Dance Floor
7 Capítulo 6 : Errado?
Notas iniciais
Shaka
Sentia o toque do cliente pelo seu corpo, a sensação era extasiante. Fechou os olhos e se deixou levar pela sensação, parando uma ou duas vezes para poder respirar ou jogar os longos cabelos para trás. O cliente segurava a cintura do virginiano e o forçava o mesmo a cavalgar sobre suas partes. Sentir o volume entre as coxas deixava Shaka ébrio. O homem tocou seus seios falsos e por isso, o dançarino foi obrigado a fingir um gemido. “Oque estou fazendo? Não era para ser assim”, pensava enquanto sua língua acariciava a do fênix. Sentiu mãos pesadas procurarem o fecho de sua roupa, fazendo o loiro perceber que as coisas estavam indo longe demais.
-Senhor... – Arfou – Precisamos parar... – o cliente continuava a beijar o seu pescoço – Pare... Por favor...
O moreno parou com as carícias e encarou Baby Doll.
– Não podemos fazer isso. – Empurrou homem para longe de si e levantou-se. – Não é que... – Mordeu a língua, por um instante, se sentiu sujo por gostar do sabor que estava em sua boca.
Pela expressão de Ikki, estava claro que ele não tinha entendido nada e logo se sentou. “Será ele está achando que eu não gostei?”. O moreno parecia atordoado, ambos estavam rubros pelo calor das preliminares e Shaka ainda arfava. Olhou nos olhos de Ikki. Nada disse, apenas abriu as pernas do cliente e ajoelhou-se.
-O que... – O moreno estava estático quando Baby Doll abriu o zíper de sua calça.
Shaka pôs a mão dentro da cueca de Ikki e tirou o órgão semiereto de lá. Encarou o membro por um instante, não era muito grande, mas tinha um diâmetro considerável. Lambeu-lhe a glande, fazendo o seu dono gemer. Engolia o falo enquanto acariciava a cabeça com a língua, tentando manter a respiração e o felatio alternados. O maior segurou seus cabelos e puxou o loiro para si repetidas vezes para o seu bel prazer. Tirou o membro da boca e tratou de lambê-lo, desde a base até o topo da glande, já conseguia sentir o gosto do líquido pré-gozo. Mordiscou o pênis. Ikki gemia descontroladamente quando Shaka voltou a engolir o seu membro e passar a língua no mesmo ainda dentro de sua boca, o moreno estava quase lá...
Batidas na porta interromperam o transe de Baby Doll.
-Oiiee! Têm alguém aí? – Afrodite girou a maçaneta, mas a porta não cedeu – Misty sua piranha de quinta! Se estiver fazendo biscate aí dentro...
– Só um minuto! – virou-se para Ikki – E agora? -O homem pôs as calças com pressa.
-Ah! Era só você Shaka! Tenho um babado pra te contar! Sabe a Crystal? Então...
-Afrodite, você já olhou quem foram escalados para a grande apresentação? Ouvi dizer que a Aurora foi escolhida como a primeira opção.
- OQUE?! AQUELA NOVATA ARROMBADA PEGOU O MEU LUGAR? VOU MOSTRAR O DOCE DELA JÁJÁ!
Os passos furiosos de Dite foram ficando cada vez menores até desaparecerem totalmente.
- O senhor deve ir embora agora, caso contrário vamos ter sérios problemas com a Madame...- Shaka abriu a porta e fez um gesto para o cliente sair.
- Eu vou embora, mas aceite isto como um “agradecimento”. – entregou um pequeno embrulho na mão de Baby e subiu as escadas em direção à sala VIP.
Radamanthys
A noite fria e escura facilitava ainda mais o seu trabalho. Por mais postes que a rua possuísse, nada adiantavam para revelar sua silhueta envolta de um chapéu e um sobretudo. A rua estava praticamente deserta, o horário de movimento já havia acabado fazia tempo, só agora quem estava nos bares eram bêbados deprimentes. Alguns passos adiante e encontrou o bar que estava procurando. O boteco não era lá grande coisa, porém o uísque e a vodka eram de ótima qualidade. Ainda na porta da entrada, teve a visão de sua vítima praticamente deitada no balcão do bar.
- Já fechamos, volte amanhã. – O Pesado sotaque a garçonete a fez parecer mais rude. Radamanthys a ignorou, mal tinha acabado de se sentar e fora recebido com uma grosseria. Não se mexeu, afinal, estava com a garganta seca. Olhou a garçonete de cima a baixo, e soltou um “tsc”. Com certeza era uma estrangeira, um pesado sotaque russo que de acordo com seus ouvidos bem treinados reconhecia de alguma parte do sul. — Você é surdo por acaso? Já fechamos.
Tirou uma nota de cinquenta da carteira e colocou em cima do balcão.
- Seja uma boa menina e me sirva um uísque duplo, de preferência um escocês.
A moça pegou o dinheiro de mal grado, tirou o copo e a garrafa do armário e serviu o homem com certa brutalidade, o suficiente para que um copo fino estilhaçasse em mil pedaços.
- O que você quer? Com certeza não está aqui para beber... – Radamanthys tomou um gole da bebida e sorriu, tirando o chapéu.
- Como se chama? Acredito que já te vi em algum lugar... – olhou para o bêbado que dormia no balcão, ele respirava tranquilamente... Mas não por muito tempo.
- Anya, mas não me respondeu ainda. – ela se projetou sobre o balcão apoiando-se sobre os cotovelos, exibindo os seios ligeiramente grandes para uma blusa tão apertada. – Vai levar esse aí? Eu já ia colocar ele pra dormir no beco aqui do lado.
- Sim, vim buscar o meu amigo aqui – apontou para o homem desacordado – E vou querer um pouco de зима. – A palavra em russo significava inverno, um código simples até demais.
Um brilho apareceu nos olhos da garçonete, com certeza era satisfação, foi até o fundo do bar onde havia uma espécie de despensa, ela mexeu em algumas garrafas e retornou com um pequeno embrulho nas mãos.
- Seu pedido... – ela a colocou em cima do balcão, mas antes de Radamanthys puxa-lo ela bateu com toda força em cima da mão do homem. – São mais duzentas pratas.
Ele não esperava por isso, por um momento pensou em socar a cara daquela vagabunda de quinta categoria, mas não o fez. Pegou duas notas de cem e a entregou.
- Não me lembro de ter este preço... – ele a encarou, a garçonete estremeceu mas logo recuperou a arrogância.
- O carregamento foi pouco, mas já não estava de saída? – as mãos dela deslizaram para a parte de baixo do balcão.
- Guarde essa merda de espingarda velha, só vou levar o meu amigo pra casa – Ele abriu um pouco o sobretudo para mostrar uma parte de sua inseparável Águia do Deserto.50, a única reação da garçonete foi dar dois passos para trás.
O bêbado não era muito pesado, o colocou sobre os ombros e saiu assoviando até o seu carro preto estacionado numa esquina próxima, Radamanthys teve o cuidado de algemar as mãos e os pés de seu “amigo” antes de jogá-lo nos bancos traseiros. Ele passou a mão pelos cabelos verdes do bêbado, ele seria bonito, se não fosse o grande talho em seu olho esquerdo. Depois de uns dez minutos, quando o carro já estava em movimento, a companhia acordou.
- O que está acontecendo?! Onde estou?- ele tentou se levantar, mas o álcool ainda fazia efeito nele, tombando nos bancos de couro.
- Olá Isaac, como foi passou a noite? – O espectro o encarou com os olhos dourados fazendo o outro tremer.
- Radaman... Por que eu estou algemado? – O marina conseguiu remexeu os pulsos na tentativa de se livrar do ferro que os comprimia. – Estamos na rodovia federal não é?
O loiro seu um leve sorriso, Isaac era um bom observador, mesmo naquela hora em plena madrugada e também era notável como tentava esconder seu nervosismo. “Claro, quem não ficaria nervoso se estivesse algemado em uma rodovia... Ele se sente vulnerável... Deliciosamente vulnerável...” Pensou com o sangue esquentando e um doce sabor retornando para seus lábios.
- Estamos indo fazer um passeio, afinal não vai querer que o Minos te pegue antes de mim não é mesmo? – Rada arqueou a monocelha, todos com quem negociavam tinham o mínimo de bom-senso para ter medo do policial de cabelos brancos. E limitou-se a rir.
Chegaram ao seu destino, um armazém abandonado. O espectro tirou um molho de chaves do bolso e abriu a porta lateral arrastando Isaac até o interior. Radhamantys acendeu as luzes e se revelou um armazém que não parecia nem um pouco abandonado. Metade parecia um apartamento de luxo enquanto a metade para o fundo parecia um depósito de caixotes e outras coisas velhas, com um pequeno corredor com uma porta no final.
Dois sofás e uma grande televisão de plasma, cozinha americana, uma grande mesa de reuniões e um fliperama bem no canto. O general marina estava boquiaberto e até que ele tinha razão, aquele lugar não se parecia em nada com um quartel de um bando de corruptos.
- Não precisa ficar com essa boca de boquete, seus aposentos ficam para lá – Rada apontou para a porta de ferro no final do corredor. Ele prendeu Isaac sem muito esforço, praticamente só fez trocar as algemas por correntes mais pesadas presas no fundo da saleta pintada de preto.
Quando ele fechou a porta pôde escutar pelo barulho das correntes que seu hóspede tentava esmurrar a porta de ferro maciço. O seu celular tocou.
- Alô? – A voz do outro lado da linha faria qualquer um estremecer... Pandora era de fato o tipo de pessoa que se deve evitar em sua lista de contatos.
- Olá Radamanthys, achei que não iria atender como faz de costume... Está ocupado?
- Se estivesse não estaria perdendo meu tempo com você- Disse ríspido, o que se seguiu foi uma espécie doentia de riso de Pandora, não possuía quase nenhum calor ao ponto de Minos afirmar que a risada era como raspar de metal em gelo.
- Você esquece com quem está falando não é? Quero você aqui em dez minutos ou então será punido... Já tenho algo em mente...
Camus
Mais uma cena tosca de um filme tosco de comédia para pré-adolescentes desprovidos de inteligência ou decência. Quase todos no cinema riam menos o ruivo, que passara da conta dos dois mil para aguentar Aioros do seu lado. Ele não era somente barulhento, mas também tinha a péssima mania de cutucar Camus com seu cotovelo usando de uma força considerável.
- Pra mim já chega, estou indo embora... – falou perto da orelha do moreno numa esperança de que ele escutasse, mas quando se levantou da cadeira o professor de ginástica pegou em seu pulso.
- Não vai... Fica só mais um pouco... – Aioros o olhava com uma expressão digna de um filhotinho abandonado. Camus não queria ficar no cinema, pois estava ficando tarde e o engarrafamento quilométrico já devia estar formado.
- Temos que ir... AGORA – disse num tom firme que a maioria dos alunos tinha pavor.
O professor de literatura se manteve calado durante os quarenta minutos em que ficaram parados no trânsito no caminho até o apartamento do mesmo. Ignorou todas as tentativas de Aioros de começar uma conversa. Estacionou o carro na garagem do prédio, chamou o elevador. Os professores entraram e Camus apertou o número onze. Depois de um pequeno silêncio, se dirigiu para Aioros:
-Não faça baderna seu brutamontes, os vizinhos aqui são pessoas refinadas, principalmente a Do...
A porta do elevador se abriu no térreo, e adentrou uma senhora de cabelos brancos, usando um vestido floral e um xale de renda.
-Dona Gertrudes! Tudo bem com a senhora!
A anciã não respondeu, apenas sorriu e acenou com a cabeça. Aioros estava tentando segurar o riso, mas não fazia ideia qual a graça naquela situação. A porta se abriu no décimo e primeiro andar, Camus segurou a porta do elevador para a senhora passar e deixou a porta bater no rosto de Aioros.
-Como estão seus alunos Camus?
-Bem... E como vai o senhor dentadas?
-Aquele gato velho está pior que eu! – A senhora riu, Camus forçou um sorriso. “Essa mulher é louca” e conduziu a anciã para a porta de um apartamento. -Ufa... Aioros, por aqui.
Pegou as chaves e abriu o apartamento ao lado de onde deixara a Senhora Gertrudes. Camus nem pode olhar o seu apartamento com calma, foi logo atropelado pelo sagitariano que se dirigiu para o banheiro.
Ele bateu na porta. Camus esmorrou a porta, tudo que ouvia era o barulho da água caindo. Não agradava muito a Camus a ideia do sagitariano usar o seu banheiro e gastando toda a água quente, mas o mais preocupante era imaginar ele utilizando indevidamente todo o seu L’Óreal Paris naquele cabelo pegajoso de suor. Jogou-se no sofá, ligou a televisão para se distrair, tentando afastar aqueles pensamentos sórdidos. Não queria fazer um alarde, afinal, o ruivo sabia que qualquer barulho que fizesse, Dona Gertrudes colocaria seu estetoscópio na parede para ouvir melhor.
Já havia se passado uma hora e meia, mas nada de Aioros sair do seu banheiro, aquilo era no mínimo perturbador. — Ande mais rápido, tenho um horário a cumprir! E ainda tenho que te deixar em casa e depois... –
A porta do banheiro se abriu, uma nuvem de vapor cobriu seus olhos embaçando os óculos, surge Aioros usando uma toalha pequena demais em comparação ao resto do seu corpo. Camus gelou. A imagem do seu banheiro só poderia ter saído de um filme de terror. Shampoo e condicionador estavam espalhados no chão e ao redor da pia. Havia cabelo por todo o chão e seu barbeador tinha sido usado.
-E aí? Gostou? – Agora o ruivo podia ver melhor Aioros, ele havia se barbeado e cortado as madeixas morenas, deixando-as bem curtas. Tirando a cara de paspalho, o professor de ginástica tinha conseguido uma aparência bem séria. Camus tentou sorrir, mas desistiu da idéia quando olhou para a cintura do homem.
-E-Essa é a minha toalha para cabelo?!
O Ruivo tentava se manter calmo, mas não estava conseguindo... Só de imaginar sua toalha que secara seus cabelos estava agora roçando nas partes de Aioros, simplesmente o deixava de estômago embrulhado.
- É que eu achei melhor do que usar a grande... Você a quer? – Ele desceu as mãos, desfazendo o nó bem devagar, parecia que estava gostando da situação.
“O que ele pensa que está fazendo?”. Camus enrijeceu-se, mantendo seus olhos verdes no rosto de Aioros, uma tática de sobrevivência bem útil quando se usa um vestiário ou banheiro público. O professor de ginástica estava segurando a toalha de forma que cobrisse suas partes, Camus estava ainda mais tenso, tinha de dar um ponto final naquilo.
-Coloque a isto de volta antes... – A toalha voou em sua cara, pesada, pingando água e cheirando a sabão. – TIRE ESSA COISA DA MINHA CARA! – Ouvia a gargalhada e Aioros, deu um passo na direção do moreno, mas caiu devido à água no chão. O barulho da porta batendo o fez levantar rapidamente. “Não...Não!”.
-AIOROS! ABRA JÁ ESSA PORTA! – Ouviu o barulho das gavetas sendo abertas — FIQUE LONGE DAS MINHAS CUECAS! – O ruivo mexia tanto a maçaneta que achou que a porta sucumbiria à força. Era óbvio que estava perdendo a calma, tinha um homem nu e molhado andando pelo seu apartamento e além do mais, Dona Gertrudes devia estar ouvindo toda a bagunça com seu velho estetoscópio.
Notas finais
Arrombada: Aquela que tem vagina ou ânus alargado por excesso de uso.
Doce: 1. Armar confusão. 2. Fazer mal a alguém.
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