Dance Floor

4 Capítulo 3 : Propostas


Notas iniciais
Estou meio doente durante esses dias,(então não tive permissão para usar o pc.) e parece que vou continuar assim pelo resto da semana. Mas já tomei as providências, até a próxima.

Dohko

A pouca luz que entrava pelas persianas na sala de Dohko dava um ar sombrio ao aposento. O pequeno andava de um lado para o outro, vasculhando cada centímetro da sua mente, se preparando para a explicação da operação que, se desse errado, não só custaria a sua própria carreira, mas a vida de outras pessoas. Batidas na porta interromperam os pensamentos do Delegado.

–Entre.

–S-senhor... Hum... Os policiais estão esperando o senhor para a reunião. — a figura magra e pálida de Pandora estava diferente da habitual, parecia que um pouco de vermelhidão despontava de suas bochechas.

–Ah! Sim! Claro... Mande todos entrarem.

XxXxX

Todos os oficiais necessários para a operação estavam reunidos na sala do delegado esperando que começasse o discurso.

– Estão todos aqui Pandora?- resmungou o pequeno homem, olhando o movimento dos carros na janela.

– Creio que não delegado, a detetive Esmeralda ainda não chegou...

– Vamos começar sem ela. – ele se se sentou à mesa e retirou uma pilha de papéis de uma gaveta e atirou à Pandora. – Como vocês sabem, estamos investigando certa empresa marítima faz três anos e suspeitamos que ela esteja envolvida num esquema de tráfico de drogas juntamente com a Babbo Natale.

Nesse momento Esmeralda entrou apressada na sala com o suor na testa e a roupa claramente estava vestida com pressa.

– Minha cara detetive Esmeralda... Quantas vezes você têm que chegar atrasada? – ele a encarou com olhos duros e frios e caminhou para ficar próximo a ela – Este é o seu último aviso. Ver Dohko repreendendo Esmeralda era uma cena até engraçada, pois tinham quase o mesmo tamanho.

Esmeralda se juntou ao grupo de policiais enquanto o chefe se sentava de novo à mesa.

– O nosso promotor de justiça tem quase tudo pronto... Exceto uma evidência que ligue a empresa diretamente ao tráfico.

– E para que estamos fazendo isso? – debochou Minos remexendo a franja branca que cobria lhe os olhos.

– Eu já respondi essa pergunta antes Minos, então me faça o favor de manter a sua maldita língua dentro da boca se não quiser uma punição. Continuando, vamos fazer uma investigação mais a fundo e conseguimos um mandato para gravações então vamos nos empenhar bastante ok? E não se esqueçam... NENHUMA INFORMAÇÃO DEVE SER LIBERADA, a empresa é conhecida e qualquer mínimo detalhe pode ser o fim da investigação, agora os homens já podem sair.

Quando somente as mulheres estavam presentes Dohko retomou o assunto:

– Agora, que isso não saia desta sala... Precisamos de uma policial infiltrada na boate suspeita de ser o ponto de venda principal e não podia contar isso com outros policiais na sala. – Pandora se aproximou de imediato para a mesa.

– Eu aceito o trabalho Senhor! Faço o que me mandar. – o chefe deu um breve riso.

– Já esperava isso de você Pandora... Porém, a média de idade das dançarinas está um pouco abaixo da sua, então eu preciso de uma policial mais... Jovem. –um murmúrio surgiu entre as mulheres, alguns bem insatisfeitos.

– Eu já falei com o intendente sobre o assunto, ele achou mais seguro que seguíssemos essa opção, alguém se candidata? – as policiais começaram a um debate sobre quem iria fazer o trabalho ligeiramente perigoso, até que uma novata se apresentou.

– Policial June Ledoux se apresentando para o serviço. – uma moça jovem, com no máximo vinte anos de idade, corpo magro e rosto bonito... Em outras palavras: perfeita para o trabalho.

– A novata não é? Saiba que é um trabalho muito arriscado e qualquer deslize pode custar sua carreira ou pior, sua vida. – A moça estremeceu um pouco ao ouvir as últimas palavras do delegado, engoliu seco e adotou uma postura firme e confiante.

– Eu aceito... – Dohko se levantou e lhe entregou duas pastas lotadas de papéis e outras coisas da investigação.

– Tudo do que precisa está aí, você começa semana que vem.


Milo



Merda! De tantas pessoas no mundo logo ELE está aqui! O loiro estava atônito com o que estava acontecendo no momento, o seu cliente favorito estava bem em cima dele e nem se quer o reconhecia.


– Cara, dá pra você sair de cima de mim? – Milo o afastou e se endireitou, mas o ruivo ainda o encarava com uma expressão de curiosidade.

– Queira de perdoar, mas eu REALMENTE não te conheço de algum lugar? – ele se levantou com o livro na mão olhando intrigado para o loiro.

– Acho que não... – Corou – D-dite, Barbie, vamos embora... — Milo sentia o olhar do seu cliente observando atentamente cada parte do seu corpo. Ele se virou para ir logo embora, mas o outro segurou seu braço.

– Espere... Quero que leve o livro, como forma de desculpas... – ele estendeu o livro em sua direção e Milo. Trêmulo, o loiro pegou o livro e foi para o caixa sem dizer mais uma palavra.

– Aqui professor! Achei um no estoque! – riu uma vendedora um pouco alto quando ele e os amigos estavam saindo da livraria.

– Queridooooo! O que foi aquilo?! Você tratou mal aquele bofe escândalo por causa de um livrinho meia boca? Tô chocada... – Afrodite falou enquanto Shaka ainda estava com um olhar distante e não deu muita importância ao acidente.

– Me deixa em paz sua... Sua... BICHA PÃO COM OVO! – esbravejou o loiro colocando o dedo no rosto do amigo, o qual mudou de cor de vermelho vivo para roxo e depois para vermelho de novo numa questão de segundos.

– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FALOU ISSO! AI QUE ÓDIO – Dite deu alguns passos nervosos à frente dos amigos e como um raio deu uma rasteira no escorpião, que caiu de cara no chão.

– Vamos para casa não? Antes que sejamos expulsos do shopping. – Shaka puxou os dois pelos pulsos e foram para o estacionamento.

Ao chegarem à boate, algumas dançarinas estavam praticando novas coreografias para o próximo show, outras vendo o seu figurino para a noite, mal os amigos colocaram as sacolas no chão, Mu logo apareceu usando um blusão preto com shorts brancos.

– Achei que não voltariam hoje... Já sabem da sua agenda? – ele se postou na frente da porta do corredor dos dormitórios bloqueando a entrada com a perna direita.

– Acorda ô cabrita! Hoje é nosso dia de folga... Então vai pastar lá com a Madame. – Milo esbravejou e forçou sua entrada empurrando o outro para trás. Mu deu um muxoxo alto e saiu para o seu dormitório, o escorpião se jogou na cama e suspirou alto.

– O Mu está um pouco paranóico nos últimos tempos não? – Shaka deu um risinho para o escorpião.

– Aquela nigrinha de beco acha que vai se tornar dono da boate... Me poupem né?- Afrodite começara a criar novas combinações com as novas roupas e depois de cada uma ele tirava uma foto.

– Pondo esse assunto de lado... O que aconteceu na livraria Milo? – Shaka deitou-se de lado do amigo e apoiou a cabeça com a mão esquerda.

– Sabe aquele meu cliente... O que sempre vem nos finais de semana? — Afrodite se preparou para dizer algo, mas foi interrompido por um travesseiro voador disparado por Shaka, que atingiu em cheio seu rosto.

–Shiu! Calado aí viu?

Milo levantou-se e foi pegar algo em seu guarda-roupa. Voltou com uma pequena caixa de madeira, sentou-se na cama e abriu revelando uma pilha de papéis dobrados e algumas rosas secas. Shaka pegou um papel aleatório e soltou um suspiro.

– Realmente... Uma bela poesia... – Dite se aproximou e tomou o papel das mãos do virgo se jogando na cama.

– QUE LINDOOOOOOOOOOOOO! ONW TEM UM PERVERTIDO ASSEDIANDO A MINHA LINDA SCARLET! – ele se contorceu de rir e recebeu um ponta-pé de Shaka, que o fez cair no chão.

– Isso é sério Afodite... Acho que... – Shaka se levantou e fechou a porta e sussurrou ao se sentar novamente na cama. – Milo está gostando de um cliente.

Quando alguém se juntava ao Santuário algumas regras eram impostas em suas mentes: Nunca revele seu verdadeiro nome, nunca tente enganar a Madame, não deixe suas “partes” sem secar e a mais importante... NUNCA SE APAIXONE POR UM CLIENTE.

Somente o fato de descobrirem poderia custar o emprego de Milo ou pior...

– Isso está fora de cogitação Doll, não tem como isso acontecer não é Scarlet? – Afrodite o abraçou por trás, mas o loiro se levantou bruscamente e ficou de pé encarando eles. As lágrimas escorriam pelo seu rosto pequenos soluços começaram a aparecer, suas pernas bambearam e ele caiu quase de imediato Shaka foi consolá-lo, afinal... Ambos estavam passando por aquilo.

–Calma... – Shaka sentia que iria chorar também, mas conteve as suas lágrimas e ergueu o rosto do escorpião. -Temos que te preparar para o show...

–AHH! Também né? Você quer oque? Ninguém o mandou fazer academia, agora, temos que passar hoooraaass arrumando esse folgado.

Shaka acariciou os cachos loiros de Milo e soltou um olhar venenoso para Afrodite, que entrou no banheiro.

–Vamos Milo, a dança só está começando.



Radamanthys



A sala que costumeiramente era um pouco escura, agora estava iluminada com grandes candelabros de cristal no teto. O dragão nunca havia percebido que paredes da sala eram tão adornadas.


“Hump! E ainda querem ser discretos” – pensou o loiro com desdém.

Radamanthys olhou para os lados, só viu os capangas do Noel estavam por toda a parte, eram dez contra um. No centro um homem de cabelos brancos arrepiados brincava com uma moeda entre os dedos.

– O que você quer Wyvern? Pensei que só nos veríamos no próximo mês... – ele riu e com um gesto fez os outros homens saírem da sala.

– Só vim aqui para dar um recado... Estavam faltando dois mil no último pagamento e aind... — Noel bateu as mãos na mesa com tamanha violência que Radamanthys pensou que iria quebrar ali mesmo.

–Ladro sporco figlio di un dado! Como se atreve a me chamar de ladrão?- Ele puxou um revolver de dentro do terno riscado de giz e apontou para a testa do espectro.

Maschera! Isso é jeito de se tratar um convidado? – um homem de cabelos escuros também arrepiados surgiu do fundo da sala.

– Há quanto tempo você está aí Shura? – resmungou Máscara guardando a arma.

– Tempo suficiente, aliás, Rada... Quais são as novidades da polícia?- Shura se sentou numa poltrona e acendeu um cigarro.

– Parece que estão refazendo as investigações e acho que vão colocar alguma policial infiltrada por aqui... – Shura deu uma tragada e parou por um segundo para pensar.

– E a vigia na boate?

– A Madame está vigiando tudo de perto e a nossa informante não notificou nada.

– Ótimo... Agora é melhor ir embora, não gosto de negar ao Máscara que ele atire em uma pessoa. O espectro obedeceu e saiu da sala. Os corredores eram bem diferentes da outra sala: As paredes de gesso, úmidas e com pichamentos. Radamanthys sentiu os olhares dos capangas de Máscara e Shura o seguirem até a porta de entrada.

Aqueles viados não me responderam sobre o dinheiro que faltava... Pelo menos é melhor que levar um tiro na cabeça” pensou.

Dirigiu por pouco tempo, até chegar na boate. Ela ainda estava fechada. O Dragão pegou o celular e discou um número.

–Alô?

– Já cheguei, mande a sua empregadinha vir me buscar.

–Tsc. Estacione logo esse carro.

Foi fácil achar uma vaga, afinal, o local ainda não estava na hora “adequada”. Com passos largos, o loiro chegou à porta do prédio de dois andares.

Ao entrar na boate a moça de cabelos roxos já o estava esperando, ela estava maquiada, mas ainda usava um camisolão preto e shorts brancos. A moça o levou por um emaranhado de corredores e portas até uma em especial: Essa era dourada, com desenhos em cobre e madeira. Radamanthys escancara a porta dourada e entra na grande sala.

–Você já pode ir embora.

Mu deu um muxoxo e saiu. O loiro fechou a porta e a trancou. A Madame o estava esperando na sua clássica poltrona de couro carmesim. Rígida, com os pés apoiados na mesa e com sua velha máscara azul cobrindo todo rosto.

– O que tem de importante para me dizer Radamanthys? – o tom sarcástico daquela voz fazia o sangue do loiro subir à cabeça, especialmente naquela situação. O espectro avançou sobre a figura mascarada, chutou a mesa para o lado mesa e agarrou o pescoço da Madame. Ele empurrava o grande corpo da Anfitriã contra a parede de tal modo que esta não podia respirar.

– N-não me faça de bobo...Cof... Está um pouco apertado, sabe? – a Madame sentiu a mão do loiro afrouxando em sua garganta. — Você sabe o que acontece se me matar... – sussurou provocante no ouvido do espectro. Radamanthys sentiu os abeis dedos da Mascarada apertarem o seu peitoral, enroscando cada vez mais os dedos fortes na carne branca do outro Dragão.

– Fale logo! – disse a figura com dificuldade tentando tirar as mãos do outro do seu pescoço.

– Tenha bastante cuidado ok? A polícia voltou com as investigações e eu não quero ver seu rostinho machucado... – ele puxou a mácara e deu um beijo na Madame enroscando os seus dedos nos cabelos azuis da Anfitriã.

Radamanthys levou a mascarada até a cama ao lado, jogou a figura com a túnica sobre ela e jogou-se em cima da figura. Ele beijou com mais voracidade, passando sua mão pelas coxas bronzeadas da figura, tirou a túnica revelando o corpo bronzeado de musculoso de Kanon.

– Ah! Kanon... – E ocupou-se em beija-lo.



Shaka



– Shaka... Clientes de chamando... – Mu bateu na porta do camarim e logo se retirou, o loiro ajeitou um pouco o rabo-de-cavalo e desceu as escadas que iam para as mesas particulares e como todo início de mês a sala VIP estava quase lotada.

Mu estava parado ao lado de uma mesa, nela estavam sentados dois homens, um loiro e outro de cabelos negros.

– Uma colegial? Nada mal né Shiryu? – riu o loiro, Shaka logo subiu na mesa e começou a dançar nada de mais, mas um terceiro homem sentou-se à mesa. Um giro completo na barra e o dançarino viu seu rosto... O homem que ficara com seu lenço.

– Demorou pra chegar ein Ikki? Cansamos de esperar e chamamos a dançarina. – riu Shiryu.

– Está com pressa? Eu esperava isso do Hyoga, mas de vindo de você é novidade.

O olhar do dançarino cruzou com o de Ikki, aqueles olhos de um azul tão profundo que eram quase negros. Por um segundo Shaka pisou em falso na mesa e se desiquilibrou, caindo em cima de Hyoga.

– Hahahaha! Calma boneca, quem quer a dança é meu amigo aqui. – ele indicou Ikki com um movimento da cabeça.

Ele obedeceu, saiu do colo do cisne e foi para o do moreno, ele o encarava com um sorriso ligeiramente satisfeito e começou a rebolar no seu colo ao mesmo tempo em que beijava seu pescoço.

– Qual é o seu nome? – sussurrou o maior em seu ouvido.

– Baby Doll... – Shaka deu um beijo bem próximo da boca e alisou os cabelos de Ikki, o homem deslizou as mãos para seu quadril e depois para os glúteos apertando-os levemente.

– E então? Quanto você cobra pela hora? – riu baixo e mexia na sua saia. Aquilo irritou o loiro, afinal ele não gostava de fazer programa- que era opcional na boate- Shaka soltou um breve assobio e Mu apareceu feito um raio.

– Por favor, solte a dançarina imediatamente... Senão terei de chamar os seguranças. – Mu deu um sorriso, o dançarino logo saiu do colo do maior e saiu com passos rápidos para os dormitórios.

Milo estava deitado na cama fazendo algumas contas enquanto Afrodite arrumava seu guarda-roupa, provavelmente estava jogando as roupas “velhas” fora para ter mais “espaço”.

– O que foi Shakinha? – perguntou Dite amontoando uma pilha de roupas num saco plástico.

– O homem daquele dia do show... Ele está lá fora e me perguntou quanto era a hora... — o loiro se encostou na porta e soltou um suspiro. – E ainda tem mais... – ele puxou um pequeno papel que Ikki tinha colocado em sua saia.

– Você também? – Milo deu uma risada e pegou um dos seus livros, abriu numa página e mostrou um cartão de visita.


Notas finais
~Dicionário de Bichês do Afrodite II~

Bofe escândalo: Homem muito bonito, rico e hétero.

Chocada: Abalado, afetado estado de choque.

Bixa pão com ovo: Pessoa simples, recatado. Vem quase sempre no significado de pessoa pobre e sem glamour.

Nigrinha: Sinônimo de Piriquete. Pessoa fácil, barraqueira e mal educada.

~ Fim do Dicionário de Bichês do Afrodite~