se levantando do chão, e pegando os óculos do bolso, saindo do quarto e deixando Thalia intrigada. Aquele parecia muito Jason, mas ele mostrava, meio que ainda escondendo, algum descontentamento com Percy.
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Reyna se debruçava sobre a mesa, olhando tudo que colhera com Percy e Leo. Observava de vez em quando alguns autos, relatórios sobre as cenas de crimes, e tudo que poderia se mostrar como o Primordial. Ela ia de uma página para outra num piscar de olhos, e ali, em meio a tantas perguntas, ela só tinha uma resposta: Percy era realmente odiado. Ela já marcara os próximos depoimentos: Annabeth, a namorada; Jason, o primo, e outra testemunha; Nico, outro primo, esse aparentemente rancoroso com Percy; e óbvio, os pais de Percy.
A detetive pensou em várias possibilidades, em vários motivos desencadeadores para os ataques ao adolescente. Ela então pegou um caderno e ali começou a escrever, enumerando várias coisas. Virando a página, voltou a enumerar mais coisas. Escreveu por mais algum tempo, até parar e arrancar a última folha utilizada. Reyna tinha pensado em algumas teorias. Ela pegou a página arrancada, e se levantou, pegando vários papéis da mesa.
Em pé, na frente do quadro da sua sala, arrumou tudo que tinha pensado. Depois pegou outro quadro e ali fez o mesmo. Fotos dos suspeitos que escolhera, horas e datas de onde eles estavam no dia de alguns ataques. Ela tinha conseguido tudo. Encarou as fotos e os nomes escritos com sua caligrafia: Annabeth Chase, Nico di Angelo, Jason Grace, Tyson Jackson, e Leo Valdez.
Nenhum deles escaparia dos seus olhos, mesmo que tivesse que acusar alguém que tinha certeza de não ser o vilão. Fazia parte de seu plano maluco. Seu plano maluco de capturar um dos criminosos que mais atormentava Nova York nos últimos tempos.
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Annabeth estava com desejo de comida chinesa. Ela e Malcom pararam no Zhang Made in Chinatown, que um dia seria herdado por um de seus colegas de classe: o calado Frank Zhang, que recentemente passara por um trauma sério, e por causa do maldito Primordial.
— Malcom, eu estou com uma coisa encucada na cabeça desde que tive aquele sonho. — Annie ponderava.
— O sonho do Will-de-muitas-faces? — Malcom batizara aquele episódio parodiando-o com um elemento de uma série de tevê muito popular, e pirateada também.
— Esse mesmo. — Ela concordou.
— O que é que tem? — Malcom indagou.
— Você sabe que eu nunca fui muito com o Nico quando eu conheci ele. — Annabeth comeu um pedaço do rolinho primavera. — Eu o achava meio estranho. Eu soube do acontecido com a mãe dele, entendi a reclusão dele, mas teve um dia que eu escutei uma coisa que não havia entendido até agora.
— O quê? — Malcom estava curioso.
— Nico conversava com Will, logo que eles começaram a viver inseparavelmente, como quase um casal. — Annabeth se relembrava. — Nico falou que queria que Percy soubesse de tudo que estava dentro dele.
— E no seu sonho Will te falou isso. — O irmão de Annie afirmou, sem dúvidas na voz.
— Sim, aí eu me lembrei disso. — Annabeth concordou com o irmão. — Não foram essas palavras, mas o significado era o mesmo. Nico era muito apegado com Percy, mas depois de alguns meses que eu o conheci, ele evitava o Percy às vezes...
— E você achou, ou acha, alguma coisa errada nisso. — Malcom completava o raciocínio da irmã.
— Sim, mas não é nada em relação com o caso de possível estupro. — Annabeth esclareceu.
— E o que seria? — Malcom perguntou curioso.
— Nico se apaixonou por Percy. Eu acredito nisso. — Annabeth falou com uma calma quase fria. — E acho que Percy pode ter dado falsas esperanças para o Nico.
Malcom encarou Annabeth profundamente.
— O quanto de esperanças você acha? — Questionou Malcom, mais uma vez.
— De uma eu tenho certeza, e é o que me magoa um pouco no fundo. — Annabeth falou recebendo um olhar profundo de Malcom. — Percy já beijou Nico, e poucas vezes não foram.
A conversa foi suspensa quando Frank chegou com a conta dos dois.
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Hazel estava saindo de casa, entrando no carro de Will, e Hades, ao longe observava. O homem tinha seguido seu filho, quando ouviu que ele se encontraria com a sua irmã, mesmo que Nico ainda não soubesse desse fato.
O homem saiu da penumbra do esconderijo quando o carro de Will partiu. Hades correu para a porta do prédio e gritou. Hades gritou o nome de Marie muito forte. O silêncio respondeu ao homem. Ele tentou novamente, e recebeu mais silêncio de volta.
Hades tentou e tentou, mas só atraiu a ira dos vizinhos dos Levesque, e por fim, desistiu.
Enquanto se virou de costas, e deixou de encarar a construção, Marie apareceu na janela com os olhos em lágrimas.
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