Dangerous Love.
2 Primeiro dia de aula.
Notas iniciais
– Oi gatinho, sou a Ashley, mas você pode me chamar do que você quiser. — ela sorriu, praticamente se jogando para cima dele.
– Posso te chamar de puta então? — ele riu, dando as costas para ela e indo na direção das escadas.
– Você acredita nisso Samanta? Ouviu do que ele me chamou?
E por acaso ele está errado? Pensei.
– Ok, me dê isso. — peguei a garrafa de vodka da mão dela. — Tiff, vem ca! — chamei a garota mais vadia do colégio. Ela se aproximou. — Cara que linda essa sua bolsa! Posso ver? Ahh e garota, o cara ali — apontei para o garoto das calças largas que estava do lado do cara que chamou a Ashley de puta. — Está olhando você direto, acho que ele tá afim de você. — Ela se virou por uns segundos e coloquei a garrafa de vodka na bolsa dela. — É liiiinda demais essa bolsa! Todo mundo deve ter gostado né? — falei.
– Sim, muita gente já pediu para ver a bolsa, ela custou dez mil! Meu pai é dono de uma empresa, ele é rico! — ela sorriu ironicamente, revirei os olhos, devolvi a bolsa para ela. — Pintou o cabelo de novo Sammi?
– Meu cabelo sempre foi ruivo, Tifanny.
– Mas agora ele tá mais vermelho.
– Ele sempre foi vermelho assim, Tiff. — falei, olhando Ashley.
– Ah é que eu nunca reparei no seu cabelo, na verdade, ninguém repara em você. Excluída, sinto muito pelos seus pais, coitados.– ela sorriu.
Filha da puta, sabia que eu odiava falar sobre a morte dos meus pais.
– Prefiro ser excluída do que ser a vadia da escola. Hmm, e como tá o seu bebê, a Marcele? — falei, eu sabia também que ela odiava falar sobre o bebê que ela tinha perdido. Mesmo que ela tenha uma filha de nove ou dez meses. Acho que ela ainda não superou a perda.
– Pelo menos meus pais ainda estão vivos.
– Sério? Você acha que tem moral para falar sobre a morte dos meus pais? — falei, alterada. — A guria que já deu para metade da escola e já engravidou duas vezes? O que seus pais acham de você? Desculpa se você tentou me magoar, mas isso não deu certo, tenta de novo. — falei, saindo de perto dela. Senti os olhares de várias pessoas em mim. Parei e voltei a encará-la. — Eu sinto pena de você, Tifanny. Ah e eu quero o convite de aniversário da sua filha, tá?
Subi as escadas, o sinal ainda não tinha batido, mas eu já sabia qual era a sala, tinha me informado na diretoria. Ao chegar na sala, me sentei lá no fundão, perto da parede, assim eu poderia me apoiar nela. Joguei a bolsa de qualquer jeito em cima da carteira e coloquei meus braços na mesa e deitei minha cabeça nos mesmos, tentando achar uma forma de me acalmar. Eu realmente precisava ignorar a Tiffany quando ela teimava em querer falar dos meus pais.
– Ok, uau. — Ashley falou, se sentando do meu lado. — O que foi aquilo? Meu Deus Samantta, você deixou a garota sem palavras!
– Ela provocou, agora aguenta. — falei, enquanto o sinal batia.
– Por isso que eu amo você, Sammi, ainda vou estar viva quando você não aguentar mais ela e arrancar todos os fios loiros oxigenados da cabeça dela. Ai, vai o ser melhor dia da minha vida! E a vodka?
– Tá na bolsa dela.
– Ah ótimo, agora vou ficar sóbria pelo resto do dia! Hm, ela vai suspeitar de você.
– Ela não tem prova alguma, e outra, ela deixou todo mundo ver a bolsa de sei lá quantos mil, então, ela nem vai saber. Relaxa. Eu não tenho medo dela.
Eu também não tinha razão para ter medo. Sei segredos dela que ela só contou para mim. Por exemplo, até hoje só eu sei como ela perdeu o bebê. E que ela já tentou matar o próprio padrasto. Ela nunca mexeu comigo, porque sabe que se eu contasse para todo mundo, a fama dela se perderia aos poucos. Quem andaria do lado da garota que tentou matar o próprio padrasto?
– Ei, eu tô falando com você! — falou um garoto, acenando na minha frente.
– Ah oi. — olhei para ele. O mesmo cara que esbarrou comigo, que usava maquiagem e chamou a minha melhor amiga de puta agora estava se sentando comigo e jogando minha bolsa no chão. — Nossa, valeu pelo cuidado. — falei irônica.
– De nada.
Espera, cadê a Ashley? Olhei o resto da sala e vi ela conversando com um cara meio gordinho, loiro e que usava óculos. Ótimo, fui abandonada pela minha melhor amiga no primeiro dia de aula. Perfeito.
Procurei meu celular e os fones de ouvido. Logo eu já estava com os fones no máximo e nem prestava a tenção no que o professor falava, coloquei meus braços em cima da carteira e eu estava quase dormindo quando o cara do meu lado puxou bruscamente os meus fones.
– Ah vai tomar no cu! — falei, pegando o meu fone de volta.
– Samanta, Bill, Tom, Tifanny, Maycon. Entrega do trabalho para amanhã.
– Trabalho, que trabalho? E cara, que porra são Bill e Tom?
– Eu sou Bill. — ele falou, sorrindo.
Eu já tinha visto esse sorriso antes, eu juro que já.
Logo a sala virou uma confusão total, era carteira para tudo que é canto. Maycon, Tom e a minha amiga linda Tifanny se sentaram na carteira na nossa frente.
– Oi foofa! — falei pra Tiff, sorrindo, enquanto mexia no celular.
– Oi pra ti também Sammi. — Falou Maycon, olhei para ele e sorri.
– Oii Maycon! Como tá o teu namorado?
– Tá com saudades de você! Você nem foi nos visitar nas férias!
– Vou lá na sua casa hoje e a gente faz sexo grupal! — falei, rindo. — Aproveito e chamo a Marie!
– Se eu gostasse da fruta eu com certeza não iria resistir a você gata! — ele falou, mordendo o lábio. — Para a Marie tá muito gata! Ela colocou um piercing na língua, tá divíssima!
Tom e Bill se encararam assustados.
– Ah para seu fofo! Você tá me deixando sem graça! — ri.
– Como tá o gato do seu irmão?
– Tá muuuuito chato! Eu não aguento mais ele, sério! Só aquela namorada dele pra fazer ele falar comigo!
– Achei que ele tinha superado!
– Ele tem mentalidade de criança, então! Deixa quieto! Qual é o trabalho?
Ah esqueci de comentar, meu irmão mais novo sobreviveu. Mas ainda me culpa por tudo. Como se eu realmente tivesse culpa que meu pai esitvesse devendo milhões para vários traficantes.
– Biomas dos Estados Unidos.
– Sério? Nossa, isso é assunto de oitava série, por favor.
– Tá, cala a boca tomate, temos que entregar amanhã, vamos logo. — falou Tifanny.
- Ai, deu pra me chamar de fruta agora? Vou te chamar de banana. Combina com seu cabelo loiro oxigenado. — sorri.
Eu escrevia e os outros ditavam o que eu tinha que escrever. Que trabalho mais insuportável! Foram as três aulas seguidas de geografia pra fazer, porque tivemos que ir procurar imagens, nos livros. Sendo que poderíamos ter ido na informática e imprimir as fotos. Mas não, a professora tinha que complicar tudo. Terminamos tudo antes do sinal para o intervalo bater. Me sentei no banco junto com Maycon.
– O que você fez no cabelo?
– Cortei! Tá lindo né?
– Amor, sabe que eu sempre gostei do teu cabelo, mas ele tava tão lindo!
– Tava enorme o meu cabelo! E eu passava muito calor, tive que cortar. Mas não se preocupa que meu cabelo vai crescer e você vai poder mexer nele e fazer penteados como você fazia!
– Ok, eu espero que cresça rápido! Seu cabelo tá tão curto agora, nem dá pra fazer trança, amarrar e muito menos fazer coque! Isso é uma tragédia, você sabe disso.
– Não exagera!
– Tá, tá. Eiiii, vou ter que atender o meu celular, meu benhê tá ligando!
E ele foi atender o celular, me deixando sozinha por alguns minutos. Bill se sentou do meu lado e não parava de me encarar.
– Para de me encarar! Ui, odeio que me encarem sem parar, tá me deixando com vergonha! — coloquei as mãos na bochecha.
– Desculpa! -ele riu. — É que você me lembra uma garota.
Fale com o autor