Damnation

11 Chapter Ten: Inside Her Head


Dominique segurou a mão do homem, que a levantou.

- Você estava com uma bela companhia, não? — perguntou ele, olhando para a criatura morta.

- Realmente — disse ela — Obrigado por me salvar.

- Então, você mora aqui em Silent Hill?

- Eu? Não, eu vim com alguns amigos pra cá... — interrompeu sua fala.

- E...

- Só isso. — preferiu omitir o real motivo da ida a Silent Hill.

Garcia a olhou desconfiado.

- Se você diz. Essa não é uma boa hora para fazer perguntas. Se bem que estando em Silent Hill nenhuma hora é boa para fazer perguntas.

- Verdade.

Garcia olhou ao redor atento, parecia procurar por alguém ou alguma coisa.

- Está procurando algo? — perguntou a garota.

- Hãn? — exclamou Garcia distraído, ainda olhando ao redor.

- Está procurando algo? — repetiu ela.

- Ah.. — finalmente parou de olhar ao redor e focou sua atenção na garota — nada. Só vendo se não há mais criaturas ao redor. Parece que estamos sem companhias aqui, mas estamos parados em um lugar aberto e isso não é bom, melhor darmos o fora daqui.

- Certo — concordou Dominique.

Os dois saíram do parque e começaram a andar pela rua. Agora mais calma, Dominique começou a pensar em tudo que estava acontecendo.

"Seria isso um sonho? Só pode ser.... mas tudo é tão real... essas criaturas horrendas... será que há mais delas? E Bill? Será que está bem. Tenho que encontrá-lo... mas nem sei aonde estou, nem sei qual parte da cidade é essa."

- Garcia, aonde estamos?

- Estamos aonde chamam de "South" Silent Hill.

- Estamos muito longe da prefeitura?

- Se estamos? Ha — exclamou Garcia, com um sorriso no rosto — Estamos bem longe da prefeitura.

- Ah — disse a garota, tímida.

Dominique se assustou em saber que estavam longe da prefeitura.

"Como eu cheguei aqui? Eu não me lembro de nada"

- Garcia... me desculpe perguntar, mas o que faz aqui?

- Vim procurar minha família — falou ele, ríspido, sem olhar para a garota.

- Eles moram aqui?

- Sim, mas fui na casa deles e eles não estavam lá.

- Ah.

"Coitado. Procurando pela família que nesse instante já deve estar longe daqui... ou morta"

Esse ultimo pensamento fez Dominique se arrepiar.

- Aonde estamos indo? — perguntou Dominique.

- Para o Hospital Brookhaven.

Ela não argumentou mais nada, nem perguntou. Não queria abusar da paciência do homem que salvou sua vida.

Garcia parou de andar abruptamente e apontou a arma para um beco na frente dos dois.

- O que... — começou Dominique, mas ele levantou a mão pedindo para ela se calar.

- Eu vi você aí, não adianta se esconder — alteou a voz Garcia.

Do beco, uma figura sair. Dominique esperou ver mais uma criatura, mas não. Era...

- Cindy — exclamou a garota.

Sua amiga tremia, com as mãos para cima. Sua expressão era de medo. Seus cabelos estavam um pouco mais rebeldes, e suas roupas estavam sujas. Sua pele estava muito pálida e, mesmo distante, Dominique conseguiu ver uma marca horizontal em seu pescoço.

- Você a conhece? — perguntou Garcia a Dominique.

- Sim, ela é minha amiga, vim junto com ela para cá.

Dominique não sabia se ficava feliz ou irritada em ver Cindy a sua frente. Feliz por ver que a amiga estava viva, porém ela não podia deixar de se irritar com a atitude da amiga de fugir do carro levando as chaves e o mapa. Se não fosse por ela, aquilo não estaria acontecendo.

- Okay então — disse Garcia, abaixando a doze.

Cindy abaixou os braços e então se ajoelhou e começou a chorar. Dominique se aproximou da amiga.

- Me... desculpe Domi... — balbuciava Cindy, entre lágrimas — Isso tudo... é... minha... culpa...

- Porque você foi fazer aquilo? Pegar as chaves e o mapa. — falou Dominique, zangada — Foi a atitude mais infantil que eu vi.

- Me perdoe... Eu estava tão zangada com David — o choro foi diminuindo — Eu só queria... dar uma lição nele... mas quando eu vi... já estava perdida na... cidade com todas aquelas criaturas...

- Mas isso não justifica nada! Nós estamos perdidas, sem idéia de onde Bill e David estão, em um lugar completo de criaturas. Nós podemos morrer pelo seu ato infantil.

O choro ficou mais intenso e Cindy começou a soluçar. Dominique não havia falado tudo que queria, mas sentiu pena de ver a amiga naquela situação.

- Olha — falou Garcia — Eu não quero estragar a conversa de vocês mas temos companhia.

Dominique olhou ao redor. Criaturas estavam surgindo de todas as partes. Eram cachorros. Enormes, com os músculos malhados e nada menos de três bocas, uma delas se abria horizontalmente.

- E agora? — exclamou Dominique, desesperada.

- Eu não tenho munição para todos eles — falou Garcia, apontando a arma para os cachorros.

Cindy ficou de pé e disse aos dois:

- Sigam-me, eu sei um jeito de despistá-los — e começou a correr de volta para o beco da onde tinha saído.

- VAMOS — berrou Garcia, e ele e Dominique seguiram a garota. As criaturas começaram a persegui-los.

Não era um beco da onde Cindy havia saído, e sim uma travessa. No fim dela havia uma grade.

BOOM! Ouviu Dominique quando Garcia atirou em um dos cachorros, que ganiu quando as balas atravessaram o seu corpo.

Cindy chegando perto da grade, pegou impulsão e pulou-a.

- Vamos — falou ela para os dois que continuavam correndo. Dominique olhou para trás. Garcia corria e atirava nos cachorros que estavam perseguindo-os. Já estava próxima da grade quando pegou impulsão e pulou. Não conseguiu atravessar de um pulo só como Cindy, e teve que escalar a grade para atravessá-la, quando chegou do outro lado, viu que Garcia não havia pulado.

- Vamos, o que está esperando?

- Eles vão conseguir pular essa grade — disse ele, examinando a grade.

- Mas...

Garcia se virou para as criaturas que iam se aproximando.

- Vão, eu vou atrasá-los — falou ele, atirando no mais próximo, que caiu de borco.

- Não — exclamou Dominique — Você já me salvou uma vez, não vou deixar você aqui para morrer.

Garcia atirou mais uma vez num dos cachorros. Pegou algumas balas do seu bolso e recarregou a doze.

- Pois então vou salvar duas vezes, vão.

- Garcia...

Ele virou seu rosto para Dominique. Havia alguma coisa no seu olhar...

- VÃO! — berrou ele.

Dominique sentiu Cindy a agarrando pelo braço. A garota sentiu que a pele de Cindy estava fria, quase gélida.

- Temos que ir — disse a amiga.

Dominique olhou mais uma vez para Garcia.

- Okay, vamos.

As duas correram para longe da travessa. Ainda conseguiram ouvir alguns tiros dado por Garcia, mas depois de algum tempo correndo, não ouviram mais nada.

- E agora, o que iremos fazer? — perguntou Dominique.

- Não faço idéia — respondeu Cindy.

- Bom, temos que pens... — uma dor horrível chegou na cabeça de Dominique. Ela se ajoelhou e colocou as mãos na cabeça. Sua visão ficou embaçada. Viu Cindy a sua frente e percebeu sua boca se mexendo, mas não ouvia som nenhum. Tudo foi ficando escuro e uma imagem na sua cabeça foi se formando.

Estava em uma espécie de mata. Haviam dois garotos sob uma árvore. Um dos garotos era o mesmo que Dominique havia sonhado e que havia despistado a mulher-criatura no pequeno Labirinto. Pareciam conversar alguma coisa mas o som ia e vinha.

- ..á Vinc...t — disse o menino do sonho.

- O.. voc. quer .....ky? — falou o outro garoto, com uma voz debochada.

- ... lhe .... o tro...

O menino do sonho, em uma velocidade incrível, deu uma rasteira no outro. Jogou-se em cima do garoto caído e tirou um pequeno punhal do bolso.

Falou mais algumas coisas mas a garota não conseguiu ouvir.

O menino do sonho cortou a garganta do outro com o punhal, que agonizou por alguns momentos e morreu. Pegou um pequeno guardanapo no outro bolso e limpou o cabo do punhal, deixando-o na mão do menino que acabara de assassinar


- Dominique — a garota ouvia a voz de Cindy longínqua — Dominique — estava se aproximando — DOMINIQUE.

A imagem saiu de sua cabeça e agora olhava para o rosto pálido de Cindy.

- O que aconteceu? — perguntou Dominique a amiga.

- Você se ajoelhou e colocou as mãos na cabeça, e depois de um tempo começou a gritar.

- Eu.. eu vi alguma coisa, não sei...

- Como assim? Uma alucinação?

- Parecia mas... não sei explicar...

- Bom, tente... — mas Cindy interrompeu sua fala. Seus olhos se fixaram em um ponto atrás de Dominique. A garota viu o medo na face da amiga.

- O que foi? — assustou-se Dominique, e virou a cabeça para olhar o que sua amiga via.

O menino do sonho estava lá, parado no meio da rua.

- Foi com ele. Ele estava na visão — falou a garota para a amiga.

O menino estendeu sua mão.

- Parece que ele quer nos mostrar alguma coisa. — falou Dominique.

Dominique deu um passo em direção do garoto.

- Não — berrou Cindy, e agarrou Dominique pelo braço.

- O que foi?

- Ele... ele não é bom. Ele é mau, um menino mau.

- O que? — surpreendeu-se Dominique — Você já o viu antes?

- Quando eu cheguei na cidade ele me atraiu para lugares horríveis... Vamos, temos que ficar longe dele.

- Mas ele desviou a atenção de uma criatura que me perseguia um pouco antes de eu me encontrar com Garcia. Ele não pode ser mal.

Dominique olhou para o menino novamente. A expressão dele era de angustia.

- Domi, você disse que teve uma visão com ele agora pouco — continuou Cindy — Essa visão foi boa?

- Não — refletiu Dominique — Mas eu devo ter imaginado, minha mente deve ter me pregado uma peça.

- Bom — Cindy largou o braço da amiga — Se você quer ir com ele, você vai sozinha — e começou a correr em direção oposta.

- CINDY, ESPERA! — berrou Dominique.

"Droga"

Olhou mais uma vez para o menino, mas ele não estava mais ali.

Cindy já estava desaparecendo no meio da névoa, que estava ficando mais densa. Dominique começou a correr atrás da amiga.

- Cindy, espera — gritava ela, mas a amiga não lhe dava atenção e continuava a correr. Não conseguia alcançar a amiga, que corria rápido demais, e Dominique nunca tivera uma resistência muito boa e já estava se cansando. Poucos minutos depois, Dominique já não conseguia ver a amiga.

Ela parou de correr e colocou as mãos no joelho. Começou a respirar fortemente para recuperar o ar.

"Que maravilha, outra vez ela me deixa na mão. Desgraçada"

Algo começou a mudar. O céu começou a escurecer, o chão deu lugar a grades enferrujadas e sujas de sangue. O cheiro de carne podre chegou as narinas.

"O QUE ESTÁ ACONTECENDO?"

- SOCORRO — berrava ela, desesperada — ALGUÉM ME AJUDE.

- Ninguém vai lhe ajudar — disse uma voz, atrás da garota.

Um homem com uma máscara cirúrgica e um avental de couro negro estava parado ali.

- Quem... quem é você?

- Eu? Você sabe quem sou. Ou pelo menos quem fui. — respondeu o homem.

A voz dele soava familiar a garota.

- Nunca lhe vi antes. E o que é esse lugar, aonde está?

- Bom — o homem começou olhar ao redor — Acho que estamos na sua mente.

O homem estalou os dedos. Antes que Dominique pudesse se mover, uma corda de aço saiu das grades em baixo da garota. Ela sentiu aquilo ultrapassar toda a sua espinha. A dor era imensa, algo que ela nunca havia sentido. Sentiu sua carne queimar. Estava morrendo, aquilo só poderia ser morrer...

- Garotos — falou o homem. Três cachorros iguais os que perseguiram ela, Cindy e Garcia apareceram ao redor do homem — Hora do almoço.

Os cachorros atacaram Dominique, que não conseguia se mexer. Ela sentia a carne ser arrancada com as mordidas dos cachorros. A dor era inimaginável. Queria morrer, desejava a morte. Ela ouvia a gargalhada do homem, maníaca. A vida estava lhe fugindo e podia ouvir a morte chamando por ela "Dominique, Dominique...". Fechou os olhos e esperou a dor acabar.

- Dominique, Dominique — falava uma voz perto da garota. A dor sumiu, assim como o cheiro de carne podre. Ela abriu os olhos. Tudo tinha voltado ao normal. Olhou para o seu corpo: não havia pedaços de carne arrancados ou marcas de mordidas. Passou a mão em suas costas: estava normal.

- Você está bem? — perguntou a voz de novo. Era Garcia.

- Garcia? — ela olhou para ele — Graças a Deus, você está vivo — e abraçou-o. Percebeu que sua pele era tão gelada quanto à de Cindy.

- Você estava no chão, gritando e se contorcendo.

- Eu tive uma dor de cabeça horrível.

- Foi só isso?

- Sim. Eu pensei que você tinha morrido — falou a garota, mudando de assunto.

- Bom, consegui escapar, mas não ileso — e apontou para o braço esquerdo, que tinha a marca de uma garra.

- Nossa — se espantou Dominique — Está doendo muito?

- Eu vou viver — respondeu ele, e a ergeu.

- Vamos, não podemos continuar parados.

E os dois voltaram a andar.