Notas iniciais
Meu Deus, eu não sei nem com que cara eu apareço aqui depois de tanto tempo. Mil perdões pela demora, meninas, por favor! Não queria ter demorado tanto, mas minha vida tá uma loucura e fiquei sem tempo pra escrever, sabem como é....

Enfim, se ainda tiver alguém por aqui, espero que goste do capítulo ok? Boa leitura!

PS: Não sei se lembram, mas esse é o último capítulo da história e tals, rs

Encontramos Ethan no segundo em que nossos pés tocaram o chão da ilha em que o covarde vinha se escondendo.

- Até que enfim, Cullen! – o homem teve de gritar pra se fazer ouvir acima do ruído do helicóptero, e senti Jenks ficar tenso ao meu lado – você poderia fazer bom uso de um pouco da pontualidade britânica, sabia?

- Se não queria esperar tanto por essa conversa, devia ter se revelado em Nova York e nos poupado o trabalho — retruquei calmamente, atento a cada um de seus movimentos.

- Isso teria sido interessante, mas quando fui até a América, tudo o que eu estava esperando era um bom acordo de negócios: encontrar minha esposa após anos de uma busca infrutífera foi um bônus inesperado. Acredite em mim, a vadia sabe mesmo como se fazer quase invisível.....

- Onde ela está? – minha voz ficou um pouco menos segura com a menção a Isabella, e isso o fez sorrir de forma estranha, como se estivesse aproveitando alguma piada particular.

- Paciência, amigo. Estamos tendo uma conversa tão agradável, por que apressar as coisas?

- Não sei se notou, mas você não está exatamente em vantagem aqui, senhor Smith – Jenks finalmente se pronunciou, e como se tivessem ensaiado, os homens que ele insistira em trazer conosco deram um passo a frente – podemos continuar com a porra desse joguinho infantil por horas, mas no fim, acabaremos por derrotá-lo. Onde está a senhora Cullen? — Ethan não moveu um músculo, seus gélidos olhos continuaram fixos em meu rosto.

- Seus capangas são mesmo tão amadores, Edward? Não me espanta que tenha sido tão ridicularmente fácil tirar Isabella dos Estados Unidos durante a comemoração do casamento...completamente inválido, devo acrescentar, de vocês. O que pretende? Me ameaçar até que perca a paciência e diga-lhe onde encontrar o que procura? Vá em frente, sinto que adorarei cada segundo.

- Ou nós podemos ser mais diretos e acabar de uma vez com você, que tal? – antes que eu pudesse prever o que aconteceria, Jenks já tinha disparado na direção dele, a bala parando a poucos centímetros de seus pés.

- Um subalterno com mais atitude que o homem pra quem trabalha: sabe o quanto isso pode ser perigoso, pequeno Cullen? Ao menos você tem bom gosto para empregados.. se não fosse o fato de nós dois sabermos que não é um assassino, eu até poderia me sentir ameaçado. – seus olhos ganharam um brilho quase animalesco no segundo em que o homem sacou a arma, e vez ou outra ele soltava alguns sons ininteligíveis que denunciavam sua ansiedade. Certamente Ethan tinha perdido horas e mais horas planejando aquele encontro, e não estava nada satisfeito por nós não estarmos seguindo o script.

- Não se vanglorie cedo demais, Smith- deixei que o silêncio ao nosso redor se prolongasse por algum tempo, tentando manter Isabella fora de minha mente. Não podia por tudo a perder, não agora que estava tão perto de reencontrá-la. – Sua inteligência não é assim tão notável, se formos considerar os aliados que escolheu. Carlisle certamente descordaria se pudesse ouví-lo afirmar com tanta certeza que não esta lidando com um assassino.

- Carlisle? – o sorriso doentio que o homem ostentava tornou-se ainda mais pronunciado quando ele ouviu o nome de meu padrasto – aquele lá é outro imprestável, mas eu pensei que seria divertido incluí-lo em nosso pequeno “jogo”, já que você sempre pareceu tão desesperado para impressioná-lo e o homem dedicou cada dia naquela vida miserável á odiá-lo só por conta de um orgulho ferido. Você o matou, não é? Espero que não tenha deixado nenhum rastro: tudo bem lapidar sua fortuna só pra encontrar uma vadia como Isabella, mas ir pra cadeia por conta disso já seria exagero....

- Melhor a cadeia que uma vida patética como a que você tem levado nos últimos anos, não é? O quão desesperado por afeto um homem precisa estar para acabar obcecado por uma mulher que claramente não o quer? – murmurei acidamente. O silêncio ao nosso redor era tão carregado que tive certeza que ele não teria nenhuma dificuldade para ouvir-me, e me deliciei com o esforço que o inglês teve de fazer para manter a expressão neutra. Uma pequena parte de meu cérebro continuava a alertar-me constantemente que aquela era uma jogada perigosa, mas aquela altura, a verdade é que isso tinha deixado de fazer diferença.

Confesso que esperava uma explosão de fúria, e decepcionei-me quando os segundos se passaram sem que Ethan fizesse nada mais que me encarar de forma complacente, ostentando um pequeno sorriso de escárnio que parecia ter sido pregado em seu rosto.

- Ora, ora Edward, não seja tão ácido: você, melhor que ninguém sabe o quanto é fácil ser enfeitiçado por aqueles malditos olhos e aquela personalidade doce e falsamente submissa, não é? – uma gargalhada quase histérica soou a nosso redor, mas ele não levou muito tempo até se recuperar e voltar a falar – e além do mais, é melhor estar obcecado por uma mulher que lhe pertence do que ter casado com uma em que jamais vai poder confiar. Vamos, confesse: você só veio até aqui pra provar a si mesmo que tem tudo sob controle. Não suporta a idéia de ter sido enganado todo esse tempo, não quer acreditar no fato de que Isabella estava usando-o a cada momento do “relacionamento” de vocês, e esta desesperado pra provar o contrário. Passe a vida negando se assim preferir, mas somos muito mais parecidos do que imagina. Mas se lhe serve de consolo, tenho quase certeza de que Bella se apegou a você com o passar do tempo... era isso ou ela estava apavorada demais pra pensar coerentemente nos últimos dias e gritou o primeiro nome que conseguiu lembrar.

- O QUE DIABOS VOCÊ FEZ COM ELA? – minhas mãos tremiam quando finalmente perdi a paciência e acabei com a distância que ainda nos separava sem importar-me com o cano da arma roçando meu peito e sacudi-o pelos braços – ONDE É QUE ELA ESTÁ?

- Calma ai, garotão! Por que a pressa? Nós estávamos tendo uma conversa tão agradável, é uma pena ter de terminá-la agora. Mas, se é Isabella que você quer, é isso que terá. Siga-me. – o escárnio praticamente escorria em cada palavra, e Ethan virou-se calmamente e começou a andar em direção á enorme casa que era visível há alguns quilômetros de distância antes que qualquer um de nós pudesse reagir.

Jenks aproximou-se depois que o homem já tinha andado alguns metros e sinalizou na direção da arma que ainda empunhava, numa pergunta silenciosa. Bufei antes de negar com um aceno de cabeça: não podíamos matar Ethan, não enquanto eu não tivesse absoluta certeza de que Isabella estava mesmo na ilha: se toda aquela aparente despreoucupação se devesse ao fato dele já tê-la mandado pra algum outro lugar, o que faríamos? Era melhor não arriscar. Como não havia nada mais que pudesse fazer, dei-me por vencido e comecei a segui-lo, o coração batendo um pouco mais rápido a cada passo.

[...]

O fato de que a casa parecia um mausoléu foi a primeira coisa em que me concentrei depois que entramos: haviam poucos móveis, e eles estavam todos cobertos por lençóis imaculadamente brancos, quase como se Ethan estivesse planejando uma mudança repentina. Nossos passos ecoavam no chão de linóleo e a tensão acumulava-se em cada um de meus músculos conforme os segundos passavam.

Quando ele finalmente parou de andar, nos encontrávamos numa enorme sala desmobilhada, e meus olhos começaram imediatamente a vasculhar o enorme aposento, desesperados para pousarem em Isabella e finalmente comprovarem que ela estava bem. Coloquei toda minha concentração nisso, e não teria notado que tínhamos companhia, não fosse o fato de que um arquejo sufocado chegou-me aos ouvidos.

- Quem é ele?- as palavras saíram meio atropeladas enquanto eu corria até o corpo arquejante precariamente apoiado á uma das paredes e me ajoelhava ao seu lado, deixando que seu sangue empapasse minhas calças. Isabella estava parada á alguns centímetros de distância, tremores sacudindo seu pequeno corpo de forma ininterrupta enquanto lágrimas desciam-lhe pelo rosto. Cada fibra em meu corpo parecia empurrar-me em sua direção, mas quando fiz menção de que iria me aproximar, ela sacudiu a cabeça de forma veemente e sinalizou pra que eu permanecesse onde estava. Não tive como lhe negar aquilo, não depois de tudo pelo qual ela já devia ter passado, e estremeci de alivio quando o homem finalmente parou de pestanejar e conseguiu olhar-me de frente. Ele ainda estava vivo, eu só não sabia por quanto tempo. – por que foi que você decidiu matá-lo?

- Não seja tão dramático, Cullen! Eu não matei ninguém, não ainda. Roger só recebeu a punição que merecia por ter te ligado e apressado nosso encontro. Não tenho culpa se ele não passa de um velho decrépito, não é? – Ethan voltou a sorrir daquela forma doentia e sentou-se ao pé do primeiro degrau da escada.

Enquanto eu o ouvia, minhas mãos continuavam tentando estancar o ferimento que o homem ostentava na altura do abdômen e me esforçava pra não pensar na culpa que minha Bella devia estar sentindo no momento, ou eu definitivamente enlouqueceria. Ele estava abrindo mão da própria vida pra salvá-la da loucura do ex marido, e seja lá quem fosse, eu o respeitaria pra sempre.

Deixei de ser capaz de prestar atenção a tudo mais que ocorria ao meu redor no momento em que Isabella se arrastou para o meu lado e eu pude finalmente voltar a tocá-la. A voz de Jenks podia ser ouvida de onde estávamos, mas era como um rádio fora de sintonia. Eu não queria ter visto o que vi, mas não pude evitar: conforme os minutos se passavam a respiração do tal de Roger ia se tornando cada vez mais fraca, e quando ele deu seu último suspiro, nossos olhos estavam conectados e Bella segurava uma de suas mãos.

- Amor, por Deus, vamos sair daqui – murmurei, depois de um tempo. Isabella estava estranhamente parada, seu corpo escorado no meu e ainda segurando a mão de Roger, mesmo depois que ele já tinha partido. Seus olhos não se desviavam do rosto dele em nenhum momento, e ela tremia tanto que estava começando a me assustar. – ele se foi, não há nada que possamos fazer a respeito....

- A culpa é minha – demorou algum tempo até que ela conseguisse encontrar a própria voz, e seu tom era angustiado quando se esforçou pra falar – Ethan o feriu porque ele tentou me ajudar, e eu nem ao menos tentei impedir....

- Pare, Bella. Se culpar pelo que houve não vai mudar nada – finalmente tomei coragem pra vira-la de frente pra mim e acariciava seu rosto de forma delicada enquanto falava. – eu não faço idéia de quem era esse homem, ou do porque ele fez o que fez, mas serei eternamente grato: se não fosse por ele, eu talvez não tivesse conseguido encontrá-la antes que fosse tarde demais e a verdade é que simplesmente não posso viver num mundo em que você não exista, entende? – mandando a cautela ás favas, aproximei meu rosto do dela, até que nossos narizes se tocassem e nossas respirações estivessem misturadas

- Eu... eu amo você, Edward – aquelas três palavras foram o suficiente pra por meu mundo de volta nos eixos, mas não pude deixar de notar que havia uma certa urgência nelas, quase como se ela estivesse desesperada pra pronuncia-las antes que fosse tarde demais.

- Por favor, não faça isso – retruquei, alguns segundos depois – não diga que me ama como se estivesse se despedindo.

Ela tentou sorrir depois de me ouvir, mas acabou falhando miseravelmente e suas palavras eram quase inaudíveis quando a garota finalmente tentou responder:

- Roger.... ele era seu pai. – e ela caiu na inconsciência antes que eu pudesse compreender o significado daquelas palavras.

[......]

A capacidade do ser humano pra esconder o que sente é algo que sempre irá me surpreender: já fazia três dias que eu e Bella estávamos “escondidos” num pequeno hotel na Holanda, e todas as pessoas com quem tivemos contato pareciam acreditar piamente que éramos apenas um jovem casal aproveitando a lua de mel: nenhum deles fazia idéia do inferno que tínhamos enfrentado no último mês e não ter de dar explicações era libertador.

Sei que vai soar como covardia, mas grande parte do motivo pra não termos ido direto pra casa era o fato de que eu não estava preparado pra enfrentar Esme depois do que descobrira, muito menos pra revelar á ela que o único homem por quem se apaixonara tinha sido assassinado á sangue frio. Por meu irmão. Não que eu tivesse tido muito tempo pra assimilar aquela realidade, ou que tivesse me esforçado pra isso: pra mim, Ethan Smith continuava sendo um louco psicótico que passaria o resto de seus dias trancafiado numa instituição psiquiátrica, refém de seus próprios delírios, e Roger, o homem que se sacrificara por Isabella. E só.

Passei a vida inteira tentando descobrir quem era meu verdadeiro pai, só pra acabar tendo de aceitar que isso já não fazia diferença. Bella era,e sempre seria minha família. Era isso que importava.

- Um dólar por seus pensamentos, senhor Cullen – a voz sonolenta capturou minha atenção, e sorri enquanto Isabella se aninhava um pouco mais ao meu corpo, tentando escapar do clima frio proporcionado pelo ar condicionado de nosso quarto de hotel. Deixei que meus braços a apertassem um pouco mais e uni nossos lábios, beijando-a de forma lenta até que ambos estivéssemos sem fôlego antes de responder, com uma pergunta que vinha me atormentando desde aquele fatídico dia:

- Por que eu, Bella? Você passou anos fugindo, e Ethan talvez jamais a encontrasse se não tivéssemos nos envolvido, então por que se arriscar?

- Não sei ao certo, amor. Na verdade, eu soube que seria perigoso me envolver desde o primeiro momento em que te vi – ela murmurou, um pouco antes de voltar a fechar os olhos- mas, depois de um tempo acabei tendo que admitir que isso não importava: quaisquer que fossem os limites que tivesse de ultrapassar pra que pudéssemos ficar juntos, não fariam diferença. Afinal, você vale o risco.

Notas finais
E AI, VALEU A ESPERA? Sei que muitas de vocês queriam a morte do Ethan, mas eu me apeguei demais pra fazer isso (e a Amanda também, rs)

Me digam o que acharam nos comentários, e a gente se vê no epílogo, combinado?