Dance Floor

6 Capítulo 5 : Matando a vontade


Notas iniciais
Olá,para esclarecer algumas coisas:
- sim, estou vivo
- Viajei o mês de maio todo (sem pc/notebook)
- Nota baixa em física = castigo (tentem escrever yaoi com a tia da biblioteca te rondando)
- O poço de idéias está secando (lutando contra isso)
Quero me desculpar com as leitoras, não vou desistir da fic, porém não prometo regularidade nas postagens mas nada que ultrapasse três semanas.

Shaka

O sol da manhã entrou suavemente no quarto através de uma brecha entre as cortinas, despertando Shaka de seu tão doce sonho. Abriu os olhos e soltou um suspiro. “Mais um dia...”, pensou. Levantou-se e arrumou a cama, foi até o jardim fazer sua meditação diária. Após exatos trinta minutos, voltou ao quarto para acordar Afrodite. Milo já estava acordado, na varanda, fazendo sua série habitual de abdominais.

– Hora de acordar moçoilas! – rui o indiano, entrando no quarto e batendo palmas para despertar Pisces. Para alguém tão andrógeno, Afrodite roncava em volume muito elevado.

–Vamos Dite, temos trabalho a fazer! – Cutucou as nádegas do adormecido. Recebeu uma série de grunhidos indecifráveis de Pisces pela tentativa de acordar o mesmo. Shaka insistiu – Vou ter de chamar o Mu para vir te acordar?

–Me deixa viver, Barbie... — resmungou Afrodite, ainda com a cara enterrada nos travesseiros.

Shaka simplesmente puxou o lençol da cama de Dite, derrubando o sueco diretamente no chão.

– Pode ter ganhado uma batalha Barbie... Mas NUNCA ganhará a guerra! – Afrodite pulou em cima do loiro como se fosse um leopardo afetado. Ou algo parecido.

– Vocês têm mesmo que brigar a esta hora da manhã? Isso é coisa da lagartixa biscateira e não de vocês. – resmungou Milo indo para o banho.

– Ainda mais essa! A bonitinha da Scarlet fica fazendo abdominal o dia todo para ficar saradinho, mas sou eu que tenho que me lascar toda para fechar a porcaria do espartilho no boy magia.

Afrodite estava certo, afinal de contas, estava cada vez mais difícil para fazer Milo parecer uma garota. O loiro saiu de baixo de Afrodite que ainda reclamava alguma coisa sobre ele ter quebrado uma unha ao avançar sobre o pescoço do virginiano. Shaka passou a mão pelos cortes que o amigo fizera e prendeu o cabelos dourados em um rabo de cavalo e anunciou para Afrodite e Milo:

– Se não estiverem prontos em cinco minutos Aldebaran e Thor vão comer até a mesa...

Dito e feito, em três minutos os amigos saíram dos dormitórios e foram para o refeitório. O espaço era apenas um salão que se assemelhava a um refeitório de escola, porém com cadeiras mais confortáveis e carência de chiclete grudado debaixo das mesas. Como sempre, as “estagiárias”, dançarinas que não passavam mais de três meses na boate, estavam fazendo algum alvoroço.

–Vou dar uma sondada... – riu Afrodite se infiltrando dentro de uma aglomeração no fundo do salão. Shaka viu Afrodite estender o braço para as duas dançarinas, provavelmente para chamar a atenção de ambas, mas Misty foi mais rápido, subiu numa mesa com as duas dançarinas pegas de surpresa.

– Atenção bando de oxigenadas! Temos umas garotas novas e não são estagiárias! São Bunny e Aurora! – as moças aplaudiram com uma animação que era digna de um enterro de avó.

– E podem apostar... Ele é uma gracinha né? – Misty pegou o rosto da mais arruivada de olhos carmins, Shaka ao olhar direito pôde reconhecer que se tratava de um novo dançarino. A reação das outras moças se resumiu a gritos e gestos obsenos enquanto passavam a mão no rapaz.

– Por favor... Sou muito mais lindo e linda do que esse aí... – Afrodite resmungou. Shaka abafou um pequeno riso. Algumas vezes, Afrodite dava a impressão que queria ser o único homem “bonita” da boate.

O café da manhã era self-service, como em hotéis, porém com uma balança no final para pesar a comida e tinha uma tabela informando a quantidade de calorias que cada colher de sopa fornecia daquele determinado alimento.

Os amigos sentaram-se à mesa. Milo ainda com os olhos na aglomeração no fundo do refeitório.

–Mais dançarinos... – Deu uma mordida no seu pão integral – Não fui com a cara da loira.

–Tá com invejinha loirinho? Fica esperto pra aquela lá não pegar o seu lugar.

Pisces estava apontando para a outra dançarina. Ela era muito bonita, mas ainda tinha cara de moça ingênua. Milo nada respondeu, apenas deu outra dentada na sua fatia de pão. Afrodite desatou a falar pelos cotovelos e se entupir de pão, geleia, ovos e muito bacon.

– Cuidado Dite, pegue leve com o bacon... – Shaka preveniu – Sabe que isso faz mal para você.

– Me deixa Barbie, eu posso comer o que quiser que não fico com nenhuma estria. – Ralhou.

Shaka girou os olhos para Milo, que ainda se contentava com uma fatia de pão integral e uma fatia fina queijo branco e um copo de suco de limão sem açúcar. Ele e Pisces tinham a bênção de não engordar fácil, mas indiano preferia manter seu corpo equilibrado junto com a mente, enquanto Milo sofria horrores para manter a “esbelteza”.

– Hoje eu e Dite vamos ficar de plantão até de madrugada, consegui trocar os nossos horários para podermos ir ao cinema no sábado – piscou para Milo — vamos logo para a aula de coreografia.

Trinta minutos depois foram para trás do palco ensaiar o espetáculo da noite. A sala de dança era estrategicamente atrás do palco principal, para as dançarinas poderem ter a oportunidade de ensaiar sua coreografia com ou sem supervisão da professora. Mal chegaram ao palco e já ouviam os gritos da senhora Garnet. Entraram para ver o que se passava. E lá estava ela, dando bronca em alguma estagiária por ter feito algo errado.

– Eu já disse... Só rebolam quando eu mandar!- Esbravejou a professora batendo sua bengala de jacarandá. A madeira escura exalava o cheiro das flores da tal árvore estrangeira. A vouivre dizia que a bengala foi um presente de Aldebaran pelos seus serviços. – Vamos começar do zero: Um... Dois... Três!

Os amigos entraram na sala e nada fizeram. Shaka gostava e observar a professora. A senhora Garnet era uma das poucas mulheres realmente lindas na boate. Consideravelmente alta, com cabelos negros cacheados emoldurando o rosto de origem Córsega, a vouivre era muito rigorosa quando o assunto era coreografia.

– Que coreografia tem hoje profe? – gritou Afrodite para a professora, que, segundo dizia, era a sua professora favorita.

Bom, havia mais professoras, de canto, música, boas maneiras e duas de “artes sexuais”. Mas Garnet era a única de dança. Devia ser graças as suas coreografias que sempre faziam sucesso na Boate. Misty dizia que a senhora Garnet estava na boate bem antes da atual Madame. Também diziam que a professora quase nunca recebia clientes, mas quando acontecia, o cliente nunca era mais visto. Shaka tinha certeza que era só pura fofoca e tédio de Misty e ignorava a maioria das histórias da Boate.

– Oh! Dite! Como acordou minha princesa hoje? – Beijou as bochechas do sueco — Hoje vamos fazer um jogo de sombras!- A vouivre Abraçou Afrodite, e virou-se para a turma:

– EM POSIÇÃO! – Fez um aceno com sua bengala para Valentine, que estava na cabine de música.

As luzes se apagaram. Alguns holofotes se ascenderam e deixaram o ambiente com um ar mais sensual. As dançarinas começaram a se aquecer. Mesmo pela leve escuridão, dava para perceber alguns movimentos eram graciosos das dançarinas, outros, nem tanto. A batida da música parecia despertar algo em algumas dançarinas, e também na Senhora Garnet. Milo entrou no grupo que se aquecia, mas Shaka ainda estava na porta ouvindo Pisces falar mal das dançarinas desengonçadas.

–VOCÊS ESTÃO PARADOS AÍ POR QUÊ? – Gritou a Vouivre batendo a bengala no chão para Shaka e o colega. – SE AQUEÇAM ALI NO CANTO!

Os dois cavaleiros obedeceram. Shaka alongava as pernas com um movimento longo e leve, enquanto Afrodite tentava escalar no chão. A batida da música estava aumentando, os movimentos se tornavam mais rápidos.

–HUMP! Não tenho tanta flexibilidade assim! Ai! Olha pra mim Barbie! Toda travada! –Resmungou Afrodite olhando para Shaka- Mas também se eu fizesse Yoga como você...

Nem pode terminar de reclamar. A senhora Garnet deu uma bengalada entre as pernas de Pices.

O homem urrou de dor. As luzes de acenderam de repente. Todos da sala fixaram os olhos no homem caído. Shaka estava estático, olhou para a mulher: ela sorria. Garnet sempre agredia os alunos com sua bengala, mas nunca com aquela força. Muito menos que bateria em Afrodite. Milo ficou vermelho de fúria.

–Chega de papo furado princesa. – Passou por cima de Pisces e se ajoelhou perto do rosto do homem caído.

–Uff... Se bater mais eu gamo... – Riu Afrodite com o rosto em carmim. A próxima bengalada foi bem em cheio no rosto do dançarino, a seguinte foi nas costelas. Shaka pode ouvir o barulho do bater da madeira na carne e nos ossos do colega – Essa foi forte... – Arfou o sueco se encolhendo no chão.

–Quando a Madame souber disso... – Mili deu um passo à frente. Todos os olhos da sala estavam agora fixos nele– VOCÊ NÃO TEM O DIREITO! – O grego estava rubro de fúria.

Garnet apenas riu. A risada quente e maldosa da vouivre ecoou pelas salas.

–Não me faça quebrar também esse rostinho lindo... — A professora agora estava encarando o outro loiro – Mas se bem que... – Lambeu a face do Escorpião com gosto.

Dava para sentir o prazer que estava sentido na situação. Shaka ficou nauseado. A vouivre percebeu que o indiano a encarava. Fez um movimento com a sua bengala e a parou no rosto agora pálido do loiro. A pancada não foi forte, apenas firme. Shaka não se mexeu, a madeira não deixou marca, diferente dos cortes e pancadas no rosto de Afrodite.

–Então... Você não vai dizer nada?

Shaka sentia os olhos dos presentes como vermes em sua pele. Ele estava com raiva, mas não podia fazer nada, abaixou a cabeça e voltou a se aquecer. Ele tinha esquecido de que ás vezes, a Boate não era a sua casa de férias, mas sim uma prisão. A professora sorriu com malícia e virou-se para a turma:

–Estão olhando o quê? Querem um pouco também? – Bravejou a Professora – Voltem a dançar!

A sala de espelhos se apagou novamente. As sombras produzidas nas paredes se refletiam e davam a impressão que toda a boate estava reunida na sala. Shaka voltou a fazer o seu alongamento, mas com os olhos ainda fixos em Dite, que ainda estava encolhido no chão. Milo ainda resmungava algo quando Mu apareceu na porta seguido por Thor. Shaka percebeu que Mu estava com um envelope nas mãos.

–Thor, leve Pisces para o quarto. Ei! Shaka! Chegou uma carta para você... E parece ser urgente. – Virou-se para a senhora Garnet – E você... Sugiro que se controle. Apesar de Pisces merecer, ele é uma das dançarinas mais caras da boate. A Madame mandou lhe chamar, ela te espera agora na sala.

Garnet nada disse, apenas saiu do aposento. Shaka pegou o envelope e pôs em seu armário. Tinha coisas mais importantes para fazer naquele instante.

Camus

O sino bateu e em menos de dois minutos Camus se encontrava sozinho na sala, tinha acabado de entregar as provas e as notas foram relativamente terríveis, somente dez alunos tinham realmente lido o livro. Porém não tinha nada que o distraísse naquela sexta, pois à noite tinha marcado um encontro com o estranho rapaz da livraria que apesar de demorar cinco dias para ligar finalmente cedeu.

Sorriu, apesar de doer um pouco pela falta de uso daquela expressão, e sua imaginação começou a voar livremente enquanto dirigia o carro e então um leve desespero bateu repentinamente... Não sabia o que usar e nos últimos tempos seu guarda-roupa se resumia a montanhas de blazers, calças e camisas sociais acompanhados com gravatas borboletas ou um colete de alfaiataria. Ligou o carro e saiu. Tinha de ir ao shopping, mas Camus sabia que não teria confiança em si mesmo para escolher uma roupa menos “professor velho e chato” e com certeza iria precisar de alguém para ajuda-lo... Mas quem?- Bateu a cabeça no volante.

–Seu burro! Seu demente esclerosado!

Rodou por cinco minutos até achar uma vaga no estacionamento quase lotado do shopping.

Ao sair do carro o celular toca, é número desconhecido, mas o ruivo atende.

– Alô? Quem é?

Ele teve que afastar o telefone da orelha para não perfurar os tímpanos com a típica risada paspalha de Aioros.

– Finalmente consegui seu telefone! E aí? Vamos fazer alg... – o outro mal teve tempo de terminar a frase, Camus o cortou de imediato, pois não queria desperdiçar toda a paciência com ELE. Saiu do carro e foi para a entrada principal do shopping.

– Desculpe, mas já tenho um compromisso marcado para hoje. — falou em um tom duro e com sua gelidez habitual, o outro se limitou a rir do outro lado do telefone. Camus sentiu uma mão em seu ombro e virou-se assustado... Era Aioros atrás dele.

– E então? Cineminha? – riu o professor de educação física. Camus sentiu um frio percorrer sua espinha com o simples sorriso infantil de Aioros.

– Seu parvo desprovido de bom-senso, o que pensa que está fazendo? – o ruivo fez um movimento brusco para tirar a mão pesada de Aioros de seus ombros, mas ele teve de admitir o professor havia chegado em boa hora.

– Estou apenas querendo aproveitar uma tarde relaxante com meu bom colega de trabalho Camus. –riu – Então? Nada de cinema? Tem um filme tão legal passando, fala de um grupo de amigos que...

– Não estou afim de cinema, você vai me ajudar a escolher novas peças para... — Só aí ele percebeu que Aioros ainda usava aquele shortinho vermelho que estava habituado a usar nas aulas. -... Ah...

Mas antes de corrigir a proposta, a única coisa que o professor de literatura conseguiu traduzir do rosto paspalho do treinador foi uma alegria quase que infantil.

–Ah! Resolveu ceder hum? – Gargalhou – Certo... VAMOS LÁ RUIVINHA!

“Você vai se arrepender Camus dessa decisão...” – Suspirou.

Entraram no shopping Foram e continuaram andando, Camus quase não prestou atenção nas piadas que o outro contava, contentou-se em olhar as vitrines que passavam. Das piadinhas de Aioros só escutou alguma coisa sobre duas garotas, um burro e um anão.

– Você consegue ultrapassar os limites quanto à perversão... – resmungou o Ruivo. “Será que ele não tem a mínima decência? Olha o que ele está vestindo!”. Olhou o colega de cima a baixo, a camiseta branca apertada no corpo e aquele shortinho que parecia que ia explodir. Seus pensamentos foram interrompidos por um puxão de Aioros.

– Vamos nessa loja! – Aioros nem esperou uma resposta por parte do ruivo e o puxou para a primeira loja que viu. A coitada da vendedora quase foi atropelada pelo professor de ginástica que tinha no mínimo quarenta centímetros a mais de altura do que ela. Camus realmente se sentiu uma boneca de pano, ele estava atordoado, toda aquela gritaria e roupas voando... Aioros acabou por optar colocar Camus num banco e em dois minutos afogou o mesmo com pilhas de roupas.

– Não acha que está um pouco exagerado? – perguntou o ruivo. – nem olhamos o restante das lojas e além do mais...

– Sempre compro aqui, e menos papo e vamos experimentar.

Aioros o arrastou novamente, dessa vez para o provador. Camus entrou no provador e olhou as roupas. Elas eram totalmente fora de seu estilo, bom, pelo menos tinha gostado da calça jeans que ele pegara... Passou a calça pelas penas magras, “Parece um tamanho infantil”... Estava um pouco apertada. “Vamos Camus!” Deu um puxão tão forte que sentiu seus testículos serem esmagados pela costura da calça. Gritou. Aioros bateu na porta.

– Está tudo bem ruivinho?

– T-tá sim! Sem problema Aioros! Ele forçava a calça para baixo, mas ela estava quase que colada em seu corpo. — Merda, como eu saio disso? – Sussurrou em desespero.

–Tá Tudo bem mesmo?...

Camus respondeu com um “huhum”, mas sabia que não estava nada bem, ele estava entalado na calça e para piorar a situação, parecia que Aioros tinha ouvido o seu sussurro e anunciou:

– Tô entrando.

“Entrar” não seria o verbo mais adequado para a situação, mas sim “apertar”, Camus ficou ligeiramente surpreso com o espaço que o professor ocupava dentro do provador.

– Não fique próximo de mim seu pervertido! – disse o professor de literatura tentando inutilmente empurrar o outro, que somente fez avançar ainda mais. Camus estava tão colado com o outro que sentia a respiração e somente segundos depois reparou que Aioros estava sem camisa.

– Só fique parado certo? – pela primeira vez ele não sorriu, a voz soou rouca e quente aos ouvidos de Camus. As mãos de Aioros desceram pela sua cintura e deslizaram até a boca da calça. Aioros estava tremendo levemente – Vou puxar no três: Um... Dois!

ZÁS! O berro de Camus ressoou pela loja. A calça foi puxada com toda a força das pernas do aquariano. Alguns atendentes e outras pessoas foram para o vestiário para ver a origem do grito. As pernas que outrora foram brancas estavam vermelhas, o professor de Literatura jurara que a sua pele fora arrancada junto com a calça.

–Prontinho! Livre da calça assassina! E... – Aioros esbugalhou os olhos.

–Porque essa cara de paspa... – Camus percebeu que a sua cueca fora arrancada junto com a calça, e que o sorriso do paspalho se alargava. – SEU FILHO DA... – Bateu a porta do provador com toda a força e a trancou. Ouvindo os berros de susto e deboche das pessoas do lado de fora. Pôs as mãos no cabelo ruivo, pensando como iria sair daquela loja depois do vexame de estar nu na frente de uma pequena multidão.

O professor de literatura esperou uns dez minutos até que Aioros bateu na porta do vestiário falando baixo.

– Pode sair já, comprei o que eu queria... Vamos à outra loja, certo? – riu. Camus tomou fôlego e saiu tentando manter a cabeça erguida, mesmo quando uma das vendedoras deu um risinho nervoso para uma colega e sussurrou algo como “Tem mais de dezenove com certeza”.

Foram caminhando pelas lojas que Camus escolhera, não demorou muito para achar uma boa combinação, um par de jeans e uma camiseta de manga longa listrada em vermelho e azul escuro. Não comprou sapatos, pois tinha um par de sapatênis novo que nunca tinha usado. Depois foram para a praça de alimentação, Aioros pediu um hambúrguer com tudo que tinha direito, refrigerante e batatas fritas, todos de tamanho grande.

O ruivo se limitou a um sorvete de baunilha, o qual acabou bem antes do que esperava. O professor de ginástica ainda atacava o hambúrguer com selvageria e sempre falava com a boca cheia.

– Você só vai comer isso? Por isso está tão magro! – riu

– Se estou magro por que fiquei entalado naquela calça? – devolveu de imediato- E por que você pegou uma calça de tamanho infantil para mim?- ele encarava o moreno com os olhos estreitos, uma velha tática de professor que visivelmente funcionou, deixando o outro desconcertado.

– Bom... Não eram infantis, só três números menor que o seu... Pensei que iria dar um pouco de volume... Sabe, quando você usa essas calças sociais fica sem perna e sem bunda. –deu um gole no refrigerante. – Vamos pro cinema? Tá cedo ainda pra voltar.

Camus sentiu o sangue subir à cabeça.

Ikki

Mais uma noite de segunda feira em completo tédio. Ikki estava parado em frente ao telefone. Mesmo estando em sua poltrona, ele se sentia desconfortável. Há uma semana tinha dado o seu número a dançarina e até agora nenhuma resposta.

“Será que ela me achou um bosta?” pensou nervoso “Não, a maneira que ela me olhou não dizia isso... Mas então, NENHUMA RESPOSTA?”.

O Telefone toca.

Ikki se levanta de supetão e pega o telefone enquanto tenta recuperar o equilíbrio, caindo no carpete da sala.

–Alô?! – Disse ainda no chão.

–Oi querido! – A voz de Esmeralda não era EXATAMENTE o que ele queria. Tentou disfarçar o desapontamento o máximo possível.

–AH! Oi querida! Algum problema?

–Não, não... Só queria ouvir a sua voz. Ah! E parece que fui escalada para o plantão da noite, não dormirei em casa, tem algum problema?

–Só me deixe passar aí para te dar um beijo...

–NÃO! Quero dizer... Não precisa amor, estamos em uma reunião muito importante e o delegado Dohko não quer interrupções.

–Se você diz... Então até amanhã.

–Até, sonhe com os anjos amor.

Depositou o telefone no gancho. Caminhou até o seu quarto e jogou-se na cama.

“O que fazer? São sete horas da noite e Esmeralda só volta na quarta pela manhã... E aquela maldita loira não saí da minha cabeça.” – Seus pensamentos eram turbilhões. Ele ainda amava Esmeralda, mas tinha algo nos olhos turquesa da dançarina que o intrigavam. – “Voltarei àquela boate para falar com ela... Preciso ligar para o Hyoga e pedir aquele cartão emprestado”.

Pegou o telefone e discou o número de Hyoga;

–Beleza Ikki?

–Oi Hyoga! Sabe aquele seu cartão da boate?

–Já sei... Mas só não o perca e não estoure o limite. Ah! E você pagará pelas danças que pedir, certo? Não sou Madre Teresa para fazer caridade pra marmanjo. — Hyoga riu – E não mencione o meu nome para Esmeralda, se fizer isso pode vir buscar o cartão quando quiser.

Aldebaran o recebeu calorosamente, eles haviam se tornado amigos graças à Hyoga, e Ikki começava a se perguntar o quanto o loiro gastava mensalmente em pornografia. Havia uma multidão na frente do palco principal, era noite de apresentação especial. Ikki logo deduziu isso ao ver seis biombos brancos postos na frente do palco.

As luzes se apagaram, e holofotes no fundo do palco acenderam e as silhuetas das dançarinas foram reveladas. A música entrou. As moças rebolavam a cada batida do som, e começaram a tirar as peças, fazendo questão de exibi-las para o público. Faziam poses provocantes e brincavam com plumas e acessórios.

Apesar de ser um jogo de sombras, o público estava adorando o show.

Um gongo soou e as dançarinas empurraram os biombos. No meio do palco havia uma barra de ferro na qual as meninas começaram a dançar. Ikki reconheceu apenas duas: Crystal e a outra a fazer um ângulo perfeito de noventa graus devia ser Pisces.

Mas Baby Doll não estava entre elas.

A sala VIP estava cheia naquele dia e as strippers estavam bastante atarefadas. Um homem bêbado esbarrou numa moça loira com roupa de empregada francesa, Ikki tinha reflexos rápidos e a segurou antes de atingir o chão.

– Me desculpe senhor... – ao levantar o rosto ela corou... Era Baby Doll.

Ele percebeu um notável desconcerto por parte da loira, suas pernas tremiam.

– O que foi? Estou te assustando?- perguntou.

– N-não, só não esperava encontrar o senhor aqui... — ele limitou-se a rir.

– Pode me chamar de Ikki se quiser, quando fala senhor me sinto com oitenta anos de idade. – provocou para ver a reação da menor, ela franziu as sobrancelhas e sorriu.

– Vou arrumar uma mesa para O SENHOR. – ela deu um tom enfático, o moreno logo percebeu que era apenas pirraça.

– Então vamos sentar juntos e pode...

– Desculpe senhor- ela o cortou -Estou de serviço até às onze horas.

– Então seu serviço acaba em três...Dois...Um...Acabou!- Ele levantou os braços como se tivesse ganhado um campeonato e mostrou o relógio para Baby.

Mu apareceu contendo um risinho.

– Pode acompanha-lo Barbie, eu assumo agora. – A menor empurrou a loira para uma mesa vaga no fundo do salão e se retirou, Ikki podia jurar que viu Baby chamar Mu de “cabrita”.

– Não quer se sentar mais próxima? – a moça estava na ponta do sofá, o mais distante do homem. Como ela não demonstrou nenhuma reação ele deslizou para o seu lado tocando sua mão. Ela desviou, Ikki olhou para seu rosto e achou que nunca vira alguém tão vermelho quanto ela. Passou a mão em seu rosto, ela o encarou por meio segundo e desviou o olhar. Por que ela nunca o olhava nos olhos? Esse pequeno joguinho que ela fazia o deixava louco, o arrepiava só de pensar na moça usando somente as meias brancas que lhe apertavam as coxas.

Quando deu por si estava bem em cima da moça, beijando o seu rosto e alisando os seus ombros.

– Se continuar a me tocar será cobrado. – disse a moça tentando manter o tom calmo de sua voz.

– Certo, certo... – e pôs a mão no bolso.

Notas finais
Como sei que vocês não me perdoaram vou fazer uma brincadeira... A leitora que mandar um review acertando o apelido das dançarinas da boate vai ganhar... Uma one-shot de mil e quinhentas palavras! Valendo escolher o casal (quem em fica por cima e quem fica por baixo), local, situação (estavam jantando, no banheiro, na baixa de capim etc.) e temperatura (fofo/normal, quente/filmes para +18, inferno/ brazzers).

Lista:
Shaka
Milo
Afrodite
Hilda
Thétis
Mime
Sorento
Shina
Marin
Misty
Mu
June

Como sou malvado vou jogar sujo XD, mas vou dar uma dica: boa parte dos nomes tem relação com a armadura, nomes em inglês estão presentes.
ps. não me venham com SagaxCanon --' (acredito que boa parte vai chorar)
até a próxima e.e