Damnation

3 Chapter Two: Destination


Eram 9 da manhã de sábado e Dominique já estava acordada. Sua mãe tinha ido com a irmã para Scottale depois de uma longa conversa que teve com ela. Como combinado, Dominique, Bill, Cindy e David iam a Silent Hil e Dominique mal conseguiu dormir por esse motivo, tendo sonhos estranhos durante a noite.

Em um dos sonhos ela estava em um longo corredor ladeado por portas sem maçanetas. No fim do corredor, um garotinho a encarava. Ele lhe parecia familiar.
Ela tentou falar mas nenhuma voz saiu de sua boca. Foi então que o garotinho começou a correr cada vez mais distante e Dominique correu atrás dele. O corredor parecia não ter fim e o menino parecia cada vez mais distante. Ela se sentia angustiada correndo atrás do garoto, como se sua vida dependesse disso. De repente o garoto parou de correr e virou-se pra ela, lágrimas escorriam de seus olhos. Quando Dominique já estava próxima dele, o chão seus pés se abriu e ela começou a cair, e o garoto começou a chorar desesperadamente, e quanto mais fundo ela caia, mais ouvia o choro da criança.

Foi então que ela acordou, toda suada e ofegante, sem conseguir dormir mais.
Agora deitada, olhando para o relógio, pensava na viagem até Silent Hill, e o que sentiria quando chegasse lá. Pensava no ódio que sentia pela cidade. Pensava em seu pai e, por mais que sabia que era impossível, tinha um fio de esperança em encontrar algo dele na cidade(e no fundo de sua alma, encontrá-lo). Era uma mistura de pensamentos e sentimentos dentro da garota, e ela não sabia o que esperar da viagem. Quando o relógio de cabeceira despertou as 9:30, a garota saiu da cama e foi tomar banho.

– Hey, minha princesinha, quer que o papai cante uma musiquinha pra você dormir?

- ........
“Durma pequena anjinha
......... papai está .........
Durma ....... e sonhe ....
...................................”

Dominique começou a chorar dentro do banho, era a primeira vez que tivera uma lembrança tão nítida com o pai, até se lembrou de partes da letra da canção de ninar que seu pai cantava para ela. Sua cabeça estava a mil. Desde que tinham combinado a viagem, não conseguia parar de pensar na cidade e no pai, e isso estava aflorando todas as lembranças que tivera com ele.

”Eu tenho que me controlar, não posso me mostrar assim tão fraca pro Bill e pros outros. Vamos Dominique, agüente firme”

Parando de chorar, Dominique saiu do banho e se arrumou. Já eram 10 horas da manhã. Cindy tinha combinado que passariam as 11 horas buscar ela:

– David e eu te buscaremos as 11 em ponto, então esteja pronta.

Saiu do quarto e já ia descendo para o andar de baixo da sua casa quando percebeu que a porta do quarto da sua mãe estava aberta, algo que, nos últimos tempos, não acontecia, já que sua mãe sempre trancava a porta.

Por pura curiosidade, Dominique decidiu entrar no quarto. Estava impecavelmente arrumado, o lençol completamente reto sobre a cama, sem nenhum grão de sujeira em cima dos móveis. Decidiu olhar dentro das gavetas portas do guarda-roupa. Todas as roupas de sua mãe estavam organizadas. Olhou então nas gavetas da cabeceira da cama, nada, porém...
Na ultima gaveta havia um bilhete com uma caligrafia que diferia da de sua mãe. Era uma caligrafia mais infantil e mais apressada. Dominique teve dificuldade pra ler o que estava escrito nele:

“Caso precise alguma ajuda”

Dominique não entendeu a razão de um bilhete daqueles ser a única coisa que sua mãe guardava dentro do criado mudo. Olhou o verso dele e se surpreendeu quando viu números escritos pela mesma caligrafia:

“87 93 95 03”

Os números faziam menos sentido que a frase na frente do bilhete. Dominique tentava fazer alguma ligação entre eles, mas não conseguia fazer nenhuma. Quando ia colocar o bilhete de volta na gaveta, a garota percebeu uma coisa: havia uma pequena porta atrás do criado mudo.

Dominique nunca tinha percebido que aquele compartimento existia, até porque pouco entrava no quarto da mãe. Arrastando o criado mudo para o lado, Dominique viu que a porta não tinha mais de meio metro de largura e comprimento, sendo que assim quase nada caberia ali.

"O que será que ela tem aqui dentro”

Dominique tentou abrir a portinha, mas nada. Tentou empurrá-la, mas ela não se mexeu. Percebeu então que havia uma pequena fechadura dourada nela.

"A chave deve ser bem pequena, será que ela guardou aqui no quarto?

Mas antes de se levantar e procurar, Dominique ouviu alguma coisa, um sussurro.
Se sobressaltando, Dominique olhou ao seu redor para ver da onde vinha o sussurro que ouviu, foi então que percebeu que vinha da portinha.

Eram sussurros baixos e contínuos que vinham além dela, como se dissessem alguma coisa. Dominique, assustada, colocou o ouvido na portinha para tentar ouvir melhor.
Era claramente a voz de uma pessoa. Uma não, várias. Pareciam falar ao mesmo tempo. O medo foi crescendo dentro de Dominique, que ainda não conseguia entender o que os sussurros falavam.

"Preciso achar a chave disso"

Começou a procurar pelo quarto, abrindo todas as gavetas e portas, jogando todas as roupas no chão. Nada. Voltou a portinha e tentou abri-la novamente. Mais uma vez não conseguiu. Colocou o ouvido de volta a portinha para tentar distinguir o que os sussurros falavam...

*Ding Dong*

A campainha de sua casa tocou e Dominique deu um pulo.

"Droga, me esqueci completamente que eles vinham as 11"

Saiu do quarto, fechando a porta, e desceu as escadas correndo. Abriu a porta. Não eram Cindy e David que estavam ali, era Bill.

- Hey baby – disse o namorado, beijando a garota.

- Bill? – se surpreendeu Dominique – O que faz aqui?

- Seria perca de tempo David vir te buscar e então ir até a minha casa depois. Posso entrar? - Claro – e deu espaço pro namorado passar.

Bill entrou na casa da namorada carregando sua mochila de couro.

- Então, já está pronta?

- Sim, só vou comer alguma coisa, quer comer também?

- Não, já comi antes de sair de casa.

Os dois foram até a cozinha. Ao passar pela escada, Dominique deu uma olhada para o andar de cima. Teve vontade e contar ao namorado o que acontecera, mas ficou com vergonha do namorado começar a rir e dizer que ela estava imaginando coisas.

- E sua mochila, já está pronta? – perguntou Bill.

Dominique apontou para sua mochila esportiva que estava num canto da cozinha.

- A arrumei ontem de noite – disse a garota. — Ótimo. Arrumei a minha hoje de manhã. Coloquei 2 lanternas, algumas garrafas de água e um sinalizador – falou Bill, colocando sua mochila de couro em cima da mesa.


- Você tem um sinalizador? – espantou-se Dominique.

- Meu pai tem.

Dominique riu.

- Somos o casal perfeito, não acha? – começou o garoto – Você não se dá bem com sua mãe, eu detesto o meu pai. Deveríamos escrever um livro juntos: Como não se relacionar bem com os seus familiares.

- Calado – retrucou a garota, embora risse. Ela então hesitou um pouco, parou de fazer o sanduíche por um segundo, e olhou para seu namorado – Falando em minha mãe, hoje eu entrei no quarto dela...

- Entrou? Uau, você sempre disse que ela mantêm ele trancado.

- Sim, mas acho que ela se esqueceu de trancá-lo antes de sair com a minha tia.

- Hum – Bill olhou pensativo para ela – Então você entrou e bisbilhotou, é isso?

- É, podemos dizer que sim.

Bill riu.

- Encontrou algo de interessante lá?

- Bom, encontrei isso dentro do criado mudo – disse a garota, mostrando o bilhete estranho a Bill.

O garoto leu o bilhete franzindo a testa.

- Que bilhete mais enigmático.

- Tem números atrás – falou a garota.


O namorado virou o bilhete e leu os números no verso.

- Você tem alguma idéia do que significa esses números? – perguntou ele.

- Não.

- Bom, podem ser praticamente qualquer coisa, desde números aleatórios, como o número de um telefone até uma dízima periódica. Mas o que mais me surpreende é porque a sua mãe ia escrever isso e guardá-lo no quarto.

- Quer algo mais surpreendente? Não é a caligrafia da minha mãe, alguém deu isso pra ela.

O garoto franziu ainda mais a testa.

- Okay, isso é bem estranho.

- É? – surpreendeu-se a garota. Esperava que o namorado discordasse e falasse que não fosse nada demais e não ficar ao lado dela

- Sim – falou o garoto, devolvendo o bilhete para Dominique – Acho até bom tu guardar isso.

- P-porque?

- Bom, aí diz: “Caso precise de alguma ajuda”, e nós vamos pra Silent Hill... então, sabe né...

Dominique foi quem franziu a testa.

- Você está dizendo que o bilhete foi colocado como que um “sinal” pra gente sobre ir a Silent Hill?

- Claro que não – exclamou o namorado, com a voz um tom mais alto – Mas sei lá, não teria problema em levar isso contigo, teria?

- Acho que não – disse Dominique, ainda olhando com desconfiança pra Bill.

Ela guardou o bilhete no bolso detrás de deus Jeans.

- É bom comer rápido, David e Cindy logo chegam aí – disse o namorado, apontando pro relógio.

Já eram 10:45.

Dominique começou a comer apressada o sanduíche que tinha preparado. Enquanto comia, pensava no que o namorado disse sobre o bilhete e de que ele poderia ser de, alguma forma, útil em silent Hill. Será que o namorado também tinha medo de ir na cidade?

- Bill, queria te fazer uma pergunta.

- Faça.

- Você não achou estranho que David tenha proposto a idéia de ir até Silent Hill?

- Como assim?

A garota hesitou por um momento.

- É que... ele sempre é tão quieto, nunca deu opinião sobre nenhum assunto que conversávamos e agora, de repente, surge com essa idéia.

- Bom, você tem razão quanto a isso – concordou o namorado – E de uns tempos pra cá ele tem ficado ainda mais calado, também achei estranho ele supor a idéia de irmos até Silent Hill.

Dominique ficou feliz que seu namorado compartilhava a mesma impressão que ela.

David sempre fora quieto. Nunca dava sua opinião sobre qualquer assunto, mesmo que lhe pedissem. “Prefiro não comentar”, dizia ele. Bill era seu melhor amigo, pois desde crianças os dois se conheciam da escola. Bill não se importava o silêncio de David, já estava até acostumado.

Assim que terminou de comer, Dominique levou o prato até a pia. Um carro buzinou na frente de sua casa.

- São eles – falou Bill, levantando-se da cadeira.

Dominique pegou rapidamente sua mochila e, junto a Bill, saíram da cozinha. Passando pela frente da escada, Dominique olhou mais uma vez para cima, Bill percebeu.

- O que foi, Domi?

Dominique suspirou, virou-se para ao namorado e respondeu:

- Nada.

Bill abriu a porta. O carro de David(um Maverick 77) os esperava na rua.

- Pronta? – perguntou Bill, olhando para sua namorada.

Dominique continuou olhando para o carro de David. Ali começaria uma viagem que Dominique temia desde que tinham combinado de ir, porém já era tarde pra dizer que não iria mais, mesmo seu coração pedindo isso.

- Vamos. – disse ela finalmente. Os dois saíram de casa.