Dando Voltas no Ponteiro
1 Capítulo I – PRÓLOGO
Notas iniciais
Isso aconteceu há dois anos. Sim, faz esse tanto de tempo. Eu estava me arrumando para uma festa e minha mãe não parava de me encher a paciência falando de como a vodka me faz mal quando eu só tenho 15 anos. Não dei ouvidos e me tranquei no meu quarto, me arrumando pra a festa. Eu não faço o estilo princesinha, mas… Já tive meus momentos de fraqueza. Eu usava um vestidinho rosa e curto com muitas lantejoulas e um salto alto preto. É que, sabe, a festa seria na casa da Candance, então… Todo brilho é pouco. Ah sim, sou Fayel. Fayel Lynch. Mas, bem, minha mãe me chama de Fay e meu pai e meus amigos me chamam de Fayth (Porque se pronuncia Feidieu, algo assim). Já os meus parentes (meus avós maternos) me chamam de Fayel, mesmo. Tenho uma irmã de 5 anos (atualmente) que se chama Daphne. Todos a chamam de Daph. Mas isso não vem ao caso.
Como eu estava dizendo, eu estava pronta. Desci as escadas e vi minha mãe, Ruth, cozinhando o jantar. A propósito, ela é linda. Ou, pelo menos, ela era. Tinha longos cabelos negros e lindos olhos verdes, o nariz arrebitado de quem eu puxei e um sorriso encantador. Ela era a mulher mais amável que podia existir. Pena que só damos valor quando perdemos… Minha mãe havia me chamado para por a mesa e eu disse brava:
— Mãe, vai manchar meu vestido! E o pior, desmanchar meu penteado! – Minha mãe virou os olhos para mim e disse, rindo:
— Fay, mas que roupa é essa, querida?
— É a roupa da moda, mãe. Nossa! Vai estar todo mundo assim! E a Candance disse que iria comprar igual! Imagina?!
— Filha, eu realmente acho que essa Candance tá querendo te passar a perna para as pessoas rirem de você.
— Ué, mãe, por que?
— Pensa bem, filha: novata, bonita e de uma cidade diferente. Tem tudo pra quererem que te zoem.
— Mãe… Relaxa ok? Vai dar tudo certo.
— Sei não viu…
— Mãe! Eu sei o que eu to fazendo.
— Não quer que eu te ajude?
— Sim! Quer dizer, sim, eu não quero que você me ajude.
— Não faz muito sentido. Mas tudo bem. Se quiser ir, vá. – ela beijou minha testa. Eu deveria tê-la escutado.
A casa era enorme. Com um jardim maior ainda. E três Ferrari ’s na garagem. Quando entrei um cheiro forte e desagradável veio à tona. Tossi e prossegui. Quanto mais eu andava, mais as pessoas apontavam e riam. Desconheci o motivo e então encontrei Candance. Sorri ao vê-la, e fui ao seu encontro.
— Oi! Candance! Mas… Você não… – ela me olhou rindo de uma forma pavorosa.
— Ah não! Que roupa é essa?! – ela ria descontroladamente.
— Você… Você disse que usaria um vestido como este. – eu estava atônita.
— Nem na minha outra vida! Você parece uma palhaça. Prostituta! – meus olhos se encheram de lágrimas, mas engoli o choro.
— Pare de rir de mim! – saí correndo em direção das escadas chutando porta por porta, quebrei tudo. Na ultima porta daqueles corredores imensos, chutei com mais força e quebrei o salto, entrei no quarto e joguei meus sapatos longe, me encostei na parede da cama de madeira que tinha ali e observei o lugar. As paredes tinham a cor azul marinho, com muitos porta-retratos, certificados e prateleiras. O computador era verde, da cor do mar. Enfureci-me de novo, e peguei o computador indo tacá-lo no chão.
— Não faça isso! – uma voz masculina e fraca veio de um canto do quarto. Da porta do banheiro. O garoto deveria ter mais ou menos minha idade, e estava com um aparelho de soro nas mãos. Paralisei.
— Eu… Me desculpa. Eu não sabia que…
— Não tem problema. Você pode fechar a porta? Esse cheiro é ruim.
— Ah. Claro. – fechei a porta e fiquei parada, olhando-o.
— Sou Luke Johnston. Irmão da Candance.
— Oi. Eu sou Fayel Lynch.
— Olá! Você pode me ajudar a me levar pra a cama? O chão é frio demais e as meias não me ajudam.
— É carpete.
— Sim, eu sei. Mas eu tenho sensação de frio no corpo sempre. Não adianta.
— Ah claro. – andei até ele.
— Me pega no colo. – o olhei incrédula. Ele era mais alto que eu e… Hã?!
— Mas…
— Eu sou leve.
O peguei no colo e fui em direção a cama. O pus lá e uma das meias tinham caído. Quando vi o pé dele, estava todo ferido, cortado, enrugado e azul. Um choque percorreu pelo meu corpo. Ele tremeu e mais rachaduras começaram a surgir e as antigas se abriram cada vez mais. Ele gritou de dor. Peguei a meia e pus no seu pé. Ele estava tremendo.
— Não. Por favor… Saia daqui. – ele gemia e seu rosto se contorcia de dor. Apenas o cobri e saí correndo com os meus sapatos. Desci e quando vi Candance eu disse:
— Você é uma monstra! Como você pôde fazer uma festa com seu irmão doente lá em cima?!
— Como você sabe do Luke?
— Eu o vi, sua vaca!
— Vai... Embora. – quando eu estava saindo, vi Candance sendo consolada por suas amigas. Cheguei em casa e pus minhas roupas normais.
Vi minha mãe e meu pai, Tyler, com malas e com Daphne arrumada também, perguntei:
— Ué, vão sair e não me disseram nada?
— Viagem de ultima hora! Eu e seu pai ganhamos uma viagem para a Holanda. Não é legal?!
— E quanto a Daphne?
— Vocês vão ficar na casa de sua avó nesse período.
— Tudo bem. Boa viagem.
O problema é que eles não foram, nem voltaram.
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