Dangerous

9 Anti-monotonia.


Notas iniciais
Sim, eu sei que tudo está ficando meio confuso, porém é só mais uma parte da história.

Capitulo 9 – Anti-monotonia

– Oque? – perguntou gritando – Quem?

Cabisbaixo o homem sussurrou: Sam.

Lira correu desesperada pelos cômodos da casa, sentia como se uma parte de seu coração fosse arrancado, não podia ser isso, não podia. Chegou arfando no quintal, adentrou-se na lavanderia e a viu coberta com um pano que pertencia a Lira quando criança. A menina se abaixou perplexa, tremendo, sentiu sua pele gelada e sem vida, parte de seu corpo já estava sem pelugem, e conforme ela passava a mão no corpo magro da cadela os pelos caiam com mais facilidade, aquilo era um pesadelo, Sam era a única em quem Lira confiava até seus mais perversos pensamentos, lá estava ela agora, fria. Lira já chorando e soluçando colocou sua cabeça no abdômen que não inflava mais e tentou ouvir as batidas cardíacas do cachorro, sem sucesso, ela já estava murcha e roxeada.

– Sam! – gritava agoniada – Quem fez isso com você? Samantha! Me responde – gritava e chorava – Não! Não me deixe! Você também não! – o pai de Lira tentava tirar a menina de cima do cadáver, mas a menina empurrava suas mãos com força – Samantha! Volta pra mim! – agora ela estava mais incompleta do que nunca. O cachorro já era velho, ela ganhara quando o pai ainda vivia na casa. Ela havia adoecido nos últimos dias e partira dessa pra uma melhor.

Ela estava imersa na banheira, pensando em que faria agora. Estava tudo desmoronando. Ela estava cada vez se afogando mais e mais no seu mar de problemas. Pensava e pensava, sempre com a frustrante intenção de se livrar daquele caos que ela estava vivendo. Ela sabia que a morte de Sam era mais válida e dolorosa do que a de sua própria mãe. Ela sabia que suas feridas demorariam a cicatrizar. Ela sabia que a voz de sua cabeça estava totalmente certa. Ela sabia que precisava urgentemente mudar. Ao acordar se levantou com uma ideia na basicamente formada na cabeça.

Estava abalada, não iria pra escola. Chegou com facilidade na montanha com amoreiras. E viu uma figura já sentada ao pé da planta. A menina se virou e sorriu, era Clove. Levantou-se e ficaram se olhando nos olhos. Como Lira sentira saudade daqueles olhos misteriosamente ardentes. Lira começou a chorar, como andava fazendo nas vinte e quatro horas anteriores. Elas colocavam as palmas das mãos unidas, como se tocassem em um espelho, nada disseram a principio, só ficaram ali por alguns momentos sentindo o mundo em volta girar. Depois se sentaram, estavam contendo as palavras na boca, tentando não transparecer seus pensamentos, embora como nada mais coubesse em Lira e ela transbordasse pelos olhos. Cada uma estava encostada em uma árvore porém, tão próximas que podiam sentir a perna de uma roçar na perna da outra involuntariamente.

– Demorou – disse a garota com cabelos negros – achei que não te veria nunca mais, mesmo que você precise de mim – olhando a paisagem, Clove semicerrava os olhos quentes.

– Por um momento eu também achei – sussurrou Lira, percebendo que essas foram as primeiras palavra que ela dissera naquele dia.

Ficaram quietas por alguns segundos, Lira olhava constantemente para Clove, até a hora que seus olhares se encontraram e ela desviou os olhos inchados.

– Como sabia que eu estaria aqui? – Perguntou Lira suavemente.

– Eu sei tudo sobre você Liranda – Lira achou que aquilo era só mais um de seus devaneios, e que ela ia acordar atrasada para o jantar.

Dando de ombros estava se perguntando se essa menina era louca. Colocou seus olhos no gramado verde vivo. Lira sentia que conhecia essa menina de tempos passados, mas isso não era possível, era loucura. Ela sentia uma conexão de alma forte com ela, um laço muito forte.

– É lindo aqui – disse Clove estendendo o olhar para paisagem novamente. Passaram alguns momentos quietas novamente. Minutos pareciam a eternidade. Mas Lira pensava que se a eternidade lhe reservasse Clove, Lira gostaria de viver essa eternidade. Perdida em pensamentos e devaneios, Lira foi capaz de esquecer a presença de Clove. Era como se só ela estivesse ali, não houvesse ninguém mais.

– Lira – chamou Clove com tom persuasivo – segure minha mão – pediu a menina e Lira o fez com rapidez – fuja comigo, para sempre.

‘‘Para sempre’’ Eram duas palavras muito intimidadoras. Levantando o olhar confuso Lira perguntou:

– Fugir pra onde Clove? – Esta era a primeira vez que ela falou o nome de Clove em voz totalmente audível, e isso fez seus pelos eriçarem.

– Pra todo e qualquer lugar – ela parecia cansada, mas sua voz sugeria felicidade e vivacidade – Só eu e você, nos aventurando nos arredores do mundo, como nômades, fugitivas, podendo sempre deixar nosso caos privado de lado. É uma invenção anti-monotonia. Só nós e a eternidade. Podendo ser covardes pra sempre.

– Eu tenho que pensar – disse Lira se levantando e dando as costas para Clove. Agora nem seu lugar ela tinha pra ficar sozinha e pensar – seus pais então bem? seu irmão?

– De que importa agora? — perguntou a garota sem tirar os olhos da paisagem infinitamente verde em sua frente.

– Vamos até sua casa, quero agradece-los como não fiz na última vez que me ajudaram — disse imponente.

– Não venha com esse tom de voz Lira — disse a menina ainda sem olhar pra Lira — sabes que não consegue nada de mim assim. — e pausadamente ela continuou — Nós não vamos à minha casa, pois está não está em lugar algum — disse simploriamente.

Lira balançava a cabeça sem entender que merda ela queria dizer com lugar algum. Desistindo dos agradecimentos, pois Lira não era de todo persistente, levantou-se do gramado.

–Vem comigo, quero que conheça meus amigos – falou Lira virando de leve o pescoço.

Caminharam de volta para a cidade natal de Lira. A companhia de Clove era vazia. Era como se ela estivesse sozinha. Foi até a casa de Naomi. Já eram por volta das nove da noite. Entraram. Lá estava acontecendo uma festa.

Todos que Lira conhecia estavam lá, desde Meggara até Kylie. Era impressionante, sempre que ela estava com aparência péssima gente conhecida aparecia. Todos olhavam pra ela com vista grossa, ela tentava desajeitadamente passar as mãos no cabelo para arruma-los, sem sucesso. Dando de ombros, Lira passava por entre as pessoas com as mãos dadas para Clove. Achou Naomi se agarrando com James na cozinha, cutucou o casal e deu um sorriso falso, olhou para os dois.

– Essa é a Clove – falou em voz alta e todos no cômodo pararam para olha-la, por um segundo e todos pareciam confusos, depois começaram a rir em zombaria.

Olhou pra trás tentando entender qual era o problema e não achou nada além de outro casal que ainda ria.

– Essa menina é louca – falou uma menina com cabelo perfeitamente lisos e negros, que tinha os olhos levemente puxados, pelas costas na Lira.

– Vai ver só tomou um gorós – disse um garoto ruivo em resposta rindo pelas narinas.

Naomi e James ainda se entre olhavam. Lira de sobrancelhas erguidas olhou pra Naomi, estava pensando em pedir desculpas, mas deixou pra ela, ela já estava bêbada mesmo, nada disso ia ser considerado.

– Da alguma coisa pra eu beber – falou Lira tentando jogar o assunto Clove de lado. Naomi riu e pegou uma garrafa do lado de James.

– Como se já não estivesse mais louca que o Batman – esticou o braço e deu a garrafa pra Lira. Não hesitou, segurou a mão de Naomi e saiu correndo, convidando-a pra dançar.

Estavam dançando na pista, sentindo o calor de todos os outros. Vergan deixou o papel de bom moço de lado e estava se agarrando com uma novata. Jessy estava vomitando na janela tudo oque tinha comido durante o dia. Kylie estava dançando com todos os garotos da festa, pulando e gritando como louca. Lira estava se perguntando onde estava Clove agora. Lira estava ficando tonta e foi para o banheiro, molhou o rosto, quando levantou os olhos viu Clove pelo espelho em suas costas. Naomi estava sentada no balcão no canto no banheiro. Lira estava com a visão embaçada, por um segundo podia jurar que estava beijando Naomi, mas no outro viu ninguém mais que Clove beijando Naomi. Lira sentiu uma pontada, viu Clove virara para olha-la, Naomi se virou confusa, estava com o batom que acabara de retocar borrado. Lira se virou e saiu pela porta da frente.

O beijo de Naomi fora quente, e intenso. Suas mãos passavam suavemente na nuca fazendo seus pelos arrepiarem, elas continuavam se beijando. Naomi descia as mãos pras coxas de Lira, Clove. Desabotoava facilmente seus botões das calças e colocava as mãos dentro. A menina que recebia o toque jogava a cabeça pra trás, nunca havia sentido nada disso antes. A porta se escancarou. Era Kylie, ela olhou confusa, mas não dava mais pra segurar, vomitou ali mesmo. Assim cortando o clima das duas.

Notas finais
E então, o que acharam?