Dangerous Road
18 Então me avise quando fizer efeito... - Final - Parte 1
Notas iniciais
Um mês. Um mês inteiro de passou e ainda era difícil para eu acreditar que as coisas tinham mudado tanto. Quem diria que no fim eu estava mesmo conseguindo, aqui estou eu, na última corrida. De todos aqueles carros apenas sete restaram, três deles estavam na minha equipe, os outros quatro, estavam dois em cada equipe. Era o último passo até o meu irmão.
Eu ainda tinha dificuldades em acreditar que eu consegui fortalecer a minha relação com todo mundo, e ainda namorar o Sam, ele também ainda estava na corrida.
O Dom já me achava preparada para quase qualquer coisa. Eu ainda tinha problemas com as curvas, mas a Pâmela dava conta disso e ninguém melhor com estradas de terra do que a Pri. Estávamos muito determinadas. Estávamos num ponto onde era tudo ou nada.
Depois de a penúltima corrida com uma milha de vantagem eu não poderia ter ficado mais entediada e sem motivações sérias para a próxima. Eu não estava sentindo o desafio. As coisas ainda não estavam completamente na minha mão, mas mesmo assim.
Eu nunca mais tinha visto o meu irmão depois daquilo. Não falei com ninguém da minha casa desde que saí de lá. Eu tinha uma nova família, mas o meu irmão era o meu único foco. Nada mais ao meu redor me importava. Lutei tanto por aquilo que agora eu tinha que conseguir. Eu me sentia uma pessoa completamente diferente da qual eu comecei aquilo. Estava tão perto do meu objetivo e ao mesmo tempo tão longe.
Eu precisava acordar daquele transe. Eu não venceria aquilo daquele jeito. Nada estaria programado do jeito que eu estava. Vencer era a única coisa na minha cabeça, mas no fim, talvez eu não vencesse aquilo porque muitas coisas poderiam acontecer.
_ Alguém parece preocupada – Sam disse. Ele estava deitado do meu lado na cama. Eu nem havia percebido que ele estava acordado.
Não lembro bem quando nós dois começamos a ficar em quartos separados nos hotéis, mas isso era freqüente, até porque quando estávamos dentro da competição fingíamos que não nos conhecíamos. Era estranho como tudo funcionava.
Estávamos em Las Vegas, e iríamos dirigir até Los Angeles.
_ As palavras penúltima corrida não param de girar na minha cabeça – expliquei.
_ Passamos por tanta coisa, é realmente difícil acreditar que é a última – ele indagou. – Mas você deveria relaxar, está muito tensa, não vai ser bom para você. – Ele passou a mão nas minhas costas num gesto reconfortante.
_ Eu vou ficar bem. Não vim até aqui para perder tudo agora.
_ Detesto isso. – Ele pulou completamente para outro quadrado me deixando confusa sobre o que ele estava falando, mas rapidamente ele continuou. – Detesto estar nisso contra você. Detesto mesmo. Tenho que fazer o que eu puder para ganhar, mas eu não quero.
_ Mas é melhor que faça. Por que eu farei. – Inclusive passar por cima de você se for preciso.
Antes o Sam era quem me mantinha na terra, que me impedia de viver para o meu objetivo e lembrar que eu era uma pessoa e não uma máquina, não parte do meu carro que apenas existia com o propósito de trazer o meu irmão de volta para casa. Mas agora não era mais assim. Eu estava tão longe de tudo, que acabei deixando ele para trás no caminho, mesmo ele continuando ali comigo.
Aquela frase causou um silêncio esquisito no quarto. Ali deitados no escuro ainda conseguíamos ver as luzes de Las Vegas brilhando através da grossa cortina. Se ele enxergasse onde estávamos, ele veria onde estou e perceberia que não estamos perto um do outro.
_ Se você me contasse eu poderia te ajudar, esquecer o que eu quero e te ajudar, mas ainda não estamos tão longe não é?
Mesmo depois de tanto tempo, tantas corridas, tantos desafios, eu não havia contato ao Sam qual era o meu desejo que apenas aquela corrida poderia me dar. Aquele desejo que me consumia e me deixava cega para qualquer outra coisa. Aquele desejo pelo qual eu estava lutando, e que eu morreria e mataria por.
_ Vamos dormir – cortei o assunto. – Temos um grande dia amanhã.
***
Passei o dia inteiro bem longe de todo mundo. Afinal, era Las Vegas, tinha muita coisa para ver e fazer. Eu realmente precisava espairecer. Funcionou médio. Voltei para o hotel horas antes da corrida. Fui até o quarto onde o pessoal estava e todos já estavam se preparando para sair.
_ Olha só quem chegou – Han disse na hora em que eu pareci.
Acabei ficando mais próxima dele do que eu esperava. Ele me ensinou muitas coisas, mas no fim ainda não tinha aprendido o que ele mais tinha potencial para me ensinar. Mas ele me lembrava o meu irmão.
_ Por onde esteve? – Dom perguntou.
_ Por aí... – respondi. Ele só deu de ombros.
Era assim que se fazia parte da equipe.
_ Você deve estar nervosa – Brian indagou com aquele seu costumei sorriso zombeteiro.
_ Eu estou muito perto do meu objetivo. Nada pode me fazer perder foco – informei com um olhar determinado.
_ É... Depois dessa, já era – Pâmela disse parecendo mais pensativa do que animada ou qualquer coisa do tipo.
_ É, já era. O que vai ser depois? Já pensaram nisso? – Priscila perguntou.
_ Quando eu tiver o meu irmão de volta, eu vou poder voltar a ser feliz. Não importa onde, nem como, com ele é o suficiente.
_ Isso é legal – Dom disse parecendo realmente admirado com as minhas palavras.
_ Sorte sua... Eu nem tenho certeza se o meu desejo vai mesmo me fazer feliz, ou... Trazer-me paz ou sei lá. – Priscila sacudiu a cabeça e se retirou.
Todo mundo sabia por que eu entrei naquela, mas ninguém sabia por que as outras duas estavam nessa. Nem ao menos eu. No fundo eu gostava do sabor do mistério de como as coisas seriam, e eu queria vê-las lutar por aquilo, mesmo sem saber o que era, mas agora eu me sentia confusa. Alguém estava pestanejando. Alguém não tinha mais certeza.
Eu queria muito ter feito uma reuniãozinha e descoberto aquilo. Colocado as cartas na mesa de uma vez por todas, mas eu não tinha mais tempo para aquilo.
A última corrida estava aí. O último passo antes do grande final.
***
Las Vegas não tinha só luzes, tinha vento também. Estava ventando tanto que eu achei que um tornado estava se aproximando.
Todos os carros estavam em posição. Parados no acostamento só esperando a hora.
O Han chegou perto do meu carro e ia abrir a porta para entrar e sentar no banco do passageiro, mas antes que ele pudesse um cara colocou a mão no ombro dele e acenou negativamente.
_ Ela está sozinha nessa agora – o cara indagou.
_ Ninguém nos disse nada sobre isso – Han rebateu.
_ É a final, já está na hora de soltar da mão dela e deixar que ela caminhe sozinha – o cara ironizou.
_ Mas acontece... – Han ia rebater, mas eu interrompi.
_ Han, tudo bem. Ele está certo.
O homem assentiu satisfeito e saiu. Han se apoiou na janela para falar comigo.
_ Vai ficar tudo bem? Está pronta para isso?
_ Eu estou pronta desde o momento em que entre nessa disputa. – Sorri para ele de uma maneira confiante.
_ É isso que eu quero ouvir. – Ele sorriu de volta. – Mantenha o rádio comunicador ligado. Você já ganhou essa.
Ele foi para o carro de outra pessoa, possivelmente do Dom ou do Brian e uns segundos depois uma voz começou a emanar do rádio.
_ Final, vocês estão aqui, se fizeram tudo como planejado, terminarão o circuito primeiro. Foco que vocês conseguem – Era o Roman quem estava falando.
_ Essa é nossa, já está no papo – Pâmela disse.
_ Ruas em diagonal, e isso o que tem Las Vegas – Brian informou. – Não hesitem em subir na calçada e pegar um atalho caso tenham que fazer uma entrada muito fechada. Só... Não atropelem ninguém. – Nós rimos. – Montanhas, a Pâmela já está na entrada do desvio, ela conhece o esquema. E por fim, a interestadual, ela vai estar cheia, Paloma, sabe o que fazer.
_ Pode deixar – Priscila disse.
_ Competidores! – Alguém disse com a voz saindo por um megafone, mas eu não sabia onde estava. – Hoje, ao fim dessa corrida, só a melhor equipe irá restar. De três equipes só sobrará uma. Quem será? Eu não sei dizer. A corrida termina depois que uma equipe toda terminar o circuito, e passarem do cassino Lótus. Dirijam rápido pelas ruas de Las Vegas se puderem e encontrem o próximo membro da sua equipe nas montanhas ou depois, e lá cuidado para não despencar, cheguem à interestadual e cuidado para não bater em ninguém, depois disso dirijam até Los Angeles e lá nos conversamos como gente grande. Boa sorte a todos e... Comecem!
Acelerei meu carro sem nem pensar muito, foi automático, e entrei na pista. Já peguei uma leve vantagem, mas tinham muitos carros ali, era um jogo de ultrapassagem, eu estava muito focada no meu objetivo. Era difícil manter uma velocidade alta tendo que virar tanto, nenhuma rua seguia em linha reta por mais de 200 metros em Las Vegas. Era um jeito idiota que eles acharam de organizar as coisas.
_ Paloma, você vai ter que chegar a interestadual pela rodovia, se assegure de estar lá antes da Pâmela sair das montanhas, assim que ela explodir aquela barreira, eu quero que você pise no acelerador – Dom mandou.
_ Entendi. Estou indo.
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