Dancing on my own
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
— Escrita por ~LullyDean
One-shot — Dancing on my own
Capítulo Único;
“— ‘Cause you can't bandage the damage. You never really can fix a heart. (Pois não se pode fazer curativo nesse ferimento. Você nunca vai poder realmente consertar um coração)”, Demi Lovato, Fix a Heart.
(~*~)
A harmonia melodiosa da música a envolvia, de uma forma a qual o moreno jamais havia visto.
E as luzes incandescentes dos fogos iluminavam bruxuleantemente seu rosto pálido, assim ressaltando mais seus olhos puramente verdes.
E em seus lábios o maior sorriso que ele já a vira dar em toda sua curta vida. Mas, aquele tão belo sorriso, não era para ele.
Somebody said you got a new friend
(Alguém disse que você tem um novo amigo)
Does she love you better than I can?
(Ela ama você melhor do que eu?)
Ela dançava olhando diretamente para o seu companheiro, sem nem sequer notar o olhar de Jay em sua direção.
Mal nunca notou o olhar do moreno em sua direção. Ela nunca soube observá-lo como ele a observava, nunca soube decifrar e perceber os sinais, por mais claros e visíveis que eles estivessem, ela nunca havia os notado.
Evie notou. Também fora a única.
A azulada havia descoberto na ilha e guardava segredo desde então. Ela sabia decifrar e perceber os sinais que Mal jamais conseguira, por isso era a única em que Jay confiava tal segredo, e, a única que o guardaria.
Ela sabia das noites em claro e dos segredos compartilhado às estrelas. Sabia de sua dor e sabia de seu receio.
Enquanto Mal, em relação ao moreno, apenas conhecia seu sorriso, conhecia sua mente. Entretanto não o conhecia.
Ele, para ela, era um livro ilegível.
Fora seu primeiro amigo. Seu primeiro único e verdadeiro amigo.
E era apenas isso que ele seria para ela. Um amigo.
There's a big black sky over my town
(Há um grande céu negro sobre a minha cidade)
Ele havia a visto pela primeira vez na cidade, se é que pode chamar aquele mercado improvisado de cidade, na ilha.
Ela podia ser jovem, mas era bonita, tinha grandes olhos verdes curiosos e travessos, e o que se destacava era a cor do cabelo. Roxo.
Eles se esbarraram sem querer. Ela reclamou. Ele sorriu sarcástico. Ela o ameaçou. Ele não se intimidou. Ela virou sua melhor amiga. Ele se apaixonou. Ela o fez rir. Ele lutou contra o sentimento. Ela nem sequer notou a presença do mesmo. Ele a amou. Ela não.
Havia um céu, mas para ele não era azul.
Tudo se resumia a duas cores. Verde e roxo. Verde os olhos dela. Roxo, seu cabelo.
I know where you at, I bet she's around
(Eu sei onde você está, eu aposto que ele está por perto)
Ele a observava de longe como sempre o fazia. E ela nem ao menos o notava, como sempre.
Jay nunca foi bom com palavras, muito menos em expressar seus sentimentos sem ser agressivo ou aparentar estar falando sério. Ele nunca nem ao menos cogitou a possibilidade de se apaixonar, principalmente por sua “amiga” de infância.
Yeah I know it's stupid
(Sim, eu sei que é estupido)
But I just got to see it for myself
(Mas eu só tinha que ver por mim mesmo)
Ele via Mal com Ben, Evie com Doug, Carlos com Jane.
Ele estava sentindo-se feliz pelos amigos. Apesar do aperto súbito em seu peito que se intensificava ao olhar para a roxa, ele ainda sim, ainda sentindo a dor, estava feliz por ela.
Então Ben, finalmente, conseguiu beijá-la.
Desta vez Mal não desviou ou virou o rosto, ela deixou que seus lábios juntassem. Permitiu que ele a beijasse fazendo todo seu ser estremecer e o coração de certo moreno se partir mais um pouco.
I'm in the corner, watching you kiss her (Oh, oh, oh)
(Eu estou no canto, vendo você beijá-lo; Oh, oh, oh)
I'm right over here, why can't you see me (Oh, oh, oh)
(Eu estou bem aqui, por que você não consegue me ver? Oh, oh, oh)
Mal via Ben, mas não via Jay, ela via através dele como se o moreno fosse um objeto qualquer, translúcido, em pé diante dela.
Seu coração estava partido, mas ele não deixa transparecer. Sorria forçado de braços cruzados. O moreno fingia não se importar e conseguia convencer qualquer um, menos Evie.
A azulada o procurou com o olhar, já sabendo que o amigo provavelmente estaria observando Mal, escondido sem ser notado, como sempre.
Ele estava em um canto qualquer, sozinho, tão concentrado em seus pensamentos que não notara a figura azulada indo em sua direção.
Há quanto tempo ele estava ali com ela? O bastante para ele se apaixonar, o bastante para não conseguir se afastar, o bastante para não conseguir odiá-la nem deixa-la.
Há bastante tempo.
Quando ela o veria, e não olharia através dele? Quando a ruptura em seu coração seria remendada? Ele não sabia as respostas para suas dúvidas, e temia algum dia saber.
And i'm givin' it my all
(Eu estou dando tudo de mim)
but I'm not the guy you're takin' home (Ooh, ooh, ooh)
(mas não serei eu quem você levará pra casa; Ooh, ooh, ooh)
Ele se lembrava dos dias com ela na ilha.
“Você, Jay, será meu companheiro de crimes?”, Mal perguntou em cima de um caixote, apontava uma espada para o rosto do rapaz com sobrancelha erguida, esboçando um sorriso no canto do lábio.
Eles haviam acabado de roubar um navio.
“Sempre”, ele respondeu, após uns segundos em silêncio admirando os olhos esmeralda da amiga.
I keep dancin' on my own
(Eu continuo dançando sozinho)
Sempre, o moreno repetiu a palavra em sua cabeça. Ele sempre ficaria ao seu lado, sem exceções.
“Não fique se torturando”, sussurrou Evie ao lado do amigo, “Ela está feliz, você deveria ficar feliz por ela. Deveria estar se divertindo. Não deveria ficar aqui, sozinho.”, ela seguiu o olhar do amigo com o próprio, observando a cena que ele via. “Pare de se torturar.”, sussurrou de forma gentil, varrendo toda festa com o olhar, pondo a mão no ombro de Jay.
“Não estou sozinho, você está aqui.”, ele respondeu ignorando as outras partes da conversa.
“Você me entendeu.”, disse ela voltando a fita-lo, retirando a mão.
O olhar de Evie era compreensivo e preocupado, mas, também, reconfortante para o moreno, e, justo naquele momento, ele agradecera por ela ser sua amiga e por ser ela quem guardava seu segredo.
“Não é o único que está sofrendo.”, ela comentou.
Jay a encarou sem compreender do que ela falava, então seguiu o olhar da amiga com o próprio.
Audrey estava sentada em uma mesa vazia em um canto observando Ben e Mal com os olhos marejados. A princesa gostava verdadeiramente de Ben, e, assim como Jay, sofria com a decisão do agora Rei de Auradon.
O moreno respirou fundo e caminhou na direção da princesa, que sequer notara sua presença ao aproximar-se.
“Não fique se torturando.”, ela encarou o dono da voz abruptamente, assustada. “Não deveria estar aqui sozinha, deveria estar se divertindo.”, o moreno lhe estendia a própria mão.
Audrey hesitou por um segundo, mas ao deduzir que o rapaz tinha razão forçou um sorriso, secou as lágrimas e aceitou o gesto.
I'm just gonna dance all night
(Só vou dançar a noite toda)
I'm all messed up, I'm so outta line
(Eu estou todo desarrumado, eu estou tão fora de linha)
Jayden jamais imaginaria que um dia dançaria com Audrey.
Em sua linha tênue e incomplexa o moreno jamais dançaria com a morena, como o fazia no momento, jamais se divertiria com ela, como o fazia, nunca nem sequer se aproximaria dela, pois fora ela quem mais fizera mal a sua amada, mas a morena também era frágil. A princesa era tão frágil quanto um castelo de cartas, e Ben ter escolhido Mal fora uma ventania furiosa que fez maioria das castas desabarem.
Entretanto, tal linha desfez-se na risada pura de Audrey, quando lhe contava uma piada momentânea. Mas, Audrey não era Mal. Ela não tinha o mesmo efeito que a roxa tinha sobre ele.
Stilettos and broken bottles
(Saltos altos e garrafas quebradas)
A maioria das garotas dançava sem perder o equilíbrio e a elegância, incluindo Audrey — que fazia certo esforço para manter o foco na dança e não rir tanto das palavras de Jay —, sob seus sapatos de salto alto, mesmo estando levemente alteradas.
Algumas garrafas de vidro eram derrubadas das mesas, o baque emitido pelas garrafas, quando entravam em contato com o chão, era encoberto pela música alta e agitada.
I'm spinning around in circles
(Eu estou girando em círculos)
O sentimento que o moreno nutriu pela amiga durante todos aqueles anos o fazia sentir-se, naquele momento, estranho.
Era como se o mesmo estivesse em um carrossel que gira, gira e gira nunca chegando a lugar algum.
A sensação de nunca chegar a nenhum lugar era nauseante, incomoda, decepcionante e, estranhamente, familiar para o moreno.
I'm in the corner, watching you kiss her (Oh, oh, oh)
(Eu estou no canto, vendo você beijá-lo; Oh, oh, oh)
I'm right over here, why can't you see me (Oh, oh, oh)
(Eu estou bem aqui, por que você não consegue me ver? Oh, oh, oh)
“[...]E ficar com o Ben, porque o Ben me faz muito feliz”, a voz de Mal não saia de sua cabeça, por mais que tentasse não pensar nela, ele não conseguia.
E apesar de estar se divertindo com Audrey, era Mal quem ele amava.
Ele amava a garota que sequer notava o quão ele gostava dela.
I'm givin' it my all
(Eu estou dando tudo de mim)
but I'm not the guy you're takin' home (Ooh, ooh, ooh)
(mas não serei eu quem você levará pra casa; Ooh, ooh, ooh)
I keep dancin' on my own
(Eu continuo dançando sozinho)
Ela estava a poucos metros de distância do amigo, mas, como sempre, não o notava.
Mal estava feliz.
Ben a fazia rir. Ele a girava. Ele a beijava. Ele a amava.
Ela também o amava, apesar de não saber completamente o que era o “amor”.
Seus pés tocavam o chão, mas ela sentia-se nas nuvens, estava tão longe da festa, porém estava nela.
So far away, but still so near
(Tão longe, mas ainda sim tão perto)
Um som alto sobressaiu à música, enquanto cores vivas coloriam o céu escuro.
Fogos de artificio, novamente, subiam aos céus em suas cores diversificadas brilhando bruxuleante nos rostos dos jovens na festa.
E a música que anteriormente se destacava naquele momento parecia fundo sonoro. Não estava mais alta.
The lights go on, the music dies
(As luzes se acendem, a música morre)
But you don't see me, standing here
(Mas você não me vê, aqui de pé)
Ele observou o céu como todos, porém logo desviou o olhar discretamente para a roxa. Um sorriso simplesmente puro estava estampado em sua face e as luzes incandescentes dos fogos, mais uma vez, iluminavam tremulamente o rosto de Mal.
Tão linda, pensou ele, entristecido.
Ele deveria descartar tal sentimento.
Queria vê-la feliz, portanto pôs-se a aceitar os fatos. Mal jamais o veria como via Ben. Ela jamais o amaria como ele o fazia com ela. A roxa jamais deixaria de querê-lo como amigo. Ele jamais a deixaria, teria de respeita-la. Ela escolheu Ben, e pela primeira vez Jay perdeu.
Então, após aceitar os fatos ele a olhou uma última vez, decidido a seguir em frente.
Dizendo adeus á aquele sentimento.
I just came to say goodbye
(Eu só vim aqui para dizer adeus)
O moreno logo voltou sua atenção para a princesa ao seu lado, a qual encarava o mais novo casal com os olhos, novamente, marejados.
Audrey estava decidida a seguir em frente. Doía, mas ela teria de conseguir.
I'm in the corner, watching you kiss her (Oh, oh, oh)
(Eu estou no canto, vendo você beijá-lo; Oh, oh, oh)
A morena voltou seu olhar para o filho de Jafar, já sabendo seu segredo.
Ela não teria olhado para Ben e Mal, mas Jay estava tão concentrado olhando para Mal que sequer a escutara a pergunta que a princesa fizera a ele, o que a fez seguir seu olhar.
I'm right over here, why can't you see me (Oh, oh, oh)
(Eu estou bem aqui, por que você não consegue me ver? Oh, oh, oh)
“Muito Obrigada”, sussurrou a princesa no ouvido do rapaz, beijando sua bochecha.
“Por...?”, ele perguntou.
“Por me fazer rir, por me tirar daquela tristeza. Obrigada por não me deixar sozinha”, ela sorriu e ele retribuiu.
I'm givin' it my all
(Eu estou dando tudo de mim)
Jay girou Audrey, fazendo-a esquecer, momentaneamente, a vontade de chorar e, assim, fazendo-a rir.
Ela apoiou-se nele. Seus braços finos envolvendo o pescoço do moreno, sua risada ecoando aos ouvidos do descendente, enquanto os braços fortes de Jay envolvia sua cintura.
Ela, mesmo de salto, era menor que ele.
Jayden de alguma forma sentia que devia protegê-la naquele momento, afinal de contas se não ele, quem? Se não naquele momento, quando?
A risada da morena diminuiu quando ele beijou sua testa.
Audrey não esperava tal feito, muito menos vindo de Jay, o que a fez sorrir.
but I'm not the guy you're takin' home (Ooh, ooh, ooh)
(mas não serei eu quem você levará pra casa; Ooh, ooh, ooh)
“Muito obrigado, Audrey.”, ele sussurrou e ela sorriu.
Se não fosse por ela partilhar da mesma dor de um coração partido, ele ainda se sentiria sozinho. Se não fosse animá-la a pouco ele estaria sozinho. Por isso agradecia.
Agradecia por ela ter lhe dado à força que precisava para seguir em frente.
Jay precisava ser forte para protegê-la.
E por um momento ele sentiu que tudo ficaria bem.
I keep dancin' on my own
(Eu continuo dançando sozinho)
Ao final da festa o moreno ainda conversava com a morena, quando Mal se aproximara junto de Ben, Evie, Carlos e Doug.
Eles conversaram como se tudo estivesse normal, como se tudo fosse ficar bem. Talvez fique, pensou Jay vendo o sorriso brilhante de Mal estender-se à Audrey.
E em certo momento a fadiga lhe atingiu. A luta contra Malévola, o coração partido, as danças, as canções, a dor e felicidade o cansaram.
Ele despediu-se dos amigos dizendo que se retiraria. Carlos logo afirmou que iria com ele, pois também compartilhava do mesmo cansaço.
“Foi um longo dia.”, disse Mal, abraçando Carlos e depois se voltando a Jay, o abraçando. “Obrigada, por tudo, Jay. Obrigada por ficar do meu lado, por me apoiar. Você sempre vai ter um lugar no meu coração, por ser meu melhor amigo, por ser meu único primeiro-verdadeiro-melhor-amigo.”, ela sussurrou ao ouvido do moreno, para somente ele escutar.
Foram tantos os sussurros que ele ouviu apenas aquela noite, mas o de Mal fora o que mais mexera com ele.
Ele sorriu para ela.
Adeus Mal, pensou ele despedindo-se da roxa.
Despedindo-se do sentimento que nutria por ela.
But you don't see me, standing here
(Mas você não me vê, aqui de pé)
Ele a amou quando não sabia o que era amor. Amou quando ninguém mais o fez. Uma amor como tal não some do dia para noite, um amor como tal dura toda uma vida.
Ele jamais amaria alguém como a amou e como ainda, levemente, a ama. Entretanto o moreno estava feliz por vê-la feliz, mesmo junta de alguém que não era ele.
Ele seguiria em frente, talvez com Audrey ou com outra pessoa, não tinha certeza, todavia sabia certamente de apenas uma coisa.
Ele sempre amaria Mal e ela jamais saberia disso.
Fale com o autor