Dance Floor
3 Capítulo 2 : Saindo de Casa
Notas iniciais
Finalmente resolvi criei forças para escrever esse capítulo. Prometo que não demorarei para postar os outros capítulos.
Ikki
– Hum... Essa camisa não... Experimente essa! — falou Esmeralda pegando uma camisa polo rosa com listras brancas. – Eu te dei de aniversário e francamente... Nunca vi você usá-la... – e saiu do quarto cantarolando alguma música.
Ikki encarou a peça de roupa. REALMENTE não era o estilo dele, além do mais, não queria irritar Esmeralda antes do almoço na casa dos pais... A bruxa velha iria implicar muito com ele.
A estrada para a casa de campo foi muito rápida, até mesmo para Ikki que esperava o longo caminho de uma hora de estrada. Chegando lá o homem só sentiu o velho arrepio que vinha sempre quando entrava naqueles portões negros, apesar da casa de campo ser belíssima: cinco quartos com três suítes, banheiro social, sala de estar, escritório, biblioteca, cozinha, quarto para os empregados – que era maior que o de Ikki — Sauna, estufa, sala de refeições, garagem para seis carros, piscina, churrasqueira e uma casinha pequena que a bruxa velha usava como laboratório. E tudo muito bem decorado e limpo.
– Mamãe! Papai! — gritou Esmeralda quando entraram pela porta da frente.
– Os senhores seus pais estão na sala de reunião aguardando vocês. – Ikki levou um susto, não tinha visto a criada chegar ao seu lado, era relativamente pequena com cabelos cinza e olhos dourados.
– Eleonor... Quanto tempo! — a loira abraçou a menor, que corou visivelmente.
– T-também é um prazer vê-la, Senhorita Esmeralda.
A porta da sala de reunião era de carvalho macio e tinha uma mulher com armadura grega esculpida, lá de dentro Ikki ouviu risadas e uma voz bastante familiar...
– Onwww! Você é tão lindinho, Shunzinho querido! Deveria vir aqui mais vezes! Sabe que eu sinto muita falta de você! – e Esmeralda abriu a porta no exato momento em que Ikki pretendia fugir para o banheiro social. A sala era espaçosa, tinha dois sofás postos em “U” e uma poltrona, todos à frente de uma enorme televisão.
– Minha filhinha! Como vai a pedrinha da mamãe?- Cassandra abraçou e beijou a filha com tanta força que embaraçou um pouco os seus longos cabelos ruivos. Ainda sorrindo, olhou para filha e depois para Ikki. O largo sorriso sumiu, como se nunca tivesse acontecido.
– Ah, ele veio junto...
O “quê” de puro desdém ao se referir a Ikki fez o mesmo estremecer- “Ver você não é as mil maravilhas também...” pensou. Suspirou fundo e com um sorriso amarelo cumprimentou a sogra:
–Olá, Dona Cassandra... P-prazer em vê-la n-novamente – Ikki queria poder queimar aquela mulher, mas essa era a mãe de sua querida esposa, já deveria ter se acostumado com o veneno da víbora.
–Não tente ser amável comigo! Você seria o primeiro a cuspir no meu túmulo quando eu passar dessa para a melhor.
–Eu não sou louco de pegar essa fila... –Sussurrou frase sem que percebesse.
–O que você disse? – A sogra levantara as sobrancelhas e cruzara os braços esperando uma resposta do moreno.
“Merda, Puta que pariu! E agora?” “Pense rápido Ikki, não deixa essa bruxa vencer você..”
–O Trânsito estava horrível! É... Tinha uma fila de carros de um quilometro! – Disse, abrindo os braços para dar ênfase a sua mentira.
–Mas querido, o trânsito estava tão calm... – Esmeralda respondeu em um tom inocente, afinal, a viagem foi até rápida!
– Querida! Não se lembra? Estava uma calamidade! – Olhou assustado para Esmeralda. Ela não tinha entendido?
Cassandra não mudara a sua postura, um ar pesado era irradiado da anfitriã.
–Ah Sim Ikki! O tráfego estava péssimo hoje, hein? – Shun se levantara do sofá com as bochechas marcadas pelas longas unhas roxas da víbora. O jovem voltou a sentar no sofá e serviu-se de uma xícara de chá.
“Ufa”, pensou Ikki. Shun havia o tirado de mais um embaraço com a sogra. “Tenho que tomar mais cuidado a partir de agora...”. Ikki olhou para os lados, ainda constrangido, decidido a escapar do olhar penetrante da velha. Quando a figura do seu Sogro ao longe lhe tomou a vista:
– Ah! Olha! Seu pai Esme! Ei, Guilty!
Saiu correndo ao encontro do sogro, deixando a esposa e Cassandra, ainda com as sobrancelhas erguidas e seu olhar faiscante.
– Mamãe, não fale assim do meu marido... — Replicou Esmeralda um pouco corada.
–Hump! – A ruiva fingiu que não ouvira a repressão da filha.
– Me prometa que... Ah papai!
O fênix andava lentamente, suando e com os olhos vidrados ao lado do sogro. Guilty era ligeiramente grande para um homem com idade avançada, bom, pelo menos era o que o fênix pensava, já não podia ver o loiro dos cabelos somente o branco emoldurando o rosto severo com olhos negros.
– Esperávamos vocês um pouco mais tarde, por isso o almoço vai demorar um pouco. – beijou o rosto da filha.
–Quer um pouco de Uísque, Ikki? – Perguntou ao genro, enquanto se servia da bebida.
– Querido, não dê veneno para o troço, afinal não quero que ele saia dirigindo bêbado com minha filhinha dentro do carro. – Riu Cassandra sentada no sofá, enquanto afagava os leves cachos no cabelo de Shun.
– Cassandra, por que não mostra o álbum de fotos da nossa viagem mais recente? – O velho homem se sentou na poltrona tomando um longo gole da bebida. A sogra se levantou animada e pegou um álbum prateado que estava ao lado do sofá em uma mesinha de canto e se sentou ao lado da filha.
– O que você está fazendo aqui? – sussurrou Ikki puxando o irmão do sofá e levando-o a um canto.
– A Dona Cassandra me convidou ontem à noite... Esme não te avisou? – ele deu uma risada envergonhada, enquanto alisava as bochechas vermelhas ainda com marcas das unhas da Cientista.
A porta do salão se abriu e a pequena figura de Eleonor aparece com a as mãos na frente do avental. Ela dá pequenos passos em direção a Cassandra, que por usa vez, ainda continuava a brincar com os cabelos de Shun.
–Você é tão bonitinho! Não sei por que a Esmeralda casou com esse brutamonte ao invés de você... Meus netinhos seriam TÃO LINDINHOS!
–Aham... O almoço está pronto, Senhora Cassandra.
–Ótimo! Vamos Minha Jóia! – Esmeralda corou ao ouvir o seu apelido dado pela mãe e obedeceu a sua ordem. – Você também Shun! –acrescentou e puxou o jovem pelo pulso e os três saíram pela porta.
XxXxX
O farfalhar dos talheres raspando na louça era o único barulho na sala de jantar e Ikki estava ligeiramente sem apetite para o que quer que fosse aquilo, algo branco amarelado em forma de cubos e soja como acompanhamento.
– O que foi? Não vai comer? – Sibilou Cassandra, mas antes que Ikki desse uma resposta o celular de Esmeralda tocou ligeiramente alto no silencio do cômodo.
– Me desculpem... Tenho que atender... – Ela se levantou e foi para a sala e não demorou a retornar.
– Mamãe, Papai... Tenho que ir, meu chefe está chamando e não posso demorar... Vamos querido.
Afrodite
Já tinham passado pela oitava loja de roupas – sem contar as de sapatos e maquiagem — E Dite ainda não tinha encontrado a blusa “ideal”, e em compensação tinha comprado outras sete blusas, duas calças, três saias e dois sapatos. Jogava os cabelos para todos os lados chamando uma ligeira atenção com seu short minúsculo preto e uma blusa de seda lilás.
– Shakinha amore, não comprou nada pra você até agora? Vai ficar bancando a pêssega? – ele o examinou dos pés à cabeça, usava uma bata indiana colorida e uma calça de malha bege, mas ainda não tinha limpado as tatuagens de henna do corpo.
– Não estou com muita vontade de comprar hoje... – À sua esquerda Milo deu um muxoxo e parou na frente do loiro com os braços cruzados.
– Me poupe de seus dramas viu Barbie, você tem coisas melhores para se preocupar no momento.
Milo estava diferente do habitual, nem de longe se parecia com uma garota, usava uma camisa xadrez de flanela vermelha com os dois primeiros botões abertos, black jeans rasgados e um par de coturnos.
–Ui como ele é machinho! Assim você me deixa apaixonada por você... – Afrodite riu e se jogou nos braços do grego com as oito sacolas junto, derrubando o maior no chão.
– Puta que pariu Afrodite! Pelo menos seja discreto em locais públicos! – Reclamou o maior se sentando em uma das poltronas agrupadas do shopping.
– Ku ku ku, relaxa bixa, só estou marcando território... – se sentou ao lado do escorpião com as pernas em seu colo beijando seu rosto. – Está vendo aquelas mapoas ali? – apontou para duas meninas que estavam na frente da loja de perfumes.
– O que têm elas? – perguntou Milo arqueando a sobrancelha direita.
– Estão te seguindo desde que fomos à loja de sapatos... Hump! – sussurrou em seu ouvido – E precisa fazer um pouco a barba querido... Está pinicando... – Dite acariciou o rosto do loiro e passou a mão no seu rabo de cavalo.
As meninas diante daquela cena de pura exibição saíram com uma ligeira raiva no olhar, inclusive uma delas xingou Pisces claramente de “vadia”. Então se levantou e voltou a caminhar calmamente como nada tivesse acontecido.
–Vão ficar aí bancando a egípcia? Não queria comprar aquele negócio? – Dite deu um giro de trezentos e sessenta graus exibindo a cabeleira, atraindo a atenção dos homens que passavam por perto.
CAMUS
– Está bem turma, estão liberados, mas não se esqueçam do resumo de dez páginas e comentários sobre cada capítulo do livro “Otelo”. – os alunos soltaram um “ah” desanimado e saíram da sala.
O professor tirou os cabelos ruivos do rosto e ajeitou os óculos, finalmente era sexta-feira e tinha a tarde toda para não fazer nada, Pelo menos posso assistir a um filme qualquer.
Os corredores da escola já estavam quase desertos quando alguém beliscou-lhe a bunda. Soltou um guincho e se virou, ouvindo a risada alta do professor Aioros.
– E essa bundinha gostosa? – Perguntou o moreno, rindo. Aioros era professor de Educação Física do ensino médio, alto, moreno e de olhos verdes, e por ser a “graça” do colégio, se achava no direito de perturbar quem quer que fosse. Camus discordava plenamente disso, achava que o professor ainda estava na fase de ser um aluno.
– Será que pode demonstrar o mínimo de respeito dentro dessa instituição de ensino? – Disse o ruivo, carrancudo.
Aioros respondeu com uma risada calorosa, passando a mãos na testa suada e tirando a franja castanha de cima dos olhos. O homem era um ou dois anos – não sabia ao certo – mais novo que si, contudo quem o visse daria uma diferença de cinco anos, fosse pelo jeito amistoso e brincalhão do moreno, fosse pela carranca habitual do professor de literatura.
– Ah, Camus, estamos sozinhos. – Riu. – Será que você nunca tira essa cara chupada daí? É sexta, cara, finalmente estamos livres desses alunos molengas, preguiçosos, ociosos e... bom, ‘ce entendeu. – Alongou o braço direito por cima da cabeça. Camus concordava em parte com o homem, mas era cabeça-dura demais para sair festejando o final de semana assim.
– Talvez... Mas eu tenho que trabalhar no final de semana ainda.
– É? Mas e hoje? Sexta feira inteira aí, a gente podia sair para um boteco tomar umas... Eu vou levar duas primas minhas se você estiver interessado. – Piscou. Camus quase riu quando pensou em que tipo de elementos ele iria levar para o boteco, conhecendo a família grega sangue quente de Aioros, podia-se imaginar que apareceria com duas loiras de um metro e setenta e cinco.
Camus negou, obviamente, e ouviu mais um pouco de trela de Aioros, tentando convencê-lo.
–Bom, se precisar de mim vou tomar banho nos vestiários. – O outro deu um risinho de canto de boca e saiu cantarolando alguma música.
Finalmente se viu livre, no estacionamento do colégio, para poder sair daquele inferno. Logo chegou ao shopping meia hora depois – sem contar o tempo para achar uma vaga- e subiu o elevador para o andar do cinema, porém o próximo filme só começaria dali à duas horas, Então acho que vou na livraria comprar alguns livros novos.
Fazia alguns meses desde que Camus tinha ido ao shopping, era um dos poucos lazeres que ainda mantinha – exceto aquele lazer – E não fazia mais nada fora do seu apartamento, além de ir trabalhar. Só de lembrar-se da escola a imagem de Aioros veio na sua cabeça, o professor alto, forte com a roupa de ginástica suada e apertada no corpo.
Por um momento se desconcentrou e caiu no chão, sentiu o rosto ficar vermelho quando viu os olhares das pessoas para si, se recompôs o mais rápido que conseguiu e retomou o passo, dessa vez afastando a imagem de você sabe quem da mente.
Ao entrar na loja uma moça um pouco baixinha de cabelos loiros cacheados o antendeu.
– Professor Camus! Em que posso ajuda-lo? – Freya o abraçou com ternura.
A garota tinha sido sua aluna há três anos e sempre sonhou com sua carreira literária... Aparentemente não encontrou ninguém disposto a publicar suas obras, mas isso nunca parecia incomodá-la e para viver trabalhava na livraria.
– O-olá Freya... Quanto tempo não? Eu queria ver essa coleção... – o ruivo retirou um papel dobrado do bolso da calça e entregou à vendedora que deu uma risadinha para o professor ao ver o conteúdo do escrito.
– Até você professor? Pensei que gostasse de livros mais “para a sua idade”... – Ela piscou para dar um ar de piada, ela sabia muito bem que Camus levava as coisas a sério e poderia entender mal.
– Confisquei um desses livros de um aluno meu e...
– Já sei, colocou-o no castigo e “sem querer” leu o livro não foi? – ela andava na frente, o guiando pela livraria, por mais vezes que ele tinha ido lá nunca conseguia decorar as sessões dos livros que buscava. Ela parou em frente a uma prateleira e pegou uma caixa vermelha com letras douradas.
– Temos essa versão compacta, lindinha não? Está vendendo muito... – Camus pegou a caixa e examinou cinco livros com tamanhos similares, exceto pelos animais impressos em dourado em cada um deles.
– Prefiro os de tamanho normal... Minha prateleira precisa de livros novos. – Freya foi para o lado e pegou quatro livros grandes e grossos empilhando nos braços do professor.
– Erm... Está faltando o primeiro da coleção... Vou ver se acho no estoque. – Ela se virou e logo desapareceu da vista de Camus, ele observou cada um dos livros: The Clash of Kings, A Storm of Swords, A Feast for Crows e A Dance with Dragons.
Ao estudar a prateleira ele viu o primeiro volume e estendeu a mão para pegá-lo... Bom ao mesmo tempo em que outro rapaz.
– Eu peguei primeiro! – disseram simultaneamente e puxaram o livro de um lado para o outro, mas nenhum parecia que ia ceder, mas o outro vacilou por um momento e caiu no chão, levando o ruivo para cima dele.
Camus se deparou com um rapaz loiro com os cabelos presos num rabo de cavalo e olhos azuis, a camisa xadrez vermelha tinha dois botões abertos e seus rostos perigosamente próximos.
– Eu te conheço de algum lugar? – perguntou o professor encarado o rapaz.
Notas finais
Pêssega: Fazer cara de paisagem, desentendido.
Mapoas: Mulher, pessoa do gênero feminino.
Egípcia: Figura posética, que faz pose.
~ Fim do Dicionário de Bichês do Afrodite~
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