Dance With My Father

1 Capítulo Único - Dance With My Father


Notas iniciais
E então pessoal, aqui estou eu com mais uma Fic para a Evil Week. Dessa vez escolhi falar da Regina e de seu pai, porque é uma história que faz parte da vida dela com certeza e eu não podia deixar de fora. Usei uma música que a Celine Dion fez para o pai dela (que faleceu :/). Escutem, ela é linda: http://letras.mus.br/celine-dion/926575/ .. e espero que gostem ! *-* Porque eu tenho orgulho de ser Evil Regal ! ♥

Eu era criança, em uma época em que eu não sabia o que era o mal, uma época em que a única coisa que eu gostava era de brincar, principalmente com meu pai. Me lembro como se fosse ontem que nós adorávamos dançar.

Ele chegava em casa após trabalhar na fazenda com os cavalos. Ele amava os cavalos, acho que herdei isso dele. E então eu escutava ele abrir a porta, era engraçado porque eu sabia o som que fazia quando era ele ao abrir a porta e no mesmo instante corria até ele na sala.

–Papai, papai ... -eu gritava com um enorme sorriso no rosto enquanto ele me pegava no colo e me abraçava forte.

–Minha pequena Regina. -ele dizia, então caminhava comigo até o sofá e nós nos sentávamos. -O que faremos essa noite ?

–Não sei. Podemos brincar. -eu respondia enquanto estava sentada em uma das pernas dele e ele mantinha aquele sorriso no rosto, um sorriso que me aquecia o peito e fazia com que eu me sentisse protegida.

–Brincar ... -ele levava o dedo ao queixo e olhava para cima pensativo me fazendo rir. -... e a minha pequena gostaria de brincar do quê ?

–Não sei papai, hoje o senhor escolhe. -eu respondia. Na realidade era sempre a mesma coisa, eu sempre deixava ele escolher porque eu sabia o que ele escolheria e era justamente aquilo que eu queria.

–Já que você insiste, nós podemos fazer um baile. -ele me respondia com aquela voz calma que nunca mais encontrei em outra pessoa.

–Um baile ? -eu arregalava os olhos e me fingia de desentendida, ficando eufórica e então ele não aguentava e me abraçava e eu o apertava forte.

Ele se levantava e ia até o rádio, colocava uma música animada e então vinha até mim, me pegava em seu colo e segurava em uma das minhas mãos e então dançávamos e não parávamos de sorrir. Todas as noites eram assim.

Então logo minha mãe aparecia, ela já tinha aquela postura fria, mas meu pai ainda a amava, eu sabia disso. Ele ia até ela e a puxava para a dança, mas ela se recusava, ou então apenas fingia estar dançando. No fundo ela queria, eu sentia que sim.

E ele me erguia e me rodava, e a dança se transformava em uma brincadeira divertida e eu ria, ria até minhas risadas se tornarem bocejos e ele então me aninhava em seus braços e subia as escadas comigo, me colocava deitada na cama e me cobria. E mesmo com sono eu não tirava o sorriso do rosto, era impossível olhando para aquele sorriso enorme que ele mantinha em seu rosto.

–E então, como foi o baile de hoje ? -ele me perguntava sempre e eu gritava todas as noites a mesma resposta.

–Eu dancei com um príncipe. -e ele ria. Hoje eu percebo que naquela época ele era muito mais que um príncipe, ele era meu Rei, minha fonte de felicidade.

–Mas agora a princesa precisa dormir, precisa descansar se não amanhã ela não terá pique para dançar de novo. -ele dizia puxando as cobertas para cima de mim.

–Se eu estiver cansada papai, o senhor me carrega no colo, e aí a gente dança de novo. -eu respondia e ele sorria mais uma vez antes de beijar minha testa.

–Sempre minha pequena, o papai sempre vai estar aqui pra dançar com você. -e então ele beijava minha testa de novo, mas dessa vez eu não deixava ele se distanciar, eu segurava o seu rosto e então era eu que o beijava. -Boa noite ! -ele dizia enquanto eu ainda o segurava.

–Boa noite papai ! -eu respondia e então ele se levantava e ia até a porta, parava nela e antes de apagar as luzes dizia:

–E lembre-se, o papai ama você ! -ele dizia sorrindo e eu sentia que era a maior verdade da vida dele.

–E eu amo você ! -eu respondia e ele fechava a porta sorrindo. Aquela era a maior verdade da minha vida.

De volta quando eu era uma criança
Antes que a vida removesse toda a inocência
Meu pai me levantaria bem no alto
E dançaria comigo e com minha mãe e então

Me rodaria até eu cair no sono
E então me carregaria escada acima
E eu sabia com certeza
Que era amada.

E então esses pensamentos sumiam e davam lugar a visão daquele meu palácio frio e vazio. E eu sabia exatamente que aquele vazio se dava por conta dele. As lembranças do dia em que enfiei a mão em seu peito e arranquei o que ele tinha de mais importante, arranquei o lugar em que ele me guardava. Eu fiz aquilo por um propósito que hoje só me resta o vazio, um propósito que me deu um único sentimento: a saudade dele.

E eu tentava todas as noites ligar o rádio e deixar que aquela música tocasse, a mesma que dançávamos todas as noites na minha infância. E ela tocava, mas eu não conseguia dançar, não sem ele.

Acho que a dança significava a vida, e quando ele se foi, quando eu o fiz partir, aquela dança cessou para sempre e eu não conseguiria nunca mais acertar um passo dela de novo.

Eu só dançaria se ele estivesse aqui comigo, e eu sabia que isso era impossível. Mas eu daria tudo, tudo nesse momento para poder dançar aquela música de novo. Com ele. Se eu pudesse ao menos ter mais uma chance de ao invés de tirar o seu coração, deixar que ele segurasse em minha mão e me conduzisse a aquela dança, eu juro, ele nem precisaria me carregar no colo, bastaria estar ali comigo, naquele dois pra lá, dois pra cá que só fazia sentido com ele. E eu usaria minha magia apenas para eternizar aquela música, e nossos pés nunca se cansariam, pois seria a nossa dança e essa servia pra nos fazer feliz.

Se eu pudesse ter outra chance
Outra caminhada, outra dança com ele
Eu tocaria uma canção que nunca, nunca iria acabar
Como eu adoraria, adoraria dançar com meu pai de novo.

E ainda na minha infância, enquanto ele estava fora trabalhando, eu ficava em casa sozinha com minha mãe. Eu sentia falta dele, eu sentia falta da sua proteção e por isso ligava o rádio com a esperança de que aquela música me aquecesse o coração enquanto ele não chegava. E então eu fechava os olhos e saía girando pela sala.

Até de repente a música parar, e então eu via minha mãe nervosa ao lado do rádio.

–Já disse pra não ligar isso durante o dia. -ela falava com a cara fechada.

–Mas eu só queria dançar mamãe. O papai sempre deixa. -eu respondia calmamente achando que ela entenderia.

–Acontece que eu não sou seu pai. Eu já mandei você ir experimentar o seu vestido, aquele que você vai usar na festa do Reino. Quero que você se acostume com esse tipo de celebração. -ela dizia cruzando os braços impaciente. Eu era só uma criança e ela já tinha começado seu trabalho comigo. Aquele que ela conseguiu.

–Mas eu não quero ir na festa do Reino. É chato. -eu respondia emburrada. -Não vou experimentar vestido nenhum.

–Regina não responda pra mim. -ela gritava e então eu saía correndo e chorando.

Meu pai sempre chegava na hora, parecia que ele sabia quando eu mais precisava dele. Então ele abria a porta e eu no mesmo instante corria para os braços dele e afundava meu rosto em seu pescoço chorando sem parar.

–O que aconteceu com a minha menina ? -ele perguntava preocupado enquanto nos sentávamos em algum lugar calmo onde ela não estava.

–Mamãe quer que eu fique experimentando aqueles vestidos de novo. Mas eu não quero papai, e não quero ir a festa do Reino. É chato, eu quero ficar aqui dançando com o senhor. -eu respondia após ter parado de chorar e enquanto ele limpava delicadamente as lágrimas do meu rosto.

–Mas você sabia que nessas festas todo mundo dança ? -ele perguntava e então meu rosto se abria em um pequeno sorriso.

–Eles dançam ? -eu perguntava já sendo vencida por ele logo de início.

–Sim. É um baile como o nosso, só que lá tem príncipes de verdade. -ele respondia sorridente e eu sorria junto dele.

–O senhor é um príncipe de verdade. -eu dizia apontando pra ele.

–Sim, claro que eu sou. -ele respondia de maneira divertida me fazendo rir. -Mas eu pensei que você fosse querer dançar com alguém do seu tamanho.

–Não papai, eu prefiro que o senhor me carregue no colo. Eu não me importo se o senhor já está grandinho, o senhor sempre vai ser o meu único príncipe. -eu respondia e então ele me abraçava. Era verdade aquilo e ele sabia disso.

–Então vamos lá experimentar seu vestido ? Tenho certeza que ele deve ser lindo, como o de uma princesa assim como você é. -ele completava tocando a ponta do meu nariz e me fazendo rir de novo. E então eu ia.

Ele não fazia isso por mal, até mesmo porque eu acho que ele não imaginava as intenções de minha mãe. Ele fazia isso para que ela não brigasse comigo, ele fazia isso porque ele sabia que eu adorava bailar, e era isso que nós fazíamos nos bailes, mesmo que por pouco tempo, mesmo que logo minha mãe mandasse nós pararmos, mas sempre haveria nossa sala e nosso rádio e esse era o melhor baile pra mim, só pelo fato de ele estar lá comigo.

Quando eu e minha mãe discordávamos
Pra fazer do meu jeito eu corria para ele
Ele ma fazia rir, só para me confortar, sim, sim
Então finalmente me colocava a fazer o que minha mãe disse.

E então depois que chegávamos do baile, cansados, ele me colocava pra dormir. Ele sabia que outros dias como aquele viriam, ele sabia que eu choraria, mas ele estaria lá por mim sempre. E então assim que nós dávamos o "boa noite", jurávamos um próximo baile e dizíamos o "eu te amo", ele saía só até eu dormir e depois ele voltava e deixava dinheiro em baixo do meu travesseiro.

Assim que eu acordava, eu pegava o dinheiro. Eu sabia que ele deixaria, e então eu o guardava até ele chegar. Quando ele chegava eu ia contar pra ele que havia encontrado o dinheiro mais uma vez.

–Foi o senhor de novo, né ? -eu perguntava e ele se fingia de desentendido nos fazendo rir, mas depois dizia que sim.

–E quando você tiver juntado um monte dele, nós vamos construir um lugar só nosso, para que possamos dar os nossos bailes. -ele respondia e só agora eu percebo que ele me ensinava que dinheiro tem que ser conquistado com força de vontade, e quando merecemos. Que nós não devemos almejar riquezas, como se quiséssemos ser uma Rainha, mas sim almejarmos alcançar nossos sonhos.

E hoje eu tenho dinheiro, e percebo o quanto isso não vale a pena quando não se tem o seu bem maior, quem te ensinou a ganhá-lo. Diversas vezes, quando eu ia dormir chorando por lembrar dele, me pegava ao acordar, olhando em baixo do travesseiro na esperança de que ele houvesse deixado algo pra mim. Mas não havia nada, nunca mais haveria.

Só me restam sonhos. Talvez um dia eu construa o nosso lugar para bailar, mas não sei se alguma música tocará lá, porque era ele que fazia ela ser animada, e naquela época eu jamais imaginaria que um dia ele iria partir, principalmente da maneira que eu o fiz partir. Eu não mereço mais aquela música.

Naquela noite, mais tarde, quando eu estava dormindo
Ele deixava um dollar em baixo de meu cobertor
Nunca sonharia que ele
Partiria para longe de mim.

Eu só queria poder voltar no passado, em um dia qualquer da minha infância para poder reencontrá-lo naquela sala. Para poder dizer a ele tudo o que eu não disse, para poder pedir perdão. Para abraçá-lo forte, lhe beijar a face inúmeras vezes como eu fazia quando garotinha, a garotinha dele. Para dizer-lhe que eu o amava muito mais do que ele podia imaginar, e que nós realizaríamos nosso sonho juntos e que ele me veria crescer e só partiria quando a vida achasse que estava na hora. E eu aproveitaria para guardar comigo o seu sorriso, aquele que me aquecia o peito, o sorriso mais sincero que já vi, e aquele olhar que dizia que eu era uma menina amada, e guardaria o calor do seu abraço que fazia com que eu me sentisse protegida. E eu tentaria prolongar isso ao máximo, tentaria aproveitar cada um desses momentos como se fossem eternos. E eu sei que ele me perdoaria, ele me sentaria em seu colo e me diria que tudo iria ficar bem, que eu deveria ir experimentar aquele vestido e que no reino teria um baile. E então eu iria, e o baile dessa vez seria só nosso, e nós dançaríamos para sempre e nossos pés não cansariam porque aquela dança era nossa. Aquele momento era nosso. E ele era seria eterno.

Se eu pudesse roubar um último olhar
Um último passo, uma última dança com ele
Eu tocaria uma canção que nunca, nunca iria acabar
Pois eu adoraria, adoraria, adoraria dançar com meu pai
novamente.

E naquela época eu era tão inocente que me lembro de todas ás vezes em que eu e ele nos divertíamos juntos enquanto minha mãe se trancava em seu quarto. Depois eu subia as escadas e escutava ela chorando.

Meu coração se partia ao ouvir seu choro. Eu pensava que ela chorava por não ter participado da dança, eu pensava que ela também queria ser a princesa do meu pai e que ela chorava por isso. Eu pensava que ela o amava. E então eu corria até ele e contava tudo.

–Papai, mamãe ta chorando, da próxima vez o senhor chama ela pra dançar ? -eu pedia baixinho como se isso fosse um segredo. E ele prometia que a chamaria.

Mas no dia seguinte tudo acontecia de novo e ele me contava sempre a mesma história. De que ela era uma bailarina mágica e que bailarinas assim dançavam escondidas e que na verdade ela não chorava, aquela era a música para sua dança. E eu acreditava.

O que eu não sabia era que ela chorava de verdade, chorava por ódio ao que nós dois tínhamos, chorava determinada a no dia seguinte dar mais um passo ao que ela sempre quis: me transformar nela. E ela conseguiu, só não conseguiu tirar essas lembranças e a vontade de dançar de mim.

Fico imaginando se hoje ela ainda chora, e se isso acontece eu não sei, mas rezo por ela todas as noites. Rezo pedindo para que de alguma forma aquela música amoleça seu coração, ou que pelo menos crie um pouco dele nela. Um pouco dessa vontade de dançar.

Às vezes eu escuto através da porta do quarto dela
E a ouço, mamãe chora por ele
Rezo mais por ela do que por mim
Rezo mais por ela do que por mim.

Rezo também por ele, pedindo pra que ele esteja bem e que me perdoe. E que as nuvens sejam palco daquela dança, e que um dia eu me junte a ele nesse baile que só então se tornará eterno. Peço coisas que eu sei que são impossíveis, mas ainda assim eu prefiro pedir, quem sabe um dia Ele me escute.

Peço pra que eu tenha a chance de ver meu pai de novo, de poder dançar com ele mais uma vez, peço pra que dessa vez ela queira dançar também. E então antes de dormir, eu peço pra sonhar com ele e eu sei que acordarei procurando dinheiro embaixo do travesseiro, e que eu não encontrarei, mas sei que se eu pedir, isso me ajudará a ter forças na manhã seguinte.

E dessa maneira eu sigo minha vida, deixando aquela música tocar, ás vezes baixa, ás vezes alta. Eu tento dançar, mas não consigo, só sei que ela significa a vida dele e por isso eu a deixo tocar, pois enquanto aqueles acordes ecoarem no mundo, eu saberei que ele estará lá por mim, onde quer que ele esteja. E que em algum lugar desse mundo, dessa eternidade, nós construímos o nosso cantinho e que lá sempre estaremos, pai e filha, juntos, em um baile que eu sei que é eterno, um baile onde eu não o deixo partir e ele me conduz a ser sempre apenas aquela garotinha.

Sei que rezo por muito além da conta
Mas Você poderia mandar de volta o homem que ela amou ?
Sei que Você não faz isso com frequência
Mas Senhor, ela morreria por mais uma dança com meu pai
Toda noite quando caio no sono
Isso é tudo o que eu sonho.

Notas finais
E então gente, eu escrevi essa One com muito carinho mesmo e só de imaginar a Regina pequenina, brincando com seu pai, eu já me emociono. Coloquei a Cora aí de uma maneira que não parece ás vezes muito ela, mas no fim deve ser e porque eu queria encaixar com a música. Espero que tenham gostado da música também, e da Fic, claro kkkk .. enfim, é isso gente. Deixem reviews !! ♥ PS: ainda tenho mais Fics para a Semana Evil Regal. Aguardem ! ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!