Damnation

5 Chapter Four: Somewhere But Not Here


Os três caminhavam rapidamente pela estrada. David ia a frente, seguido por Dominique e Bill. A garota andava, olhando para todos os lados, tentando avistar Cindy pelo caminho ou qualquer outra coisa. Estava odiando estar se aproximando a cada passo da cidade que tanto temia. Também estava odiando Cindy pelo seu comportamento infantil.

“O que você estava fazendo, idiota?”, pensou Dominique, com raiva.

Bill também andava atento a qualquer movimento ou barulho.

“Algo está errado.”, pensava ele. “Por mais imbecil que Cindy possa ser, ela não seria tanto assim de pegar o mapa e a chave do carro e vir até aqui só porque estava irritada com David.”

Bill também estranha o semblante de David. O amigo não parecia irritado ou assustado. Muito pelo contrário, estava extremamente calmo, guiando Dominique e Bill sem problemas pela estrada. Ocasionalmente olhava para os amigos que vinham atrás.

- Falta muito para chegarmos no centro de Silent Hill, David? – perguntou Bill.

- Não falta muito agora. – respondeu ele.

- Estou ficando cansada – disse Dominque, ofegante.

- David, vamos diminuir um pouco o passo – falou Bill – Dominique precisa tomar água.

- Falta pouco agora – retrucou David ríspido.

- Hey.. – começou Bill, mas Dominique interrompeu.

- Está tudo bem – disse a garota – Quando chegarmos eu descanso um pouco.

Continuaram a caminhar por mais alguns minutos, até que...

- Chegamos – disse David.

Dominique, no momento que David anunciou a chegada, abriu sua mochila e pegou uma garrafa de água. Começou a bebê-la como se sua vida dependesse daquilo. Bill se aproximou de David.

- Aonde estamos realmente? – perguntou ele.

- Midway avenue, a rua principal da Center Silent Hill.

- E agora, o que fazemos? – perguntou Dominique, depois de tomar metade da garrafa de água.

- Procuramos por Cindy em qualquer lugar que tiver uma porta – falou David.

- Certo.

Então começaram. A cidade era pequena, então não haviam muitas casas e prédios. Os três iam de casa em casa, tentando abrir as portas, mas todas estavam trancadas. Sem sinal de Cindy.

- Onde diabos ela pode ter se metido? – perguntou Bill aos outros. Estava nervoso.

- Não faço idéia – falou David, tentando abrir mais uma porta – Mas temos que continuar procurando.

- Quando eu encontrá-la vou dizer poucas e boas pra ela – falou Dominique.

- Eu vou te dizer o que vou fazer quando encontrar ela – começou Bill para a namorada – Eu...

Porém ele parou de falar e desviou o olhar para outro lugar.

- O que foi? – perguntou Dominique, e olhou para onde Bill desviou o olhar.

Havia um homem que andava em direção contrária deles. Ele vestia uma longa capa preta e andava rapidamente. Dominique ofegou, Bill cutucou David e disse:

- Olhe aquilo.

David virou-se e viu o homem. Arregalou os olhos.

- Devemos segui-lo? – perguntou Bill.

- N-não sei – respondeu David. Pela primeira vez parecia assustado.

- Não, não vamos segui-lo – suplicou Dominique – Temos que achar Cindy e dar o fora daqui.

- E se ele a viu por aqui? – questionou ele

- Não interessa, podemos achar ela sem ele.

- Acho que devemos ir atrás dele – falou David. – Não custa nada perguntou se ele viu algo.

David começou a andar na direção que o homem ia. Bill também, porém Dominique o agarrou.

- Por favor, não vá – falou ela.

- Que é isso gata, nada vai acontecer com a gente, eu e David vamos lhe proteger.

Ainda rebelde, Dominique soltou Bill e os dois acompanharam David.
O homem andava mais rápido, e precisaram aumentar o passo para acompanha-lo, até que...

- Ele entrou naquele prédio – falou David, apontando para um prédio a poucos metros a frente — Vamos.

Os três correram até o prédio e entraram. O lugar era mal iluminado, sendo que o único tipo de luz que vinha era da rua. Aonde estavam parecia uma espécie de recepção. A bandeira dos estados unidos estava caída no chão, assim como a bandeira da cidade. Porém uma bandeira com fundo preto e um símbolo vermelho estava em pé, intacta.

- Bandeiras? – surpreendeu-se Bill – Deve ser algum órgão público isso aqui.

- É a prefeitura – falou David, ligando a lanterna e iluminando uma Plaquinha em cima de uma mesa que se lia “Prefeitura de Silent Hill”.

- Ah. Então deve ter alguma coisa aqui que possa nos ajudar, algum tipo de informação sobre a cidade, um mapa mais detalhado ou até mesmo um telefone que funcione – disse Dominique, esperançosa.

- Aonde será que foi aquele homem? – Bill também ligou sua lanterna e iluminava todos os cantos do espaço que se encontravam.

- Vamos procurar – disse David.

Dominique também ligou sua lanterna e os três começaram a andar, iluminando o caminho. Haviam vários papéis jogados no chão. Algumas cadeiras também. Os três chegaram a um corredor horizontal ladeado com várias portas. Seguiram pela direita e tentaram algumas portas. A maioria estava trancada ou algo bloqueava a porta pelo lado de dentro. A única que dava para abrir era a do fim do corredor.

- É um banheiro – disse David, entrando na pequena sala – Não tem... Oh Deus, isso é nojento.

- O que? – perguntou Bill e entrou para ver.

O banheiro estava coberto de sangue pelo chão.

- Oh merda, o que aconteceu aqui? – perguntou Bill a David.

Antes que o amigo pudesse lhe responder, Dominique, que estava fora do banheiro falou para os amigos.

- Pessoal, venha aqui.

Os dois saíram rapidamente do banheiro e olharam para ela. A garota apontava para algo no fim do corredor. Uma figura andava sinuosamente na direção deles. Não era humano, mas se assemelhava a um homem. Um dos seus braços terminava em uma garra comprida que fazia um barulho horrível quando arrastada no chão. O outro braço terminava pela metade . Tinha apenas um olho, o outro parecia ter sido costurado. Não tinha boca e o cabelo era de cor vermelha. A pele dava a impressão de estar queimada.

- QUE MERDA É ESSA? – berrou Bill.

- VAMOS SAIR DAQUI – gritou Dominique.

David nada falou.

- VAMOS LOGO – berrou Bill de novo, e agarrou o braço de Dominique e começou a correr, David os acompanhou. Por mais que quanto mais corressem, mais se aproximavam da criatura, chegariam primeiro a saída, pois a criatura andava vagarosamente.

Chegando a recepção uma surpresa: a porta por qual entraram estava fechada. Tentaram abrir: trancada.

- QUEM FEZ ISSO? – berrou mais uma vez Bill.

- Pessoal, ele está se aproximando – desesperou-se Dominique.

Bill, começou a chutar a porta, tentando arrombá-la. O barulho das garras ia se aproximando.

- David, me ajude – pediu Bill, se jogando contra a porta.

Mas David não lhe deu ouvidos. A criatura já estava chegando a recepção.

- DAVID.

David se afastou dos demais e pegou a bandeira dos Estados Unidos que estava no chão. A criatura já estava na sua frente.

- DAVID, O QUE ESTÁ FAZENDO? – berrou Bill, virando-se para ver a cena.

- SAI DAÍ – gritou Dominique.

A criatura desferiu um golpe vertical com a sua garra em David, porém esse, com uma agilidade surpreendente, parou o golpe com o mastro da bandeira. A criatura tentou golpeá-lo com seu braço mutilado, mas David desviou e lhe deu um chute na altura do peito da criatura, que soltou um ganido e se afastou do rapaz.
Aproveitando a brecha dada pela criatura, David, com a parte pontiaguda do mastro, crava-lhe no peito da criatura e então se afasta. Ela se contorce por alguns instantes, gritando e então cai de borco no chão.

David fitou a criatura morta no chão. Dominique tremia, Bill se aproximou de David, espantado.

- O-onde você aprendeu... isso? – perguntou-lhe o amigo.

- Em nenhum lugar – disse ele, ainda fitando o monstro – Achou que foi a adrenalina ou algo do tipo.

- Isso foi... – começou Bill, olhando para a criatura – DEMAIS – e então abriu um grande sorriso para o amigo.

David também sorriu timidamente. Dominique se aproximou dos dois.

- De-demais? – gaguejou ela – Isso... isso nem é humano... é... é... eu nem sei o que isso é e você fala Demais?

- Desculpa Domi, mas eu quis dizer sobre o que o David fez. Parecia até um ninja – riu Bill.

Dominique fitou a criatura que jazia no chão.

- Vamos dar o fora daqui. – falou finalmente David, e foi até a porta. – Venha Bill, vamos tentar arrombar essa porta.

Os dois amigos começaram a tentar arrombar a porta enquanto Dominique ainda fitava a criatura.

“Meu deus, o que é isso? Existe mais dessas por aqui? Eu sabia que tudo isso daria errado, eu sabia”, pensava a garota.

Foi então que os 3 ouviram um barulho vindo do teto.

- O que foi isso? – assustou-se Dominique.

Os três olharam pro teto, que começou a se rachar.

- DOMINIQUE, VEM PRA CÁ – berrou Bill para a namorada, que estava do outro lado da sala.

Mas antes que Dominique pudesse correr o teto desabou, separando Bill e David de Dominique. Uma pequena parte do concreto bateu na cabeça de Dominique.

- DOMINIQUE. DOMINIQUE. – berrava Bill para o outro lado do amontoado de concreto.

Nada foi ouvido. A garota estava desacordada.